
Nora Roberts

Quando a mar sobe

2 Srie A baa do Chasepeake

Trilogia da gratido 02




Prlogo
Ethan foi emergindo do sonho e, dando uma volta, saiu da cama. Ainda estava escuro, mas ele normalmente comeava sua jornada antes de que a noite cedesse  alvorada.
Gostava do silncio, a rotina singela, o trabalho duro que vinha depois.
Nunca lhe esquecia sentir-se agradecido porque lhe tivesse concedido a possibilidade de escolher e por poder levar essa forma de vida. Embora as pessoas responsveis
por lhe haver concedido tanto a possibilidade de optar como essa vida concreta j tinham morrido, para ele, o eco de suas vozes permanecia na bonita casa junto 
gua. Freqentemente elevava a vista de seu solitrio caf da manh na cozinha, esperando ver entrar em sua me arrastando os ps, bocejando, com o cabelo ruivo
furiosamente enredado pelo sonho, os olhos apenas entreabiertos.
E embora fazia quase sete anos que ela se foi, Ethan seguia encontrando consolo nessa ntima imagem matinal.
Mais doloroso lhe resultava pensar no homem que se converteu em seu pai. Apenas trs meses depois, a morte do Raymond Quinn estava ainda muito fresca para poder
sentir nenhuma quietude. E se tinha produzido em circunstncias suspeitas ainda sem explicar, em um acidente de trfico ocorrido a plena luz do dia em uma estrada
seca, em um dia de maro que comeava apenas a cheirar a primavera. O veculo viajava rpido e seu condutor no pde, ou no quis, manter o controle em uma curva.
As provas tinham demonstrado que no existia razo mdica alguma para que Ray se estrelasse contra um poste de telefone.
Mas existiam provas de um motivo emocional, e isso enchia ao Ethan de pesadumbre.
Essa idia ocupou sua mente uma vez mais, enquanto se preparava para a jornada. Deu a seu cabelo, ainda mido depois da ducha, uma rpida passada com o pente, que
no conseguiu absolutamente domar as amplas ondas de cabelo castanho esclarecido pelo sol. barbeou-se ante o espelho embaciado; seus serenos olhos estavam srios 
enquanto se tirava a espuma e a barba de um dia desse rosto ossudo e bronzeado que ocultava secretos, secretos que raramente desvelava.
Com o passar do lado esquerdo da mandbula corria uma ferida, presente de seu irmo maior, em que sua me lhe tinha tido que dar pontos com toda pacincia. Menos 
mal, pensou Ethan enquanto se esfregava distradamente com o polegar a cicatriz apenas visvel, que sua me era mdico. Um ou outro dos trs filhos estava acostumado 
a requerer primeiros auxlios com bastante freqncia.
Ray e Stella os tinham acolhido quando eram trs moos j mdio crescidos, todos selvagens, todos feridos, todos estranhos. E com eles tinham formado uma famlia.
E logo, pouco antes de sua morte, Ray tinha acolhido a um quarto.
Agora Seth DeLauter lhes pertencia . Ethan no o punha em duvida em nenhum momento. Mas sabia que outros sim. Na pequena cidade do St. Christopher todo mundo comentava 
que Seth no era simplesmente outro dos moos sem lar do Ray Quinn, a no ser seu filho ilegtimo. Um filho concebido, quando sua esposa ainda vivia, com outra mulher, 
uma mulher mais jovem.
Ethan podia ignorar a fofoca, mas lhe resultava impossvel ignorar o fato de que o moo, de dez anos, olhava com os olhos do Ray Quinn.
Naqueles olhos aninhavam sombras que Ethan tambm reconhecia. Um ferido reconhece a outro. Sabia que a vida do Seth tinha sido um pesadelo antes de que Ray o acolhesse. 
O mesmo tinha vivido uma.
Agora o menino se encontrava a salvo, pensou Ethan enquanto ficava umas folgados calas de algodo e uma camisa de trabalho descolorida. Agora o menino era um Quinn, 
embora a papelada legal no estivesse completa ainda. Contavam com o Phillip para assegurar-se disso. Ethan sabia que seu meticuloso irmo se ocuparia desse tipo 
de assuntos com o advogado. E Cameron, o major dos Quinn, tinha conseguido estabelecer um tnue vnculo com o Seth.
Tinha-o feito torpemente, pensou Ethan sonriendo pela metade. Tinha sido como contemplar uma briga de gatos que se arranham e cospem. Agora que CAM se casou com 
uma bonita assistente social, as coisas talvez se acalmassem um pouco.
Ethan preferia a vida tranqila.
Ainda ficavam batalhas por liberar, j que a companhia de seguros se negava a abonar a aplice do Ray pela suspeita de suicdio. Lhe encolheu o estmago e se tomou 
um momento para acalmar-se. Seu pai no podia haver-se suicidado. O capitalista Quinn sempre se enfrentou aos problemas e tinha ensinado a seus filhos a fazer o 
mesmo.
Mas essa nuvem seguia pesando sobre a famlia, e no parecia querer afastar-se. Tampouco era a nica. Estava tambm a repentina apario na cidade da me do Seth, 
com suas acusaes de perseguio sexual formuladas ante o decano da faculdade onde Ray dava classes de Literatura Inglesa. As acusaes no puderam manter-se; continham 
muitas mentiras, havia muitos mudanas na histria da mulher, mas era inegvel que a seu pai tinham afetado. Tambm era inegvel que, pouco depois de que Glorifica 
DeLauter abandonasse St. Christopher de novo, Ray tambm se foi.
E retornou com o menino.
Logo estava a carta encontrada no veculo do Ray depois do acidente: era uma bvia ameaa de chantagem dessa DeLauter. E alm disso estava o fato de que Ray lhe 
tinha entregue dinheiro, uma boa quantidade de dinheiro.
E agora Glorifica DeLauter havia tornado a desaparecer. Ethan desejava que seguisse assim, mas sabia que a fofoca no cessaria at que todas as respostas estivessem 
claras.
No havia nada que ele pudesse fazer, recordou-se a si mesmo. Saiu ao patamar e deu um golpe rpido na porta de em frente. O gemido do Seth foi seguido por um murmrio 
sonolento e depois por uma irritada maldio. Ethan continuou para a planta baixa. Seguro que Seth voltava a queixar-se por ter que levantar-se to cedo. Mas enquanto 
CAM e Anna seguissem na Itlia de lua de mel e Phillip estivesse em Baltimore trabalhando at o fim de semana, correspondia a ele levantar o menino e fazer que se 
fora a casa de um amigo at a hora de ir  escola.
Estavam em plena temporada de caranguejo e os mariscadores comeavam sua jornada antes da sada do sol. Assim, at que retornassem CAM e Anna, tambm Seth teria 
que levantar-se logo.
A casa se achava escura e em silncio, mas Ethan se movia por ela com facilidade. Agora possua sua prpria casa, embora parte do acordo para conseguir a tutela 
do Seth se apoiava em que os trs irmos residissem sob o mesmo teto e compartilhassem a responsabilidade.
Ao Ethan no importava assumir responsabilidades, mas sentia falta de seu casita, sua intimidade e quo singela tinha sido sua vida anteriormente.
Acendeu as luzes da cozinha. A noite passada havia meio doido ao Seth recolher depois do jantar e Ethan notou que o tinha feito pela metade. Ignorando a mesa pegajosa 
e coberta de coisas, dirigiu-se diretamente  cozinha.
Seu co Simon desfez o novelo que formava dormido e se estirou perezosamente, golpeando o cho com a cauda. Ethan preparou o caf e saudou o retriever com uma carcia 
distrada na cabea.
Agora voltava para sua mente o sonho, esse que lhe tinha apanhado justo antes de despertar. Seu pai e ele, juntos no navio de tarefa inspecionando jaulas para caranguejo, 
os dois sozinhos. O sol esquentava bastante e brilhava com uma luz cegadora. A gua estava transparente e em calma. Nesse momento pensou que tinha sido um sonho 
muito vvido, inclusive se cheirava a gua e o pescado, e o suor.
A voz de seu pai, to fresca na lembrana, elevava-se sobre os rudos do motor e das gaivotas.
Sabia que cuidariam do Seth entre os trs.
No tinha que morrer para nos pr a prova. O tom do Ethan era de ressentimento, com um aborrecimento de fundo que no se permitiu admitir quando estava acordado.
Tampouco era o que eu tinha em mente replicou Ray em tom ligeiro enquanto escolhia caranguejos da jaula situada sob o bia que Ethan tinha enganchado com o gancho 
de ferro. Suas grossas luvas laranjas de pescador brilhavam sob o sol, asseguro-lhe isso. Oua, tem aqui uns bons caranguejos para fazer ao vapor e um monto de 
fmeas.
Ethan observou a jaula cheia de crustceos e tomou nota automaticamente do nmero e o tamanho. Mas no era a pesca o que importava, no ali, no ento.
Voc quer que te cria, mas no te explica.
Ray o olhou, tornando-se para trs a boina vermelho vivo que levava sobre a juba chapeada. O vento jogava com seu cabelo e com a caricatura do John Steinbeck que 
decorava a parte dianteira de sua camiseta, fazendo-a ondear sobre o amplo peito. O grande escritor norte-americano sustentava um letreiro no que assegurava que 
trabalharia em troca de comida, mas no parecia muito feliz a respeito.
Pelo contrrio, Ray Quinn transbordava de sade e energia, suas rosadas bochechas estavam sulcadas por profundas dobras que simplesmente pareciam celebrar o nimo 
satisfeito e feliz de um homem vigoroso de uns sessenta anos ao que ficava muita vida por diante.
Voc tem que encontrar seu prprio caminho, suas prprias respostas. Ray lhe sorriu com seus brilhantes olhos azuis e Ethan observou as rugas que se faziam mais 
profundas em torno deles. Desse modo, adquire mais significado. Sinto-me orgulhoso de ti.
Ethan sentiu que lhe ardia a garganta e que o corao lhe encolhia. Distradamente, reps a ceva na jaula, e depois olhou como os bias laranjas se moviam balanados 
pela gua.
por que?
Porque  voc. S porque  Ethan.
Eu deveria ter ido verte mais freqentemente. No deveria te haver deixado sozinho tanto tempo.
Isso  uma solene tolice. Agora a voz do Ray soava to irritada como impaciente. Eu no era um velho invlido. Me vou chatear se pensar assim, se te culpar por 
no ter velado por mim, pelo amor de Deus. Igual a queria culpar ao CAM por haver-se transladado a viver a Europa e at ao Phillip por ir-se a Baltimore. Mas os 
pssaros ss abandonam o ninho. Voc me e eu criamos pssaros ss. antes de que Ethan pudesse replicar, seu pai elevou uma mo. Era um gesto to dele, o do professor 
que se nega a ser interrompido enquanto est explicando algo, que Ethan riu. Mas voc os sentia falta de. Por isso estava zangado com eles. Eles se foram, voc 
ficou e desejava os ter perto. Bom, pois j os tem de volta, no?
Assim parece.
E tem uma cunhada estupenda, o comeo de um negcio de construo de navios e isto... Ray fez um gesto assinalando a gua, as bias que se balanavam, a alta erva 
de mar, mida e brilhante, na borda, onde uma garceta solitria se elevava como um pilar de mrmore. E em seu interior, Ethan, poses algo que Seth necessita. Pacincia. 
Possivelmente inclusive muita em certos aspectos.
E isso o que se supe que significa?
Ray emitiu um breve suspiro.
H algo que no possui, Ethan, algo que necessita. No tem feito mais que esperar e te buscar desculpas, sem fazer nada para consegui-lo. Se no mover ficha logo, 
o vais perder outra vez.
O que? Ethan se encolheu de ombros e dirigiu o navio at a seguinte bia. Tenho tudo o que necessito e desejo.
No te pergunte o que, te pergunte quem. Ray estalou a lngua e depois deu a seu filho um rpido meneio no ombro. Acordada, Ethan.
E se tinha despertado com a estranha sensao de ter essa mo grande e familiar no ombro.
Mas, pensou meditabundo enquanto tomava sua primeira taa de caf, seguia sem conhecer as respostas.
1
agarramos uns bons insetos, capito.
Jim Bodine tirava da jaula caranguejos, dos que esto a ponto de perder o carapaa, e jogava a valiosa captura no tanque. No lhe importavam as sonoras pinzas, como 
o provavam as cicatrizes de suas grosas mos. Levava as luvas tpicas de sua profisso, mas, como qualquer mariscador sabia, danificavam-se muito rpido. E assim 
que tinham um buraco, os caranguejos acabavam dando com ele.
Trabalhava sem pausa, com as pernas separadas para manter o equilbrio a pesar do balano do navio, com os olhos escuros entreabridos em um rosto curtido pela idade, 
o sol e a vida. Lhe podiam jogar cinqenta ou oitenta anos, e lhe dava igual uma coisa ou outra.
Sempre chamava capito ao Ethan e no estava acostumado a pronunciar mais de uma frase enunciativa cada vez que falava.
Ethan trocou de rumo para a seguinte jaula, empurrando ligeiramente com a mo direita o leme de cano, que quase todos os mariscadores preferiam ao de roda. Ao mesmo 
tempo, com a esquerda dirigia o acelerador e a alavanca de marchas. Terei que ir fazendo pequenos ajustes  medida que se avanava pelo palangre de nasas.
A baa do Chesapeake podia ser magnnima quando lhe dava a vontade, mas tambm gostava das mutretas para te fazer suar pelo bota de cano longo.
Ethan a conhecia to bem como a si mesmo, freqentemente pensava que inclusive melhor; conhecia perfeitamente os inconstantes nimos e movimentos do esturio maior 
do continente, que flua do norte ao sul ao longo de duzentas milhas e entretanto media s quatro de largura quando se deslizava junto ao Anpolis, e trinta na desembocadura 
do rio Potomac. St. Christopher, situado ao casaco da parte baixa da borda oriental de Maryland, vivia da generosidade da baa e amaldioava seus caprichos.
As guas do Ethan, seu lar, estavam bordeadas de restingas, enlaadas por serpenteantes canais de drenagem, com abruptos ribazos, que reluziam entre bosquetes de 
tulpero e carvalho.
Era um mundo de regatos formados pela mar e repentinos bancos de areia onde cresciam o aipo silvestre e o feno de mar.
converteu-se em seu mundo, com suas estaes cambiantes, suas tormentas repentinas e sempre, sempre, com os sons e os aromas da gua.
Calculando o tempo, agarrou o comprido gancho de ferro e, em um perito movimento to fluido como um passo de baile, enganchou o cabo das nasas e atirou dele. Em 
poucos segundos, uma jaula se elevou da gua, jorrando de algas e restos de ceva, cheia de caranguejos. Viu as pinzas vermelho brilhante das fmeas adultas e os 
olhos carrancudos dos machos.
Boa colheita! foi tudo o que comentou Jim enquanto ficava  tarefa, iando a jaula a bordo como se pesasse gramas em vez de quilogramas.
Esse dia o mar estava picada e Ethan cheirava a tormenta que se morava. Quando tinha as mos ocupadas, usava os joelhos para dirigir os mandos. Jogou um olhar s 
nuvens que comeavam a agitar-se no cu do oeste, ao longe.
Dava-lhes tempo, pensou, a seguir com o resto do palangre na parte larga da baa e ver quantos crustceos mais se colocaram nas jaulas. Sabia que Jim andava escasso 
de dinheiro, e ele tambm necessitava tudo o que pudesse tirar para manter a flutuao o negcio de construo de navios que acabava de montar com seus irmos.
Dava-lhes tempo, pensou outra vez, enquanto Jim repunha a ceva em uma das jaulas com despojos de pescado mdio descongelados e a lanava pela amurada. Com um salto, 
Ethan enganchou o seguinte bia.
Seu lustroso co Simon, um retriever da baa do Chesapeake, tinha a lngua fora e se apoiava com as pernas dianteiras na d de presente. Ao igual a seu dono, onde 
mais feliz se achava era na gua.
Os dois homens trabalhavam coordinadamente e quase em silncio, comunicando-se com grunhidos, encolhimentos de ombros e algum taco de vez em quando. Agora que havia 
abundncia de caranguejos, dava gosto trabalhar. Outros anos no era assim; anos em que parecia que o inverno tivesse terminado com os crustceos ou que a gua no 
alcanaria nunca a temperatura suficiente para tent-los a nadar.
Nesses anos, os mariscadores sofriam a menos que tivessem outra fonte de ganhos; Ethan tinha inteno de fazer-se com uma construindo navios.
O primeiro navio Quinn estava quase terminado. E que jia, pensou. Cameron j tinha outro ajustado para um tipo rico ao que conhecia de quando se dedicava s carreiras, 
assim comeariam breve. Ethan estava seguro de que seu irmo atrairia s pessoas com dinheiro.
O foram conseguir, disse-se a si mesmo, por muitas dvidas e queixa que tivesse Phillip.
Olhou o sol, calculou a hora e contemplou as nuvens que se aproximavam lentamente, avanando sem pausa para o este.
Vamos, Jim.
Levavam oito horas na gua, uma jornada curta. Mas Jim no se queixou. Sabia que no era realmente a tormenta que se morava o que fazia que Ethan enfiasse o navio 
de volta para a parte alta da Baa.
O guri j teria chegado do penetre comentou.
Sim.
E embora Seth podia valer-se por si mesmo para ficar solo em casa pela tarde, ao Ethan no gostava de tentar ao destino. Um menino de dez anos, e com o carter do 
Seth, era um perigo andante.
Quando seu irmo voltasse da Europa dentro de um par de semanas, repartiriam-se o cuidado do menino entre os dois. Mas, no momento, a responsabilidade recaa nele.
A gua da baa estava encabritada e adotava um tom cinza metlico como reflexo do cu, mas nem aos homens nem ao co lhes preocupava a agitado viagem enquanto o 
navio escalava as levantadas ondas tomando as de frente e logo se deslizava para baixo nos seios. Simon se tinha colocado na proa; tinha a cabea alta e as orelhas 
movidas pelo vento, e sorria com um sorriso po. Ethan tinha construdo o navio ele mesmo e sabia que agentaria. To seguro como o co, Jim procurou o amparo da 
toldilla e, cavando as mos, acendeu um cigarro.
O porto do St. Chris transbordava de turistas. Os primeiros dias de junho lhes impulsionavam a sair dos bairros residenciais de Washington e Baltimore, lhes tentando 
a agarrar o carro para aproximar-se at ali. Ethan imaginava que a pequena cidade lhes parecia pitoresca, com suas ruas estreitas, suas casas de madeira e seus tiendecitas. 
Gostavam de contemplar como trabalhavam os dedos dos descascadores de caranguejos, comer os esponjosos bolos feitos com esse crustceo e poder lhes contar a seus 
amigos que tinham provado a sopa de caranguejo fmea. alojavam-se nas hospedarias, a cidade presumia de ter nada menos que quatro, e se gastavam o dinheiro nos restaurantes 
e as lojas de presentes.
Ao Ethan no parecia mau. Nas pocas em que a baa no se mostrava prdiga, o turismo mantinha viva a localidade. E lhe ocorreu que, em algum momento, algum desses 
turistas podia decidir que o desejo mais profundo de sua alma era possuir um veleiro construdo de forma artesanal em madeira.
O vento aumentou enquanto Ethan atracava no mole. Jim saltou agilmente para amarrar os cabos. Suas pernas curtas e seu corpo rechoncho lhe faziam parecer uma r 
saltitanta vestida com botas de borracha brancas e uma boina manchada de graxa.
A um distrado sinal da mo de seu amo, Simon se sentou e esperou no navio enquanto os homens descarregavam a captura do dia e o vento fazia danar a toldilla, de 
um verde comido pelo sol. Ethan contemplou como se aproximava Pete Monroe com seu cabelo cinza metlico esmagado sob uma desgastada boina, e com seu corpo fornido 
vestido com umas amplas calas cquis e uma camisa vermelha de quadros.
Boa captura, Ethan.
Este sorriu. Tinha-lhe bastante aprecio ao senhor Monroe, apesar de que era miservel at a medula. Dirigia a Marisquera Monroe com o punho bem apertado. Mas, por 
isso ele sabia, no havia empresrio marisquero que no se queixasse dos benefcios.
tornou-se para trs a boina e se arranhou o pescoo onde o suor e o cabelo mido lhe faziam ccegas.
No est mau.
Muito em breve voltam hoje.
mora-se uma tormenta.
Monroe assentiu. Nesse momento, seus descascadores de caranguejos, que tinham estado trabalhando  sombra de toldos de raias, preparavam-se para ir-se dentro. Sabia 
que a chuva empurraria tambm aos turistas a procurar um stio onde tomar um caf ou um sorvete. Como era um dos dois scios da cafeteria Bayside Eats, no lhe importava.
Que trazem? Umas setenta caixas, no?
Ethan deixou que seu sorriso se fizesse mais ampla. Algum poderia dizer que tinha um ar de pirata. Ethan no se haveria sentido insultado, mas sim surpreso.
Mas bem noventa, diria eu.
Sabia exatamente a como se vendiam, mas tinha claro que terei que regatear, como de costume. Tirou seu puro para essas situaes, acendeu-o e se disps  tarefa.
As primeiras gotas gordas comearam a cair quando se dirigia a casa. Calculava que tinha conseguido um bom preo pelos caranguejos; suas oitenta e sete caixas. Se 
o vero seguia assim, teria que pensar-se o de colocar outras cem jaulas o ano prximo, possivelmente inclusive contratar a algum a tempo parcial.
Dedicar-se s ostras na baa j no era como antes desde que os parasitas as tinham deixado dizimadas. Ento os invernos se fizeram duros. O que precisava eram umas 
quantas temporadas boas de caranguejo para poder investir a maior parte dos benefcios no novo negcio e para contribuir a pagar ao advogado. Ante essa idia apertou 
os lbios enquanto a embarcao cabeceava de caminho a casa.
por que necessitavam um maldito advogado? por que tinham que pagar a um enganador manhoso vestido de traje para que limpasse o bom nome de seu pai? Isso no ia acabar 
com as fofocas que circulavam pela cidade. Os falatrios s terminariam quando a gente encontrasse algo mais suculento ao que lhe fincar o dente que a vida e a morte 
do Ray Quinn.
E a presena do menino..., meditou, observando a gua que tremia sob o tamborilar uniforme da chuva. Havia gente a que gostava de fazer comentrios sobre o menino 
que lhes olhava com os olhos azul escuro do Ray Quinn.
A ele, pessoalmente, no lhe importava. Por isso a ele concernia, a gente podia seguir lhe dando  lngua at que lhes casse da boca. Mas lhe doa no mais profundo 
que algum insinuasse algo mau sobre o homem ao que tinha amado com cada pulsado de seu corao.
Assim que se deixaria os dedos para pagar ao advogado e faria o que terei que fazer para proteger ao guri.
No cu soou um trovo que retumbou na gua como um caonazo. A luz se reduziu como no crepsculo pelas nuvens escuras que se abriram para liberar slidas cortinas 
de gua. Entretanto, Ethan atracou com calma em seu embarcadero. Total, molhar-se um pouco mais no lhe faria mal.
Como compartilhando esse sentimento, Simon saltou  gua para nadar at a borda enquanto seu dono amarrava os cabos. Logo, este recolheu a tartera e se dirigiu  
casa, com suas botas de pescador chapinhando no mole.
As tirou no alpendre traseiro. Quando era pequeno, sua me lhe tinha jogado um monto de broncas por colocar porcaria em casa, e Ethan conservava o hbito adquirido 
aps. Mas no reparou em que o co molhado empurrava a porta com o focinho e entrava antes que ele. At que viu as encimeras e os chos reluzentes.
Mierda, foi tudo o que lhe ocorreu enquanto olhava as pisadas e ouvia o alegre latido de saudao do Simon. Logo houve um chiado, mais latidos e risadas.
Est empapado! A voz feminina era grave, suave e alegre. Tambm era muito firme, e Ethan se sentiu um pouco culpado. Fora, Simon! Vamos, fora. Vete ao alpendre 
dianteiro at que te seque.
Houve outro gritito e risadas de menino pequeno junto s de outro maior. Est aqui toda a turma, pensou Ethan passando-a mo pelo cabelo molhado. Quando ouviu 
passos que se aproximavam, saiu disparado ao armrio das vassouras para tirar a faxineira.
No se movia depressa muito freqentemente, mas podia faz-lo quando se via obrigado.
Ai, Ethan! Grace Monroe o contemplou com as mos em seus estreitos quadris, alternando seu olhar entre ele e os rastros de co no cho recm encerado.
J me ocupo eu. Sinto muito. Viu que a faxineira ainda estava molhada e decidiu que era melhor no olhar a jovem diretamente. No tinha dado conta murmurou, 
enchendo um cubo com gua na pia. No sabia que te tocava vir hoje.
V, assim deixa que os ces molhados corram pela casa manchando o cho quando no me toca vir?
Ethan se encolheu de ombros.
O estou acostumado a estava sujo quando me fui esta manh, assim no acreditava que se notasse algo mais de sujeira. Por fim se relaxou um pouco. ultimamente sempre 
lhe custava uns minutos consegui-lo quando estava com ela. Mas se tivesse sabido que me foste jogar uma bronca, o teria deixado no alpendre.
Quando se voltou, sorria, e ela deixou escapar um suspiro.
Anda, me d a faxineira, j o fao eu.
No, no, o que mancha meu co o limpo eu. ouvi o Aubrey.
Com ar distrado, Grace se apoiou na ombreira da porta. sentia-se cansada, o que no era nada fora do normal. Como cada dia, levava oito horas trabalhando. E essa 
noite ficavam ainda outras quatro servindo taas no pub do Shiney.
Alguns dias, quando se metia na cama arrastando-se, quase haveria dito que ouvia chorar a seus ps.
Seth me est cuidando isso. H-me meio doido trocar os dias. Esta manh me chamou a senhora Lynley me pedindo que a trocasse a manh porque sua sogra a chamou de 
Washington para autoinvitarse para jantar. Diz que a sogra olhe cada bolinha de p como se fora o major pecado contra Deus e a humanidade. Acreditei que no lhes 
importaria se vinha hoje em lugar de amanh.
Voc nos encaixe onde melhor te venha, Grace, agradecemo-lhe isso igual.
Ethan a observava enquanto esfregava. Sempre lhe tinha parecido bonita. Era como um cavalo dourado e de largas pernas. Levava o cabelo curto como um menino, mas 
lhe gostava de como lhe sentava, igual a um brilhante gorro com franjas.
Estava to magra como uma dessas supermodelos que cobram milhes de dlares, mas ele sabia que sua silhueta alta e esbelta no se devia na moda. Conforme recordava, 
de menina era fraca e desajeitada. Quando ele chegou ao St. Chris e  famlia Quinn, ela teria uns sete ou oito anos. Agora devia andar pelos vinte e dois, e flacucha 
j no era a palavra mais apropriada para descrev-la.
Era como um salgueiro jovem, pensou, quase ficando avermelhado.
Lhe sorriu e seus olhos verdes de sereia se animaram, enquanto que nas bochechas apareceram pequenos hoyitos travessos. Por razes que no podia precisar, lhe parecia 
divertido contemplar a um exemplar macho to so com a faxineira.
Que tal te foi o dia?
No esteve mau. Esfregou o cho a conscincia. Era um homem meticuloso. Depois se dirigiu de novo  pia para enxaguar a faxineira e o cubo. Lhe vendi um bom carregamento 
de caranguejos a seu pai.
Ante a meno de seu pai, o sorriso da jovem perdeu parte de seu brilho. Estavam distanciados e levavam assim desde que ficou grvida do Aubrey e se casou com o 
Jack Casey, o homem ao que seu pai denominava essa nulidade de mecnico do norte do estado.
Resultou que seu pai levava razo sobre o Jack. O tipo a tinha deixado na estacada um ms antes do nascimento de seu beb, levando-se consigo as economias, o carro 
e quase toda a auto-estima do Grace.
Mas o tinha superado, recordou-se a si mesmo. E as arrumava bastante bem. E seguiria arrumando-lhe bem ela sozinha, sem um cntimo de sua famlia, embora tivesse 
que matar-se a trabalhar para consegui-lo.
Ouviu o Aubrey rir de novo, uma sonora gargalhada, e seu ressentimento se desvaneceu. Tinha tudo o que importava. Tudo estava vinculado ao pequeno anjo de olhos 
vivazes e cabelo encaracolado que estava no quarto do lado.
antes de ir lhes prepararei um pouco de jantar.
Ethan se girou e a olhou outra vez. Estava bronzeada e lhe sentava muito bem, dava a sua pele um tom quente. Possua um rosto alargado a jogo com seu esbelto corpo, 
embora o queixo mostrava certa tendncia  obstinao. Se a olhasse qualquer homem, veria uma loira esbelta e sossegada e um belo rosto, um rosto que o fazia desejar 
a um poder contempl-la um pouco mais.
E se um o fazia, veria as olheiras sob os grandes olhos verdes e certo cansao em torno da suave boca.
No tem por que faz-lo, Grace. Deveria ir a casa e descansar um pouco. Hoje te toca ir ao pub, no?
Sobra-me tempo e prometi ao Seth hambrgueres esbugalhados em molho. No demorarei muito. moveu-se enquanto Ethan seguia observando-a. Fazia muito que tinha aceito 
que esses olhares dele, largas e pensativas, esquentavam-lhe o sangue. Outra das pequenas dificuldades da vida, pensou. O que passa? perguntou enquanto se passava 
uma mo pela bochecha como esperando encontrar um tiznajo.
Nada. Bom, se for cozinhar, tem-te que ficar para nos ajudar a comer o que preparar.
Estupendo. relaxou-se de novo e se adiantou a agarrar o cubo e a faxineira das mos do Ethan para guard-los ela mesma. Ao Aubrey adora estar aqui com o Seth 
e contigo. por que no vai com eles  sala? Tenho que terminar uma penetrada e logo me ponho com o jantar.
Te darei uma mo.
No, de maneira nenhuma. Era outra questo de orgulho. Pagavam a ela, e tinha que fazer o trabalho ela. Todo o trabalho. Anda, vete  sala, e no deixe de lhe 
perguntar ao Seth que tal o exame de matemtica que lhes entregaram hoje.
O que lhe puseram?
Outro sobressalente.
Lhe piscou os olhos um olho e lhe jogou da cozinha. Seth era muito inteligente, pensou enquanto se dirigia ao quarto de lavar, situado junto  cozinha. Se a ela 
lhe tivessem dado melhor os nmeros quando era pequena, se tivesse tido uma mente mais prtica, no se teria passado a vida na escola sonhando.
Teria aprendido um ofcio, um de verdade, no s pr taas, cuidar da casa ou cortar caranguejos. Teria tido uma profisso a que voltar quando se encontrou grvida, 
s e com todas as esperanas de escapar a Nova Iorque para ser bailarina feitas pedacinhos, como um cristal golpeado com um tijolo.
Ora!, no era mais que um sonho absurdo, disse-se a si mesmo, esvaziando a secadora e carregando-a uma vez mais com a roupa molhada da mquina de lavar roupa. Castelos 
no ar, como dizia sua me. Mas o certo era que, enquanto crescia, s havia duas coisas que desejava: danar e ao Ethan Quinn.
No tinha conseguido nenhuma das duas.
Deixou escapar um leve suspiro, aproximando de sua bochecha o lenol suave e clida que acabava de agarrar da cesta da roupa. O lenol do Ethan, a que tinha tirado 
de sua cama essa mesma manh. Nesse momento, tinha captado seu aroma no tecido e possivelmente, durante um minuto ou dois, permitiu-se sonhar um poquito sobre como 
poderia ter sido se ele a tivesse desejado, se ela se deitou com ele nesses lenis, em sua casa.
Mas sonhar no fazia as tarefas, nem pagava o aluguel nem comprava as coisas que necessitava sua filhinha.
Comeou a dobrar os lenis com energia, as colocando ordenadamente sobre a rugiente secadora. No tinha por que envergonhar-se de limpar casas ou servir taas. 
Alm disso, ambas as coisas lhe davam bem. E se sentia uma pessoa de proveito e necessitada por outros. Com isso bastava.
Certamente, o homem com o que tinha estado casada brevemente no a tinha necessitado nem a tinha considerado uma pessoa de proveito. Se ao menos se amaram o um ao 
outro, se se tivessem querido de verdade, teria sido distinto. Para ela, tinha sido uma necessidade se desesperada para pertencer a algum, de sentir-se querida 
e desejada como mulher. Para o Jack... Grace sacudiu a cabea. Sinceramente, no tinha nem idia do que tinha significado para ele.
Uma atrao sexual, supunha, que se converteu na concepo de um novo ser. Era consciente de que ele acreditava ter feito o mais correto ao lev-la ao tribunal e 
ficar com ela frente a um juiz naquele frio dia de outono para intercambiar os votos matrimoniais.
Nunca a tinha maltratado. Nunca se tinha embebedado e a tinha pego, como faziam alguns maridos com suas algemas, s que no queriam. Tampouco se dedicava a perseguir 
saias, ao menos no que ela soubesse. Mas tinha visto,  medida que Aubrey crescia dentro dela e seu ventre se ia arredondando, o brilho de pnico que se instalava 
no olhar do Jack.
E logo, um dia, ele se foi dizer uma palavra.
O pior de tudo, pensou Grace,  que se havia sentido aliviada.
Se Jack fazia algo por ela, era obrig-la a crescer, a fazer-se carrego das coisas. E o que lhe tinha dado valia mais que as estrelas.
Ps a roupa dobrada na cesta, que se colocou no quadril, e se dirigiu  sala.
Ali estava seu tesouro, com um lustroso cabelo loiro e encaracolado e um precioso rosto de bochechas rosadas iluminado de alegria enquanto tagarelava com o Ethan, 
que a tinha sentada em seu regao.
Com dois anos, Aubrey Monroe parecia um anjo do Botticelli, toda rosa e ouro, com vivazes olhos verdes e hoyitos que fendiam suas bochechas. Tinha alm pequenos 
dentes de gatinho e mos de dedos largos. Embora logo que podia entender a metade do que dizia, Ethan assentiu com seriedade.
E ento o que tem feito Parvo? perguntou quando compreendeu que lhe estava tratando de contar uma histria relacionada com o cachorrinho do Seth.
Lambeu-me a cara. Com a risada nos olhos, esfregou-se as bochechas com as mos. Toda a cara. Sonriendo, tocou- a cara ao Ethan e comeou um jogo que gostava 
de muito. Ai! riu estrepitosamente, lhe esfregando a cara de novo. Barba.
Entrando no jogo, Ethan passou ligeiramente os ndulos pelas suaves bochechas da menina, e logo apartou a mo rapidamente.
Ai! Voc tambm tem.
No! Voc.
No. Atraiu-a para si e lhe deu uns sonoros beijos na bochecha enquanto ela se revolvia encantada. Voc.
Rendo-se a gargalhadas, a menina se escabull para aproximar-se do moo que estava atirado no cho.
Barba Seth. Cobriu-lhe as bochechas de beijos e saliva. A dignidade do Seth requeria que este fizesse uma careta de desagrado.
Jo, Aubrey, me deixe em paz. Para distrai-la, agarrou um dos carros de brinquedo da menina e o fez correr ligeiramente por seu brao.  uma pista de carreiras.
Os olhos da menina brilharam com a emoo de um jogo novo. lhe arrebatando o carro, fez-o correr, sem tanta suavidade, por qualquer parte do corpo do Seth que podia 
alcanar.
Ethan se limitou a sorrir.
Voc lhe procuraste isso, colega disse ao Seth quando Aubrey pisou na coxa para chegar at seu outro ombro.
Prefiro-o a que me encha de babas alegou Seth, mas elevou o brao para impedir que a menina casse ao cho.
Por um momento, Grace simplesmente ficou ali olhando. Ethan, sentado relajadamente na grande poltrona de orelhas, sorria aos meninos. Estes, com suas cabeas juntas, 
uma delicada e coberta de cachos dourados, o outro com um arbusto de cabelo desgrefiado bastante mais escura.
O pequeno moo perdido, pensou, e seu corao voou at ele com a mesma compaixo que sentia do primeiro dia que o viu. Mas agora tinha encontrado o caminho a um 
lar.
Sua apreciada filha. Quando Aubrey era apenas Um bato as asas em seu tero, Grace prometeu am-la, proteg-la e desfrutar com ela. Ao Aubrey nunca faltaria um lar.
E o homem que foi uma vez um muchachito perdido, o homem que se deslizou em seus sonhos de adolescente anos atrs para no abandon-los nunca mais... O se tinha 
construdo um lar.
A chuva tamborilava no telhado, a televiso era um murmrio baixo sem importncia. Os ces dormiam no alpendre dianteiro e o vento mido penetrava pela porta com 
mosquiteira.
Grace desejou o que no lhe correspondia desejar: poder deixar no cho a cesta da roupa, aproximar-se e sentar-se no regao do Ethan. Ser bem recebida, inclusive 
esperada. Fechar os olhos apenas um ratito e ser parte desse tudo.
Em lugar disso, retirou-se, sentindo-se incapaz de pr o p nesse universo tranqilo e depravado. Retornou  cozinha, onde as luzes do teto lanavam um brilho descarnado. 
Ali, deixou a cesta na mesa e comeou a tirar o que necessitava para o jantar.
Quando Ethan entrou uns minutos mais tarde em busca de uma cerveja, a carne estava dourando-se, as batatas se fritavam em azeite de amendoim e a jovem estava preparando 
a salada.
Cheira muito bem.
ficou parado um momento, sentindo-se incmodo, Fazia anos que ningum cozinhava para ele, e nem sequer ento o tinha feito uma mulher. Seu pai se movia a gosto na 
cozinha, mas sua me... Sempre brincavam sobre o fato de que quando ela cozinhava, necessitavam todos seus conhecimentos mdicos para sobreviver  comida.
Estar preparado dentro de uma meia hora. Espero que no te importe jantar logo. Tenho que levar ao Aubrey a casa, banh-la e me vestir para ir ao trabalho.
Nunca me importa comer, em particular quando no me toca cozinhar . E a verdade  que hoje quero ir ao estaleiro durante um par de horas.
Ah. Olhou-lhe, soprando a franja. me Deveria haver isso dito. Me teria dado mais pressa.
No passa nada. Bebeu um gole da garrafa. Gosta de algo de beber?
No, obrigado. Estava pensando em usar o enfeite para saladas que preparou Phillip. Resulta muito mais saboroso que o comprado.
Estava deixando de chover, a gua se espaava em uma garoa lenta que a aquosa luz do sol tentava atravessar. Grace olhou para a janela, sempre esperando ver um arco 
ris.
Que bem esto as flores da Anna! comentou. Lhes sinta bem a chuva.
Assim no tenho que tirar a mangueira. Se se secassem quando ela no est, mataria-me.
No a culpo. Trabalhou muito duro para as plantar antes das bodas. Grace trabalhava com rapidez e agilidade enquanto falava. Escorreu um turno de batatas e jogou 
outra ao azeite fervendo. Foi umas bodas to bonita! continuou enquanto mesclava o molho para a carne em uma terrina.
Tudo saiu bem. Tivemos sorte com o tempo.
Ah,  que esse dia no podia chover. Teria sido um pecado.
Podia v-lo de novo com toda claridade. O verdor da erva no ptio traseiro, o brilho da gua. As flores plantadas pela Anna transbordavam de cor junto s compradas, 
que quase se saam dos vasos de barro, e as terrinas estavam dispostas ao longo do tapete branco pela que tinha desfilado a noiva at reunir-se com o homem com quem 
ia casar se.
Seu vestido branco ondeava ao vento, o fino vu realava os olhos escuros e embriagados de felicidade. As cadeiras estavam ocupadas por amigos e familiares. Os avs 
da Anna choravam. E CAM, o briguento Cameron Quinn, olhava a sua prometida como se acabasse de receber as chaves do paraso.
Umas bodas caseira. Singela, romntica, clida, pensou Grace, perfeita.
Anna  a mulher mais bela que vi em minha vida comentou com um suspiro logo que tingido de inveja.  to moria e extica...
Vai bem a meu irmo.
Pareciam estrelas de cinema, to elegantes e reluzentes... sorriu-se a si mesmo enquanto incorporava o molho especiada  carne, lhe dando voltas. Quando Phillip 
e voc tocaram a valsa para seu primeiro baile, foi a coisa mais romntica que vi nunca. Voltou a suspirar enquanto acabava a salada. E agora esto em Roma. No 
me posso isso nem imaginar.
Chamaram ontem pela manh para me pilhar antes de que me fora a trabalhar. Dizem que o esto acontecendo muito bem.
Grace riu com um som grave e um pouco rouco que correu ao Ethan pela pele como crculos na gua.
De lua de mel em Roma? O estranho seria o contrrio. Ao tirar outro turno de batatas da frigideira, algumas gotas de azeite lhe saltaram, lhe alcanando em um 
lado da mo, por isso amaldioou brandamente: V! Maldita seja. Quando levantava a pequena queimadura at sua boca para aliviar a dor, Ethan se aproximou rapidamente 
e lhe agarrou a mo.
Queimaste-te? Viu que a pele se estava pondo vermelha e levou ao Grace  pia. te Jogue gua fria em cima.
No passa nada.  s uma pequena queimadura. Ocorre-me sempre.
No te passaria se levasse mais cuidado. Ethan tinha o cenho franzido e sua mo agarrava os dedos dela com firmeza para mant-los sob o grifo aberto. Te di?
No. Grace no podia sentir nada mais que a mo dele em seus dedos e seu prprio corao lhe retumbando no peito. Consciente de que estava a ponto de ficar em 
ridculo, tratou de liberar-se. No passa nada, Ethan. No se preocupe.
Tem que te pr um pouco de pomada. O elevou o brao para o armrio para procur-la e elevou a cabea. Seus olhares se juntaram. ficou quieto, com a gua saindo 
do grifo, ambas as mos apanhadas sob a fria cascata.
Sempre procurava no estar muito perto dela para no poder ver as diminutas bolinhas de p dourado nos olhos dela. Porque se as visse comearia a pensar, a imaginar.Y 
ento teria que recordar-se a si mesmo que se tratava do Grace, a menina a que tinha visto crescer. A mulher que era a me do Aubrey. Uma vizinha que o considerava 
um amigo de confiana.
Tem que te cuidar mais. Sua voz soava rouca, pois as palavras tinham que sair de uma garganta que se ficou seca como o p. Ela cheirava a limo.
Estou bem. Grace se estava morrendo, a meio caminho entre um prazer embriagador e uma desesperana total. Ethan lhe sustentava a mo como se fora to frgil como 
o vidro soprado. E a olhava com o cenho franzido, como se ela tivesse menos sentido que sua filha de dois anos. Ethan, me vo queimar as batatas.
Ah, bom. Mortificado porque tinha estado pensando, durante apenas um segundo, se a boca do Grace teria um sabor to suave como parecia, apartou-se bruscamente 
procurando com estupidez o tubo de pomada. O corao lhe saltava no peito, e ele odiava essa sensao. Preferia as coisas acalmadas e fceis. No deixe de te jogar 
um pouco de blsamo. Deixou o tubo na encimera e retrocedeu. Eu... farei que os meninos se lavem as mos para jantar.
voltou-se, recolheu a cesta da roupa e se foi.
Com movimentos pausados, Grace fechou o grifo, voltou-se e salvou as batatas fritas. Satisfeita com como ia o jantar, agarrou o tubo e ficou um pouco de pomada, 
esfregando brandamente a pele
2
No havia nada melhor que um sbado, a menos que fora o anterior  ltima semana de colgio e s frias estivais. Isso, claro, era como todos os sbados de sua vida 
enrolados em uma grande bola brilhante.
na sbado significava passar o dia na gua, faenando com o Ethan e Jim, em lugar de na escola. Significava trabalho duro, calor e bebidas frescas. Coisas de homens. 
Com os olhos protegidos pela viseira de sua boina dos lhes Areje e pelos muito fanfarres culos de sol que se comprou em uma expedio ao centro comercial, Seth 
lanou o gancho de ferro para enganchar o seguinte bia de superfcie. Seus jovens msculos se marcaram sob a camiseta de Expediente X, que lhe assegurava que a 
verdade se achava a fora.
Observou como trabalhava Jim, inclinando a jaula e desenganchando a tampa, feita com a de uma lata de ostras, da caixa da ceva que estava no fundo da jaula. Seth 
se deu conta de que terei que tirar a ceva velha agitando a caixa, e contemplou as gaivotas, que se mergulhavam e chiavam como loucas. Era genial. Agora terei que 
agarrar bem a jaula, lhe dar a volta e agit-la a batente para que os caranguejos da parte superior cassem no tanque de lavagem que lhes aguardava. Seth pensou 
que ele podia fazer todo aquilo se o propunha de verdade. No lhe davam medo uns quantos caranguejos falso s porque tivessem o aspecto de grandes insetos mutantes 
chegados de Vnus ou porque tivessem pinzas que estalavam e beliscavam.
Mas sua tarefa era repor a ceva com um par de montes de asquerosos despojos de pescado, fechar a tampa da caixa e assegurar-se de que a corda no se ficou enredada. 
Logo tinha que calcular a distncia entre os bias e, se tudo ia bem, lanar a jaula pela amurada.  gua!
E depois lhe tocava lanar o gancho de ferro para enganchar a seguinte bia.
J sabia distinguir as fmeas dos machos.
Jim dizia que os caranguejos garota se pintavam as unhas porque seus pinzas so vermelhas.  incrvel como os desenhos da pana se parecem com os rgos sexuais. 
Qualquer pode ver que os caranguejos menino tm a uma larga T que parece uma pilila.
Jim lhe tinha mostrado tambm um casal de caranguejos aparendose, ele os chamava dobladores, e isso sim que era muito. O caranguejo menino simplesmente sobe sobre 
a garota, coloca-a debaixo de si, e dessa forma nadam durante dias.
Seth pensava que lhes tinha que gostar.
Ethan tinha comentado que os caranguejos se casam, e quando Seth riu zombador, elevou uma sobrancelha. Ao Seth intrigou o suficiente para ir-se  biblioteca da escola 
e procurar livros sobre caranguejos. E agora acreditava entender, mais ou menos, o que Ethan tinha querido dizer. O menino protege  garota ao mant-la sob seu corpo, 
porque ela s pode aparearse quando est na ltima muda e sua carapaa  brando, por isso  vulnervel. Inclusive depois do emparelhamento, ele segue levando-a at 
que sua carapaa se endurece de novo. E como ela s se aparea uma vez,  como estar casados.
Seth pensou em como se casaram CAM e a senhorita Spinelli, Anna, recordou-se que agora tinha que cham-la Anna. Esse dia, muitas mulheres soltaram a lgrima e os 
tios riram e brincaram. Todo mundo fez muitos dramalhes, e havia flores, msica e montes de comida. Ele no o pilhava. Para ele, casar-se s significava que podia 
ter relaes sexuais sem que ningum se chateasse.
Mas foi guay. Nunca se tinha visto em outra igual. Embora antes das bodas CAM lhe tinha obrigado a ir ao centro comercial e lhe tinha feito provar-se trajes, no 
lhe importou muito.
s vezes lhe preocupava um pouco que as coisas pudessem trocar a partir de agora, quando apenas se estava acostumando a como eram. Agora haveria uma mulher na casa. 
Em geral, Anna lhe caa bem. Embora era assistente social, sempre tinha sido legal com ele. Mas no deixava de ser uma mulher.
Como sua me.
Seth atalhou esse pensamento. Se pensava em sua me, se recordava a vida que tinha levado com ela, os homens, as drogas, os pequenos quartos sujos, lhe ia amargurar 
o dia.
E em seus dez anos de vida no tinha vivido tantos dias agradveis para arriscar-se a danificar um.
O que, jogando uma cabezadita, Seth?
A suave voz do Ethan lhe devolveu bruscamente  presente. Piscou e viu o sol refletindo-se na gua onde se balanavam os bias laranjas.
S estava pensando resmungou, e rapidamente atirou de uma bia.
O que  eu, no penso muito. Jim colocou a jaula na d de presente e comeou a escolher caranguejos. Seu enrugado rosto se rendeu em um sorriso. Pensar te pode 
dar meningite.
Mierda comentou Seth, observando Esse captura est comeando a mudar o carapaa.
Jim grunhiu, sustentando um caranguejo com o carapaa quase pendurando pela parte traseira.
A este elemento, amanh o come algum em sanduche. Piscou os olhos um olho ao Seth enquanto jogava o crustceo no tanque. Ao melhor, eu.
Tolo, que era ainda um cachorrinho e se merecia seu nome, olisque a Nasa, o que provocou uma revolta brusca e fera dos crustceos. Quando as pinzas estalaram, o 
perrillo se separou de um salto com um ganido.
Esse co... Jim morria de risada. Esse sim que no se tem que preocupar com a meningite.
A jornada no terminou nem quando levaram a porto a captura do dia, esvaziaram o tanque e deixaram ao Jim em sua casa. Ethan se separou dos controles.
Temos que ir ao estaleiro. Quer lev-lo voc?
Embora os olhos do Seth se achavam ocultos pelos culos escuros, Ethan imaginou que sua expresso devia corresponder-se com sua mandbula queda. Fez-lhe graa que 
o menino se limitasse a encolher-se de ombros, como se tais coisas acontecessem diariamente.
Claro, sem problema.
Com as Palmas suarentas, Seth se fez cargo do leme.
Ethan se manteve afastado, com as mos metidas nos bolsos traseiros da cala e os olhos atentos. Havia muito trfico na gua. Uma tarde agradvel de fim de semana 
atraa aos navios de recreio  baa. Mas o trajeto era curto e o menino tinha que aprender em algum momento. No se podia viver no St. Chris e no saber como pilotar 
um navio de tarefa.
um pouco a estribor indicou ao Seth. V esse esquife da?  um dominguero, e te vai penetrar pela proa se mantiver este rumo.
Seth entrecerr os olhos, estudou o navio que lhe assinalava Ethan e a gente que estava em coberta. Comentou bufando:
Isso  porque o tipo lhe est fazendo mais caso a essa garota do biquini que ao vento.
Bom, a verdade  que lhe sinta bem o biquini.
No sei o que lhes vem os peitos.
Dito seja em sua honra, Ethan no soltou a gargalhada, mas sim assentiu com seriedade e replicou:
Imagino que, em parte, deve-se a que ns no temos.
A mim a verdade  que no me interessam.
J me dir isso dentro de um par de anos murmurou Ethan, protegido pelo rudo do motor. Ante essa idia fez uma careta. E que diabos foram fazer quando o guri 
chegasse  puberdade? Algum teria que lhe falar sobre... as coisas. Sabia que Seth possua j um conhecimento excessivo sobre o sexo, mas era todo do tipo perverso 
e pegajoso, o mesmo que ele adquiriu a uma idade muito temprana.
Um deles teria que lhe explicar como deviam ser as coisas, como podiam ser, e mais logo que tarde.
Oxal no tocasse a ele.
Avistou o estaleiro, o velho edifcio de tijolo, o flamejante mole que acabava de construir com seus irmos. Invadiu-lhe o orgulho. Possivelmente o edifcio no 
parecesse grande coisa com os tijolos furados e o telhado cheio de emplastros, mas foram triunfar. A janelas estavam sujas mas em bom estado, sem cristais quebrados.
Afrouxa o acelerador. Leva-o devagar. Sem dar-se conta, Ethan colocou uma mo sobre a que Seth tinha nos controles. deu-se conta de que o menino ficava tenso e 
logo se relaxava. Ainda seguia sem aceitar que lhe tocassem por surpresa, mas j no reagia to mal como antes. Assim, assim, um pouco mais a estribor. Quando 
o navio chocou brandamente com os pilote, Ethan saltou ao embarcadero para amarrar os cabos. Bom trabalho! A um sinal dela, Simon, virtualmente tremendo de emoo, 
saltou a terra. Uivando freneticamente, Parvo subiu a d de presente, vacilou e logo o seguiu. me Acontea a geladeira.
Resmungando s um pouco, Seth a alcanou.
Ao melhor eu poderia pilotar o navio alguma vez quando sairmos a mariscar.
Ao melhor. Ethan esperou a que o menino saltasse sem perigo ao mole, antes de dirigir-se s portas traseiras do edifcio.
J estavam totalmente aberto e por elas saa a comnovedora voz do Ray Charles. Ethan deixou a geladeira junto  porta e se colocou as mos nos quadris.
O casco estava terminado. CAM tinha trabalhado do lindo para fazer o mais possvel antes de partir de lua de mel. Tinham-no cercado, embarbillando os cantos para 
que se ocultassem, mas de modo que as costuras ficassem lisas.
Juntos tinham completado o armao, empenado ao vapor, usando marcas de lpis como guia e caminhando cada cuaderna cuidadosamente at sua posio, por meio da 
aplicao de uma presso suave e firme. O casco era slido. No haveria gretas no forro de uma embarcao de Navios Quinn.
O desenho se devia principalmente ao Ethan, embora CAM lhe tinha acrescentado alguns toques aqui e l. O casco era de fundo em arco, caro de construir mas com as 
vantagens da estabilidade e a velocidade. Ethan sabia o que queria o cliente.
Com essa ideia em mente, tinha desenhado a forma da proa, optando por uma de cruzeiro, atrativa e boa tambm para a velocidade, capaz de flutuar. A popa era um contradiseo 
de longitude moderada, o que proporcionava um lanamento que faria que a longitude do navio fora maior que seu comprimento do navio de flutuao.
Era um desenho de linhas puras muito atrativo. Ethan compreendia que o cliente procurava tanto um aspecto estilizado como a navegabilidade bsica.
Quando chegou o momento de revestir o interior com uma mescla aos cinqenta por cento de azeite de linhaa quente e terebintina, recorreu ao Seth para o trabalho 
sujo. Era uma tarefa desagradvel, estava garantido que algum acabava com queimaduras, apesar das luvas e a precauo. Mas o menino tinha agentado bem.
De onde se achava, Ethan podia estudar o arrufo, o perfil superior do casco. decidiu-se por um aplanado para conseguir uma embarcao mais ampla e mais seca, com 
suficiente espao abaixo para a gente. A seu cliente gostava de sair a navegar com amigos e familiares.
O tipo tinha insistido em que se usasse madeira de teca, embora Ethan lhe tinha assegurado que o pinheiro ou o cedro teriam bastado para a madeiramento do casco. 
Ethan pensou agora que aquele homem tinha dinheiro para gastar-lhe em sua afeio e tambm no status. E terei que reconhecer que a teca lhe dava um aspecto espetacular.
Seu irmo Phillip estava trabalhando na coberta. Nu at a cintura pelo calor e a umidade, e com o cabelo loiro escuro protegido por uma boina negra, sem nomes nem 
logotipos, com a viseira para trs, estava atarraxando as pranchas. Cada poucos segundos, o duro e agudo zumbido do chave de fenda eltrico competia com a voz melosa 
do pianista cego.
Que tal vai? perguntou Ethan por cima do rudo.
Phillip elevou a cabea. Seu rosto de anjo mrtir estava mido de suor, os olhos castanho dourado mostravam um ar irritado. Nesse mesmo instante acabava de recordar-se 
a si mesmo que ele era um executivo de publicidade, no um carpinteiro.
Faz mais calor que no inferno no vero e s estamos em junho. Aqui ter que pr uns ventiladores. Tem algo afresco, ou ao menos mido, nessa geladeira? Faz uma 
hora que me acabou a bebida.
Excurso a chave do grifo e sair gua sugeriu Ethan brandamente enquanto se inclinava para agarrar um refresco frio da geladeira.  um novo avano tecnolgico.
S Deus sabe o que h na gua do grifo. Phillip apanhou a lata que lhe lanou seu irmo e, ao ver a etiqueta, fez uma careta. Pelo menos aqui lhe dizem que produtos 
qumicos lhe jogam.
Perdoa, a gua Evian nos acabou. J sabe como fica Jim com sua gua de desenho. Nunca tem o bastante.
 Vete a mierda replicou Phillip, mas sem veemncia. bebeu-se a Pepsi geada a fervuras e depois arqueou uma sobrancelha quando Ethan se aproximou de inspecionar 
sua tarefa.
Bom trabalho.
Ah, pois muito obrigado, chefe. D-me voc um aumento?
Pois claro, como no, o dobro do que cobras agora. Seth  o pitagorn. Quanto  zero por dois, Seth?
Zero respondeu o menino com um sorriso rpido. Seus dedos estavam desejando provar o chave de fenda eltrico. At ento ningum lhe tinha deixado toc-lo, nem 
nenhuma das outras ferramentas eltricas.
Bom, agora j posso me permitir esse cruzeiro ao Tahit.
por que no te d uma ducha, a menos que tambm tenha algo contra te banhar com gua do grifo? J sigo eu aqui.
Era tentador. Phillip se sentia sujo, suarento e se estava morrendo de calor. Com gosto teria matado a algum por uma boa taa de vinho Pouilly-Fuisse bem frio. 
Mas sabia que seu irmo tinha levantado desde antes do alvorada e tinha trabalhado j o que uma pessoa normal consideraria uma jornada completa.
Posso lhe jogar outro par de horas.
Vale. Era exatamente a resposta que Ethan esperava. Phillip tendia a queixar-se, mas nunca te falhava. Acredito que poderemos acabar com a coberta antes de ir 
para casa.
Posso...?
No responderam ambos ao unssono, adiantando-se  pergunta do Seth.
por que diabos no? perguntou. No sou tolo. No vou colocar lhe um parafuso de mierda a ningum no olho ou algo assim.
Porque ns gostamos de jogar com ele. Phillip sorriu. E somos maiores que voc. Anda, toma. Colocou a mo no bolso traseiro, tirou a carteira e extraiu um bilhete 
de cinco dlares. Baixa lhe at o Crawford e me traga gua engarrafada. Se for de boa vontade, com as voltas te pode comprar um sorvete.
Seth no se queixou, mas, enquanto chamava a seu co e se dirigia  sada, murmurou pelo baixo que lhe tratavam como a um escravo.
Quando tivermos mais tempo, teramos que lhe ensinar a usar as ferramentas comentou Ethan. Tem boas mos.
Sim, mas  que queria que se fora. Ontem  noite no lhe pude contar isso O detetive conseguiu lhe seguir a pista a Glorifica DeLauter at o Nags Head.
Assim que se dirige ao sul... Elevou seu olhar at a do Phillip. conseguiu localiz-la?
No, move-se muito e pagamento em metlico. Tem um monto de dinheiro lhe contem e lhe soem. Apertou os lbios. Lhe sobra para esbanjar desde que papai lhe soltou 
um pastn pelo Seth.
No parece que esteja muito interessada em retornar aqui.
Eu diria que tem tanto interesse no menino como uma gata guia de ruas raivosa quer a um gatinho morto. Sua prpria me era igual, as poucas vezes que se deixava 
ver, recordou Phillip. Nunca tinha visto glorifica DeLauter, mas a conhecia. Desprezava-a. Se no a encontramos acrescentou, passando-a lata fria pela frente, 
nunca vamos descobrir a verdade sobre papai e sobre o Seth.
Ethan assentiu. Sabia que para isso Phillip constitua uma misso, e sabia que, com toda probabilidade, seu irmo levava razo. Mas se preguntaha, muito freqentemente 
para manter a serenidade, o que foram fazer quando conseguissem averiguar a verdade.
Os planos do Ethan depois de uma jornada de quatorze horas eram dar uma ducha infinita e tomar uma cerveja fria. Fez as duas coisas de uma vez. Tinham comprado sanduches 
para o jantar, e se comeu o seu no alpendre traseiro, a ss, na suave calma do entardecer. dentro da casa, Seth e Phillip discutiam sobre que vdeo ver primeiro. 
Arnold Schwarzenegger se enfrentava ao Kevin Costner. Ethan j tinha apostado pelo Arnold.
Tinham um acordo tcito, pelo qual os sbados de noite Phillip se fazia cargo do Seth. Desse modo, Ethan podia escolher como passar a velada. Podia unir-se a eles, 
como fazia alguma vez, para uma sesso de vdeo. Podia subir a instalar-se em seu quarto com um livro, o que estava acostumado a fazer mais freqentemente. Podia 
sair, o que acontecia raramente.
antes de que seu pai morrera to de repente e de que a vida trocasse para todos eles, Ethan vivia em seu casita com sua prpria e sossegada rotina. Seguia jogando 
a de menos, embora tratava de no sentir rancor para o jovem casal a que a tinha alugado. adoravam quo acolhedora era, e no deixavam de comentar-lhe adoravam as 
habitaes pequenas com altos ventanales, o alpendre, as rvores que a resguardavam e lhe proporcionavam sombra e intimidade e a suave carcia da gua contra a borda.
Tambm adorava todo isso. Agora que CAM se tinha casado e Anna ia se transladar ali, ele teria podido voltar a escapulir-se. Mas nesse momento vinha bem o dinheiro 
do aluguel. E, o que era mais importante, tinha dado sua palavra. Viveria ali at que as batalhas legais estivessem brigadas e ganhas, e Seth fora seu para sempre.
balanou-se na cadeira de balano, escutando como comeava o canto dos pssaros noturnos. E deveu ficar dormido, porque chegou o sonho, e chegou com claridade.
Voc sempre foste um solitrio, mais que seus irmos comentou Ray. Estava sentado no corrimo do alpendre e se girou um pouco para poder contemplar a gua se queria. 
Seu cabelo brilhava como uma moeda de prata na penumbra, e a constante brisa o fazia ondear livremente. Sempre te gostou de ficar a ss com suas idias at resolver 
seus problemas.
Sabia que sempre podia ir a ti ou a mame. S queria me esclarecer eu primeiro.
E agora? Ray se moveu para olhar a seu filho diretamente.
No sei. Possivelmente ainda no consegui me esclarecer. Seth se vai adaptando. J se sente mais a gosto conosco. Durante as primeiras semanas, parecia sempre a 
ponto de sair fugindo. lhe perder lhe doeu quase tanto como a ns, possivelmente igual, porque tinha comeado a acreditar que as coisas foram bem.
Foi duro como teve que viver antes de que lhe trouxesse aqui. Entretanto, no foi tanto como o que te tocou passar a ti, Ethan, e sobreviveu.
Por pouco. Ethan tirou um de seus puros e se tomou seu tempo acendendo-o. s vezes ainda me volta a lembrana. A dor e a vergonha. E o suarento medo de saber 
o que vai ocorrer. encolheu-se de ombros e acrescentou: Seth  algo mais pequeno do que era eu. Acredito que j se livrou de uma parte... enquanto no tenha que 
enfrentar-se a sua me outra vez.
Ao final ter que enfrentar-se a ela, mas no estar sozinho. Essa  a diferena. Todos vs lhe apoiaro. Sempre lhes apoiastes os uns aos outros. Ray sorriu, 
seu rosto grande e amplo se enrugou em todas partes de uma vez. E voc, o que est fazendo aqui fora, sentado sozinho, um sbado de noite? Preocupa-me, filho, juro-lhe 
isso.
foi um dia muito comprido.
Quando eu tinha sua idade, meus dias eram largos, e minhas noites mais ainda. Mas se acabar de cumprir os trinta, joder. Sentar-se no alpendre em uma clida noite 
de sbado em junho  para velhos. Anda, agarra o carro e vete a dar uma volta, a ver onde acaba. Lhe piscou os olhos um olho. Me aposto a que ambos sabemos onde 
vais terminar.
O estrpito repentino de gritos e disparos de arma automtica fez que Ethan se sobressaltasse na cadeira de balano. Pestanejou e olhou atentamente o corrimo do 
alpendre. No havia ningum. Claro que no havia ningum, disse-se com um movimento rpido. To somente tinha dado uma cabezadita durante um minuto e lhe tinha despertado 
o filme de ao que estavam vendo na sala.
Mas, quando baixou o olhar, viu o puro aceso em sua mo. Confuso, ficou olhando-o. De verdade o tinha tirado do bolso e o tinha aceso em sonhos? Isso era ridculo, 
absurdo. Devia hav-lo feito justo antes de ficar dormido; era um costume to arraigado que sua mente no tinha registrado os movimentos.
Entretanto, como tinha podido ficar dormido se no se sentia cansado absolutamente? De fato, sentia-se desassossego, nervoso e completamente alerta.
incorporou-se, massageando-a nuca, e estirou as pernas enquanto passeava acima e abaixo pelo alpendre. Deveria ir dentro e sentar-se a ver o filme com pipocas e 
outra cerveja. Enquanto se dirigia  porta, soltou uma maldio.
No estava de humor para uma noite de sbado no cinema. iria dar uma volta no carro a ver onde terminava.
Ao Grace lhe tinham dormido os ps at os tornozelos. Os malditos saltos altos que eram parte de sua uniforme de garonete a estavam matando.
As noites de entre semana no estavam to mal porque, de vez em quando, havia tempo para tirar-se os um momento ou at para sentar uns minutos. Mas os sbados de 
noite o pub do Shiney se animava e lhe tocava fazer outro tanto.
Levou a bandeja coberta de copos vazios e cinzeiros cheios at a barra, descarregando-a com eficcia enquanto vozeava o pedido ao garom:
Dois brancos da casa, duas cervejas de grifo, um gim-tonic e uma lima com sifo.
Teve que gritar para fazer-se ouvir por cima do rudo da clientela e o que, com muita dificuldade, podia-se chamar msica de uma banda de trs pessoas que Shiney 
tinha contratado. Os msicos eram sempre muito maus porque o dono no queria soltar a massa para contratar a uns bons.
Mas a ningum parecia lhe importar.
A diminuta pista de baile estava a transbordar de gente, o que a banda interpretou como um sinal para subir o volume.
Grace tinha a cabea como um tambor grande e as costas lhe estava comeando a vibrar ao ritmo do baixo.
Depois de completar o pedido, levou a bandeja pelo estreito espao que havia entre as mesas esperando que o grupo de jovens turistas vestidos na moda lhe deixassem 
uma boa gorjeta. Serve-lhes com um sorriso, assentiu quando lhe disseram que o carregasse na conta e se dirigiu a outra mesa de onde a tinham chamado.
Ainda ficavam dez minutos para o descanso. Como se fossem dez anos.
Ol, Gracie.
Tudo bem, Curtis? Ol, Bobbie. Tinha ido  escola com eles no passado remoto e confuso. Agora trabalhavam para seu pai envasilhando fruto do mar. o de sempre?
Sim, duas cervejas de grifo. Curtis o propin ao Grace o de sempre, um tapinha no traseiro, no que levava um lao. Ela se tinha acostumado a no tomar-lhe a srio. 
Vindo dele, era um gesto bastante inofensivo, inclusive uma amostra de apoio carinhoso. Alguns de quo forasteiros passavam pelo bar tinham mos muito menos inofensivas. 
Como est sua preciosa filha?
Grace sorriu, compreendendo que essa era uma das razes pelas que tolerava os tapinhas. O sempre lhe perguntava pelo Aubrey.
Cada dia mais bonita. Viu outra mo que se elevava de uma mesa e acrescentou: Agora lhes trago as cervejas.
Levava uma bandeja cheia de jarras, terrinas de panchitos e copos quando Ethan entrou; a ponto esteve de cair. Ele nunca ia os sbados de noite. s vezes se deixava 
cair um dia entre semana para tomar uma cerveja tranqilamente, mas nunca quando o local estava cheio de gente e de rudo.
Deveria ter tido o mesmo aspecto que qualquer outro homem. Os jeans estavam desbotados mas limpos, levava uma singela camiseta branca metida neles, e as botas de 
trabalho eram velhas e estavam desgastadas. Mas ao Grace no parecia igual a outros homens, nunca o tinha parecido.
Possivelmente era seu corpo alto, magro, de membros largos e finos, que se movia to facilmente como um bailarino pelos espaos estreitos. Possua uma graa natural, 
do tipo que no se pode aprender, mas abertamente viril. Parecia que caminhasse sempre pela coberta de um navio.
Tivesse podido ser seu rosto, to ossudo e spero, justo no bordo da beleza. Ou os olhos, sempre to claros e pensativos, to srios que demoravam uns segundos em 
unir-se  boca quando sorria.
Grace serve as bebidas, guardou-se o dinheiro e foi a por mais pedidos. E, pela extremidade do olho, observou-lhe fazer um stio na barra, justo ao lado da parte 
dos garons. O to ansiado descanso lhe esqueceu por completo.
Trs cervejas de grifo, uma Mich e um vodca com gelo. Sem dar-se conta, passou-se a mo pela franja e sorriu. Ol, Ethan.
H muita gente hoje.
Sbado do vero. Busco-te uma mesa?
No, aqui estou bem.
O barman estava ocupado com outro pedido, o que deixou ao Grace um minuto para relaxar-se.
Steve est encalacrado, mas vir a esta zona rpido.
No tenho nenhuma pressa.
Por regra general, Ethan procurava no pensar no aspecto que tinha Grace com essa minissaia ajustada, as pernas infinitas cobertas com meias de ralo e os estreitos 
ps embainhados em altos saltos. Mas esse dia se encontrava em um estado de nimo propcio, assim que se permitiu pensar.
Nesse momento teria podido lhe explicar ao Seth o que ocorria com os peitos. os do Grace eram pequenos e altos, e por cima do amplo decote da blusa se divisava uma 
suave poro de sua curva.
de repente, Ethan desejou desesperadamente uma cerveja.
pudeste te sentar um momento?
Ao princpio no lhe respondeu. Sua mente se ficou em branco ao observar como esses olhos tranqilos e pensativos a passavam roando.
Eu, ah, pois..., sim, j quase me toca fazer o descanso. Sentia as mos torpes enquanto dispunha as bebidas na bandeja. Estou acostumada ir fora, eu gosto de 
escapar do rudo.
Esforando-se por atuar com naturalidade, olhou  banda pondo os olhos em branco, e se viu recompensada por um lento sorriso do Ethan.
H algum grupo pior que este?
J te digo! Este  quase o melhor. Quando levantou a bandeja e se dirigiu s mesas, Grace quase tinha conseguido relaxar-se de novo.
Ethan a olhou enquanto se tomava a cerveja que Steve lhe tinha servido. Observou como se moviam suas pernas, como esse lao ridculo e totalmente sexy se balanava 
ao mesmo tempo que os quadris. E como dobrava os joelhos, mantendo a bandeja em equilbrio, enquanto deixava as bebidas na mesa.
Observou, com os olhos entreabridos, como Curtis lhe deu outra amistosa palmada.
Seus olhos se fecharam ainda mais quando um estranho com uma velha camiseta do Jim Morrison lhe agarrou a mo, atraindo-a para si. Viu como Grace lhe respondia com 
um sorriso e um movimento negativo de cabea. Ethan j estava afastando-se da barra, sem ter muito claro o que era o que ia fazer, quando o estranho a soltou.
Quando Grace retornou com a bandeja, foi Ethan quem lhe agarrou a mo.
Tome o descanso agora.
Como? Eu... Para sua surpresa, Ethan a empurrou firmemente pelo local. Ethan, seriamente, tenho que...
Tome o descanso agora repetiu, e abriu a porta de um empurro.
Fora, na noite clida, o ar era limpo e fresco e soprava a brisa. Assim que a porta se fechou a suas costas, o rudo se amorteceu at um apagado rugido e o vapor 
da fumaa, o suor e a cerveja se converteu em uma lembrana.
No acredito que deva trabalhar aqui.
Lhe olhou boquiaberta. por si s, a afirmao era j estranha, mas lhe ouvir pronunci-la em um tom obviamente irritado a confundiu.
Como?
J me ouviste, Grace. meteu-se as mos nos bolsos porque no sabia o que fazer com elas. Se as tivesse deixado livres, possivelmente a tivessem agarrado de novo. 
No est bem.
Que no est bem? repetiu sem compreender.
Tem uma filha, Por Deus. O que faz servindo taas, com esse conjunto, para que os clientes lhe atirem os discos? Esse tipo virtualmente tinha a cara em seu decote.
No, no a tinha. A meio caminho entre a graa que o fazia e a exasperao que lhe produzia, Grace moveu a cabea em sentido negativo. Por Deus bendito, Ethan, 
era o de sempre. E completamente inofensivo.
E Curtis te ps a mo no culo.
A graa se estava convertendo em aborrecimento.
J sei onde ps a mo, e se me tivesse suposto um problema, a teria afastado de um golpe.
Ethan tomou flego. Tinha comeado aquela cena, com melhor ou pior acerto, e tinha que termin-lo.
No deveria trabalhar mdio nua em nenhum bar, tendo que apartar a golpes as mos de seu culo. Teria que estar em casa com o Aubrey.
Os olhos do Grace passaram de uma leve irritao a uma fria acesa.
Ah, sim? Seriamente? Essa  sua meditada opinio? Bom, no sabe como te agradeo que me tenha feito isso saber. E, para que saiba, se no trabalhasse, e no trabalho 
mdio nua, no teria uma casa em que viver.
J tem um trabalho insistiu ele teimosamente. Limpando casas.
Isso. Limpo casa, sirvo taas e de vez em quando limpo caranguejos. Para que veja o assombrosamente habilidosa e verstil que sou. Tambm pago o aluguel, o seguro, 
as faturas do mdico, o gs, a gua e a luz, e uma canguru. Compro comida, compro roupa, gasolina. Cuido de minha filha e me cuido . E no necessito que voc venha 
a me dizer o que no est bem.
Quo nico digo...
J sei o que diz. Palpitavam-lhe os ps e ia notando a dor em seu fatigado corpo. Pior, muito pior, era o duro aguilho de vergonha por esse olhar de desprezo 
sobre como ganhava a vida. Sirvo taas e sotaque que os homens me olhem as pernas. Se gostarem, ao melhor deixam melhores gorjetas. E se me deixam isso, igual lhe 
posso comprar a minha filha algo que a faa feliz. Assim podem olhar tudo o que lhes agrade. E oxal tivesse o corpo ideal para luzir este estpido uniforme, porque 
ento tiraria mais dinheiro.
Ethan teve que fazer uma pausa antes de falar para esclarec-las idias. O rosto dela estava vermelho de fria, mas tinha os olhos to fatigados que ao Ethan lhe 
rompeu o corao.
Vende-te por pouco, Grace disse brandamente.
Sei exatamente o que valho, Ethan. Girou o queixo e acrescentou: At o ltimo cntimo. Me acabou o descanso.
deu-se a volta sobre os saltos que a estavam amassando e, com passo irado, retornou ao rudo e  atmosfera carregada de fumaa.
3
Necessito coelhinho tambm.
Sim, carinho, iremos tambm com seu coelhinho.
Sempre era uma expedio, pensou Grace. S foram at a gaveta de areia do ptio traseiro, mas Aubrey no deixava de pedir que a acompanhassem todos seus amigos de 
peluche.
Grace havia resolvido esse problema logstico com uma enorme bolsa da compra em que havia um urso, dois ces, um peixe e um vapuleado gato, aos que se uniu o coelhinho. 
Embora a jovem sentia os olhos como cheios de areia pela falta de sonho, sorriu ampliamente quando sua filha tentou elevar a bolsa ela sozinha.
Eu os levo, minha vida.
No, eu.
Era a frase preferida da menina, pensou Grace. A sua filha gostava de fazer as coisas ela mesma, inclusive quando teria sido mais singelo deixar que outra pessoa 
as fizesse. Ou seja a quem saa, pensou Grace burlando-se de ambas.
Vale, levemos a turma fora.
Abriu a porta, que chiou ruidosamente, lhe recordando que tinha que engordurar as dobradias, e esperou enquanto Aubrey cruzava a soleira e saa ao diminuto alpendre 
traseiro arrastando a bolsa.
A jovem tinha conseguido animar o alpendre pintando o de uma cor azul suave e colocando vasos de barro de barro com gernios brancos e rosas. No queria que sua 
casa parecesse uma proteo temporria, embora o fora. Queria que fora um lar, ao menos at que tivesse economizado o suficiente para dar a entrada de uma casa prpria.
No interior, os quartos eram mas bem pequenos, mas havia resolvido esse problema, para alvio de sua conta bancria, comprando s o mobilirio essencial. Quase todos 
os mveis que possua procediam de saldos de segunda mo, mas os tinha pintado e restaurado, ou lhes tinha trocado a tapearia, at faz-los seus.
Para ela era vital possuir algo prprio.
A casa tinha uns encanamentos antediluvianos, no telhado havia goteiras e pelas janelas penetrava o vento. Mas havia dois dormitrios, algo muito importante para 
o Grace. Queria que sua filha tivesse um quarto prprio, um lugar alegre e acolhedor. ocupou-se ela mesma, empapelando as paredes, pintando uma sianinha e colocando 
umas cortinas coquetes.
Lhe rompia o corao ao pensar que se aproximava o momento de substituir o bero de sua menina por uma camita.
Cuidado de baixar advertiu, e Aubrey comeou a descender, plantando firmemente ambos os piececitos, calados em sapatilhas esportivas, em cada degrau. Quando chegou 
abaixo, a menina ps-se a correr, arrastando a bolsa detrs de si e chiando iludida.
adorava a gaveta de areia. Grace se sentia muito orgulhosa quando a via sair disparada para ali. Tinha-o construdo ela mesma, reciclando madeira velha que tinha 
lixado meticulosamente at deix-la suave e que logo tinha pintado de uma cor vermelha viva. Nele estavam os cubos e as ps e os grandes carros de plstico, mas 
sabia que Aubrey no tocaria nada at ter tirado tudo seus mascotes de peluche.
Algum dia, Grace se prometeu a si mesmo, sua filha teria um cachorrinho de verdade e um quarto de jogo onde poderia receber aos amiguitos que a visitassem para passar 
as largas tardes de chuva.
Grace se agachou enquanto Aubrey colocava seus brinquedos cuidadosamente na areia branca.
Voc se sinta aqui e joga enquanto eu curto a grama. Promete-me isso?
Vale. Aubrey lhe lanou um alegre sorriso com suas covinhas bem marcados. Voc joga.
dentro de um ratito. Acariciou os cachos de sua filha. No se cansava nunca de acariciar a esse milagre que tinha surto dela. antes de incorporar-se, jogou um 
olhar ao redor, esquadrinhando com olhos de me qualquer sinal de perigo.
O ptio estava cerca e ela mesma tinha colocado na porta um ferrolho a prova de meninos. Ao Aubrey dava de bisbilhotar. Sobre a cerca que separava seu ptio do dos 
Cutter corria uma planta trepadeira que para finais do vero estaria coberta de flores.
Notou que no havia movimento na casa do lado. Era domingo pela manh, e muito cedo para que seus vizinhos fizessem algo mais que vadiar pensando no caf da manh. 
Julie Cutter, a filha maior, era seu apreciadsima canguru.
deu-se conta de que Irene, a me da Julie, tinha estado trabalhando no jardim no dia anterior. No se via nenhuma s m erva nos arriates nem no huertecito.
Com certa vergonha, Grace jogou uma olhada  parte traseira do ptio, onde sua filha e ela tinham plantado tomates, feijes e cenouras. A sim que havia ms ervas, 
pensou com um suspiro. Teria que ocupar-se delas depois de cortar a grama. S Deus sabia por que tinha pensado que ia dispor de tempo para cuidar de um horta. Mas 
tinha sido muito divertido cavar a terra e plantar as sementes com sua menina.
To divertido como seria meter-se na gaveta com sua filha, fazer castelos de areia e jogar a imaginar. Mas no, disse-se enquanto se incorporava. A erva lhe chegava 
quase aos tornozelos. Pode que fora erva alugada, mas agora era dela e era sua responsabilidade. Que ningum pudesse dizer que Grace Monroe no era capaz de cuidar 
o que era dele.
Guardava a velha cortadora sob um tecido igualmente velho. Como de costume, olhou primeiro o nvel de gasolina, jogando outra olhada a suas costas para assegurar-se 
de que sua filha seguia na gaveta. Agarrando o cordo de arranque com as duas mos, deu-lhe um puxo. E o nico que obteve como resposta foi uma tosse asmtica.
Venha, no me faa perder o tempo esta manh. J no se lembrava de quantas vezes lhe havia meio doido arrumar o velho aparelho, enredando nele ou a golpes. Relaxando 
os doloridos ombros, voltou a atirar, e logo outra vez, antes de deixar que o cordo retrocedesse e lev-los dedos aos olhos.  que sabia.
Problemas?
Voltou a cabea bruscamente. Depois da discusso da noite anterior, Ethan era a ltima pessoa a que esperava ver em seu jardim. No lhe agradava, em particular porque 
tinha decidido que seguiria furiosa com ele. Alm disso, era consciente de seu aspecto: levava umas velhas calas curtas cinzas, uma camiseta muito lavada, o cabelo 
despenteado e nenhuma gota de maquiagem.
Maldita seja, vestiu-se para trabalhar no jardim, no para receber visitas.
Me posso arrumar isso eu sozinha. Atirou de novo apoiando o p, calado em uma sapatilha com um buraco no dedo, a um lado do aparelho. Quase conseguiu que arrancasse, 
quase.
Deixa-o descansar um momento. Assim o vais afogar. Essa vez o cordo retrocedeu com um assobio perigoso.
Sei como arrancar minha cortadora.
No o ponho em dvida, quando no est furiosa. Ethan se aproximou enquanto falava, magro e cmodo em sua virilidade, vestido com uns jeans usados e uma camisa 
de trabalho arregaada at os cotovelos.
Ao no receber resposta quando bateu na porta, tinha dado a volta at a parte traseira. E sabia que se ficou contemplando-a um pouco mais do que era estritamente 
educado. Grace se movia to bem...
Em algum momento da inquieta noite, tinha chegado  concluso de que mais lhe valia encontrar uma forma de emendar as coisas com ela. E tinha passado boa parte da 
manh tentando decidir como faz-lo. Ento a viu, com esses membros largos e esbeltos que o sol tinha tornada cor oro plido, o cabelo claro, as finas mos... E 
desejou seguir observando.
Eu no estou furiosa replicou Grace com um vaio impaciente que provava a mentira de sua afirmao. O se limitou a olh-la aos olhos.
Escuta, Grace...
Eeeethan! Com um chiado de puro gozo, Aubrey saiu de um salto da gaveta de areia e correu para ele, a toda velocidade, com os braos estendidos e a cara iluminada 
pela alegria.
O a apanhou e lhe deu umas voltas.
Ol, Aubrey.
Vem jogar.
Bom, eu...
Beijo. Franziu seu boquita com tal energia que ele riu e lhe deu um carinhoso beijo. Vale! escorreu-se de seus braos e correu de volta  areia.
Olhe, Grace, lamento se ontem  noite me passei.
O fato de que o corao lhe tivesse derretido ao ver abraar a sua filha s fortaleceu sua determinao de manter-se firme.
Se te passou?
Ethan moveu os ps, claramente incmodo. 
S queria dizer que...
A explicao se viu interrompida pelo Aubrey, que voltava correndo com seus queridos ces de peluche.
Beijo exigiu firmemente enquanto tendia os braos ao Ethan. Este o deu, e a menina se foi de novo correndo.
O que queria dizer ...
Acredito que disse o que queria dizer, Ethan.
ia mostrar se obstinada, pensou ele com um suspiro interno. Bom, sempre o tinha sido.
No o disse muito bem. A maior parte do tempo me enredo com as palavras. dio verte trabalhar to duro. Fez uma pausa, paciente, quando Aubrey retornou pedindo 
um beijo para seu urso.  que me preocupo com ti, isso  tudo.
Grace inclinou a cabea.
por que?
Que por que? Pergunta-a lhe deixou perplexo. agachou-se a beijar o coelhinho de peluche com o que Aubrey lhe dava na perna. Bom, eu..., porque...
Porque sou mulher? sugeriu ela, porque sou me solteira?, porque meu pai pensa que sujei a honra do nome familiar, no s por ter tido que me casar mas tambm 
por me haver divorciado?
No. aproximou-se um passo mais a ela, beijando ao gato que Aubrey lhe tendia. Porque faz mais de meia vida que te conheo e isso faz que seja parte dela. E porque 
talvez seja muito orgulhosa ou teimosa para te dar conta de quando algum s deseja que as coisas lhe resultem um pouco mais fceis.
Grace notou que se abrandava, estava a ponto de lhe dizer que o agradecia. E nesse momento ele o danificou.
E porque eu no gostei de ver como lhe sovavam esses homens.
me sovar? As costas lhe ps rgida e tirou o queixo. Esses homens no me estavam sovando, Ethan. E se o fazem, sei como responder.
No te suba pelas paredes outra vez. arranhou-se o queixo e lutou para no suspirar. No sabia por que se incomodava em discutir com uma mulher, no havia forma 
de ganhar. S vim a te dizer que o sinto e que talvez eu poderia...
Beijo! exigiu Aubrey enquanto tratava de subir por sua perna.
De forma instintiva, Ethan a elevou, agarrou-a em braos e a beijou na bochecha.
O que ia dizer...
No, beijo mame. Saltando em seus braos, Aubrey lhe apertou os lbios para fazer que se franzissem. Beijo mame.
Aubrey! Humilhada, Grace elevou os braos para agarrar a sua filha, mas esta se aferrou  camisa do Ethan como um pequeno ourio dourado. Deixa em paz ao Ethan!
Trocando de estratgia, a menina reclinou a cabea no ombro do Ethan e sorriu docemente, aferrando-se com um brao a seu pescoo como uma planta trepadeira enquanto 
sua me atirava dela.
Beijo mame insistiu cantarolando enquanto olhava ao Ethan movendo as pestanas seductorarnente.
Se Grace o tivesse tomado a brincadeira em lugar de mostrar-se to envergonhada, alm de um pouco nervosa, Ethan tivesse podido simplesmente lhe roar a frente com 
os lbios e assunto resolvido. Mas se tinha posto tinta, resultava ntimo. No olhava aos olhos e respirava entrecortadamente.
Viu como ela se mordia o lbio inferior e decidiu que podia resolver o assunto de um modo totalmente distinto.
Com a menina entre ambos, colocou uma mo em um dos ombros do Grace.
 mais fcil assim sussurrou, e roou os lbios dela com os seus.
Mas no foi mais fcil. o corao lhe deu um salto. Apenas se podia considerar um beijo, pois tinha terminado quase antes de comear. No era mais que um suave roce 
dos lbios, apenas um momento para saborear a textura. E um sopro de uma promessa que lhe fez desejar, desesperadamente, o impossvel.
Em todo o tempo desde que a conhecia, Ethan nunca havia meio doido a boca do Grace com a sua. Nesse momento, com apenas essa tnue amostra, perguntou-se por que 
tinha esperado tanto. E comeou a lhe preocupar que essa idia o trocasse tudo.
Aubrey aplaudiu encantada, mas ele no o ouviu. Os olhos do Grace, desse verde lquido e um pouco brumoso, estavam posados nos seus. E seus rostos estavam prximos. 
To prximos que ele logo que tinha que inclinar-se um pouco se queria voltar a provar... para ficar mais tempo essa vez, pensou, enquanto ela abria os lbios para 
exalar um tremente suspiro.
No, eu! Aubrey lhe plantou a suave boquita a sua me na bochecha e logo ao Ethan. Vem jogar.
Grace retrocedeu bruscamente como uma marionete a que lhe tivessem atirado das cordas de repente. A sedosa nuvem rosa que tinha comeado a lhe nublar o crebro se 
evaporou.
Em seguida, carinho. Movendo-se com rapidez, arrebatou-lhe a menina dos braos ao Ethan e a deixou no estou acostumado a. v fazer um castelo no que possamos 
viver. O propin um suave tapinha no traseiro que a mandou correndo para a areia. Depois se esclareceu garganta e disse:  muito bom com ela, Ethan. Agradeo-lhe 
isso.
O decidiu que onde melhor podiam estar suas mos, nessas circunstncias, era nos bolsos. No sabia exatamente o que fazer com o veemente desejo que sentia nelas.
 uma delcia. Deliberadamente, voltou-se a contemplar  menina em sua gaveta vermelha.
E bastante travessa. Tinha que recuperar a compostura, disse-se Grace, e a seguir fazer o que devia. Ethan, por que no nos esquecemos de ontem  noite? Estou 
segura de que o disse com a melhor inteno. A realidade no  sempre o que escolhemos ou o que ns gostaramos que fora.
O se voltou lentamente e seus olhos tranqilos se centraram no rosto dela.
O que  o que voc quer, Grace?
O que quero  que Aubrey tenha um lar e uma famlia. Acredito que estou bastante perto de obt-lo.
Ethan sacudiu a cabea.
No. O que  o que deseja para o Grace?
Alm dela? Jogou um olhar a sua filha e sorriu. J nem me lembro. Agora mesmo o que quero  ter a grama talhada e o horta limpo de ms ervas. Agradeo-te que 
tenha vindo. voltou-se para lhe dar outro puxo ao cordo de arranque. Amanh me passo por sua casa.
ficou muito quieta quando a mo dele se posou sobre a sua.
Eu cortarei a erva.
Posso faz-lo eu.
Ele pensou que nem sequer era capaz de arrancar o puetero aparelho, mas teve a sensatez suficiente para no mencion-lo.
No hei dito que no possa, hei dito que o farei eu.
Grace no podia voltar-se, no podia arriscar-se a provar o efeito que teria encontrar-se de novo to perto, cara a cara.
Voc tem coisas que fazer.
Grace, vamos estar aqui todo o dia discutindo quem vai cortar a grama? Para quando terminarmos, eu teria podido cort-lo duas vezes e voc poderia estar salvando 
seus feijes da invaso de ms ervas.
ia ocupar me delas. Grace falava com um fio de voz. Ambos se achavam inclinados, separados to somente por uns centmetros. O impulso de puro desejo animal que 
sentiu para ele a deixou consternada.
Faz-o agora murmurou ele, desejando que se afastasse. Se no o fazia, e rpido, no poderia seguir contendo-se e a tocaria. Tocaria-a de um modo ao que no tinha 
direito.
De acordo. Grace se apartou, movendo-se de lado enquanto o corao lhe golpeava nas costelas como um coelho dando patadas. Lhe agradeo isso, muito obrigado. 
mordeu-se o lbio com dureza, porque ia ficar a balbuciar. Empenhada em comportar-se com naturalidade, voltou-se com um pequeno sorriso. Deve ser o carburador 
outra vez. Tenho algumas ferramentas.
Sem responder, Ethan agarrou o cordo com uma mo e atirou forte dele duas vezes. O motor ficou em marcha com um estranho rugido.
Parece que assim vale comentou brandamente quando viu que os lbios dela se apertavam de frustrao.
Sim, isso parece. Tratando de no sentir-se irritada, dirigiu-se rapidamente a sua pequeno horta.
E se inclinou, pensou Ethan enquanto ele comeava a cortar a primeira fileira. inclinou-se com essas finas calas de algodo de um modo que lhe obrigou a respirar 
lenta e cuidadosamente.
Ela no tinha nem idia, pensou ele, pelo que tinha suposto para seus hormnios, normalmente to disciplinadas, ter seu lindo traseiro apertado contra ele. O que 
o fazia  temperatura de seu sangue, normalmente moderada, ter essas largas pernas nuas roando as suas.
Grace podia ter uma filha, um fato que ele tratava de recordar sempre para afastar escuros e perigosos pensamentos, mas, a seu modo de ver, era quase to inocente 
e to ingnua como quando tinha quatorze anos; quando ele tinha comeado a ter aqueles pensamentos escuros e perigosos sobre ela.
Tinha conseguido no lev-los a prtica. Por Deus bendito, se ela no era mais que uma menina. E um homem com seu passado no tinha direito a tocar a algum to 
puro, assim que se contentou sendo amigo dele. Acreditou que poderia seguir sendo seu amigo e nada mais. Mas, ultimamente, esses pensamentos lhe assaltavam mais 
freqentemente e com mais fora. estavam-se fazendo difceis de controlar.
Ambos tinham suficientes complicaes em suas vidas, recordou-se a si mesmo. S ia cortar lhe a grama, possivelmente at a ajudaria a tirar as ms ervas. Se ficava 
tempo, ofereceria-se s levar a povo para tomar um sorvete. Ao Aubrey gostava o de morango.
Depois tinha que ir ao estaleiro e ficar a trabalhar. E, como alm lhe tocava cozinhar, tinha que pensar no pequeno problema do menu.
Mas, tivesse uma filha ou no, pensou quando Grace se inclinou para tirar de um puxo um dente de leo que resistia, possua umas pernas assombrosas.
Grace sabia que no tivesse devido deixar-se convencer para ir  cidade, nem sequer para um sorvete rpido. S isso significava alterar seu programa para a jornada, 
arrumar-se um pouco mais que para trabalhar no jardim e passar mais tempo em companhia do Ethan, quando ela se sentia muito consciente de suas necessidades.
Mas ao Aubrey adorava essas pequenas expedies especiais, assim no podia negar-se.
S havia uma milha at a cidade, mas a paisagem trocava de uma vizinhana tranqila ao matizado porto. Agora as lojas de presentes e lembranas permaneceriam abertas 
sete dias  semana para aproveitar a temporada turstica estival. Casais e famlias passeavam com bolsas cheias de lembranas que levar-se a casa.
O cu era azul brilhante e se refletia na baa, convidando aos navios a deslizar-se por sua superfcie. Um par de marinheiros novatos tinham enredado as cordas de 
seu pequeno veleiro Sunfish, deixando que as velas se afrouxassem. Mas parecia que o estavam passando de maravilha a pesar do pequeno percalo.
Grace cheirava o pescado frito, os doces que se derretiam, o enjoativo aroma de coco dos protetores revestir e, sempre, sempre, o aroma mido da gua.
Tinha crescido nesse porto, contemplando os navios e navegando neles. Tinha deslocado livremente pelos moles, entrando e saindo das lojas. Tinha aprendido a cortar 
caranguejos junto a sua me, e adquirido a habilidade e velocidade necessrias para extrair a carne, esse prezado produto que se envasilhava para export-lo a todo 
mundo.
O trabalho no lhe resultava alheio, mas sempre se havia sentido livre. Sua famlia vivia bem, embora sem luxos. Seu pai no desejava estragar a suas mulheres as 
mimando em excesso, mas sempre tinha sido amvel e carinhoso, apesar de suas manias. E nunca tinha demonstrado sentir-se decepcionado por ter tido s uma filha, 
em lugar de filhos que perpetuassem seu sobrenome.
Ao final, lhe tinha decepcionado de todas formas.
Grace equilibrou a sua filha no quadril e lhe fez alguns mmicos.
H muita gente hoje comentou.
Parece que cada vero h mais. Mas Ethan se encolheu de ombros. Necessitavam s multides veraniegas para sobreviver no inverno. Me ho dito que Bingham vai ampliar 
e pr mais elegante o restaurante para atrair a uma maior clientela durante todo o ano.
Bom, agora tem esse cozinheiro do norte, e conseguiu que sasse um artigo sobre seu local na revista do Washington Post. Grace moveu ao Aubrey em seu quadril. 
O Descanso da Garceta  o nico restaurante fino de por aqui. lhe dar um toque de elegncia deveria ser bom para a cidade. Sempre amos ali para jantar para celebrar 
as ocasies especiais.
Baixou ao Aubrey, tratando de no lembrar-se de que no tinha visto o interior de um restaurante nos ltimos trs anos. Tomou a sua filha da mo e se deixou arrastar 
implacavelmente para o Crawford.
Era outro dos lugares emblemticos da cidade, o stio para tomar um sorvete ou um refresco e comprar sndwiches para levar. Como era a hora de comer, estava cheio 
de clientes. Grace se obrigou a no danificar as coisas mencionando que deveriam tomar um sndwich em lugar de um sorvete.
Ol, Grace, Ethan. Ol, Aubrey, preciosa. Liz Crawford lhes lanou um grande sorriso enquanto preparava diestramente um sndwich de embutido. Tinha sido companheira 
de escola do Ethan e tinham sado juntos durante um perodo breve que ambos recordavam com carinho.
Agora era a robusta e sardenta me de dois meninos, e estava casada com Jnior Crawford, assim chamado para lhe distinguir de seu pai, Senior.
Jnior, fraco como um aspargo, assobiava entre dentes enquanto se ocupava de cobrar. Saudou-lhes escuetamente.
Muito trabalho comentou Ethan, esquivando o cotovelo de um cliente no mostrador.
J te digo! Liz ps os olhos em branco, envolveu com habilidade o sndwich em papel branco e o passou, junto com outros trs, por cima do mostrador. Querem um 
sndwich?
Gelado respondeu Aubrey rotundamente. Fresa.
Bom, passa e lhe diga a mame Crawford o que quer. Ah, Ethan, Seth esteve por aqui recentemente com o Danny e Will. Esses meninos crescem como a m erva, juro-lhe 
isso. levaram-se um monto de sndwiches e refrescos. Ho dito que estavam trabalhando em seu estaleiro.
Ethan sentiu um espiono de culpa, sabendo que Phillip no estava s trabalhando a no ser jogando um olho aos trs guris.
Eu vou para l dentro de um momento.
Ethan, se no ter tempo para isto... comeou Grace.
D-me tempo a tomar um sorvete com uma garota bonita. Com essas palavras, elevou ao Aubrey e deixou que apertasse o nariz contra o cristal do congelador no que 
estavam as cubetas dos distintos sabores de sorvete arteso.
Liz tomou o seguinte pedido enquanto olhava a seu marido movendo as sobrancelhas de forma muito expressiva como dizendo: Ethan Quinn e Grace Monroe, bom, bom, o 
que te parece?.
Agarraram seu sorvete e se dirigiram fora, onde a brisa que saa da gua era clida, e foram caminhando afastando da multido at encontrar um dos bancos de ferro 
pelos que tinham feito campanha os ancies da cidade. Com um punhado de guardanapos de papel na mo, Grace se colocou ao Aubrey no regao.
Lembrana quando vinha aqui e conhecia todas as pessoas que via murmurou Grace. Mame Crawford estava acostumado a estar depois do mostrador lendo um livro de 
bolso. Notou que o sorvete do Aubrey lhe tinha manchado a perna, mais abaixo da cala, e se limpou. Carinho, come pelos borde antes de que se desfaa.
Voc tambm tomava sempre sorvete de morango.
O que?
Segundo lembrana comentou Ethan, surpreso de que a imagem se mantivera to ntida em sua mente, preferia o de morango. E o refresco de uva.
Suponho que sim. Ao inclinar-se a limpar mais manchas de sorvete, ao Grace lhe deslizaram os culos de sol pelo nariz. Todo parecia singelo se podia desfrutar 
de um sorvete de morango e um refresco de uva.
H coisas que seguem sendo singelas. Como ela tinha as mos ocupadas, Ethan lhe empurrou os culos para cima, e lhe pareceu apreciar um espiono de algo em seus 
olhos depois dos escuros cristais. Outras, no.
Dirigiu seu olhar para a gua enquanto se concentrava em comer o sorvete. Uma idia melhor, decidiu, que contemplar como Grace comia o seu lentamente, com grandes 
lametones.
Estvamos acostumados a vir algum domingo, de vez em quando recordou. Nos colocvamos todos no carro e vnhamos  cidade para tomar um sorvete ou um sndwich, 
ou simplesmente para ver o que acontecia. A mame e papai gostavam de se sentar em uma das mesas com sombrinha da cafeteria e tomar um refresco de limo.
Ainda os sinto falta de comentou Grace brandamente. Sei que voc tambm. Aquele inverno que tive a pneumonia, lembro-me de minha me e da tua. Dava-me a impresso 
de que, cada vez que despertava, encontrava a meu lado  uma ou  outra. A doutora Quinn era a pessoa mais bondosa que conheci. Minha me...
interrompeu-se, movendo a cabea.
O que?
No quero que se sinta triste.
No se preocupe, continua.
Minha me vai ao cemitrio cada ano na primavera para pr flores em sua tumba. Eu a acompanho. At a primeira vez que fomos, no me tinha dado conta de quanto queria 
minha me  tua.
No sabia quem punha as flores. Me alegro se soubesse. O que se comenta..., o que algumas pessoas andam dizendo sobre meu pai teria feito que ela tirasse seu temperamento 
irlands, e j teria calado alguma boca.
Esse no  seu estilo, Ethan. Voc tem que arrumar esse assunto a sua maneira.
Ambos quereriam que fizssemos o que fora melhor para o Seth. Isso  o mais importante.
J esto fazendo o que  melhor para ele. Cada vez que o vejo, parece-me mais depravado. Quando chegou estava muito triste. Seu pai estava tratando de fazer algo 
a respeito, mas tinha problemas prprios. J sabe quo preocupado andava, Ethan.
Sim. Ento o sentido de culpa lhe pesou como uma laje no mais profundo de seu corao. Sei.
Agora te hei posto triste. voltou-se para ele, de modo que seus joelhos chocaram. O que lhe preocupasse no tinha que ver contigo. Voc foi uma luz intensa e 
firme em sua vida, isso se via.
Se lhe tivesse feito mais pergunta... comeou Ethan.
No  seu estilo repetiu ela, e, esquecendo que tinha a mo pegajosa, acariciou-lhe a bochecha. Sabia que lhe contaria isso quando estivesse preparado para faz-lo, 
quando pudesse faz-lo.
E logo foi muito tarde.
No, nunca o . Seus dedos se deslizaram ligeiramente pela bochecha do Ethan. Sempre h uma oportunidade. Eu acredito que no poderia viver, dia detrs dia, se 
no acreditasse que sempre h uma oportunidade. No se preocupe acrescentou com suavidade.
Ethan sentiu que algo se movia em seu interior e elevou a mo para cobrir a dela com a sua. Algo se deslizava e abria. Nesse momento, Aubrey deixou escapar um chiado 
de alegria selvagem.
Av!
Grace apartou a mo bruscamente e logo a deixou cair como uma pedra. Toda a calidez que tinha fluido dela se esfriou. Endireitou os ombros e os esticou ao tempo 
que se voltou para diante e viu aproximar-se de seu pai.
Aqui est meu muequita. Vem com o av.
Grace deixou ir a sua filha e a viu correr at que seu pai a abraou. O no se alterou ante as mos pegajosas e os lbios sujos. riu, abraou-a e correspondeu ao 
generoso beijo da menina com um bem sonoro.
Mmm, morango, que rico! Fez rudos como se se comesse a bochecha do Aubrey at que a menina deu um chiado de prazer. Depois, a colocou com facilidade no quadril 
e salvou a pequena distncia que havia at onde se achava sua filha. J no sorria.
Grace, Ethan, dando um paseto de domingo?
A garganta do Grace estava seca e lhe ardiam os olhos.
Ethan convidou a um sorvete. 
Ah, muito bem.
Agora o tem posto voc tambm comentou Ethan com a esperana de relaxar parte da tenso que se mascava no ambiente.
Pete se olhou a camisa, onde Aubrey tinha deixado restos de seu sorvete.
A roupa se lava. Ethan, desde que comearam a trabalhar nesse navio, no te v freqentemente no porto um domingo.
Hoje vou comear mais tarde. O casco est terminado, e a coberta, quase.
Que bem, isso est muito bem. Fez um gesto de sincera satisfao e depois se dirigiu a sua filha. Sua me est na cafeteria. Querer ver sua neta.
Vale, eu...
J me levo isso eu interrompeu ele. Voc pode ir a casa quando quiser e sua me lhe levar isso dentro de uma hora ou dois.
Grace tivesse preferido que a esbofeteasse a que a falasse com esse tom distante e corts. Mas assentiu, pois Aubrey j estava tagarelando sobre sua av.
Adeus! Adeus, mame. Adeus, Ethan se despediu a menina, olhando atrs sobre o ombro de seu av ao tempo que lhes lanava ruidosos beijos.
Sinto muito, Grace. Consciente do inadequado do comentrio, Ethan tomou a mo e a encontrou rgida e fria.
No importa. No pode importar. E alm ele quer ao Aubrey, adora-a. Isso  quo nico importa.
No  justo para ti. Voc pai  um homem bom, mas no foi justo contigo.
Decepcionei-lhe. ficou em p, limpando-as mos rapidamente com os guardanapos com as que tinha feito uma bola. Esse  a essncia da questo.
No  mais que seu orgulho, que se d de batidas contra o teu.
Talvez. Mas meu orgulho  importante para mim. Atirou os guardanapos em um cesto de papis e decidiu que a conclua o assunto. Tenho que voltar para casa, Ethan. 
Ficam milhares de coisas que fazer e, j que disponho de um par de horas, mais vale que as faa.
O no insistiu embora lhe surpreendeu quanto desejava faz-lo. O mesmo odiava que lhe pressionassem e lhe dessem a lata para que falasse de seus assuntos.
Levo-te a casa.
No, prefiro passear. Gosta de seriamente. Obrigado por me dar uma mo. Conseguiu sorrir quase com naturalidade. E pelo sorvete. Amanh passo por sua casa. No 
esquea lhe recordar ao Seth que a roupa suja se deixa na cesta, no no cho.
afastou-se caminhando; suas largas pernas devoravam o terreno. Grace se assegurou de que estava longe antes de afrouxar o passo, antes de passar uma mo por esse 
corao que lhe doa apesar de que lhe ordenava que no lhe doesse.
S havia dois homens aos que queria de verdade, e parecia que nenhum podia quer-la como ela necessitava que a quisessem.
4
Ao Ethan no importava a msica quando trabalhava. De fato, seus gostos musicais eram to amplos como eclticos, outro presente dos Quinn. Freqentemente a casa 
estava cheia de msica. Sua me tocava muito bem o piano, e lhe jogava o mesmo entusiasmo s peas do Chopin que s do Scott Joplin. O talento musical de seu pai 
se expressava no violino, e esse era o instrumento pelo que Ethan se havia sentido atrado. Desfrutava com seus variados nimos e seu pequeno tamanho.
Contudo, parecia-lhe um desperdcio ter a msica posta quando estava tratando de concentrar-se em uma tarefa concreta, pois normalmente aos dez minutos deixava de 
escut-la. Nesses momentos, sentia-se muito mais a gosto em silncio, mas ao Seth gostava de ter a rdio posta no estaleiro, e com o volume a batente. Assim para 
manter a paz, Ethan simplesmente desconectava do enloquecedor rock and roll.
O casco do navio j tinha sido calafetado e macizado, uma tarefa que requeria muitas horas de trabalho. Seth lhe tinha resultado de grande ajuda, admitiu, ao lhe 
proporcionar duas mos e dois ps mais quando o necessitava. Embora o menino se queixava pelo trabalho tanto como Phillip.
Ethan desconectava disso tambm para manter a prudncia.
Esperava terminar de cobrir a coberta antes de que Phillip chegasse para o fim de semana, cercando primeiro em uma das diagonais, e logo na outra em ngulo reto.
Com um pouco de sorte, essa semana e a seguinte poderia avanar bastante com a cabine e o camarote. Seth punha o grito no cu quando lhe tocava o lixado fino, mas 
o fazia bastante bem. Ethan s teve que lhe ordenar um par de vezes que repassasse partes da madeiramento do casco. Tampouco lhe importavam as perguntas do menino, 
embora uma vez que comeava, no parava.
Para que serve essa parte?
 o mamparo da cabine. 
por que a tem j atalho?
Porque queremos que solte todo o p antes de envernizar e selar.
E para que so todas essas outras porcarias?
Ethan fez uma pausa em sua tarefa, olhando de onde se encontrava para baixo, onde se achava o menino, que contemplava com o cenho franzido uma pilha de madeira sem 
cortar.
A esto os laterais e o extremo da cabine, a batayola e os gales.
Muitas peas para um navio de mierda!
Pois vai haver muitas mais.
E por que o tipo no compra o navio de repente?
Melhor para ns que no o tenha feito. Os bolsos bem forrados do cliente lhe estavam proporcionando uma base econmica a Navios Quinn.  que gostou do outro navio 
que lhe constru e assim pode lhes contar a todos seus influentes amigos que lhe desenharam um navio e o construram  mo e de forma artesanal.
Seth trocou de lixa e se aplicou de novo  tarefa. A verdade  que no lhe importava trabalhar. E gostava dos aromas da madeira, o verniz e at o do azeite de linhaa. 
Mas seguia sem entend-lo.
Costa um monto de tempo faz-lo.
Levamos menos de trs meses. A muita gente custa um ano, e at mais, construir um navio de madeira.
Seth ficou com a boca aberta.
Um ano! Joder, Ethan.
A sonora queixa, to normal, fez que Ethan quase chegasse a sorrir.
Tranqilo, este no nos vai custar tanto. Quando voltar CAM e possa trabalhar a tempo completo, avanaremos mais rpido. E uma vez termine o curso, voc pode te 
ocupar de grande parte das tarefas menores.
O curso j terminou.
Como?
Que terminava hoje. O sorriso do Seth era ampla e radiante. Sou livre. J est.
Hoje? Fazendo uma pausa no trabalho, Ethan franziu o cenho. Acreditava que ficavam um par de dias.
No, no.
Em algum momento tinha perdido a noo do tempo, pensou Ethan. E no era prprio do Seth, ao menos ainda no, facilitar informao de forma voluntria.
Deram-lhe as notas?
Sim, aprovei.
Vejamo-lo. Ethan deixou as ferramentas e se limpou as mos nos jeans. Onde esto?
Seth se encolheu de ombros e seguiu lixando.
A, em minha mochila. No  para tanto.
Vejamo-lo repetiu Ethan.
O menino se embarcou no que Ethan chamava seu baile tpico. Ps os olhos em branco, encolheu-se de ombros e emitiu um suspiro de sofrimento. Extraamente, no terminou 
com um taco, como acostumava. aproximou-se aonde tinha atirado a mochila e rebuscou nela.
Ethan se escorou a bombordo para tomar o documento que Seth lhe tendia. Ao ver a expresso rebelde do rosto do menino, compreendeu que as notcias seriam sombrias. 
Seu estmago se encolheu e deu um salto. O sermo de rigor, pensou suspirando para si, lhes ia resultar terrivelmente embaraoso aos dois.
Ethan estudou o pequeno papel, uma folha impressa por ordenador, e se tornou para trs a boina para arranh-la cabea.
Tudo sobressalentes?
Seth voltou a encolher-se de ombros e afundou as mos nos bolsos.
Sim, e o que?
Nunca tinha visto um boletim de notas com tudo sobressalentes. Inclusive Phillip tinha vrios notveis e algum bem de vez em quando.
A vergonha e o medo a ser chamado empolln, ou um pouco igualmente horrvel, surgiu-lhe de repente.
No  para tanto.
Elevou uma mo para receber o boletim, mas Ethan negou com a cabea.
E um porrete que no replicou; logo reparou no cenho franzido do Seth e acreditou entender a razo. Sempre  duro ser distinto a outros. Tem um bom crebro e 
deveria te sentir orgulhoso dele.
 algo que est a, simplesmente. No  como saber pilotar um navio ou coisas assim.
Se tiver um bom crebro e sabe como us-lo, pode aprender a fazer o que for. Ethan dobrou o papel com cuidado e o guardou no bolso.  obvio que ia presumir todo 
o possvel. Digo eu que teramos que ir comprar uma pizza ou algo assim.
Confundido, Seth entreabriu os olhos.
Mas voc tinha preparado uns sndwiches cutres.. .
Isso j no basta. A primeira vez que um Quinn tira tudo sobressalentes se merece pelo menos uma pizza. Viu como a boca do menino se abria e se fechava e observou 
o gozo que saltou em seus olhos antes de que baixasse o olhar.
Vale, isso moa.
Pode esperar outra hora? 
Sem problema.
O menino agarrou o papel de lixa e ficou a trabalhar freneticamente. E s cegas. Seus olhos estavam deslumbrados, tinha o corao na garganta. Acontecia-lhe cada 
vez que um deles lhe chamava Quinn. Sabia que seu nome seguia sendo DeLauter. Tinha que p-lo ao comeo de cada tarefa que fazia na escola, no? Mas escutar ao Ethan 
lhe chamar Quinn fez que essa pequena llamita de esperana que Ray tinha aceso nele meses antes brilhasse um pouco mais alta.
ia se ficar. ia ser um deles. Nunca mais ia retornar ao inferno.
Por volta de que valesse a pena que lhe tivessem chamado ao despacho do Moorefield esse dia. A subdirectora lhe tinha pescado uma hora antes de que acabassem as 
classes. Lhe tinha feito um n de nervos no estmago, como sempre. Mas lhe tinha ordenado que se sentasse e lhe havia dito que se sentia orgulhosa de como tinha 
avanado.
Que humilhante.
Vale, igual no tinha pego a ningum nos ltimos dois meses. E tinha apresentado as deveres todos os dias porque havia algum que no deixava de lhe dar a lata para 
que o fizesse. Pbillip era o pior nesse aspecto. Era como se o tio fora um policial dos deveres ou algo assim, pensou Seth. E sim, tinha levantado a mo em classe 
de vez em quando, simplesmente porque lhe dava a vontade.
Mas que a subdi lhe distinguisse dessa forma... tinha-lhe dado tanta vergonha... Quase tinha desejado que lhe tivesse agarrado pelas orelhas para lhe pr outro 
castigo.
Entretanto, se um punhado de estpidos sobressalentes faziam feliz a um tipo como Ethan, pois estava bem.
Em opinio do Seth, Ethan era um tio totalmente genial. Trabalhava ao ar livre todo o dia e suas mos tinham cicatrizes e calos bem gordos. Ao Seth parecia que lhe 
poderiam cravar pontas nas mos sem que o notasse, do duras e speras que as tinha. Possua dois navios que se construiu ele mesmo, e sabia tudo sobre a baa e a 
navegao. E no se atirava a fritada.
Dois meses atrs, Seth havia visto Solo ante o perigo na televiso, embora era uma peli cutre em branco e negro e no havia sangue nem exploses. Nesse momento pensou 
que Ethan era igual a esse tal Gary Cooper. No falava muito, assim quando falava, a gente escutava. E fazia o que terei que fazer sem presumir.
Ethan tambm podia enfrentar-se aos maus e ganh-los. Porque era o correto. Seth lhe tinha dado voltas a isso durante um momento e tinha chegado  concluso de que 
isso  o que significava ser um heri. Algum que fazia o correto.
De ter sido capaz de ler os pensamentos do menino, Ethan se teria assombrado e lhe teria entrado muchsima vergonha. Mas a aquele lhe dava muito bem guardar-lhe 
para si mesmo. Nisso, Ethan e ele se pareciam tanto como se fossem gmeos.
Pode que ao Ethan lhe passasse pela cabea que a pizzera logo que distava uma ma do pub do Shiney, onde Grace estaria comeando seu turno, mas no o comentou.
De todos os modos, no podia levar a menino a um bar, pensou enquanto se dirigiam s luzes brilhantes e ao rudo do Village Pizza. E seguro que Seth se queixava, 
e bastante, se lhe pedia que esperasse no carro uns minutos enquanto jogava uma olhada. Possivelmente Grace protestasse tambm se notava que estava tratando de cuidar 
dela.
Mais valia deix-lo correr e concentrar-se no assunto principal. Colocou as mos nos bolsos traseiros da cala e examinou a carta colocada na parede que havia detrs 
da barra.
Do que a quer?
Cogumelos, nem pensar. So asquerosos.
Nisso estamos de acordo murmurou Ethan.
De pimiento e salsicha picante comentou o menino em tom zombador, mas o danificou ao balanar-se um pouco em suas sapatilhas esportivas. Se crie que pode com 
isso.
Eu posso se voc puder. N, Justin disse com um sorriso de saudao para o menino que estava detrs da barra. nos ponha uma grande de pimiento e salsicha picante, 
e dois Pepsis gigantes.
Vale. Para tomar ou para levar?
Ethan jogou uma olhada  dzia de mesas e reservados e se deu conta de que no tinha sido o nico que tinha tido a idia de celebrar o ltimo dia de classe com uma 
pizza.
Seth, vete e safada esse ltimo reservado da atrs. Para tomar aqui, Justin.
Sentem-se. Agora lhes levamos as bebidas.
Seth soltou a mochila no banco e tamborilou com os dedos na mesa ao ritmo trepidante do Hootie e os Blowfish que surgia da mquina de discos.
vou jogar uma partida aos videojuegos anunciou. Quando Ethan fez gesto de tirar a carteira, Seth negou com a cabea. Tenho dinheiro.
No, hoje corre de minha conta replicou Ethan brandamente, e tirou alguns bilhetes.  sua festa. Vete a por mudana.
Guay. O moo agarrou os bilhetes e saiu correndo a pelas moedas.
Enquanto Ethan se acomodava no reservado, perguntou-se como podia pensar tanta gente que passar um par de horas em uma sala ruidosa era uma forma estupenda de divertir-se. 
Um corro de meninos estavam tratando de ganhar uma partida nas trs mquinas colocadas ao longo da parede traseira. A mquina de discos tinha trocado ao Clint Black, 
com seus lamentos de cantor country. Um menino pequeno que havia no reservado de atrs do seu tinha uma rabieta de cuidado e um grupo de garotas adolescentes ria 
a um volume que teria feito que ao Simon sangrassem as orelhas.
Que maneira de passar uma formosa noite do vero!
Ento divisou a Liz Crawford com seu marido e suas duas filhas em um reservado prximo. Uma das meninas, provavelmente Stacy, pensou Ethan, falava rapidamente fazendo 
muitos gestos, enquanto o resto da famlia ria a mandbula batente.
Eram uma unidade, pensou, possuam sua prpria ilha no meio do rudo e as luzes cambiantes. Imaginou que isso  o que significa ser uma unidade, uma famlia. Saber 
que pode te refugiar ali o troca tudo.
Entretanto, surpreendeu-lhe o puxo de inveja, e fez que se movesse incmodo no duro assento do reservado enquanto olhava carrancudo ao vazio. Tinha tomado uma deciso 
sobre ter uma famlia fazia anos e esse agudo impulso de desejo no lhe agradava.
Mas bom, Ethan, que expresso to feroz!
Elevou a vista enquanto deixavam as bebidas sobre a mesa frente a ele e se encontrou com os olhos pcaros de Linda Brewster.
Era muito atrativa, disso no lhe cabia dvida. Ajustado-los jeans negros e a decotada camiseta da mesma cor se pegavam a seu bem desenvolvido corpo como uma mo 
de pintura fresca a um Chevrolet clssico. Fazia uma semana que tinham concludo os trmites de seu divrcio, e ento se concedeu uma manicura e um novo penteado. 
Suas unhas de coral roaram a loira juba recentemente atalho, ao tempo que sorria ao Ethan.
Tinha-lhe jogado o olho fazia tempo. depois de tudo, ela levava mais de um ano separada desse desastre do Tom Brewster e uma mulher tinha que olhar por seu futuro. 
Ethan Quinn devia ser bom na cama. Ela intua essas coisas. Essas grandes mos seguro que trabalhavam a conscincia... e seguro que eram atentas.
Tambm gostava de seu aspecto: curtido e com um toque de dureza. E esse lento sorriso, to sexy... Quando conseguia lhe arrancar uma, te dava vontade de te lamber 
por antecipado.
E possua uma forma tranqila de fazer as coisas. Linda sabia o que se comentava sobre as guas tranqilas. morria por saber quo profundas eram as do Ethan.
Este era plenamente consciente de aonde se dirigia o olhar de Linda, e manteve a seu bem alerta para ter uma via de escapamento. As mulheres como Linda lhe davam 
mais medo que um nublado.
Ol, Linda. No sabia que trabalhasse aqui. De hav-lo sabido, teria evitado a pizzera como se fora a peste.
S estou dando uma mo a meu pai durante um par de semanas. Estava sem branca, e seu pai, o dono do estabelecimento, havia-lhe dito que se se acreditava que ia 
poder viver a costa de sua me e dele, deixava-o claro. Que pusesse seu traseiro a batalhar. Fazia tempo que no te via.
Pois estive por aqui. Oxal se largasse. Seu perfume lhe dava desgosto.
Contaram-me que seus irmos e voc alugastes esse velho celeiro do Claremont e que lhes dedicam a construir navios. Estava pensando em me aproximar de jogar uma 
olhada.
No h muito que ver. Onde diabos estava o menino quando o necessitava?, perguntou-se Ethan um pouco desesperado. Quanto lhe podiam durar essas ditosas moedas?
D igual, eu adoraria v-lo. Linda deslizou suas brilhantes unhas com o passar do brao do Ethan, ao tempo que ronronava enquanto apalpava o msculo. Posso escapar 
um ratito daqui. por que no me leva ali e me ensina o que terei que ver?
Durante um momento, ao Ethan ficou a mente em branco. Ao fim e ao cabo, no deixava de ser um homem, e ela se passava a lngua pelo lbio superior para atrair seus 
olhos. No  que lhe interessasse, absolutamente, mas fazia muito que uma mulher no gemia sob seu corpo. E lhe parecia que Linda devia gemer como ningum.
tirei a mxima pontuao disse Seth de repente afundando-se no reservado, excitado pela vitria, e agarrando sua bebida. Sorveu um pouco com a pajita e disse: 
Tio, por que demora tanto a pizza? Morro de fome.
Ethan sentiu que o sangue voltava para circular por suas veias e esteve a ponto de suspirar de alvio.
Em seguida vem.
Bom. Apesar da irritao que lhe produzia ser interrompida, Linda lanou um radiante sorriso a Este Seth deve ser o novo. Como te chama, precioso? Me esqueceu 
seu nome.
Meu nome  Seth. Em um instante, o menino se fez uma idia de como era. Uma loira oca, foi seu primeiro e ltimo pensamento. Tinha visto mais que suficientes em 
sua curta vida. E voc, quem ?
Meu nome  Linda, sou uma velha amiga do Ethan. Meu pai  o dono disto.
Guay, ento igual lhes pode dizer que se dem pressa com a pizza, que a este passo aposentamos aqui.
Seth... A palavra e o olhar tranqilo do Ethan foi tudo o que fez falta para que calasse. Seu pai segue fazendo as melhores pizzas da zona, Linda disse Ethan 
com um sorriso mais relaxado. No se esquea de comentar-lhe No te preocupes. Y t dame un toque alguna vez. Movi la mano izquierda y aadi: Ya soy una mujer 
libre.
No se preocupe. E voc me d um toque alguma vez. Moveu a mo esquerda e acrescentou: J sou uma mulher livre.
afastou-se rebolando os quadris como um metrnomo bem engordurado.
Cheira como esse stio do centro comercial onde tm todas essas coisas para garotas. Seth enrugou o nariz. No lhe tinha cansado bem porque lhe tinha visto nos 
olhos uma sombra de sua me. S quer te levar a horta.
te cale, Seth.
Seriamente! comentou com um encolhimento de ombros, mas alegremente deixou acontecer o tema quando Linda retornou com a pizza.
Que aproveite! disse-lhes, inclinando-se sobre a mesa um pouco mais do necessrio se por acaso Ethan se perdeu a vista a primeira vez.
Seth agarrou uma poro e lhe deu uma dentada, sabendo de que lhe ia queimar o paladar. Os sabores estalaram em sua boca, fazendo que valesse a pena queimar-se.
Grace faz uma pizza genial comentou enquanto mastigava.  inclusive melhor que esta.
Ethan se limitou a grunhir. Lembrar-se do Grace quando acabava de ter, por muito a seu pesar que fora, uma breve e suarenta fantasia com Linda Brewster, crispava-lhe 
os nervos.
Pois sim. Teramos que ver se nos faz una um dia que deva limpar e isso. Toca-lhe amanh, no?
Sim. Ethan tomou uma poro, irritado porque tinha perdido o apetite quase por completo. Isso acredito.
Ao melhor faz uma antes de ir-se.
Mas se j est comendo pizza hoje...
E o que? Seth devorou a primeira poro com a velocidade e preciso de um chacal. Poderamos comparar. Grace teria que abrir uma cafeteria ou algo assim, ento 
no teria que trabalhar em todas essas coisas distintas. No faz mais que trabalhar. quer comprar uma casa.
Ah, sim?
Sim. Seth se lambeu o lado da mo por onde lhe gotejava o molho. Uma pequena, mas tem que ter jardim, para que Aubrey possa jogar e ter um co e isso.
  Ch contou ela todo isso?
Claro. Perguntei-lhe por que se passava o tempo limpando casas e trabalhando no bar, e me contou que essa era a razo. E se no ganhar o suficiente, Aubrey e ela 
no tero uma casa prpria para quando a menina comece a ir  creche. Suponho que inclusive uma casa pequena custa um monto de massa, no?
Pois sim respondeu Ethan brandamente. lembrava-se do satisfeito, do orgulhoso que se sentou ao comprar sua prpria casa junto  gua. O que tinha significado para 
ele saber que tinha conseguido o xito no que fazia. Economizar leva muito tempo.
Grace quer ter a casa para quando Aubrey comece a ir ao colgio. Depois diz que tem que comear a economizar para poder enviar a  universidade. riu zombador e 
decidiu que podia animar-se com uma terceira poro. Jo, Aubrey  apenas um beb, faltam milhares de anos para que v  universidade. Isso  o que eu lhe disse 
acrescentou, porque gostava que a gente soubesse que Grace e ele estavam acostumados a conversar. Grace riu e comentou que fazia cinco minutos que ao Aubrey tinha 
sado o primeiro dente. No o entendi.
Quer dizer que os meninos crescem muito rpido. Como no parecia que o fora a voltar o apetite, Ethan fechou a caixa e tirou alguns bilhetes para pagar a comida. 
Vamos ao estaleiro e nos levamos isto. Como no tem classe amanh, podemos lhe jogar um par de horas mais.
Jogou-lhe bastante mais de duas horas. Uma vez ficou a isso, no podia parar. Esclarecia-lhe mente, lhe impedia de dispersar-se, fazer-se perguntas, preocupar-se.
A construo do navio era uma tarefa concreta e tangvel com um fim previsvel. Ali sabia o que fazia, como sabia quando saa  baa.
No existiam as zonas de sombra dos possivelmente e que tal se.
Seguiu trabalhando inclusive quando Seth se fez um novelo em um lenol manchado de pintura e ficou dormido. Parecia no lhe incomodar o rudo das ferramentas, embora 
Ethan se perguntava como algum podia dormir com a maior parte de uma pizza grande de pimiento e salsicha no estmago.
Comeou a trabalhar nos extremos e os esquineros do camarote e a brazola da cabine, enquanto o vento noturno soprava preguioso pelas portas, que estavam abertas. 
Tinha apagado a rdio, assim agora a msica era a gua, com seus suaves nota que se deslizavam junto  borda.
Trabalhava lenta e cuidadosamente, embora em sua imaginao podia ver o projeto terminado. Decidiu que CAM se ocuparia da maior parte do trabalho do interior. Era 
o mais habilidoso dos trs na marcenaria. Phillip podia ocupar-se das tarefas preparatrias, lhe dava melhor o trabalho manual do que gostava de admitir.
Se mantinham esse ritmo, calculava que podiam ter o navio preparado para navegar dentro de dois meses. O tema de calcular os benefcios e percentagens o deixava 
ao Phillip. O dinheiro serviria para alimentar aos advogados, o estaleiro e suas prprias panas.
por que no lhe havia dito Grace que queria comprar uma casa?
Ethan franziu o cenho, pensativo, enquanto procurava um perno galvanizado. No era um passo muito importante para coment-lo com um menino de dez anos? Mas, bom, 
a verdade era que Seth o tinha perguntado. S lhe havia dito que no devia trabalhar to duro, no lhe tinha perguntado por que insistia em faz-lo.
O que tinha que fazer Grace era reconciliar-se com seu pai, pensou uma vez mais. Se ambos deixassem a um lado esse teimoso orgulho dos Monroe durante cinco minutos, 
poderiam chegar a um acordo. Ela se tinha ficado grvida, e no lhe cabia nenhuma dvida de que Jack Casey se aproveitou de uma moa jovem e ingnua e que se merecia 
a morte por isso, mas toda isso era gua passada.
Em sua famlia nunca se guardaram rancor, nem por coisas pequenas nem por coisas grandes. brigavam, como no, e seus irmos e ele freqentemente se davam uma boa 
surra. Mas quando terminavam, assunto concludo.
 verdade que ele tinha alimentado certo ressentimento porque CAM se foi a Europa e Phillip se transladou a Baltimore. Aconteceu justo depois da morte de sua me, 
e ele ainda se sentia muito mal. Tudo tinha trocado em um abrir e fechar de olhos, e isso lhe fez lhe dar voltas e mais voltas ao tema.
Mas, inclusive assim, nunca teria tornado as costas a seus irmos se lhe tivessem necessitado. E sabia que eles teriam feito o mesmo.
Que Grace no pedisse ajuda e que seu pai no a oferecesse lhe parecia uma autntica estupidez.
Jogou um olhar ao grande relgio redondo colocado na parede sobre as portas dianteiras. Idia do Phillip, recordou, esboando um sorriso. Lhe tinha ocorrido que 
tinham que calcular quantas horas jogavam, mas, por isso ele sabia, seu irmo era o nico que levava a conta.
Era quase a uma, o que significava que Grace terminava no bar dentro de uma hora. No estaria mal carregar ao Seth na caminhonete e passar-se rapidamente pelo bar. 
S para... ver como foram as coisas.
Quando estava a ponto de incorporar-se, ouviu o menino gemer em sonhos.
Por fim a pizza lhe est fazendo efeito, pensou sacudindo a cabea. Mas imaginou que a infncia no estava completa sem sua dose de dores de barriga. Descendeu, 
fazendo girar os ombros para desentorpecer os msculos, enquanto se aproximava do menino.
ajoelhou-se a seu lado, p-lhe uma mo nos ombros e lhe deu uma leve sacudida. O menino se elevou pegando golpes.
O punho apertado alcanou ao Ethan em plena boca e fez que sua cabea retrocedesse. A surpresa, mais que a dor, rpido e agudo, induziu-lhe a dizer um taco. protegeu-se 
do seguinte golpe e depois agarrou firmemente o brao do Seth.
Vale j!
me tire as mos de cima! Selvagem, desesperado, e apanhado ainda na garra pegajosa do sonho, Seth se debateu no ar. me Tire as putas mos de cima!
A compreenso lhe chegou nesse instante; foi o olhar nos olhos do Seth, um terror nu e uma ira sauda. Ambas as coisas as tinha sentido ele uma vez, junto a um calafrio 
de impotncia. Liberou o menino, elevando as mos com as Palmas para fora.
Estava sonhando. Disse-o de forma tranqila, sem inflexo, e ouviu como a respirao entrecortada do Seth reverberava no ar. Te tinha ficado dormido.
O moo manteve os punhos apertados. No recordava haver ficado dormido. lembrava-se de haver-se acurrucado enquanto escutava trabalhar ao Ethan. E o seguinte que 
sentiu foi que se achava de volta em um daqueles quartos escuros, de aromas azedos e muito humanos, e que os rudos procedentes do quarto do lado eram muito fortes 
e animais.
E um dos homens sem rosto que acabava de usar a cama de sua me se arrastou at ele e lhe ps as mos em cima outra vez.
Mas era Ethan quem lhe observava, pacientemente, com esses olhos srios que sabiam muito. Lhe retorceu o estmago, no s pelo que tinha passado, mas tambm porque 
agora Ethan teria que sab-lo.
Como no lhe ocorriam palavras nem desculpas, Seth simplesmente fechou os olhos.
Isso foi o que inclinou a balana para o Ethan. O ceder  impotncia, o deslizar-se para a vergonha. O tinha abandonado sua prpria ferida, mas agora resultava que 
teria que cur-la depois de tudo.
No deve ter medo do que aconteceu.
Eu no tenho medo de nada. Os olhos do moo se abriram de repente. O aborrecimento neles era adulto e amargo, mas sua voz saa a sacudidas, como o menino que era. 
No tenho medo de um sonho de mierda.
Tampouco tem que sentir vergonha. Como sim a sentia, e muito, Seth se incorporou de um salto. Seus punhos se apertaram de novo. Eu no sinto vergonha de nada. 
E voc no sabe uma mierda.
Sei tudo. E como sabia, odiava falar disso. Mas, apesar da postura desafiante, o moo tremia, e Ethan sabia exatamente o solo que se sentia. O nico que ficava 
era falar disso. Era o correto. Sei o que os sonhos me fizeram , sei que os tive durante muito tempo depois de que esse tipo de coisas se terminaram para mim. E 
seguia tendo-os de vez em quando, pensou, mas no havia necessidade de lhe dizer ao menino que possivelmente se enfrentasse a toda uma vida de tratar de superar 
certas lembranas. Sei o que te faz por dentro.
E uma mierda. As lgrimas ardiam no fundo de seus olhos, lhe humilhando ainda mais. No me passa nada. Me pir dali, no? Liberei-me dela, no? E no vou voltar, 
acontea o que acontecer.
No, no vai voltar assentiu Ethan. Passasse o que acontecesse.
Importa-me um carajo o que voc ou qualquer pensem sobre o que aconteceu ento. E fazendo como que sabe no me vais enganar para que lhe conte isso.
No me tem que contar nada a respeito lhe disse Ethan. E eu no tenho que fazer como que sei. Recolheu a boina que o murro do Seth fazia cair e a passou sem 
dar-se conta pelas mos antes de voltar a ficar a Mas o gesto cotidiano no conseguiu suavizar a apertada e escorregadia bola de tenso em suas vsceras. Minha 
me era uma puta, minha me biolgica. E uma yonqui viciada na herona. Manteve seus olhos nos do Seth e um tom de voz natural. Eu tinha menos idade que voc quando 
me vendeu pela primeira vez a um homem ao que gostava dos meninos.
A respirao do Seth se acelerou ao tempo que dava um passo atrs. No, era tudo o que podia pensar. Ethan Quinn era completamente forte e slido Y... normal.
Est mentindo.
A gente normalmente minta para fanfarronear, ou para livrar-se de alguma tolice que tem feito. No vejo o sentido de nenhuma de ambas as coisas, e muito menos do 
que serviria mentir sobre isto.
Voltou a tir-la boina porque, de repente, pareceu-lhe que lhe apertava muito a cabea. Uma vez, dois, passou-se a mo pelo cabelo para afrouxar a carga.
Vendia a homens para pagar o pendure. A primeira vez, lutei. No serve para evit-lo, mas lutei. A segunda vez, lutei, e umas quantas vezes depois dessa. Depois, 
deixei de lutar, porque isso s o fazia pior.
Ethan manteve seu olhar na do menino. Os olhos do Seth estavam escuros e no to acalmados como quando Ethan tinha comeado a falar. Doa-lhe o peito at que se 
lembrou de voltar a respirar.
Como pde suport-lo?
Deixou de me importar. Ethan se encolheu de ombros. Deixei de ser, compreende? No havia ningum a quem pudesse ir em busca de ajuda, ou no sabia que a houvesse. 
Ela se mudava freqentemente para despistar aos servios sociais.
Seth sentia os lbios secos e apertados. Os esfregou com fora com o dorso da mo.
Nunca sabia onde te foste despertar pela manh.
Sim, nunca sabia. Mas todos os stios tinham o mesmo aspecto. Todos possuam o mesmo aroma.
Mas te liberou. Conseguiu sair daquilo.
Sim, consegui me liberar. Uma noite, quando o cliente tinha terminado conosco dois, houve um incidente. Gritos, sangue, insultos. Dor. No me lembro bem de tudo, 
mas veio a polcia. Eu devia estar bastante mal, porque me levaram a hospital e em seguida compreenderam o que tinha passado. Terminei nos servios sociais, e me 
poderia ter ficado estagnado neles, mas a doutora que me tratou era Stella Quinn.
Eles lhe acolheram.
Sim, acolheram-me. E dizer isso, simplesmente diz-lo, acalmou-lhe a nusea. No  s que me trocassem a vida,  que me salvaram isso. Depois segui sonhando com 
aquilo durante muito tempo, tinha esses sonhos nos que desperta suando e tratando de respirar, convencido de que est ali de novo. E embora te d conta de que no 
 verdade, o frio te dura um momento.
Seth se secou as lgrimas com os ndulos, mas j no lhe davam vergonha.
Eu sempre me liberei. s vezes me puseram as mos em cima, mas sempre me escapei. Nenhum deles pde...
Bem feito.
Mas de todas formas queria lhes matar a todos, e a ela tambm. Queria lhes matar.
Sei.
No queria dizer-lhe a ningum. Acredito que Ray sabia, e CAM como que imagina. Mas no queria que ningum pensasse que eu..., que me olhassem e pensassem... No 
podia express-lo, sentia vergonha de que a gente lhe olhasse e visse o que tinha acontecido, ou o que podia ter acontecido, naqueles quartos fedidos. por que me 
contaste isso?
Porque tem que saber que isso no te faz menos homem. Ethan esperou, consciente de que Seth tinha que decidir se aceitava ou no a verdade de sua afirmao.
O que Seth viu foi um homem alto, forte, dono de si, com mos grandes e calejadas e olhos tranqilos. Um dos pesos que esmagava seu corao se elevou.
Acredito que sei. E sorriu brevemente. Te sangra a boca.
Ethan se tocou brandamente com o dorso da mo e soube que acabavam de cruzar uma fina e delicada linha.
Tem um bom gancho de direita. Pilhaste-me por surpresa. Elevou uma mo tentativamente e lhe revolveu ao menino o cabelo, despenteado pelo sonho. Venha, nos lavemos 
e vamos a casa.
5
Grace tinha por diante uma manh muito ocupada. s sete e quinze, enquanto se fazia o caf e com olhos que ainda no se aberto de tudo, ps a primeira mquina de 
lavar roupa. Entre enormes bocejos, regou as novelo do alpendre e os pequenos vasos de ervas aromticas que havia no batente da janela da cozinha.
Enquanto o aroma do caf comeava a perfumar o ar lhe dando esperana, esfregou os copos e terrinas que Julie tinha usado a noite anterior quando cuidava do Aubrey. 
Fechou a bolsa de batatas fritas e a devolveu a seu lugar no armrio, logo limpou os miolos da encimera onde a moa se tomou um boquinha enquanto conversava por 
telefone.
Julie Cutter no era muito ordenada, mas tinha muito carinho ao Aubrey.
s sete e meia em ponto, quando Grace levava meia taa de caf, Aubrey despertou.
To regular como o alvorada, pensou Grace, saindo da diminuta cozinha alargada em direo ao dormitrio, que estava a um lado da sala. Com chuva ou sol, fora dia 
de festa ou laborable, o despertador interno de sua filha soava exatamente s sete e meia todas as manhs.
Grace podia hav-la deixado em seu bero enquanto se terminava o caf, mas cada dia esperava esse momento com iluso. Aubrey se achava de p em um lado do bero, 
com os cachos loiros revoltos pelo sonho e as bochechas ainda rosadas. Grace recordava ainda a primeira vez que entrou e viu sua filha de p, balanando-se sobre 
suas inseguras pernas, e com a cara radiante de surpresa pelo xito.
Agora as pernas da menina eram mais fortes. Elevava uma, logo a outra, em uma espcie de marcha brincalhona. riu alto quando sua me entrou no quarto.
Mame, mame, ol, minha mamita.
Ol, minha menina. Grace se inclinou por um lado do bero para lhe oferecer os primeiros mmicos e suspirou. Era consciente de quo afortunada era. No podia haver 
uma menina em todo o planeta com um carter mais alegre. Como est meu Aubrey?
Apa, apa.
Claro. Pis?
Pis. Aubrey assentiu e riu quando sua me a elevou e a tirou do bero.
Aubrey se estava acostumando a usar o banho, decidiu Grace, inspecionando o fralda da menina enquanto se dirigiam ao banho. Tinha seus acertos e enganos.
Essa vez foi um acerto, assim Grace se embarcou nos generosos louvores sobre funes corporais que s um adulto com um menino pequeno pode cornprender. Lavou-lhe 
os dentes e lhe escovou o cabelo no quarto de banho, no maior que um armrio, que Grace tinha conseguido animar pintando as paredes de cor verde memora e colocando 
cortinas de raias como um toldo.
Logo comeou a rotina do caf da manh. Aubrey queria cereais com pltano, mas sem leite. Colocou a mo sobre a terrina quando Grace ia servir se o sacudindo a cabea 
energicamente.
No, mame, no. Taa, por favor.
Vale, o leite em uma taa. Grace encheu uma e a colocou na bandeja, junto  terrina. Agora tome o tudo. Hoje temos muito que fazer.
O que fazer?
Vejamos. Grace se preparou uma torrada enquanto recitava a sua filha o programa para o dia. Temos que terminar a penetrada e logo lhe prometemos  senhora West 
que hoje lhe limparamos as janelas. Umas trs horas de trabalho, calculou Grace. Depois temos que ir ao sper.
Aubrey gritou de alegria.
Lucy.
Sim, ver o Lucy. Lucy Wilson era uma das pessoas mais queridas pela menina. A cajera sempre tinha um sorriso e uma piruleta para ela. E quando guardarmos a compra, 
vamos a casa dos Quinn.
Seth! O leite lhe gotejou da boca sorridente.
Bom, carinho, no sabemos seguro se estar em casa hoje. Pode que tenha sado com o Ethan no navio ou que esteja em casa de seus amigos.
Seth repetiu Aubrey, muito claramente, e sua boca se enrugou em um gesto obstinado.
J veremos. Grace lhe limpou as manchas. 
Ethan.
Possivelmente.
Perritos.
Tolo, seguro. Deu a sua filha um beijo na cabea e se permitiu o luxo de tomar uma segunda taa de caf.
s oito e quinze, Grace se tinha feito com um monto de peridicos e um vaporizador com uma mescla de vinagre e amoniaco. Aubrey se entretinha sozinha, sentada na 
grama com um brinquedo que imitava sons de animais. Cada poucos segundos, uma vaca fazia mu ou um porco fazia oink oink, e a menina repetia fielmente o som.
Para quando Aubrey ficou a jogar com os blocos de construo, Grace tinha terminado de limpar e abrilhantar a parte exterior das janelas da fachada e de um lado 
da casa. Ia bem de tempo. E teria seguido assim de no ter sado a senhora West com altos copos de ch gelado e vontades de conversar.
Grace, no sei como te agradecer que me limpe as janelas. A senhora West, que tinha muitos netos, tinha-lhe servido ao Aubrey sua bebida em uma taa de plstico 
de cor viva com patitos.
eu adoro faz-lo, senhora West.
Com a artrite, eu j no posso, e eu gosto que as janelas brilhem. Sorriu e as rugas de seu curtido rosto se fizeram mais profundas. E voc consegue que brilhem. 
Minha neta, Layla, disse que me limparia isso, mas, se te disser a verdade, essa garota, maldita seja sua imagem,  uma cabea louca. O mesmo fica  tarefa e acaba 
dormindo no horta. No sei o que vai ser dela.
Grace riu e seguiu esfregando a seguinte janela.
S tem quinze anos. Tem a cabea nos meninos, a roupa e a msica.
E que o diga. A senhora West assentiu to vigorosamente que sua papada se bamboleou com o gesto. Olhe, eu a sua idade era capaz de limpar um caranguejo rapidamente. 
Ganhava a vida, e s pensava no trabalho at que este estava terminado. Lhe piscou os olhos um olho. Ento pensava nos meninos.
Deixou escapar uma afvel risada antes de sorrir ao Aubrey.
V corderito mais lindo que tem, Gracie!
 a luz de minha vida.
E melhor que o po. Conhece mais pequeno de meu Carly, Luke? No para quieto nem dois minutos e se passa todas as horas do dia enredando. A semana passada me encontrei 
escalando isso as cortinas do salo como um gato. A lembrana a fez rir. Esse Luke  um terremoto, digo-lhe isso de verdade.
Aubrey tambm tem seus momentos.
No me acredito, impossvel com essa carita de anjo. dentro de pouco, vais ter que estar todo o dia com um pau para manter aos meninos se separados dela.  preciosa, 
e j a vi da mo com um menino.
Ao Grace quase lhe caiu a garrafa de limpador e se girou rapidamente para assegurar-se de que sua menina no tinha crescido enquanto ela no olhava. 
Aubrey?
A Senhora West voltou a rir.
Vi-a passeando pelo porto com esse menino dos Quinn, o novo.
Ah, Seth. A sensao de alvio era to ridcula que Grace deixou o limpador no cho e tomou seu copo para beber. Aubrey est apaixonada por ele.
 um menino muito bonito. Meu pequeno Matt vai  mesma classe que ele e me contou que Seth surrou a esse valento do Robert faz algumas semanas. No pude remedi-lo, 
pensei que j era hora de que algum lhe desse seu castigo. Que tal andam os Quinn?
Pergunta-a era seu objetivo principal para sair a conversar, mas a senhora West acreditava que era importante abordar o tema de forma gradual.
Bastante bem.
A senhora West ps os olhos em branco. Terei que pr mais empenho para tirar gua do poo com essa bomba.
A garota com a que se casou CAM  bonita de verdade, embora ela tambm vai ter que andar com mil olhos para lhe manter a raia. Esse CAM sempre foi um pouco selvagem.
Acredito que Anna pode com ele.
foram-se ao estrangeiro de lua de mel, no?
A Roma. Seth me ensinou uma postal que mandaram.  preciosa.
Sempre me recorda esse filme com o Audrey Hepburn e Gregory Peck, essa em que ela  uma princesa. J no fazem filmes assim.
Frias em Roma. Grace sorriu com nostalgia. Os filmes clssicos e romnticas eram sua debilidade.
Essa mesma. Grace se parecia um pouco ao Audrey Hepburn, pensou a senhora West. O tom de cabelo no era o mesmo, claro, porque Grace era loira como uma vikinga, 
mas tinha os olhos grandes e o rosto bonito e cometido. E estava muito magra.
Eu alguma vez estive no estrangeiro disse a senhora West, o que inclua, a seu modo de ver, dois teros dos Estados Unidos. vo voltar logo?
dentro de um par de dias.
Hum. Bom, essa casa necessita uma mulher, isso est claro. No imagino o que podem ser quatro homens em uma casa. Deve cheirar como um meia trs-quartos suado a 
maior parte do tempo. No conheo nenhum homem deste planeta que no se mije fora da taa.
Grace riu e voltou para as janelas.
No est to mal. A verdade  que CAM levava a casa bastante bem antes de que me contratassem para que me ocupasse eu. Mas o nico que se lembra de esvazi-los 
bolsos antes de deixar a roupa no cesto de lavar  Phillip.
Se isso for tudo, no est mau. Imagino que a esposa do CAM se ocupar da casa quando estiverem de volta.
A mo do Grace apertou mais forte o punhado de peridicos quando seu corao deu um rpido salto.
Eu..., Anna trabalha a tempo completo no Princess Anne.
O mais provvel  que ela assuma a responsabilidade da casa repetiu a senhora West. A cada mulher gosta de levar a casa a sua maneira. Imagino que lhe vai vir 
bem ao menino ter uma mulher na casa todo o tempo. No sei no que estava pensando Ray esta vez, juro-lhe isso. Tinha um corao de ouro, isso sim, mas quando morreu 
Stella... perdeu o rumo. Um homem de sua idade..., fazer-se carrego de um menino assim, apesar de como fossem as coisas. No  que eu cria uma palavra dessa fofoca 
que se oua de vez em quando. Nancy Claremont  a pior fofoqueiro, d-lhe  lngua assim que tem oportunidade.
A senhora West se deteve um segundo, esperando que Grace lhe seguisse o jogo, mas esta continuava olhando a janela com o cenho franzido.
Sabe se esse inspetor de seguros vai voltar? 
No respondeu Grace brandamente. No sei. Espero que no.
No vejo o que lhe pode importar  empresa de seguros de onde vem o menino. Inclusive se Ray se suicid, e no digo que fora assim, no podem demonstr-lo, no? 
Porque... Fez uma pausa para maior efeito, como fazia cada vez que expor essa idia, e acrescentou no estavam ali!
Disse a ltima parte com um tom triunfal, como quando o havia dito ao Nancy.
O professor Quinn no se haveria suicidado murmurou Grace.
Claro que no. Embora era um tema que dava muito jogo. Mas o menino... interrompeu-se, enquanto aguava o ouvido. Est soando o telefone. Grace, passa quando 
quiser comear com o interior comentou enquanto entrava na casa apressadamente.
A jovem no disse nada. Seguiu trabalhando a bom ritmo, mas sua mente dava voltas. Envergonhava-lhe no poder concentrar-se no professor Quinn. S podia pensar em 
si mesmo e no que ia ocorrer.
Voltaria Anna de Roma com inteno de levar a casa ela sozinha? ia perder ela seu trabalho ali e o dinheiro extra que tirava com ele? E o que era pior, muito pior, 
perderia a oportunidade de ver o Ethan uma ou duas vezes por semana?, perderia a oportunidade de compartilhar com ele uma comida de vez em quando?
deu-se conta de que se acostumou, at depender disso, a ser parte da vida do Ethan, embora fora uma parte nfima. E, por muito lastimoso que soasse, adorava lhe 
dobrar a roupa, lhe estirar os lenis na cama. At se permitia imaginar que ele pensaria nela quando encontrava uma de suas notas pela casa, ou quando se deslizava 
entre lenis limpa de noite.
ia perder isso tambm: o prazer de lhe ver aproximar-se do navio e agarrar ao Aubrey em braos quando ela exigia um beijo, ou quando lhe dirigia um olhar com seu 
sorriso? Eram todo isso apenas imagens que teria que entesourar em sua mente a partir de agora?
Seus dias passariam sem nem sequer isso para iludir-se. E suas noites passariam uma atrs de outra, sempre sozinha.
Apertou os olhos, lutando contra a desesperana. Voltou-os a abrir quando Aubrey lhe atirou da prega das calas curtas.
Mame. Lucy?
Em seguida, carinho. Como o necessitava, Grace agarrou a sua filha em braos para lhe dar um forte abrao.
Era quase a uma quando Grace terminou de colocar a compra e preparar a comida do Aubrey. S levava meia hora de atraso e pensou que o podia recuperar sem muita dificuldade. 
unicamente tinha que trabalhar um pouco mais rpido e manter a cabea na tarefa. Deixa de fazer planos, ordenou-se a si mesmo enquanto sentava ao Aubrey na sillita 
infantil do carro. Basta de tolices.
Seth, Seth, Seth repetia Aubrey, saltando no assento como uma possessa.
J veremos. Grace se sentou ao volante, colocou a chave e lhe deu uma volta. A resposta foi um zumbido asmtico. No, no, no o faa. No o faa. No tenho tempo 
para isto. um pouco assustada, girou de novo a chave, apertou o pedal da gasolina e suspirou aliviada quando o motor arrancou. Assim est melhor murmurou enquanto 
saa  rua dando marcha atrs. Vamos, Aubrey.
Vamos!
Cinco minutos depois, a metade de caminho entre sua casa e a dos Quinn, o velho carro ficou a tossir de novo, estremeceu-se e depois comeou a arrotar vapor por 
debaixo do cap.
Maldita seja!
Maldita seja! imitou alegremente a menina.
Grace se limitou a apert-los olhos com as Palmas das mos. Era o radiador, estava segura. O ms passado tinha sido a correia do ventilador, e antes disso, as pastilhas 
do freio. Resignada, estacionou a um lado da estrada e se baixou para levantar o cap.
Saram nuvens de fumaa que a fizeram tossir e retroceder uns passos. Com ar decidido, tragou-se o n de desesperana que tinha na garganta. Ao melhor no era nada 
importante. Possivelmente fora outra vez alguma correia. E se no, pensou com um grande suspiro, teria que decidir se valia a pena gastar mais dinheiro nesse velho 
cacharro ou apertar seu j de por si estreito pressuposto para comprar outro similar. De qualquer maneira, agora no podia fazer nada. Abriu a porta do outro lado 
e desabotoou a cadeira do Aubrey.
O carro se tornou a pr doente, carinho.
Aaayy!
Sim, o vamos ter que deixar aqui.
Sozinho?
A preocupao de sua filha pelos objetos inanimados a fez sorrir uma vez mais.
No por muito tempo. vou chamar ao senhor do carro para que venha a cuid-lo.
E que o cure.
Isso espero. Agora temos que ir caminhando a casa do Seth.
Vale! Encantada com a mudana na rotina, Aubrey se ps-se a andar teimosamente.
Trezentos metros mais  frente, Grace teve que agarr-la em braos, mas fazia um dia precioso, e caminhar lhe oferecia a oportunidade de olhar e ver de verdade. 
A madressilva pendurava de uma cerca que bordeaba um limpo campo de soja e despedia um aroma muito agradvel. Cortou uma flor para sua filha.
Quando rodeavam a restinga que bordeaba o terreno dos Quinn, doam-lhe os braos. pararam-se a contemplar uma tartaruga que tomava o sol a um lado do caminho e Aubrey 
riu quando o animal escondeu a cabea no carapaa ao aproximar-se de toc-la.
Carinho, poderia caminhar um ratito agora?
Cansada. Com olhos suplicantes, Aubrey elevou os braos. Apa.
Bom, vem aqui. J quase chegamos.
J tinha passado a hora da sesta do Aubrey.  menina gostava de jogar a sesta justo depois da comida, todos os dias. Dormia quase duas horas e depois despertava 
outra vez cheia de energia.
Quando Grace subiu as escadas do alpendre e entrou na casa, a cabecita da menina era um peso dormido em seu ombro.
Uma vez que a acomodou no sof, subiu apressadamente para desfazer camas, recolher a roupa suja e classific-la. depois de colocar a primeira carga na mquina de 
lavar roupa, fez uma rpida chamada ao mecnico, que fazia tudo o que podia para manter seu pobre carro com vida.
Voltou de novo acima com rapidez para fazer as camas com lenis limpa. Para economizar esforo, tinha produtos de limpeza em cada piso. ocupou-se do primeiro banho, 
esfregando e esclarecendo arrebatadamente at que o cromo e os azulejos reluziram.
deu-se conta de que ia ser sua ltima sesso completa na casa antes da volta da Anna e CAM. Mas j tinha decidido, em algum momento do passeio desde seu carro avariado, 
que ia tirar um par de horas para um rpido repasse o dia que lhes esperavam de volta.
Estava orgulhosa de seu trabalho. E,  obvio, gostava de pensar que outra mulher notaria a ordem, os rinces limpos, os pequenos toques especiais que tratava de 
acrescentar. Uma profissional como Anna, uma mulher com uma carreira que lhe exigia muito, veria que Grace era necessria na casa, no?
Correu escada abaixo de novo para lhe jogar uma olhada a sua filha, tirar a roupa molhada da mquina de lavar roupa, p-la em uma cesta e colocar a segunda carga.
Quando chegassem os recm casados, se asegura de que houvesse flores frescas no dormitrio principal. E tiraria as toalhas boas. Deixaria- uma nota ao Phillip lhe 
pedindo que comprasse go de fruta para decorar a terrina da mesa da cozinha.
Tiraria um pouco de tempo para encerar  mo os chos de madeira e lavar e engomar as cortinas.
Tendeu a roupa na corda com rapidez, sem nada da alegria que normalmente lhe proporcionava essa tarefa. Contudo, a singela rotina comeou a acalm-la. De algum jeito, 
tudo ia sair bem.
Ento lhe deu um enjo e moveu a cabea para limpar-se. A fadiga lhe tinha jogado em cima de repente, como um murro na mandbula. Se se tivesse tomado a molstia 
de calcular o tempo que tinha levantada e sem parar nem um momento, teria contabilizado sete horas, frente s breves cinco de sonho da noite passada. O que sim calculava 
era que ficavam outras doze ainda. E necessitava um descanso.
Dez minutos, prometeu-se, como fazia s vezes quando tinha uma jornada muito larga, e se tombou ali mesmo, na erva, junto  roupa que ondeava no varal. Uma sesta 
de dez minutos lhe devolveria a energia, lhe deixando tempo suficiente para limpar a cozinha antes de que despertasse sua filha.
Ethan se dirigia a casa em carro do porto. Tinha cortado sua jornada habitual no mar, deixando que Jim e seu filho voltassem a sair com o navio para inspecionar 
as jaulas do estreito do Pocomoke. Seth se tinha ido com o Danny yWill e ele planejava comer rpido e tarde, e depois passar umas quantas horas no estaleiro. Queria 
terminar a cabine, possivelmente comear o teto do camarote. quanto mais conseguisse fazer, menos demoraria CAM em ficar com o trabalho fino e os retoques.
Reduziu a velocidade ao ver o carro do Grace a um lado da estrada, e logo estacionou rapidamente. Quando olhou sob o aberto cap, limitou-se a sacudir a cabea. 
O ditoso traste, mantinha-se em p a base de saliva e oraes. Grace no deveria conduzir um carro to pouco confivel. E o que tivesse passado, pensou sombramente, 
se ao puetero cacharro lhe dava de avariar-se justo quando ela voltava do pub em metade da noite?
Jogou-lhe uma olhada mais detalhada e assobiou entre dentes. O radiador estava estragado, e se ela pensava em troc-lo, ele teria que convencer a de no faz-lo.
O lhe buscaria um carro decente de segunda mo. O poria a ponto, ou pediria ao CAM, que sabia de motores como o rei MIDAS sabia de ouro, que o fizesse. No podia 
permitir que Grace conduzisse semelhante cacharro, e menos com a menina.
De repente se deu conta e retrocedeu alguns passos. No era assunto dele. E uma mierda, pensou com um arranque de gnio pouco caracterstico nele. Ela era amiga 
dela, ou no? Tinha direito a ajudar a uma amiga, especialmente a uma que necessitava que a cuidassem.
E Deus sabia, tanto se Grace era consciente disso como se no, que ela necessitava que a cuidassem.
montou-se de novo no carro e se dirigiu a sua casa com o cenho franzido.
Esteve a ponto de fechar de uma portada a porta antes de ver o Aubrey feita um novelo no sof. O cenho franzido se desvaneceu. Fechou a porta com suavidade e se 
aproximou dela sem fazer rudo. Unia um punho sobre uma almofada. Incapaz de resistir, agarrou-o brandamente e se maravilhou ante aqueles deditos to pequenos, to 
perfeitos. Levava um lao em um dos cachos, uma pequena cinta azul de encaixe que sua me lhe teria colocado pela manh. Agora estava inclinado, mas isso s o fazia 
mais gracioso.
Oxal despertasse antes de que ele tivesse que ir-se de novo.
Mas agora tinha que encontrar  me e conversar sobre um veculo confivel.
Ergueu a cabea e pensou que a casa estava muito silenciosa para que Grace estivesse no piso superior. Foi  cozinha e viu os sinais de um apressado caf da manh. 
Grace ainda no se ocupou disso. Mas a mquina de lavar roupa zumbia e fora divisou a roupa tendida ondeando ao vento.
Viu-a assim que saiu pela porta. E lhe entrou um pnico de morte. No soube o que pensar, s que ela jazia na erva. Horrveis imagens de enfermidade e feridas lhe 
amontoaram na mente ao tempo que saiu correndo. achava-se apenas a um passo dela quando se deu conta de que no estava inconsciente. Estava dormindo. Acurrucada 
como sua filha dentro da casa. Com um punho perto da bochecha, respirava devagar, de forma profunda e regular. Ethan cedeu a seus debilitadas joelhos, sentou-se 
junto a ela e esperou at que seu corao recuperasse um ritmo que se aproximasse do normal.
sentou-se, escutando como a roupa golpeava o varal, como a gua lambia a erva marinha, e como tagarelavam os pssaros. Enquanto, perguntou-se que diabos ia fazer 
com ela.
Ao final, simplesmente suspirou, incorporou-se e, inclinando-se, tomou em seus braos.
Grace se estirou e se apertou contra ele, fazendo que seu sangue corresse to rpido que se sentiu incmodo.
Ethan sussurrou, girando o rosto para a curva de seu pescoo, o que incitou nele uma brilhante fantasia em que ambos rodavam pela erva aquecida pelo sol. Ethan 
repetiu, lhe passando os dedos pelo ombro. O ficou rgido como o ferro. Logo disse de novo: Ethan! Esta vez foi um chiado de surpresa quando elevou a cabea e 
o viu.
Os olhos do Grace estavam atordoados pelo sonho e cheios de assombro. Sua boca se curvou em uma suave Ou, que resultava gloriosamente tentadora. Depois se ruborizou 
at as pontas do cabelo.
O que? O que acontece? conseguiu dizer, apesar da combinao de excitao e vergonha que lhe retorcia o estmago.
Se quer jogar a sesta, teria que ser to sensata como Aubrey e faz-lo ao casaco do sol.
Sabia que sua voz soava spera, mas no podia fazer nada a respeito. O desejo lhe atendia a garganta como umas garras que lhe arranhavam com regozijo.
Eu s estava...
Tiraste-me dez anos de vida ao verte a tiragem. Acreditava que te tinha desacordado ou algo assim.
S queria me tombar um momento. Aubrey estava dormida, assim... Aubrey! Tenho que ir ver se estiver bem.
Acabo de faz-lo eu. Est bem. E voc teria mostrado mais sentido comum se te tivesse deitado com ela no sof.
No venho aqui a dormir.
Estava dormida.
Mas s um minuto.
Necessita mais de um minuto.
No, absolutamente.  s que as coisas me complicaram hoje e me cansou o crebro.
Isso quase lhe fez graa. deteve-se na cozinha, com ela ainda nos braos, e a olhou aos olhos.
Que te cansou o crebro?
Sim. Nesse momento o tinha virtualmente desligado. Tinha que descansar a mente um segundo, isso  tudo. Baixa me, Ethan.
O no estava preparado para faz-lo, ainda no.
Acabo de ver seu carro como a uma milha daqui.
chamei ao Dave e lhe avisei. vai vir assim que possa.
vieste caminhando de ali com o Aubrey em braos?
No, trouxe-nos o chofer. Baixa me j, Ethan disse antes de explorar.
Bom, pois pode lhe dar  chofer o resto do dia livre. Eu te levarei a casa quando despertar Aubrey.
Posso chegar a casa por meus prprios meios. Logo que comecei as tarefas aqui. Tenho que voltar a me pr com elas.
No vou permitir que caminhe trs milhas. 
Chamarei a Julie. Ela vir a nos recolher. Seguro que voc tem trabalho que fazer. Eu... levo certo atraso comentou, j desesperada. No posso me pr a trabalhar 
se no me solta.
Ethan a olhou. 
No pesa nada.
O brilho de desejo que havia nos olhos do Grace se tornou em irritao.
Se for dizer que estou fraca...
Eu no diria fraca. O que passa  que  de osso fino. E de pele suave e tersa. Depositou-a no cho antes de que lhe esquecesse o propsito de cuidar dela. No 
se preocupe hoje da casa. 
Sim, tenho que fazer meu trabalho. Grace era um molho de nervos. A forma em que ele a olhava fazia que desejasse saltar de novo a seus braos, mas tambm sair 
correndo pela porta traseira como um coelho. Nunca tinha experiente tal luta interior, e s podia manter-se em seus treze. O farei mais rpido se no lhe puser 
isso por meio.
Tirarei-me de no meio assim que chame a Julie e veja se pode vir a te recolher.
Elevou uma mo para lhe tirar um penugem de dente de leo do cabelo.
Vale.
Grace se voltou e marcou alguns nmeros no telefone da cozinha. Possivelmente seria melhor, pensou enquanto o telefone comeava a soar, que Anna no quisesse que 
ela seguisse na casa uma vez voltasse. Parecia que j no podia estar com o Ethan mais de dez minutos sem ficar como um pudim. Se isso no trocava, seguro que acabava 
fazendo algo que envergonharia a ambos.
6
Ao Ethan no importava lhe jogar horas ao navio de noite, em particular quando podia trabalhar sozinho. No tinha feito falta muita persuaso para que permitisse 
ao Seth acampar com os outros guris no ptio traseiro. Assim podia desfrutar de uma noite a ss, algo estranho ultimamente, e com tempo para trabalhar, sem ter que 
emprestar ateno a perguntas e comentrios.
 No  que o menino no fora entretido, disse-se Ethan. De fato, sentia-se muito apegado a ele. Aceit-lo em sua vida lhe tinha resultado natural porque Ray o tinha 
pedido. Mas o afeto, a avaliao e a lealdade tinham ido crescendo e solidificando-se at que simplesmente estavam a.
Entretanto, isso no queria dizer que o menino no fora capaz de lhe esgotar.
Esta noite, Ethan se limitou ao trabalho manual. Inclusive se algum se sentia espaoso e alerta a meia-noite, o mais provvel  que estivesse um pouco aturdido, 
e no queria arriscar-se a perder um dedo com as ferramentas eltricas. Em qualquer caso, relaxava-lhe o trabalho tranqilo, lixar a emano superfcies e borde at 
senti-los suaves.
antes de que terminasse a semana, estariam preparados para selar o casco e ento poderia pr ao Seth a lixar os fitas de seda. Se CAM ficava ao talho sob coberta 
e se o menino no protestava muito por trabalhar com a massa, o calafate e o verniz durante uma semana ou dois, iriam bastante bem.
Olhou a hora em seu relgio, viu que tinha perdido a noo do tempo e comeou a guardar a ferramenta. Como no estava Seth para atirar da vassoura, varreu o cho.
 uma e quarto estava estacionado junto ao pub. No tinha inteno de entrar, como no tinha inteno de deixar que Grace caminhasse a milha e meia que havia at 
sua casa quando terminasse o turno. Assim que se arrellan no assento, acendeu a luz superior e passou o tempo folheando sua manuseado exemplar do Cannery Row.
Dentro era o momento da ltima ronda. Quo nico tivesse feito mais feliz ao Grace teria sido que Dave lhe houvesse dito que tudo o que fazia falta para que seu 
carro funcionasse de novo era um pouco de chiclete usado e uma banda de borracha.
Mas o que lhe havia dito em realidade era que lhe custaria o equivalente a trs anos de comprar chicletes e borrachas, e que se poderia considerar afortunada se 
o velho cacharro podia percorrer outras cinco mil milhas.
Era algo pelo que teria que preocupar-se mais tarde. No momento, tocava-lhe lutar com um cliente pesado, que estava de passagem pelo povo em rota para o Savannah, 
e que acreditava que ao Grace gostaria de ser sua diverso essa noite.
Tenho uma habitao em um hotel. Lhe piscou os olhos um olho quando ela se inclinou para lhe servir a ltima taa da noite. Tem uma cama bem grande e servio 
de habitaes as vinte e quatro horas do dia. Poderamos fazer uma festa cojonuda, meu amor.
No vou a muitas festas, mas obrigado.
O lhe agarrou a mo e atirou dela o suficientemente forte para lhe fazer perder o equilbrio. Grace teve que lhe agarrar o ombro para no cair em seu regao.
Ento esta  sua oportunidade. O homem tinha olhos escuros e lhe dirigiu um olhar lascivo aos peitos. eu adoro as loiras de pernas largas. Sempre as trato de 
um modo especial.
Era um pesado, pensou Grace enquanto lhe jogava outra vez o flego de cerveja na cara. Mas as tinha visto com homens piores.
Muito obrigado, mas vou terminar meu turno e irei a casa.
Sua casa vai bem.
Oua...
Bob, me chame Bob, nenm.
Grace se liberou de um puxo.
Olhe, senhor, simplesmente no me interessa.
Claro que lhe interessava, pensou ele lhe lanando um sorriso que sabia que era sedutora. Ao fim e ao cabo tinha pago dois dos grandes para que lhe arrumassem os 
dentes, no?
Sempre me pe quando as mulheres lhes fazem as difceis.
Grace decidiu que no valia a pena esbanjar nem um suspiro de asco.
Fechamos dentro de um quarto de hora. Tem que abonar sua conta.
Vale, vale, no ponha bordo. Sorriu ampliamente e tirou um mao de bilhetes sujeitos com um clipe. Sempre punha um par de vinte na parte de fora e logo o preenchia 
com bilhetes de um. me Diga o que te devo e depois... negociaremos a gorjeta.
s vezes, decidiu Grace, mais valia manter a boca fechada. O que queria sair dela era o suficientemente desagradvel como para que a despedissem. Assim que se afastou 
para levar os copos vazios  barra.
Esse te est dando problemas, Grace?
Ela sorriu fracamente ao Steve. Agora estavam trabalhando sozinhos os dois. A outra garonete se foi s doze, alegando uma dor de cabea. Como estava plida como 
um fantasma, Grace a tinha animado a que se fora, aceitando cobri-la.
Outro de esses que se crie um dom de Deus para as mulheres. Nada do que preocupar-se.
Se no se foi quando fecharmos, esperarei at que esteja a salvo no carro, caminho de sua casa.
Grace se limitou a emitir um som que no a comprometia. No tinha mencionado sua carncia de veculo, porque sabia que Steve insistiria em lev-la a casa. Vivia 
a vinte minutos em direo contrria, e tinha uma esposa grvida que lhe esperava.
Foi limpando e cobrando aos clientes das mesas. Notou com alvio que o cliente problemtico por fim se levantava para partir. Pagou seus 18,83 dlares em metlico 
com um bilhete de vinte que deixou na mesa. Embora tinha conseguido monopolizar a maior parte de seu tempo e ateno durante as ltimas trs horas, Grace se sentia 
muito cansada para irritar-se pela lastimosa gorjeta.
O bar no demorou para esvaziar-se. A clientela estava composta em sua major parte por estudantes universitrios que tinham sado uma noite entre semana para tomar 
um par de cervejas e conversar. Calculou que tinham dobrado umas dez mesas desde que comeou seu turno s sete. Suas gorjetas da noite no foram contribuir em muito 
ao novo carro que tinha que comprar.
Estava to silencioso que ambos saltaram como coelhos quando soou o telefone. Inclusive quando Grace riu de sua reao, o rosto do Steve perdeu a cor.
Mollie foi tudo o que disse, lanando-se a pelo aparelho de um salto. Agarrou-o e disse gaguejando: chegou o momento?
Grace deu uns passos adiante, perguntando-se se teria fora suficiente para lhe agarrar se se deprimia. Quando seu companheiro comeou a assentir rapidamente, ela 
sentiu que seu sorriso se fazia mais ampla.
Vale. Voc..., voc chama o mdico, vale? Todo esta preparado. Cada quanto...? Ai, Deus! Ai, Meu deus! Vou para l. No te mova. No faa nada. No se preocupe.
Soltou o telefone sem devolv-lo a seu lugar e logo ficou congelado.
Ela..., Mollie..., minha esposa.
Sim, j sei quem  Mollie, fomos juntas ao penetre da creche. Grace riu. Depois, como ele tinha um aspecto to comovedor e to cheio de medo, tomou a cara entre 
as mos e lhe deu um beijo. Vete. Mas conduz com cuidado. Os bebs se tomam seu tempo. Esperaro-lhe.
vamos ter um beb comentou Steve lentamente, como se provasse cada palavra. Mollie e eu.
Sei. E  maravilhoso. Diz-lhe que irei ver a, e ao beb. Certamente, se ficar aqui parado como se tivesse os ps pegos ao cho, acredito que ter que ir-se ela 
sozinha ao hospital.
meu deus! Tenho que ir. Derrubou uma cadeira de caminho  porta. Chaves, onde esto as chaves?
As do carro as tem no bolso. As do bar esto detrs da barra. Eu me ocupo de fechar, papai.
deteve-se, olhou para trs e lhe lanou uma enorme e lhe eletrifiquem sorriso.
Caray! disse, e se foi.
Grace seguiu renda-se enquanto levantava a cadeira e a colocava do reverso na mesa.
lembrou-se da noite em que ficou de parto. Ai, tinha tanto medo, estava to excitada. Sim lhe havia meio doido ir sozinha ao hospital. No tinha havido marido com 
quem compartilhar o pnico. No tinha havido ningum que se sentasse com ela, que lhe dissesse que respirasse, que lhe agarrasse a mo.
Quando a dor e a solido chegaram a seu ponto mximo, cedeu e permitiu que a enfermeira chamasse a sua me.  obvio, sua me foi e ficou com ela, e viu como Aubrey 
vinha ao mundo. Choraram juntas, e riram juntas, e isso fez que tudo voltasse a ir bem.
Seu pai no acudiu. Nem ento nem depois. Sua me se inventou desculpas, tratou de lhe tirar ferro, mas Grace compreendeu que no podia esperar ser perdoada. Outros 
a visitaram, Julie e seus pais, amigos e vizinhos.
Ethan e o professor Quinn.
Levaram-lhe flores, rosas e margaridas brancas e rosas. Colocou uma de cada no livro de fotos do Aubrey.
Recordar lhe fez sorrir, assim quando a porta se abriu a suas costas, voltou-se rendo.
Steve, se no for j, sua esposa... Grace sei interrompeu, sentindo mais irritao que medo ao ver o homem que entrava. Est fechado anunciou com firmeza.
Sei, meu amor. Sabia que encontraria uma forma de ficar atrs e me esperar.
No lhe estava esperando. por que diabos no tinha fechado a porta quando saiu Steve?. Hei-lhe dito que est fechado. Tem que ir-se.
Se lhe quer montar isso assim, por mim, vale. aproximou-se caminhando relajadamente, apoiou-se na barra. Levava meses indo ao ginsio e sabia que a postura punha 
de manifesto seus msculos bem tonificados. por que no nos pe uma taa? E podemos falar sobre essa gorjeta.
Ao Grace lhe acabou a pacincia.
A gorjeta, j me deu isso. Agora me deixe que eu lhe d um conselho. Se no sair por essa porta agora mesmo, chamo  polcia. Em lugar de passar a noite em sua 
enorme cama do hotel, a vai passar em um calabouo.
Tenho outros planos. Agarrou-a, lanou-a contra a barra e se esfregou contra ela. O v? Voc tambm tinha outros planos. Vi como me olhava. Levo toda a noite 
esperando um pouco de ao.
Grace no podia levantar o joelho para lhe dar um bom golpe nessa parte que pressionava contra ela to orgulhoso. No podia liberar as mos para empurrar ou arranhar. 
O pnico comeou como uma destilao em sua garganta, e logo se estendeu como uma inundao quente quando lhe colocou uma mo sob a saia.
estava-se preparando para morder, gritar e cuspir quando de repente o homem saiu pelos ares. Quo nico pde fazer foi ficar pega  barra e olhar ao Ethan.
Est bem?
Disse-o to calmadamente que a cabea do Grace se moveu automaticamente acima e abaixo para assentir. Mas os olhos dele no estavam acalmados. Havia neles uma ira 
to elementar e primria que ela se estremeceu.
Sal e me espere na caminhonete.
Eu..., ele... Ento gritou. Logo lhe daria vergonha record-lo, mas foi tudo o que saiu de sua tensa garganta quando o homem se lanou contra Ethan como um arete, 
com a cabea para baixo e os punhos apertados.
Ela olhou enjoada como Ethan simplesmente se girou e lhe deu um, dois murros e se desfez do homem como se fora uma mosca. Logo se agachou, agarrou-o pelo peitilho 
da camisa e lhe fez sustentar-se sobre pernas de borracha.
Mais vale que v. Sua voz era ao puro com um fio perigosamente agudo. Porque se te vir por aqui nos prximos minutos, voc Mato. E a menos que tenha famlia 
ou amigos prximos, a ningum vai importar um apito.
Lanou-o, com o que ao Grace pareceu apenas um giro da boneca, e o homem se estrelou contra uma mesa. Logo Ethan lhe voltou as costas como se o tipo no existisse. 
Mas a desumana fria seguia intacta em seu rosto quando olhou ao Grace.
Hei-te dito que esperasse na caminhonete.
Tenho que..., tenho que... Grace ficou uma mo no peito e apertou para cima para empurrar as palavras. Nenhum dos dois olhou quando o homem se incorporou torpemente 
e saiu pela porta cambaleando-se. Tenho que fechar. Shiney...
Shiney se pode ir a mierda. Como no parecia que ela fora a mover-se, agarrou-a da mo e a arrastou at a porta. Se merece que o aoitem por permitir que uma 
mulher s fechamento este stio de noite.
Steve... teve que...
Vi a esse bode sair apitando daqui como se houvesse uma bomba relgio. Ethan tinha a inteno de manter uma larga conversao com ele tambm. Logo, prometeu-se 
sombramente, enquanto empurrava ao Grace para que subisse  caminhonete.
chamou Mollie... Est de parto. Hei-lhe dito que se fora.
S te ocorre. Estpida mulher.
Essa afirmao, pronunciada com tal fria borbulhante, fez que lhe tirasse o tremor que acabava de comear, e cortou a gratido lhe balbuciem que Grace estava a 
ponto de expressar. O a tinha salvado como um cavalheiro em um conto de fadas, mas a tnue neblina romntica que brilhava em seu crebro ainda afetado se evaporou.
No sou estpida.
Sim que o , joder. Tirou a caminhonete do estacionamento bruscamente, soltando cascalho e fazendo que Grace casse para trs em seu assento. O gnio do Ethan, 
incomum mas tremendo, seguia inalterado, e no havia forma de lhe parar at que lhe passasse.
Esse homem era o estpido reps energicamente. Eu s estava fazendo meu trabalho.
Fazendo seu trabalho por pouco lhe violam. Esse hijoputa tinha a mo colocada sob sua saia.
Ela ainda podia sentir como a tinha sovado. A nusea lhe subiu pela garganta mas a tragou implacvel.
J sei. Essas coisas no passam no Shiney.
Pois acaba de passar no Shiney.
No  o tipo de cliente normal. Esse no era de por aqui. Esse era...
Esse estava aqui. Ethan girou para entrar no estacionamento do Grace, freou e apagou o motor com um gesto brusco da boneca. E voc tambm, varrendo um bar em 
metade da noite sozinha, joder. E o que foste fazer quando terminasse? Caminhar as putas trs milhas at sua casa?
Poderia ter conseguido que me levasse algum, mas...
Mas  muito teimosa para pedi-lo concluiu ele. Preferiria te arrastar coxeando com esses saltos quilomtricos antes de pedir um favor.
Grace levava umas esportivas em sua bolsa, mas decidiu que no serviria de nada mencion-lo. Sua bolsa, recordou, que se tinha ficado no bar aberto. Agora lhe tocaria 
voltar cedo pela manh, recolher suas coisas, e fechar com chave antes de que o chefe se inteirasse.
Bom, pois muito obrigado por sua opinio sobre meus defeitos e pelo sermo. E muitssimas obrigado por tomar a molstia de me trazer at minha casa. Deu-lhe um 
empurro  porta, mas Ethan lhe agarrou o brao e lhe deu a volta com brutalidade.
Aonde coo te crie que vai?
Vou a casa. Me vou pr em encharcamento meu teimoso pescoo e meu estpido crebro e depois vou  cama.
No terminei.
Mas eu sim. liberou-se bruscamente e se desceu de um salto. Desde no ter sido pelos malditos saltos, o teria conseguido. Mas antes de que desse trs passos, Ethan 
saiu por seu lado e lhe bloqueou o caminho. No tenho nada mais que te dizer. A voz do Grace era fria e distante, e o queixo estava erguido.
Muito bem. Assim pode me escutar. Se no deixar de trabalhar no pub, que  o que deveria fazer, vais adotar certas precaues bsicas. O primeiro, um carro de que 
possa confiar.
No te ocorra me dizer o que tenho que fazer.
te cale!
Grace se calou, mas s porque se ficou muda de assombro. Nunca, em todos os anos que o conhecia, tinha visto assim ao Ethan.  luz da lua, podia ver que a ira de 
seus olhos no se apaziguou no mais mnimo. Seu rosto era como uma pedra, as sombras que se deslizavam sobre lhe davam um aspecto duro, inclusive perigoso.
Me vou ocupar de que tenha um veculo confivel continuou, no mesmo tom cortante. E no voltar a fechar voc sozinha nunca mais. Quando terminar seu turno, quero 
que algum te acompanhe ao carro e espere at que ponha o seguro e v.
Isso  ridculo.
Ethan avanou um passo. Embora no a tocou, nem elevou a mo, Grace retrocedeu. Seu corao comeou a pulsar muito rpido ressonando forte na cabea.
O que  ridculo  que cria que pode faz-lo todo voc sozinha. E j estou farto.
Grace replicou cheia de raiva, odiando-se a si mesmo:
Que voc est farto?
Sim, e isto vai trocar. No posso impedir que te mate a trabalhar, mas posso fazer algo quanto ao resto. Se voc no toma medidas no bar para assegurar sua segurana, 
farei-o eu. vais deixar de te buscar problemas.
me buscar problemas? O ultraje fluiu em seu interior como uma quebra de onda hirviente, por isso lhe surpreendeu que no lhe estalasse a cabea. Eu no estava 
procurando nada. Esse bode no aceitou um no por resposta, no lhe importou quantas vezes o repeti.
Isso  exatamente o que te estou dizendo.
Voc no sabe o que est dizendo replicou em um irado sussurro. Me vi com ele, e teria seguido fazendo-o se...
Como? A viso do Ethan estava tinta de vermelho nos borde. Seguia a vendo pega  barra, com os olhos muito abertos e assustados que brilhavam qual cristal. Seu 
rosto estava plido como um fantasma. Se ele no tivesse entrado nesse momento ...E como a idia do que tinha podido acontecer seguia lhe arranhando no mais profundo 
de seu crebro, seu controle se fez pedacinhos. me Diga como exigiu, apertando-a contra si em um movimento rpido. Adiante, demonstre-me isso Djame.
Grace se debateu, empurrou-lhe e seu pulso se acelerou.
me deixe.
Crie que lhe dizendo que te deixe, uma vez cheirou seu perfume, vai trocar algo? Uma vez que h sentido o contorno de seu corpo? Curvas sutis e largas linhas. 
Sabia que no havia ningum que lhe detivera, que podia fazer o que gostasse.
No interior do Grace todo era um assalto sem pensamento; o corao, o sangue, a cabea. 
Eu no haveria... lhe teria detido. 
Detenme a mim.
Dizia-o a srio. Uma parte dele desejava desesperadamente que lhe parasse, que fizesse ou dissesse algo que conseguisse manter a raia seu lado selvagem. Mas sua 
boca estava na do Grace, spera e desejosa, absorvendo seus ofegos, procurando mais e desfrutando de seus tremores, rpidos e violentos.
Quando ela gemeu, quando seus lbios se renderam, abriram-se e lhe responderam, Ethan perdeu a cabea.
Arrastou-a  erva, rodou com ela, sobre ela. O grosso ferrolho com que tinha mantido seus desejos sob chave se abriu com uma exploso e o que saiu fluindo foi uma 
cobia temerria e um desejo primitivo. Assaltou a boca feminina com o apetite implacvel de um lobo faminto.
Alagada por necessidades tanto tempo enterradas, Grace se arqueou contra ele, procurando unir seu centro com o seu, seu ncleo com o seu. Seu organismo sofreu um 
curto-circuito de surpreso prazer, e depois se lanou  vida uivando de sorte.
Calor em baforadas, gemidos estrangulados, trementes deleites.
Este no era o Ethan que ela conhecia, ou o que tinha sonhado que um dia a tocaria. No havia delicadeza, no havia ternura, mas se entregou a ele, encantada pela 
sensao de arrebatamento.
Envolveu seus largos membros em torno dele para lhe aproximar mais, deixou que os dedos se afundassem em seu cabelo, que se aferrassem a ele. E tremeu com o perverso 
prazer de saber que ele era mais forte.
Ethan se deleitou saboreando sua boca, seu pescoo enquanto atirava do ajustado e decotado suti. Necessitava desesperadamente sua pele, o tato, o sabor. A pele 
do Grace, seu sabor.
Seus peitos eram pequenos e firmes, a pele to suave como o cetim sob sua palma larga e dura. O corao do Grace revoava debaixo.
Grace gemeu, assombrada pela sensao dessa emano arruda acariciando-a, roando-a, que revolvia um impulso gmeo entre suas pernas, onde os msculos haviam lhe tornado 
frouxos e lquidos. E pronunciou seu nome em um suspiro.
Foi como se lhe tivesse pego um tiro. O som da voz do Grace, seu flego quebrado, o tremor de sua pele, o propinaron uma bofetada fria e dura.
apartou-se rodando at tombar-se de costas e lutou por recuperar o flego, a prudncia. A decncia. Por Deus bendito, estavam no ptio dianteiro do Grace. A menina 
dormia dentro da casa. E ele tinha estado a ponto, quase a ponto, de fazer algo pior que o tipo do bar. Tinha estado a ponto de trair sua confiana, sua amizade 
e sua vulnerabilidade.
A besta que se ocultava em seu interior era precisamente a razo pela qual se jurou no toc-la nunca. Agora, ao deix-la solta, tinha violado seu voto e o tinha 
quebrado tudo.
Sinto muito. Uma frase desprezvel, pensou, mas no possua outras palavras. meu Deus, Grace, sinto muito.
O sangue do Grace seguia fluindo ardente e essa necessidade aterradora e maravilhosa se elevou at faz-la desejar gritar de excitao. voltou-se, e alargou a mo 
para lhe acariciar o rosto.
Ethan.. .
No h desculpas lhe interrompeu ele rapidamente, sentando-se de modo que no lhe tocasse, que no lhe tentasse. perdi os estribos, e j no raciocinava.
Que perdeste os estribos? Grace ficou onde estava, atirada na erva que agora lhe parecia muito fria, com a cara elevada para a lua, que agora brilhava com muita 
intensidade. Assim s estava furiosocomentou em tom apagado.
Estava furioso, mas isso no  desculpa para te fazer danifico.
No me tem feito mal. Ainda podia sentir suas mos na pele, a presso spera e insistente. Mas a sensao ento, a sensao agora, no era de dor.
Ethan acreditou que agora podia control-lo, o olh-la, o toc-la. Ela devia necessit-lo. No poderia ter suportado que lhe tivesse medo.
Quo ltimo quero  te fazer danifico. To tenro como um pai carinhoso, arrumou-lhe a roupa. Quando ela no se encolheu, passou-lhe uma mo pelo desordenado cabelo. 
S quero o melhor para ti.
Grace no se encolheu, mas o que sim fez foi apartar sua mo, brusca e energicamente, de um tapa.
No me trate como a uma menina. Faz uns minutos no te h flanco tanto me tratar como a uma mulher.
Que no lhe havia flanco?, ironizou Ethan sombrio.
cometi um engano.
Ento ambos o cometemos. sentou-se, limpando-a roupa com energia. No foi algo s de sua parte, Ethan, sabe. Eu no tratei que fazer que parasse porque no desejava 
que o fizesse. Isso foi tua idia.
Ethan se sentia confundido e, de repente, muito nervoso.
Joder, Grace, estvamos dando voltas na erva diante de sua casa.
No  isso o que te tem feito te deter.
Com um suspiro inaudvel, ela elevou os joelhos e as rodeou com os braos. Esse gesto, to inocente, contrastava com a diminuta saia e as mdias de ralo, e fez que 
ao Ethan lhe atassem de novo os msculos do estmago em ns ardentes e escorregadios.
Teria-te detido fora como fora, em qualquer lugar que tivesse acontecido. Possivelmente porque te acordaste que era eu, mas agora me resulta mais difcil acreditar 
que no me deseja. Assim vais ter que me dizer isso claramente se quiser que as coisas voltem a ser como eram.
Assim  como devem ser.
Isso no  uma resposta, Ethan. Sinto ter que te pressionar nisto, mas acredito que mereo que me responda. Resultava-lhe brutalmente duro lhe perguntar, mas o 
sabor dele ainda permanecia em seus lbios. Se no pensar em mim desse modo, e foi s seu gnio o que te empurrou a me dar uma lio, tem que me dizer isso sem 
tolices.
foi o gnio.
Aceitando uma nova ferida em seu corao, Grace assentiu.
Bom, pois funcionou.
Isso no faz que estivesse bem. O que acabo de fazer me aproxima bastante a esse hijoputa do bar. 
Eu no desejava que ele me tocasse. Grace inspirou fundo, reteve o ar e o deixou escapar lentamente. Mas ele no falou. No falou, pensou ela, mas se retirou.
Possivelmente no se moveu um centmetro, mas se separou dela da forma que mais importava.
No sabe como te agradeo que estivesse ali esta noite. foi incorporar se, mas Ethan se adiantou e lhe ofereceu uma mo. Ela a aceitou para que a situao no 
resultasse ainda mais embaraosa a nenhum dos dois. Me assustei e no sei se tivesse sido capaz de resolv-lo sozinha.  um bom amigo, Ethan, e avaliao muito 
seu desejo de ajudar.
O se meteu as mos nos bolsos, onde estariam a salvo.
falei com o Dave sobre um novo carro. Sabe de um par deles de segunda mo em boas condies.
Posto que gritar no tivesse servido de nada, Grace riu.
No perde o tempo. Est bem, j lhe chamo amanh. Elevou o olhar para a casa em que brilhava a luz do alpendre dianteiro. Quer entrar? Poderia-te pr um pouco 
de gelo nos ndulos.
Ora, esto bem. O tipo tinha a mandbula como um travesseiro. E voc tem que ir  cama.
Sim. Sozinha, pensou, para dar voltas e mais voltas. E desejar. vou passar me na sbado um par de horas, s para arrumar um pouco as coisas antes de que retornem 
Anna e CAM.
Muito bem, agradecemo-lhe isso.
Bom, boa noite. voltou-se e caminhou pela erva para a casa.
Ethan esperou. disse-se a si mesmo que s queria assegurar-se de que ela se encontrava a salvo antes de ir-se. Mas sabia que era mentira, que era uma covardia. Necessitava 
a distncia antes de poder concluir a resposta  pergunta que lhe tinha formulado.
Grace?
Ela fechou os olhos brevemente. Tudo o que desejava neste momento era entrar em casa, se arrastar at a cama e dar o gosto de uma boa choradeira. Fazia anos que 
no o permitia. Mas se deu a volta e fez que seus lbios se curvassem.
Sim?
Sim que penso em ti desse modo. Apesar da distncia, viu a forma em que seus olhos se abriram mais e se obscureceram, a forma em que seu lindo sorriso desapareceu 
at que simplesmente ficou ali lhe olhando. No quero faz-lo. Repito-me que no devo. Mas penso em ti desse modo. Agora vete dentro lhe ordenou brandamente.
Ethan.. .
Venha,  tarde.
Grace conseguiu girar o pomo, entrar na casa e fechar a porta a suas costas. Mas rapidamente se voltou para a janela para ver retornar a sua caminhonete e afastar-se 
nela.
Era tarde, reconheceu com um tremor que identificou como de esperana. Mas talvez no era muito tarde.
7
Agradeo-te que me d uma mo, mame.
Que te d uma mo? Carol Monroe rechaou a idia estalando a lngua enquanto se agachava a atar os cordes das esportivas rosas do Aubrey. me Levar este cubinho 
de acar comigo a casa a passar a tarde  uma pura delcia. Deu-lhe um golpecito no queixo. Nos vamos passar isso em grande, a que sim, carinho?
Aubrey sorriu, conhecendo o jogo.
Brinquedos! Temos brinquedos, av. Muequitas.
claro que sim. E, quando chegarmos, talvez tenho uma surpresa para ti.
Os olhos do Aubrey se abriram, enormes e brilhantes. Aspirou ar e deu um guincho de alegria, enquanto descia da cadeira de um salto, para correr pela casa em sua 
prpria verso de uma dana de vitria.
Ai, mame! Outra boneca, no. Me est malcriando isso.
Impossvel afirmou Carol com firmeza, ao tempo que se dava um empurro no joelho para poder incorporar-se. Alm me corresponde como av.
Posto que Aubrey estava ocupada correndo e gritando, Carol se tomou um momento para observar a sua filha. Seguia sem dormir o suficiente, como sempre, pensou, notando 
as olheiras que se esboavam sob os olhos do Grace. E seguia comendo menos que um passarinho, embora havia lhe trazido suas bolachas caseiras favoritas de manteiga 
de amendoim, com o fim de que sua filha tivesse algo com o que cobrir seus delicados ossos.
Uma moa que no chegava aos vinte e trs deveria maquiar-se um pouco, frisar o cabelo e sair com seus saltos uma noite ou dois em lugar de matar-se a trabalhar.
Como Carol fazia comentrios similares uma dzia de vezes ou mais e sua filha no lhe tinha feito nenhum caso uma dzia de vezes ou mais, agora provou uma ttica 
distinta.
Tem que deixar de trabalhar de noite, Gracie. No te sinta bem.
Estou bem.
Trabalhar duramente como Deus manda  necessrio para viver e  admirvel, mas uma pessoa tem que reuni-lo com um pouco de desfrute e diverso ou se secar por 
completo.
Cansada de escutar sempre a mesma cano, por muito que variassem as notas, Grace se voltou e esfregou a encimera de sua cozinha, de por si j impoluta.
Eu gosto de trabalhar no bar. Proporciona-me a oportunidade de ver gente, de conversar com eles.
Embora fora s para lhes perguntar se queriam outra ronda. O pagamento  bom.
Se necessitar dinheiro...
Estou bem. Grace adotou uma expresso inflexvel. Teria sofrido as penas do inferno antes de admitir que tinha estirado tanto seu pressuposto que estava a ponto 
de romper-se. E que resolver seus problemas de transporte ia ser tampar um buraco para abrir outro durante nos prximos meses. O dinheiro extra me vem de prolas 
e servir taas me d bem.
J sei. Poderia trabalhar na cafeteria, ter um horrio de dia.
Pacientemente, Grace escorreu o pano de cho e a pendurou na pia para que se secasse.
Mame, j sabe que isso  impossvel. Papai no quer que trabalhe para ele.
Isso no o h dito nunca. Alm disso, nos ajudas limpando caranguejos quando nos falta pessoal.
Lhes dou uma mo especificou Grace, ao tempo que se voltava. E estou encantada de faz-lo quando posso. Mas ambas sabemos que no posso trabalhar na cafeteria.
Sua filha era to teimosa como duas mulas que atirassem em direes opostas, pensou Carol. Isso era o que a fazia filha de seu pai.
J sabe que, se o tentasse, poderia conseguir que cedesse.
No quero faz-lo. deixou muito claro o que sente para mim. Deixa-o, mame murmurou quando viu sua me a ponto de protestar. No quero discutir contigo nem quero 
te colocar nunca mais na posio de ter que defender ao um frente ao outro. No est bem.
Carol elevou as mos. Amava-os a ambos, marido e filha. Mas, Por Deus que no os compreendia.
Ningum pode lhes falar com nenhum dos dois quando tm essa expresso no rosto. No sei por que gasto saliva tentando-o.
Grace sorriu.
Eu tampouco. aproximou-se, inclinou-se e beijou a sua me na bochecha. Carol era uns quinze centmetros mais baixa que Grace, que media um metro setenta. Obrigado, 
mame.
Carol se abrandou, como sempre, e se passou uma mo pelo curto cabelo encaracolado. Antes o tinha to loiro como o de sua filha e sua neta. Mas, como a natureza 
era como era, agora lhe dava uma discreta ayudita com o Miss Clairol.
Suas bochechas eram redondas e rosadas, e a pele era surpreendentemente suave. Mas no a descuidava. No se ia  cama nenhuma noite sem haver-se aplicado cuidadosamente 
uma capa do Oil of Olay.
Desde seu ponto de vista, ser mulher no era s uma questo do destino. Era um dever. Apesar de aproximar-se perigosamente a seus quarenta e cinco aniversrios, 
orgulhava-se de seguir parecendo uma muequita de porcelana, como seu marido a descreveu fazia muito tempo.
Naquele momento a estava cortejando e tinha feito um esforo para ser potico. Agora essas coisas normalmente lhe esqueciam.
Mas era um bom homem, pensou. Um bom fornecedor, um marido fiel, e um homem justo nos negcios. Seu problema, sabia, era um corao tenro que resultava ferido com 
muita facilidade. Grace lhe tinha feito muito dano, simplesmente por no ser a filha perfeita que ele esperava.
Estes pensamentos lhe passaram pela mente enquanto ajudava a sua filha a recolher o que Aubrey ia necessitar para a visita da tarde. Parecia-lhe que atualmente os 
meninos necessitavam muitas mais costure. Houve um tempo em que se colocava ao Grace no quadril, colocava alguns fraldas em uma bolsa e j estavam listas para sair.
Agora sua menina tinha crescido e tinha uma filha prpria. Grace era uma boa me, pensou, sonriendo um pouco enquanto sua filha e sua neta selecionavam quo animais 
desfrutariam de do privilgio de uma visita  casa da abuelita. O fato era, Carol tinha que admiti-lo, que ao Grace lhe dava melhor que a ela. A garota escutava, 
sopesava, considerava. E possivelmente isso era o melhor. Ela simplesmente tinha atuado, decidido, exigido. Grace era to dcil quando era menina que nunca lhe tinha 
ocorrido pensar nas inexpresadas necessidades que ardiam no esprito de sua filha.
O sentimento de culpabilidade continuava porque ela tinha sido consciente do sonho de sua filha de aprender dana. Em lugar de consider-lo seriamente, Carol tomou 
por um capricho infantil. No tinha ajudado a sua filha nisso, no a tinha animado, no tinha acreditado nela.
As classes de bal lhe tinham parecido uma atividade normal para uma menina. Se tivesse tido um filho, ocupou-se de que jogasse na Liga Infantil. Era... como se 
faziam as coisas, pensou agora. As meninas tinham tuts e os meninos luvas de beisebol. por que no podia ser assim de simples?
Mas Grace tinha sido mais complexa, admitiu Carol. E ela no o tinha visto. Ou no o tinha querido ver.
Quando com dezoito anos Grace lhe disse que tinha economizado o dinheiro de seus empregos do vero, que queria ir a Nova Iorque a estudar dana e que se podia ajud-la 
com os gastos, respondeu-lhe que se deixasse de tolices.
As garotas que acabavam de sair do instituto no se foram correndo a Nova Iorque, nada menos. supunha-se que os sonhos de bailarina deveriam ir transformando-se 
em sonhos de bodas e vestidos de noiva.
Mas Grace se empenhou em fazer realidade seu sonho e falou com seu pai e lhe pediu que o dinheiro que tinham afastado para lhe pagar a universidade se pudesse usar 
para lhe pagar as classes em uma escola de dana em Nova Iorque.
Pete se tinha negado,  obvio. Possivelmente o fez de forma um pouco cruel, mas com a melhor inteno. Quo nico fazia era ser sensato, preocupar-se com sua filha. 
E Carol esteve totalmente de acordo naquele momento.
Mas depois, ela viu como sua filha trabalhava sem descanso e economizava cada cntimo, ms detrs ms. Estava decidida a ir-se, ao preo que fora, e ao v-lo, Carol 
tratou de pressionar ligeiramente a seu marido para que o permitisse.
Mas ele no cedeu, e tampouco o fez Grace.
Acabava de cumprir os dezenove quando apareceu em cena o pico de ouro do Jack Casey. E a se acabou tudo.
Tampouco podia lament-lo, tendo em conta que Aubrey vinha daquilo. Mas podia lamentar que o embarao, o apressado matrimnio e o divrcio ainda mais apressado tivessem 
aberto uma fratura ainda major entre pai e filha.
Mas o que era no se podia trocar, disse-se, e tomou a sua neta da mo para lev-la at o carro.
Seguro que esse carro que Dave tem para ti funciona bem?
E1 diz que sim.
Bom, quem melhor para sab-lo. Era um bom mecnico, pensou Carol, embora tambm ele tinha sido o que contratou ao Jack Casey. J sabe que te posso emprestar o 
minha uma temporada. Assim teria mais tempo para olhar por a.
Este ir bem. Nem sequer tinha visto o veculo de segunda mo que Dave lhe tinha procurada. na segunda-feira assinamos os papis e ento terei mobilidade outra 
vez.
Depois de sentar ao Aubrey na sillita, Grace entrou no carro, ao tempo que sua me se sentava ao volante.
Vamos, vamos, vamos! Rpido, av, rpido exigiu Aubrey. Carol se ruborizou quando Grace a olhou, arqueando as sobrancelhas.
tornaste a lhe dar ao acelerador, verdade?
Conheo-me estas estradas como a palma da mo, e no me puseram nenhuma multa em toda minha vida.
Porque a polcia no pode te alcanar. Rendo, Grace ficou o cinturo.
Quando voltam os recm casados? Carol no s queria sab-lo, preferia dirigir a conversao longe de sua conhecida afeio a pisar em forte o acelerador.
Acredito que chegam hoje por volta das oito da tarde. S quero lhe dar uma passada  casa, possivelmente preparar um pouco de jantar se por acaso chegam com fome.
Imagino que a esposa do CAM lhe agradecer isso. Que bonita estava de noiva. Nunca vi uma mais bela. O que no sei  onde conseguiu esse vestido, com o pouco tempo 
que lhe deixou o menino para planejar a cerimnia.
Seth me comentou que Anna o comprou em Washington e o vu era de sua av.
Isso est bem. Eu tambm tenho meu vu guardado. imaginei muitas vezes o bem que te sentaria em suas bodas. deteve-se e com gosto se teria mordido a lngua.
Teria resultado um pouco desconjurado no tribunal do condado.
Carol suspirou ao tempo que entrava no atalho dos Quinn.
Bom, j lhe por isso a prxima vez.
No me voltarei a casar nunca. No me d bem. Sua me ficou com a boca aberta ante esta afirmao. Grace se desceu do carro rapidamente, logo apareceu pelo guich 
e deu a sua filhinha um sonoro beijo. te Leve bem, ouve-me? E no deixe que a abuelita te d muitos doces.
Av tem chocolate.
J sei! Adeus, minha menina. Adeus, mame. Obrigado.
Grace. O que podia dizer?. N, me chame quando terminar e acontecer com recolher.
J veremos. No deixe que te esgote acrescentou e correu escada acima.
Sabia que tinha calculado bem o tempo. Todos estariam trabalhando no estaleiro. Estava decidida a no sentir-se violenta pelo que tinha acontecido fazia duas noites. 
Mas sim, sentia-se terrivelmente violenta e queria tempo para acalmar-se antes de voltar a ver o Ethan.
Era uma casa que resultava sempre clida e acolhedora. Relaxava-lhe cuidar dela. Como sabia que uma grande parte de sua motivao para trabalhar esta tarde era egosta, 
esforou-se ainda mais. O resultado ia ser o mesmo, no?, pensou sentindo-se um pouco culpado, enquanto passava a velha camura estendendo a cera pelos chos de 
madeira at deix-los brilhantes. Anna se encontraria uma casa reluzente, com o aroma das flores frescas, da cera e da composio que perfumavam o ambiente.
Uma mulher no devia retornar de sua lua de mel a uma casa desordenada e cheia de p. E Deus sabia que os Quinn geravam desordem e p em abundncia.
Que narizes! Ela era necessria aqui. Quo nico estava fazendo era pr o de manifesto.
Dedicou-lhe muito tempo ao dormitrio principal, colocando as flores que lhe tinha pedido ao Irene, para logo trocar o floreiro de stio meia dzia de vezes at 
que se amaldioou a si mesmo. Em qualquer caso, Anna as poria onde quisesse, pensou de novo. Provavelmente o trocaria tudo. Quase seguro que o quereria tudo novo, 
pensou Grace enquanto engomava os finos visillos do vero recm lavados at que no mostrassem nem a mais mnima ruga.
Anna era uma mulher de cidade e seguro que no gostava do gasto mobilirio e os toques rsticos. Em um plis-plas o poria tudo em couro e cristal, e os belos objetos 
da doutora Quinn seriam guardados em caixas que iriam parar ao desvo para ser substitudos por esculturas que ningum compreenderia.
Esticou a mandbula enquanto pendurava os visillos. Logo lhes deu um rpido meneio.
Seguro que cobria os belos chos antigos com um carpete moderno e alm disso pintaria as paredes de alguma cor viva que daria dor de olhos. Lhe acumulou o ressentimento 
enquanto se dirigia energicamente por volta do quarto de banho para colocar um ramo de rosas tempranas em uma terrina pouco profunda.
Qualquer com um pouco de sentido comun podia ver que a casa s necessitava um pouco de ateno, e um pouco mais de cor aqui e l. Se ela pudesse dar sua opinio...
deteve-se, dando-se conta de que tinha os punhos apertados, e de que seu rosto, refletido no espelho sobre o lavabo, brilhava de ira.
OH, Grace, mas o que te passa? Sacudiu a cabea e quase riu de si mesmo. Em primeiro lugar, sua opinio no conta e, em segundo, no sabe se Anna for trocar algo.
Era s que podia trocar o que quisesse, admitiu. E assim que trocava uma s coisa, j nada voltava a ser o mesmo.
No era isso o que tinha ocorrido entre o Ethan e ela? Algo tinha trocado e agora lhe dava medo, ao mesmo tempo que esperana, que as coisas no voltassem a ser 
igual.
O pensava nela, pensou e suspirou ante seu prprio reflexo. E o que pensaria? Ela no era uma beleza e alm disso estava muito magra para resultar sexy. Sabia que, 
de vez em quando, conseguia captar o olhar de algum homem, mas no durava muito.
No era brilhante nem particularmente inteligente, no era capaz de manter uma conversao estimulante nem sabia flertar. Jack lhe disse uma vez que possua estabilidade. 
E lhes tinha convencido a ambos, por um tempo, de que isso era o que ele procurava. Mas a estabilidade no era o tipo de rasgo que atraa a um homem.
Talvez se seus mas do rosto fossem mais altas ou suas covinhas mais pronunciadas. Ou se suas pestanas fossem mais espessas e escuras. Talvez se os coquetes cachos 
no se saltaram uma gerao, lhe deixando o cabelo liso e murcho.
O que pensaria Ethan quando a olhava? Desejou possuir a valentia necessria para lhe perguntar.
Ela se olhava, e via o ordinrio.
Quando danava, no se sentia ordinria. sentia-se especial, bela e cheia de graa. Com ar sonhador, realizou um pli, colocando a entrepierna sobre os tales, depois 
se elevou de novo. Teria jurado que seu corpo suspirava de gozo. Dando-se gosto, fluiu em um movimento antigo mas bem recordado, para concluir com uma lenta pirueta.
Ethan! chiou, enquanto o rubor alagava suas bochechas ao v-lo parado na porta.
No pretendia te dar um susto mas tampouco queria interromper.
Ah, bom. Envergonhada, recolheu seu trapo de limpar e o retorceu entre as mos. Estava... a ponto de terminar aqui.
Sempre foi uma bailarina muito bonita. prometeu-se conseguir que as coisas voltassem a ser como sempre entre eles, assim que lhe sorriu como sorriria a uma amiga 
Sempre dana no quarto de banho depois de limp-lo?
No o faz todo mundo? Fez tudo o que pde para responder a seu sorriso, mas o calor seguiu lhe picando nas bochechas. Acreditava que ia terminar antes de que 
chegassem. Suponho que os chos me levaram mais tempo de que pensava.
Esto muito bem. Parvo j se escorregou uma vez. Surpreende-me que no o tenha ouvido.
Estava sonhando acordada. Acreditava que eu... Conseguiu limpar o crebro e lhe jogar um bom olhar. Estava asqueroso, talher de suor e sujeira e Deus sabe que 
mais. Oua, no estar pensando em te dar uma ducha aqui, verdade?
Ethan elevou uma sobrancelha.
Me tinha passado pela cabea.
No, impossvel.
Ao avanar ela, ele retrocedeu. Era consciente de como cheirava nesse momento. Isso era razo suficiente para manter a distncia, mas o pior era que ela estava to 
bonita, to limpa. Fazia um voto solene de no voltar a toc-la e tinha inteno de respeit-lo.
por que?
Porque no tenho tempo de limpar de novo depois, nem tampouco o banho de abaixo. Ainda fica fritar o frango. pensei lhes fazer isso e uma fonte de salada de batata, 
para que no tenham que lhes preocupar de esquentar algo quando Anna e CAM cheguem a casa. Depois tenho que me ocupar da cozinha, assim no me d tempo, Ethan.
Tenho fama de ser capaz de passar a faxineira no banheiro depois de us-lo.
No  o mesmo. No pode us-lo.
Agitado, tirou-se a boina e se passou uma mo pelo cabelo.
Bom, pois v problema, porque temos trs homens que precisam tirar umas quantas capas de sujeira.
H uma baa justo a fora.
Mas...
Toma. Grace abriu o armarito sob o lavabo e tirou uma pastilha de sabo sem usar. Estavam preparados se acreditavam que lhes ia deixar usar os bonitos sabes para 
convidados que tinha colocado em um pires. Lhes tirarei toalhas e roupa limpa.
Mas...
Venha, Ethan, e lhes diga ao Phil e Seth o que hei dito. P-lhe o sabo na mo e acrescentou: Agora mesmo j est soltando p por toda parte.
O franziu o cenho olhando a pastilha e logo a ela.
Nem que viesse a famlia real a nos visitar. Joder, Grace, no me vou ficar em Pelotas e a me mergulhar do embarcadero.
J, como se no o tivesse feito antes. 
No com uma mulher perto.
Vi homens nus alguma vez e vou estar muito atada para lhes tirar fotos a ti e a seus irmos. Ethan, acabo-me de passar a maior parte do dia fazendo que esta casa 
reluza. No vais pulverizar sua sujeira por toda parte.
Contrariado porque, em sua experincia, discutir com uma mulher que tinha tomado uma deciso era to doloroso e estril como golpe-la cabea com uma parede de tijolo, 
meteu-se o sabo no bolso.
J agarro eu as pueteras toalhas.
No, no, no, no. Voc tem as mos sujas. Eu lhes levo isso.
Murmurando para si mesmo, baixou as escadas. Phillip recebeu a notcia sobre o banho com um encolhimento de ombros. Seth estava encantado. Saiu correndo como uma 
flecha, chamou os ces para que lhe seguissem e foi pulverizando sapatos, meias trs-quartos e camisa enquanto corria para o embarcadero.
Este j no vai querer banhar-se normalmente nunca mais comentou Phillip. sentou-se no mole para tir-los sapatos.
Ethan ficou de p. No ia se tirar nenhuma ditoso objeto at que Grace lhes trouxesse as toalhas e a roupa e entrasse de novo na casa.
O que faz? perguntou quando Phillip se tirou a suada camiseta tirando-lhe pela cabea.
Estou-me tirando a camiseta.
Bom, pois volta a lhe pr isso vai sair Grace.
Phillip elevou o olhar, viu que seu irmo falava totalmente a srio e riu.
te acalme, Ethan, inclusive a viso de meu torso assombrosamente viril no lhe vai fazer perder a cabea.
Para prov-lo, ficou de p e lhe lanou um sorriso a jovem, que se aproximava cruzando a grama.
ouvi algo sobre frango frito gritou.
Estou nisso. Quando Grace chegou ao embarcadero, colocou as toalhas e a roupa limpa em ordenados montes. endireitou-se e sorriu olhando como chapinhavam Seth 
e os ces. Sups que tinham assustado a todas as aves e peixes em um rdio de uma milha. o de banhar-se aqui adoram.
por que no te d um banho conosco? sugeriu Phillip, e poderia jurar que ouviu como ao Ethan lhe desencaixava a mandbula. Poderia me esfregar as costas.
Grace riu e recolheu a roupa que j se tiraram.
Faz tempo que no me banho em couros e, por muito que goste, agora mesmo tenho muitas coisas que fazer. Se me derem o resto da roupa, porei a mquina de lavar roupa 
antes de ir.
Muito obrigado. Mas quando Phillip procurou a fivela da cala, Ethan lhe deu uma cotovelada nas costelas.
Pode lav-la logo se te empenhar, Grace. Agora vete a casa.
Ethan  muito tmido disse Phillip meneando as sobrancelhas. Mas eu, no.
A jovem se limitou a rir outra vez, mas se dirigiu de volta  casa para que estivessem cmodos.
No deveria brincar com ela desse modo murmurou Ethan.
Levo anos fazendo-o. Phillip se tirou os jeans, sujos do trabalho, encantado de livrar-se deles.
Agora  distinto.
por que? Phillip comeou a tir-los cueca de seda, mas captou o olhar de seu irmo. Ah, v, v. por que no o havia dito?
No tenho nada que dizer. Como Grace j estava na casa e no podia imaginar-lhe com o nariz pego  janela, tirou-se a camisa. 
A mim o que me pe  sua voz. 
Como?
Esse som grave que sai da garganta continuou Phillip, encantado de poder tirar de gonzo a seu irmo por algo.  uma voz grave, suave e muito sexy.
Apertando os dentes, Ethan se tirou as botas de trabalho com brutalidade.
Possivelmente no deveria escutar com tanta atencion.
O que posso fazer? O que posso fazer se tiver um ouvido perfeito? E uma vista bem aguda, tambm acrescentou, calculando a distncia que lhes separava. E pelo 
que posso ver, o resto  igualmente atrativo. Sua boca resulta especialmente lhe sugiram. Lbios cheios, bem formados, sem carmim. Parecem-me do mais suculentos.
Ethan inspirou lentamente duas vezes enquanto se tirava os jeans.
Est tratando de me chatear?
Fao tudo o que posso.
Ethan se incorporou e mediu a seu competidor.
Prefere te mergulhar de cabea ou de p?
Agradado, Phillip sorriu.
Isso  o que te ia perguntar eu.
Ambos esperaram um instante, logo se lanaram o um contra o outro e se agarraram. E, acompanhados pelos estrondosos gritos de flego do Seth, lanaram-se  gua 
lutando o um com o outro.
Ai, Meu deus, pensou Grace com o nariz pego  janela. Ai, Meu deus. Se tinha visto alguma vez dois exemplares masculinos mais impressionantes, j no se lembrava. 
Ela s queria jogar uma rpida olhada. Seriamente. Apenas uma miradita inocente. Mas ento Ethan se tirou a camisa Y...
Bom, e o que?, no era uma Santa. E jogar uma olhada no o fazia machuco a ningum.
Era simplesmente que ele era formoso, to por dentro como por fora. Deus bendito, se pudesse voltar a lhe pr as mos em cima durante cinco minutos nada mais, poderia 
morrer feliz. Embora talvez pudesse, j que ele no era to indiferente como ela sempre tinha assumido.
No tinha havido nada indiferente em sua forma de beij-la, ou na forma em que aquelas mos a tinham percorrido apressadas.
Deixa-o j, ordenou-se mentalmente, e se separou da janela. seguindo desta maneira, quo nico ia conseguir era excitar-se. Sabia como canalizar suas necessidades 
mais ntimas, que era trabalhando at que lhe passavam.
Mas se no estava totalmente concentrada no frango, quem podia culp-la?
Quando Phillip voltou a entrar, Grace tinha as batatas para a salada postas a esfriar e o frango na frigideira. O jovem j no parecia um jornaleiro suarento. Em 
seu lugar aparecia o homem suave, dourado, de uma despreocupada sofisticao. Lhe piscou os olhos um olho.
Aqui cheira muito bem!
Fiz mais para que tenham para a comida de amanh. Deixa essa roupa no quarto de lavar, em seguida me ocupo dela.
No sei o que faramos sem ti nesta casa. Grace se mordeu o lbio e esperou que todos pensassem o mesmo.
Ethan est ainda na gua?
No, Seth e ele esto lhe fazendo algo ao navio. Phillip foi ao frigorfico e tirou uma garrafa de vinho. E onde est Aubrey hoje?
Com minha me. De fato, acaba-me de chamar e quer que fique um momento mais. Suponho que um destes dias terei que ceder e permitir que fique a dormir. Sem compreender, 
baixou o olhar  taa de afresco veio dourado que Phillip lhe oferecia. Ah, obrigado. O que sabia de vinho se podia resumir em menos de duas frases, mas lhe deu 
um sorvo, porque era o que se esperava dela. Ento elevou as sobrancelhas. Anda, isto no se parece em nada ao que servem no bar.
Menos mal. Phillip considerava que o que chamavam o branco da casa no Shiney era apenas levemente superior ao pis de cavalo. Como vo as coisas pelo bar?
Bem. Grace se concentrou no frango, perguntando-se se Ethan lhe teria contado o incidente. Era improvvel, decidiu, quando Phillip no prosseguiu com o tema. relaxou-se 
de novo e deixou que ele a entretivera enquanto trabalhava.
O jovem sempre tinha um monto de histrias que contar. Um bate-papo fcil, quase descuidada. Grace sabia que era muito preparado, que tinha xito e que na cidade 
se encontrava como peixe na gua. Mas nunca a fazia sentir tola ou pouco capacitada. E de uma forma carinhosa, fez-a sentir um poquito mais feminina que antes de 
que entrasse na cozinha.
Por isso  pelo que seus olhos riam e sua boca se pregou em um belo sorriso quando Ethan entrou. Phillip se sentou, bebendo seu vinho enquanto Grace lhe dava os 
ltimos toques ao jantar.
Isso lhe est inventado isso.
Juro-lhe isso. Phillip elevou uma mo para sublinhar suas palavras e riu ao ver entrar em seu irmo. O cliente quer que seja o ganso o que fale, assim que lhe 
estamos escrevendo o dilogo. Jeans Ganso de Arroio, uma fina plumagem para a vida diria.
 a coisa mais parva que ouvi em minha vida.
N! Phillip lhe fez um brinde. J ver como se vendem. Tenho que fazer algumas chamadas. incorporou-se e deu uma volta  mesa a propsito para lhe dar um beijo 
a jovem, o que fez que Ethan se inflamasse. Obrigado por nos dar de comer, carinho.
Saiu assobiando tranqilamente.
Lhe imagina, ganh-la vida escrevendo frases para que as diga um ganso? Divertida, Grace sacudiu a cabea enquanto colocava a terrina com a salada de batata no 
esfrego. J est tudo, assim quando tiverem fome, podem jantar. A roupa est na secadora. No a deixem a quando tiver terminado ou se enrugar toda.
moveu-se, ordenando a cozinha  medida que falava.
Esperaria-me para lhes dobrar isso mas ando um pouco mal de tempo.
Levo-te a casa.
Agradeo-lhe isso. vou fazer os papis do carro na segunda-feira, mas at ento... Elevou os ombros e jogou um ltimo olhar para assegurar-se de que no ficava 
nada por fazer. De todos os modos, foi fixando em cada rinco e cada detalhe enquanto se dirigia para a porta dianteira.
Como vai ao trabalho? perguntou Ethan quando estavam em sua caminhonete.
Leva-me Julie. E depois me levar o prprio Shiney. esclareceu-se garganta. Quando lhe expliquei o acontecido a outra noite, alterou-se muito. No  que estivesse 
furioso comigo, a no ser preocupado pelo que tinha acontecido. Queria matar ao Steve, mas tendo em conta as circunstncias..., por certo, tiveram um menino. Quatro 
quilogramas, o vo chamar Jeremy.
J o tinha ouvido se limitou a comentar Ethan.
Agora Grace tomou ar para dar-se nimo.
Sobre o que aconteceu, Ethan, quero dizer...
Tenho algo que te dizer sobre isso. Tinha-o pensado com supremo cuidado, palavra por palavra. No deveria me haver posto furioso contigo. Voc estava assustada 
e eu me passei mais tempo te gritando que me assegurando de que estivesse bem.
J sabia que, em realidade, no estava furioso comigo. Era s que...
me deixe continuar insistiu, mas esperou at que girou para entrar no atalho da casa. No tinha por que te tocar desse modo. Tinha-me prometido que nunca o faria.
Mas eu o desejava.
Apesar de que as suaves palavras fizeram que lhe atendesse o estmago, moveu a cabea em sentido negativo.
No voltar a acontecer nunca mais. Tenho minhas razes, Grace, e so razes slidas. Voc no as conhece, e no as compreenderia.
No posso as compreender se no me disser quais so.
O no ia contar lhe o que tinha feito, ou o que lhe tinham feito. E o que temia que seguisse espreitando em seu interior, preparado para sair de um salto se no 
mantinha fechada a jaula.
So minhas razes. voltou-se para ela para dizer o olhando a de frente. Poderia te haver feito mal, estive a ponto. Isso no voltar a acontecer.
No tenho medo de ti. Elevou a mo para lhe acariciar a bochecha, mas ele a agarrou para apart-la.
E nunca ter que o ter. Voc me importa. Apertou-lhe a mo brevemente, logo a soltou. Sempre me importaste.
J no sou uma menina e no vou romper me se me tocar. Eu desejo que me toque.
Lbios cheios, bem formados, sem carmim. As palavras do Phillip ressonaram em sua cabea. E agora Ethan sabia, que Deus lhe ajudasse, exatamente o suculentos que 
podiam ser.
Sei que voc crie que o deseja, e por isso  pelo que vamos tratar de esquecer o que aconteceu a outra noite.
Eu no vou esquecer o sussurrou a jovem, e a forma em que lhe olhou, com os olhos suaves e cheios de necessidade, fez que a cabea lhe desse voltas.
No voltar a acontecer nunca mais. Assim mais vale que te mantenha se separada de mim durante um tempo. Sua voz estava tinta de desespero quando se inclinou para 
lhe abrir a porta. O digo a srio, Grace, manten separada de mim durante um tempo. J tenho muitos preocupaes.
Est bem, Ethan. No lhe ia suplicar. Se isso  o que quer.
Isso  exatamente o que quero.
Essa vez no esperou at que Grace entrasse na casa, mas sim deu marcha atrs para sair ao meio-fio assim que ela fechou a porta da caminhonete.
Pela primeira vez em mais anos dos que podia contar, considerou seriamente a possibilidade de agarrar uma boa bebedeira.
8
Seth os esperava vigilante. Sua desculpa para achar-se no ptio dianteiro  medida que se alargavam as sombras eram os ces. No  que fora exatamente uma desculpa, 
pensou. Estava tratando de lhe ensinar a Parvo no s a apanhar a gasta e mordida bola de tnis, a no ser a trazer a de volta como o fazia Simon. O problema era 
que Parvo voltava correndo at ti e logo esperava que jogasse tira e afrouxa para arrebatar-lhe Saba que estaban de camino porque Cam haba llamado desde el avin, 
algo muy guay. Apenas poda esperar para contarles a Danny y Will que haba hablado con Cam mientras ste se hallaba volando en un avin sobre el ocano Atlntico.
No  que lhe importasse. Tinha umas quantas Pelotas, paus e uma velha parte de corda que lhe tinha dado Ethan. Podia jogar e jogar enquanto os ces tivessem vontades 
de correr, que era, por isso tinha visto, at o infinito.
Mas, enquanto jogava com os ces, manteve o ouvido atento se por acaso se aproximava um carro.
Sabia que estavam de caminho porque CAM tinha chamado do avio, algo muito guay. Logo que podia esperar para lhes contar ao Danny e Will que tinha falado com o CAM 
enquanto este se achava voando em um avio sobre o oceano Atlntico.
J tinha procurado a Itlia no atlas e tinha encontrado Roma. Tinha percorrido o caminho com o dedo, uma e outra vez, atravs desse largo oceano, de Roma at a baa 
do Chesapeake, at esse ponto diminuto na borda oriental de Maryland que era St. Christopher.
Durante uns dias lhe deu medo que no fossem retornar. imaginou ao CAM chamando e dizendo que tinham decidido ficar ali para que ele pudesse voltar a participar 
das carreiras.
Sabia que CAM tinha vivido em um monto de stios, participando de carreiras de motos, carros e navios. Ray o tinha contado tudo e havia um caderno gordo cheio de 
todo tipo de artigos e fotos de peridicos e revistas sobre todas as carreiras que CAM tinha ganho. E sobre todas as mulheres com as que havia tonteado.
E sabia que, justo antes de que Ray se estrelasse contra o poste de telefone e morrera, CAM tinha ganho uma importante carreira em seu aerodeslizador, que Seth desejava 
poder pilotar embora fora s uma vez.
Phillip tinha conseguido lhe localizar por fim no Montecarlo e Seth tinha encontrado tambm esse ponto no atlas e no parecia muito maior que St. Chris. Mas ali 
tinham um palcio, cassinos elegantes e at um prncipe.
CAM tinha retornado a casa a tempo de ver morrer ao Ray. Seth sabia que no planejava ficar muito tempo. Mas se tinha ficado. depois de uma espcie de briga, havia- 
dito ao Seth que no ia se partir, que estavam unidos o um ao outro e que ficava.
Mas isso era antes de que se casasse, antes de que voltasse para a Itlia. antes de que Seth comeasse a preocupar-se porque Anna e CAM se esquecessem dele e das 
promessas que tinham feito.
Mas no se esqueceram. foram voltar.
No queria que soubessem que lhes estava esperando, ou o nervoso que estava porque foram chegar a casa em qualquer momento. Mas o estava. No podia compreender por 
que estava to excitado. S levavam fora um par de semanas e, em qualquer caso, CAM era um tostn a maior parte do tempo.
E quando Anna vivesse ali, todos comeariam a dizer que tinha que cuidar sua forma de falar porque havia uma mulher na casa.
A uma parte de lhe preocupava que Anna fora a trocar as coisas. Embora ela era a assistente social encarregada de seu caso, ao melhor se cansava de ter a um menino 
sempre ali. Ela tinha o poder de fazer que se fora. Agora tinha inclusive mais poder, pensou, porque se o fazia com o CAM todo o tempo.
recordou-se a si mesmo que ela tinha jogado limpo, desde a primeira vez que lhe fez sair de classe e se sentou com ele na cafeteria da escola para falar.
Mas no era igual ocupar-se de um caso e viver com ele na mesma casa, verdade?
E possivelmente, s possivelmente tinha jogado limpo com ele, mostrou-se simptica porque gostava que CAM a trabalhasse. Porque queria que se casasse com ela. Agora 
que j o tinha conseguido, j no tinha que mostrar-se simptica. At podia escrever em um de seus informe que lhe viria melhor viver em outro stio.
Bom, ele estaria atento e veria como foram as coisas. Sempre podia fugir se ficavam mau. Embora a idia de fugir fez que lhe doesse o estmago de uma forma que no 
lhe tinha dodo nunca.
Queria estar aqui. Queria correr pelo ptio lhes lanando um pau aos ces. Queria levantar-se da cama quando ainda estava escuro e tomar o caf da manh com o Ethan 
e sair a agarrar caranguejos no navio. Trabalhar no estaleiro e visitar o Danny e Will.
Comer comida de verdade sempre que lhe desse a fome e dormir em uma cama que no cheirasse a suor alheio.
Ray lhe tinha prometido todo isso, e embora Seth nunca se confiou de ningum, sim se confiou nele. Talvez Ray era seu pai, talvez no. Mas Seth sabia que lhe tinha 
pago a Glria um monto de dinheiro. Pensava nela como Glria e no como sua me. Ajudava-lhe a pr mais distncia.
Agora Ray estava morto, mas lhes tinha feito prometer a cada um de seus filhos que manteriam ao Seth na casa junto  gua. Supunha que a idia no lhes tinha gostado, 
mas igualmente o tinham prometido. Tinha descoberto que os Quinn mantinham sua palavra. Para ele, manter uma promessa era um conceito novo e maravilhoso.
Se a rompiam agora, sabia que lhe ia doer mais que qualquer outra costure no mundo.
Assim esperou e quando ouviu o carro, o indomvel rugido do Corvette, seu estmago saltou de nervos e excitao.
Sim.on ladrou duas vezes como saudao, mas Parvo se lanou a um bulcio de latidos mdio assustados. Quando o estilizado carro branco entrou no atalho, ambos os 
ces se lanaram correndo para ele, saudando com a cauda como uma bandeira. Seth se meteu nos bolsos as mos que lhe haviam posto suarentas e se aproximou caminhando 
com ar depravado.
Ol! Ana lhe saudou lhe lanando um sorriso radiante.
Seth podia ver por que CAM se apaixonou por ela, claro. O mesmo tinha feito esboos de seu rosto vrias vezes em segredo. Gostava de desenhar mais que nada no mundo. 
Seu olhar de artista incipiente apreciava a pura beleza desse rosto, os amendoados olhos escuros, a tez oro plido, a boca generosa e o toque extico dos mas do 
rosto. Seu cabelo, despenteado pelo vento, era uma massa escura e frisada. Sua aliana de bodas, ouro e diamantes, reluzia quando se desceu do carro.
E lhe pilhou de improviso em um estreito abrao cheio de alegria.
Que maravilhosa festa de bem-vinda!
Embora o abrao lhe tinha surpreso lhe fazendo desejar que durasse mais, debateu-se para liberar-se.
S estava jogando com os ces. Olhou ao CAM e se encolheu de ombros. Ol.
Ol, guri. Moreno, magro e de aspecto um pouco perigoso, CAM foi estirando seus membros ao sair do sob veculo. Seu sorriso era mais rpido que a do Ethan, mais 
viva que a do Phillip. Bem a tempo para me ajudar a baixar a bagagem.
Claro, claro. Seth elevou a vista e contemplou a montanha de malas atadas a baca do carro. Mas no lhes levaram toda essa mierda com vs.
Recolhemos mais mierda na Itlia quando estvamos ali.
No pude me conter comentou Anna rendo. Tivemos que comprar outra mala.
Dois lhe corrigiu CAM.
Algum  s uma bolsa, no conta.
Vale. CAM abriu o porta-malas e tirou uma generosa mala verde escuro. Voc leva a que no conta.
J est pondo a trabalhar a seu flamejante algema? Phillip se aproximou do carro, caminhando entre os ces. J a agarro eu, Anna comentou, e lhe deu um beijo 
com tal entusiasmo que Seth olhou ao CAM pondo os olhos em branco.
Deixa-a, Phil advertiu Ethan com suavidade. Eu no gostaria de nada que CAM tivesse que te matar antes inclusive de entrar em casa. Bem-vindos acrescentou e 
sorriu quando Anna se voltou para ele para lhe dar um beijo to entusiasta como o que Phillip lhe tinha dado a ela.
D gosto estar em casa.
Resultou que a bolsa continha presentes que Anna comeou a distribuir ao momento, junto com anedotas de cada um. Seth ficou olhando a camiseta de futebol branca 
e azul claro que lhe tinha dado. Jamais ningum tinha feito uma viagem e havia lhe trazido um presente. A verdade era que podia contar os presentes que tinha recebido 
com os dedos da mo.
Na Europa o futebol  muito importante lhe disse Anna. S que ali o chamam simplesmente futebol e ao nosso futebol americano. Seguiu rebuscando e tirou um livro 
de grande tamanho com a capa em papel couch. E acreditei que isto te ia gostar. No  como ver os quadros. contempl-los em pessoa resulta arrebatador, mas te 
pode fazer uma idia.
O livro estava cheio de quadros, cores gloriosas e formas que deslumbraram seus olhos. Um livro de arte. Anna se tinha acordado de que gostava de desenhar e tinha 
pensado nele.
 genial se limitou a murmurar porque no se confiava em sua voz.
Anna queria comprar sapatos a todo mundo comentou CAM. Tive que det-la.
Assim s me comprei meia dzia de pares para mim.
Acreditava que s eram quatro. Anna sorriu.
Seis. Comprei dois sem que se inteirasse. Ah, Phillip, vi uns Maglis, poderia ter chorado. 
E Arinani?
Suspirou com desejo.
Claro, tambm.
Agora vou chorar eu.
Podem chorar por coisas de moda mais tarde lhes disse CAM. Eu morro de fome.
esteve Grace. Seth ardia em desejos de prov-la camiseta ao momento, mas pensou que ia parecer um boneco de pano. O limpou tudo. Tem-nos feito nos banhar na baa. 
E preparou frango frito.
Que Grace fez frango frito?
E salada de batata.
No h nada como o lar murmurou CAM enquanto se dirigia  cozinha. Seth esperou uns segundos e logo o seguiu.
Suponho que poderia me comer outra fatia comentou como por acaso.
Ponha  cauda. CAM tirou do esfrego a fonte e a terrina.
No lhe deram que comer no avio?
Isso foi antes, isto  agora. CAM se encheu um prato com comida, logo se apoiou na encimera. O guri tinha um aspecto bronzeado e saudvel. Os olhos seguiam tendo 
um ar cauteloso, mas tinha perdido essa expresso de coelho a ponto de sair correndo. perguntou-se se lhe surpreenderia tanto como lhe tinha surpreso a ele saber 
que tinha sentido falta da esse pirralho pico de ouro. Bom, e que tal foi tudo?
Bem. J terminou o curso e estive ajudando muito ao Ethan com o navio. Paga-me uma misria ali e no estaleiro.
Anna querer saber que notas tiraste.
Sobressalentes murmurou Seth enquanto mastigava um bocado de frango. CAM se engasgou.
Em tudo?
Sim, e o que?
Lhe vai encantar. Quer conseguir mais pontos com ela?
Seth se encolheu de ombros outra vez, entreabrindo os olhos enquanto pensava no que lhe tocaria fazer para agradar  mulher da casa.
Talvez.
Ponha camiseta. passou-se quase meia hora para escolher a melhor. adorar se lhe pe isso a mesma noite que lhe deu isso.
Ah, sim? S se tratava disso?, pensou Seth, e se relaxou at sorrir. Bom, suponho que posso lhe dar uma satisfao.
Seriamente lhe gostou da camiseta comentou Anna enquanto colocava concienzudamente o contedo de uma mala. E o livro. Me alegro tanto de que nos ocorresse o do 
livro.
Sim, encantaram-lhe. Ao CAM parecia que o dia seguinte, ou inclusive o ano seguinte, estariam bem para desfazer a bagagem. Alm disso gostava de estirar-se na 
cama e contempl-la, contemplar a sua esposa, pensou com uma estranha sensao de alegria, enredar pela habitao.
E no se ficou bloqueado ao lhe dar um abrao.  um bom sinal. Sua interao com o Ethan e Phillip  mais relaxada, mais natural, muito mais do que era faz um par 
de semanas. Estava ansioso por voltar a verte. Agora mesmo se sente um pouco ameaado por mim. Eu troco a dinmica na casa, justo quando se estava acostumando a 
como funcionavam as coisas. Assim est esperando e observando a ver o que acontece. Mas isso  bom. Significa que considera que isto  seu lar. Eu sou a intrusa.
Senhorita Spinelli?
Anna voltou a cabea e arqueou uma sobrancelha.
Para ti, senhora Quinn.
por que no desconecta a assistente social at na segunda-feira?
No posso. Tirou um de seus sapatos novos da bolsa e o olhou extasiada. A assistente social est muito satisfeita com a evoluo deste caso concreto. E a senhora 
Quinn, a recm estreada cunhada, est decidida a ganh-la confiana do Seth, possivelmente inclusive at seu carinho.
Voltou a colocar o sapato na bolsa e se perguntou quanto teria que esperar para poder lhe pedir ao CAM que lhe vestisse o armrio do dormitrio. Sabia exatamente 
o que queria e ele era muito bom com as mos. Pensando-o, ficou olhando. Sim, muito bom com as mos.
Enfim, suponho que posso terminar com as malas amanh.
CAM sorriu lentamente.
Isso suponho eu tambm.
Sinto-me muito culpado. Grace deixou a casa impoluta.
por que no vem aqui? Trabalharemos com esse sentido de culpa.
por que no? Atirou o sapato por cima do ombro e, rendo, lanou-se sobre ele.
No est nada mal. CAM estudou o navio. Eram apenas as sete da manh, mas seu relgio interno seguia posto na hora de Roma. Como se tinha despertado cedo, no 
viu razo alguma para deixar que seus irmos vadiassem na cama.
Assim a estavam os Quinn, de p sob as brilhantes luz do estaleiro, contemplando o trabalho em marcha. Seth imitou sua postura, as mos nos bolsos, as pernas abertas 
apoiadas firmemente, a cara sria.
ia ser a primeira vez que trabalhavam os quatro juntos no navio. No cabia em si de alegria.
Eu tinha pensado que voc comeasse a trabalhar sob coberta comeou Ethan. Phillip calcula que fazem falta quatrocentas horas para completar o camarote.
CAM se burlou.
Eu o posso fazer em menos.
Faz-lo bem interveio Phillip,  mais importante que faz-lo rpido.
Eu posso faz-lo rpido alm de bem. O cliente vai ter este beb preparado para navegar e com a cozinha cheia de champanha e caviar em menos de quatrocentas horas.
Ethan assentiu. Posto que CAM tinha conseguido outro cliente, que queria um navio de pesca esportiva, esperava sinceramente que isso fora verdade.
Ento, nos ponhamos a trabalhar.
E o trabalho lhe mantinha a mente se separada de temas nos que no tinha por que entrar. O crebro tinha que estar concentrado para poder usar o torno, ao menos 
se a gente apreciava suas mos. Ethan fez girar a madeira lenta, cuidadosamente, moldando o mastro. Os protetores auditivos convertiam o zumbido do motor e o furioso 
rock que uivava da rdio em um eco amortecido.
Sups que tambm havia conversao detrs dele. E, ocasionalmente, algum que outro taco. Chegava-lhe o doce perfume da madeira, o aroma forte da resina e do alcatro 
usado para recubrir os pernos.
Anos antes, entre os trs tinham construdo seu navio de tarefa. No era uma embarcao elegante e no podia dizer que fora bela, mas era slida e navegava bem. 
Tambm tinham construdo seu veleiro, porque estava decidido a dragar ostras em uma embarcao tradicional. Agora as ostras quase se acabaram, e seu navio se unia 
a outros quantos na baa que faziam percorridos tursticos no vero para tirar dinheiro.
Durante a temporada turstica, o alugava ao irmo do Jim porque lhes vinha bem a ambos e porque era uma soluo prtica. Mas lhe incomodava bastante ver a fina nave 
usada para isso. Como lhe incomodava saber que outras pessoas viviam e dormiam na casa que era dela.
Contudo, na hora da verdade, o dinheiro importava. A risada do Seth penetrou pelos protetores e lhe recordou por que agora importava mais que nunca.
Quando tiveram cibras as mos de trabalhar, apagou o torno para lhes dar um descanso. Ao tir-los protetores, o rudo alagou seus ouvidos.
Ouvia o CAM tamborilar com o martelo sob a coberta. Seth estava lhe dando uma capa de anti-corrosivo  talha de quilha, assim que a chapa de ao tinha um brilho 
mido. Ao Phillip havia meio doido o trabalho mais desagradvel, empapar o interior do poo da talha com creosoto. Era cedro vermelho velho de boa qualidade, o que 
deveria desanimar a qualquer molusco, mas tinham decidido no deixar nada ao azar.
Um navio Quinn estava construdo para durar.
Sentiu um broto de orgulho ao v-los trabalhar. Quase podia ver seu pai de p junto a ele, com seus grandes punhos no quadril e um amplo sorriso no rosto.
Que bela imagem! comentou Ray.  como as fotos que a sua me e ns adorvamos olhar. Tnhamos um monto guardadas, para as tirar e voltar s ver quando crecierais 
e tivessem seguido seu caminho. A verdade  que nunca tivemos oportunidade porque ela se foi antes.
Sigo jogando a de menos.
Sei. Ela era a cola que nos mantinha juntos a todos. Mas o fez muito bem, Ethan. Seguem pegos.
Acredito que sem ela me tivesse morrido. Sem ti. Sem eles.
No. Ray colocou uma mo sobre o ombro de seu filho e negou com a cabea. Voc sempre foste forte, de corao e de mente. Foi capaz de atravessar o inferno e 
sair vivo ao outro extremo, tanto pelo que h em seu interior como pelo que fizemos. Isso teria que o ter mais presente. Simplesmente olhe ao Seth. O se enfrenta 
s coisas de um modo distinto ao teu, mas possui muitas das mesmas qualidades. implica-se mais do que deseja. Pensa mais profundamente do que faz acreditar. E quer 
ir alm do que admite inclusive ante si mesmo.
Vejo-lhe ti nele. Nunca se tinha permitido expressar isso, nem sequer a ss. No estou seguro do que sinto a esse respeito.
 curioso, eu lhes vejo os trs nele. O olho de quem olhe, j sabe. Ento lhe deu uma leve palmada nas costas. Esto construindo um navio estupendo. A sua me 
teria encantado v-lo.
Os Quinn constrem embarcaes duradouras murmurou Ethan.
Com quem falas? perguntou Seth.
Ethan piscou, sentiu que ia a cabea, cheia de pensamentos to desfiados como fios de algodo.
O que? passou-se a mo pela frente at o cabelo, tornando-a boina para trs. O que?
Tio, que estranho est. Seth ergueu a cabea, fascinado. Como  que est aqui falando sozinho?
Estava... Dormido de p?, perguntou-se. Pensando respondeu. S pensando em alto. de repente o rudo e os aromas eram como um uivo em seu crebro enjoado. 
Necessito ar murmurou, e saiu a toda pressa pelas portas.
Que estranho! repetiu Seth. ia comentar algo ao Phillip, quando se distraiu ao ver que Anna entrava pela porta dianteira com uma grande cesta de picnic.
Algum quer comer?
Claro! Sempre interessado na comida, Seth se aproximou correndo. trouxeste o frango?
O que ficava respondeu ela. E sndwiches de presunto dos York grossos como tijolos. H um recipiente trmico de ch gelado no carro. por que no o traz?
 minha herona comentou Phillip, limpando-as mos nos jeans antes de liberar a da cesta. N, CAM! H aqui uma mulher preciosa que trouxe comida.
O rudo do martelo cessou ao momento. Uns segundos depois, a cabea do CAM emergia pelo teto do camarote.
 minha mulher. Eu tenho preferncia com a comida.
H mais que suficiente para todos. Grace no  quo nica pode cozinhar para um punhado de homens famintos. Embora seu frango frito  uma maravilha.
Sai-lhe muito bem, sim coincidiu Phillip. Colocou a cesta em uma improvisada tabela feita com uma prancha de aglomerado situada sobre um par de cavaletes. Quando 
vs estavam fora, cozinhava regularmente para o Ethan. Tirou um sndwich de presunto cozido e acrescentou: Me d que a est acontecendo algo.
Acontecendo, onde? inquiriu CAM enquanto dava um salto para explorar a cesta. 
Entre o Ethan e Grace.
Srio?
Mmm. A primeira dentada fez que Phillip fechasse os olhos de prazer. Tivesse preferido cozinha francesa servida em pratos de porcelana fina, mas tambm era capaz 
de apreciar um sndwich bem feito servido em um prato de papel. Minhas certeiras habilidades de observao captaram certos sinais. O a olhe quando ela no se d 
conta. O olhe quando ele no se d conta. E Marsha Tuttle me contou uma fofoca muito interessante. Marsha trabalha com o Grace no bar explicou a Anna. Shiney vai 
instalar um novo sistema de segurana e introduziu uma nova medida, pela qual nenhuma garonete deve fechar o local sozinha.
aconteceu algo? perguntou Anna.
Sim. Phillip jogou uma olhada para comprovar que Seth no havia tornado a entrar. Faz algumas noites, um hijoputa entrou depois de fechar. Grace estava sozinha. 
P-lhe as mos em cima e, segundo Marsha, teria chegado a mais. Mas resulta que Ethan estava fora. me d que  uma interessante casualidade, tendo em conta que estamos 
falando de nosso irmo, que se deita e se levanta como as galinhas. Bom, o caso  que Ethan lhe fez um pouco de pupa ao tipo disse, e lhe deu outra boa dentada 
ao sanduche.
CAM se lembrou da esbelta Grace de osso fino e logo se lembrou da Anna.
Espero que lhe desse uma boa.
Acredito que podemos supor que no se foi de rositas.  obvio, sendo Ethan como , no o mencionou, assim que me tive que inteirar pela Marsha na seo de verdura 
fresca do sper na sexta-feira de noite.
Sofreu dano Grace? Anna sabia muito bem o que era sentir-se apanhada, sentir-se impotente, ter que enfrentar-se com o que um certo tipo de homem era capaz de lhe 
fazer a uma mulher. Ou a uma menina.
No. Tem-lhe que ter afetado o bastante, mas nisso  como Ethan. No o comentou. Entretanto, ontem se intercambiaram largos olhares silenciosos. E quando Ethan 
voltou de lev-la a sua casa, estava bastante crispado. Ao record-lo, Phillip jogou uma risita. E para ser Ethan, isso quer dizer bastante. tomou um par de cervejas 
e foi se navegar no balandro durante uma hora.
Grace e Ethan. CAM considerou a possibilidade. Encaixam muito bem. Viu que retornava Seth e decidiu deixar correr o tema. A propsito, onde est Ethan?
Est fora. Com um grunhido, Seth deixou o recipiente trmico e fez um gesto indicando as portas. H dito que precisava tomar o ar e suponho que assim era. Estava 
a, de p, falando sozinho. Encantado com o bota de cano longo, Seth rebuscou na cesta. Parecia manter uma conversao com algum que no estava a. Estava muito 
estranho.
CAM sentiu um comicho na nuca. Entretanto, moveu-se de forma relaxada, servindo comida em um prato.
Tampouco me viria mal um pouco de ar. vou levar lhe um sndwich.
Viu o Ethan de p ao extremo do embarcadero, olhando a gua. A ambos os lados, divisava-se o porto do St. Chris com seus casitas e seus ptios, mas ele olhava ante 
si, sobre a ligeira marejada at o horizonte.
Anna trouxe um pouco de comida.
Ethan encerrou seus pensamentos e baixou o olhar at o prato.
Que bom detalhe!  muito afortunado, CAM.
diga-me isso . O que ia fazer lhe punha um pouco nervoso. Mas, depois de tudo, era um homem que vivia para o risco. Ainda me lembro da primeira vez que a vi. 
Eu estava zangado com o mundo. Acabvamos de enterrar a papai e quo nico eu desejava parecia achar-se em outro lugar. O guri me tinha dado muitssimo a tabarra 
essa manh e me ocorreu que a seguinte etapa de minha vida no foram ser as carreiras, no ia ser a Europa. ia ser transcorrer justo aqui.
Voc foste o que renunciou a mais costure ao voltar aqui.
Isso parecia ento. Mas nesse momento se aproximou Anna Spinelli cruzando o ptio enquanto eu reparava os degraus de atrs e me deu o segundo susto do dia.
Posto que a comida estava ali e posto que CAM parecia com vontades de falar, Ethan agarrou o prato e se sentou no bordo do mole. Passou uma garceta voando silenciosa 
como um fantasma.
Um rosto como o seu  capaz de sobressaltar a um homem.
Sim. E eu j me sentia um pouco nervoso. menos de uma hora antes, tinha mantido uma conversao com papai. O estava sentado na cadeira de balano do alpendre traseiro.
Ethan assentiu.
Sempre gostou de sentar-se a.
No estou dizendo que recordava lhe ver sentado a. Quero dizer que lhe vi a. Exatamente como agora te estou vendo ti.
Lentamente Ethan voltou a cabea e olhou a seu irmo aos olhos.
Viu-o sentado na cadeira de balano do alpendre.
E tambm lhe falei. E ele me falou. CAM se encolheu de ombros e olhou a gua. Assim que eu acreditava que estava alucinando.  o estresse, a preocupao, possivelmente 
o aborrecimento. Tenho coisas que lhe dizer, perguntas que quero que responda, assim que minha mente o pe a. S que no era isso.
Ethan avanou com cuidado por terreno movedio.
Voc o que crie que era?
O estava a, essa primeira vez e as outras. 
Outras vezes?
Sim, a ltima foi na manh anterior  bodas. Disse que seria a ltima, porque eu j havia resolvido o que tinha que resolver no momento. CAM se passou as mos 
pela cara. Tive que lhe deixar partir de novo. Resultou-me um pouco mais fcil. No consegui que respondesse todas minhas perguntas, mas suponho que sim s que 
mais importavam.
Suspirou, sentindo-se melhor, e agarrou uma batata do prato do Ethan.
Agora voc me diga que estou louco ou que sabe do que estou falando.
Com ar pensativo, Ethan partiu um dos sndwiches pela metade e lhe deu uma a seu irmo.
Quando segue a gua, aprende que h mais coisas das que pode ver ou tocar. Sereias e serpentes. Sorriu levemente. Os marinhos sabem dessas criaturas, tanto se 
as viram como se no. No acredito que esteja louco.
Me vais contar o resto?
tive alguns sonhos. Eu acreditava que eram sonhos se corrigiu, mas ultimamente tive um par deles estando acordado. Suponho que eu tambm tenho perguntas, mas 
me custa muito pressionar a algum at conseguir respostas. Eu gosto de escutar sua voz, ver seu rosto. No tivemos tempo suficiente para lhe dizer adeus de verdade 
antes de que morrera.
Possivelmente isso  parte do assunto. Mas no o  tudo.
No. Mas no sei o que quer que faa que eu no esteja fazendo j.
Suponho que ficar at que saiba. CAM lhe deu uma dentada ao sanduche e se sentiu assombrosamente contente. E o que lhe parece o navio?
Acredita que  cojonudo.
Tem razo.
Ethan contemplou seu sndwich.
O vamos contar ao Phillip?
Para nada. Mas estou impaciente por que acontea a ele. O que te aposta a que sai correndo em busca de algum psiquiatra de presuno? Querer um com um monto de 
ttulos e uma consulta na zona apropriada da cidade.
Uma psiquiatra lhe corrigiu Ethan, e esboou um sorriso. Se se tiver que tombar em um div, querer que seja mulher e bonita. Que bom dia faz! acrescentou, apreciando 
de repente a clida brisa e o resplendor do sol.
Ficam dez minutos para lhe desfrut-lo advertiu seu irmo. Logo te quero outra vez movendo o culo.
Vale. Sua mulher faz uns sndwiches muito bons. Inclinou a cabea a um lado. Que tal lhe dar lixar madeira?
CAM o pensou e gostou da imagem.
vamos convencer a para que nos deixe averigu-lo.
9
Anna estava encantada de ter a tarde livre. Desfrutava muito com seu trabalho e sentia tanto carinho como respeito pela gente com a que trabalhava. Acreditava firmemente 
na funo e os objetivos do trabalho social. E sentia a satisfao de saber que estava contribuindo a trocar as coisas.
Ajudava s pessoas: a jovem me solteira sem ningum a quem recorrer, o menino no desejado, a pessoa maior sem lar. Em seu interior ardia o desejo profundo e brilhante 
de ajud-los a encontrar seu caminho. Sabia o que era sentir-se perdida e se desesperada, e sabia o que podia trocar uma pessoa que oferecia uma mo e se negava 
a retir-la, inclusive quando essa mo era rechaada com um mau gesto ou uma m palavra.
E como estava decidida a ajudar ao Seth DeLauter, tinha conhecido ao CAM. Uma nova vida, um novo lar. Novos comeos.
s vezes, pensou, a recompensa retornava a ti multiplicada por cem.
Tudo o que tinha desejado, tudo o que no sabia que desejava estava ligado a essa encantadora  casa junto  gua. Uma casa Branca com um cs azul. Cadeiras de balano 
no alpendre, floresa no ptio. Recordava a primeira vez que a viu. Ia por esta mesma estrada com a rdio a todo volume.  obvio, a capota estava posta aquela vez 
para que o vento no lhe arrancasse as forquilhas do cabelo.
Tinha sido uma visita profissional, e Anna estava empenhada em que tudo fora muito srio.
A casa a tinha seduzido, sua simplicidade, sua estabilidade. Logo deu a volta  formosa construo de dois pisos junto  gua e viu um homem zangado, pouco amvel 
e muito sexy dedicado a reparar os degraus do alpendre traseiro.
Aps nada tinha sido igual para ela.
Graas a Deus.
Agora era sua casa, pensou com um sorriso de satisfao enquanto conduzia o carro pela estrada flanqueada por amplos campos planos. Sua casa no campo, com o jardim 
que tinha sonhado... E o homem zangado, pouco amvel e sexy? Tambm era dele, e tantas coisas mais que nunca tivesse imaginado.
Continuou pela mesma estrada reta enquanto escutava um programa na rdio sobre homens-lobo em Londres. Mas esta vez no lhe importava se o vento lhe desordenava 
o cabelo, que antes tinha estado cuidadosamente recolhido com forquilhas. Voltava para casa, assim que a capota estava baixada e ela se sentia muito alegre.
Tinha trabalho que fazer, mas podia concluir os informe que ficavam no porttil, em casa. Decidiu que o faria enquanto o molho de tomate se cozinhava ao fogo. ia 
preparar uns linginis para lhe recordar ao CAM a viagem de bodas.
No  que a lua de mel tivesse terminado, embora estivessem de volta na borda oriental e j no em Roma. perguntou-se se esta paixo indomvel e travessa que sentiam 
o um pelo outro cessaria alguma vez.
Esperava que no.
Rendo-se de si mesmo, entrou no atalho como uma centelha. E esteve a ponto de estelar o pequeno conversvel com a parte de atrs de um sedan cinza apagado com o 
pra-choque oxidado. Quando o corao voltou para seu lugar, perguntou-se de quem seria.
No era o tipo de carro que atraa ao CAM, decidiu. Pode que lhe gostasse de jogar com os motores, mas preferia que fossem de veculos estilizados e velozes. Esta 
carroceria pesada e velha no tinha aspecto de ser um carro rpido.
Phillip? Deixou escapar uma risada zombadora. O impecvel Phillip Quinn no poria o p, calado em um sapato italiano, no gasto cho de tal veculo na vida.
Ento, Ethan. Mas Anna franziu o cenho. Ao Ethan foram as caminhonetes e os jipes, no um veculo familiar que tinha as aletas ainda pintadas com antioxidante cinza.
Estavam-lhes roubando, pensou com um sobressalto que tornou o batimento do corao de seu corao em um martelo percussor. A plena luz do dia. por aqui ningum pensava 
em fechar as portas e a casa estava protegida dos vizinhos s pelas rvores e a restinga.
Nesse mesmo momento havia algum dentro, tocando suas coisas. Entreabrindo os olhos, saiu do carro a toda pressa. No foram sair se com a sua. Agora esta era sua 
casa, maldita seja, e eram suas coisas, e se qualquer ladro de mdio plo acreditava que ia poder...
interrompeu-se ao olhar dentro do carro e ver um grande coelho rosa. E a sillita infantil. Um ladro de casas com um menino nas costas?
Grace, caiu na conta com um suspiro. Era um dos dias de limpeza do Grace Monroe.
Garota de cidade, burlou-se, deixa a um lado seus instintos urbanos. Agora est em outro mundo. Sentindo-se totalmente ridcula, voltou para seu prprio carro e 
tirou sua maleta e a bolsa de verdura e fruta que tinha comprado de caminho a casa.
Ao pr o p no alpendre, ouviu o montono zumbido do aspirador, acompanhado da buliosa melodia de um anncio de televiso. Bons sons domsticos. E estava mais que 
encantada de que no fosse ela a quem lhe tocava passar o aspirador.
Quando Anna entrou pela porta, ao Grace esteve a ponto de cair a manga do aspirador. Claramente agitada, retrocedeu, lhe dando com o p ao boto para apagar o aparelho.
Perdoa. Acreditava que ia terminar antes de que ningum retornasse a casa.
Hoje chego logo. Embora levava as mos enche, Anna ficou em cuclillas ante a cadeira em que estava sentada Aubrey, pintando furiosamente com uma cor arroxeado 
o desenho de um elefante em seu caderno de colorir. Que bonito!
 um fante.
 um fante estupendo. O fante mais bonito que vi em todo o dia.
Como o nariz do Aubrey parecia pedi-lo, Anna lhe deu um besito.
Quase terminei. Ao Grace os nervos danaram pelo espinho dorsal. Anna tinha um aspecto muito profissional vestida de traje. O fato de que o cabelo lhe derramasse 
livre das forquilhas s a fazia parecer... profissional e sexy, decidiu Grace. J terminei acima e na cozinha. No sabia... No estava segura do que queria, mas 
preparei um guisado, batatas com bechamel, queijo e presunto cozido. Coloquei-o no congelador.
Maravilhoso. Esta noite cozinho eu. Anna se incorporou e equilibrou as bolsas risueamente. Esteve a ponto de tir-los sapatos, mas se deteve. No lhe parecia 
bem comear a deixar coisas atiradas quando Grace ainda estava terminando de limpar.
Esperaria at mais tarde.
Mas amanh no sairei logo continuou. Assim que nos vir de prolas.
Bom, eu... Grace sabia que estava um pouco suja e suarenta e se sentiu totalmente superada pela tersa blusa da Anna e seu traje alfaiate. Ah, e esses sapatos, 
pensou, fazendo todo o possvel para que no se notasse que estava olhando. Eram to belos, to clssicos, e o couro parecia to suave que quase se poderia dormir 
com eles postos. Os dedos dos ps lhe curvaram de vergonha em suas pudas esportivas brancas. A penetrada est quase terminada. H uma carga de toalhas na secadora. 
No sabia onde queria que deixasse suas coisas, assim que o dobrei tudo e o deixei sobre a cama, em seu dormitrio.
Agradeo-lhe isso. Costa ficar ao dia depois de duas semanas fora. Anna conseguiu no sentir-se violenta. Nunca antes tinha tido senhora da limpeza, e no estava 
segura de qual era o protocolo para estas situaes. Tenho que guardar isto. Quer tomar algo afresco?
No, obrigado. Mais vale que termine e me tire de no meio.
Curioso, pensou Anna. Grace nunca lhe tinha parecido fria ou nervosa anteriormente. Embora no se conheciam bem, havia sentido que a relao era cordial. De uma 
forma ou outra, teriam que chegar a um entendimento.
eu adoraria falar contigo se dispuser de tempo.
Ah. Grace passou a mo acima e abaixo pela manga metlica do aspirador. Como no. Aubrey, vou  cozinha com a senhora Quinn.
Eu tambm! Aubrey saltou da cadeira e correu para a cozinha. Quando sua me a alcanou, j estava tiragem no cho, desenhando uma girafa morada com toda dedicao.
Esta  sua cor esta semana comentou Grace. Sem dar-se conta, dirigiu-se ao esfrego e tirou uma jarra de gua de limo que havia preparado.Tiende a centrar-se em 
um at que o deixa reduzido a nada, ento escolhe outro. Sua mo se deteve sobre o copo que estava a ponto de tirar do armrio. O sinto disse com rigidez. No 
me tinha dado conta.
Anna deixou a bolsa.
Do que?
De que me estava movendo em sua cozinha como se fora a minha.
V, pensou Anna, a estava o problema. Duas mulheres, uma casa. Ambas se sentiam um pouco incmodas nessa situao. Tirou um tomate grande da bolsa, olhou-o e o 
deixou na encimera. O ano prximo trataria de cultiv-los ela mesma.
Sabe o que eu gostei desta casa a primeira vez que entrei na cozinha?  o tipo de stio em que resulta fcil sentir-se como em casa. Eu no quereria que isso trocasse.
Seguiu tirando coisas da bolsa e foi colocando a verdura, cuidadosamente escolhida, na encimera.
Grace teve que mord-la lngua para no mencionar que ao Ethan no gostava dos cogumelos quando Anna colocou uma bolsa deles junto aos pimientos.
Agora  sua casa disse com lentido. Querer lev-la a sua maneira.
Isso  verdade. E estou pensando em fazer algumas mudanas. Importaria-te me pr um pouco dessa gua? Tem um aspecto maravilhoso.
Aqui vem, pensou Grace. Mudanas. Serve dois copos e logo agarrou a taa de plstico da encimera para pr um pouco ao Aubrey.
Toma, carinho, com cuidado, no v se derramar.
No me vais perguntar que mudanas quero fazer? perguntou Anna.
No me corresponde.
Desde quando nos correspondem umas coisas e outras no? insistiu Anna com a suficiente irritao para contrariar ao Grace.
Eu trabalho para ti, ao menos no momento.
Se for dizer que o deixa, seriamente vai dar o dia. No me importa quanto tenham avanado as mulheres, se eu ficar sozinha nesta casa com quatro homens, terminarei 
fazendo noventa por cento das tarefas. Possivelmente no ao princpio continuou, agora dando voltas pela cozinha, mas assim  como vamos terminar. Dar igual a 
eu tenha um trabalho a tempo completo. CAM odeia as tarefas da casa e far o que possa para escaquearse. Ethan  bastante ordenado, mas tem o costume de escorrer 
o vulto. E Seth, bom, tem dez anos, assim com isso lhe digo isso tudo. Phillip s est aqui os fins de semana, e alegar que ele no foi quem sujou. girou-se rapidamente 
e disse: vais dizer me que o deixa?
Era a primeira vez que Grace via exaltar-se a Anna, e se sentiu confusa e impressionada.
Acreditava que havia dito que foste fazer algumas mudanas e que me foste despedir.
Estou pensando em comprar algumas almofadas novas e em trocar a tapearia do sof disse Anna com impacincia, no em perder  pessoa da que j sei que vou depender 
para manter a prudncia nesta casa. Crie-te que no sei quem se assegurou de que ao chegar no me encontrasse uma casa cheia de p e cacharros sujos e roupa por 
lavar? Pareo-te gilipollas ou o que?
No, eu... O comeo de um sorriso se insinuou nos lbios do Grace. Me batalhei isso para que o notasse.
Vale. Anna soltou ar. por que no nos sentamos e comeamos de novo?
Isso estaria bem. me perdoe.
por que?
Por todas as coisas desagradveis que me permiti pensar de ti nos ltimos dias. Sorriu plenamente enquanto se sentava. Me tinha esquecido do bem que me caa.
Grace, aqui estou em minoria. A companhia de outra mulher me pode vir muito bem. No sei exatamente como se fazem estas coisas e posto que eu sou a estranha...
No  uma estranha. Grace quase ficou boquiaberta pela surpresa.  a esposa do CAM.
E voc foste parte de sua vida, das vidas de todos, durante muito mais tempo. Voltou as mos com as Palmas para cima e sorriu. vamos esclarecer isto, para que 
logo possamos nos esquecer disso. O que queira que tenha estado fazendo aqui, vai de maravilha. Agradeo o saber que voc te ocupa disso, para que eu possa me concentrar 
em meu matrimnio, meu trabalho e Seth. Entendemo-nos?
Sim.
E posto que meu instinto me diz que  uma mulher bondosa e pormenorizada, te vou confessar que te necessito muito mais do que me necessita voc . E vou encomendar 
me a sua misericrdia.
A risada rpida e fcil fez aparecer hoyitos pouco profundos nas bochechas do Grace.
No acredito que haja nada que voc no possa fazer.
Pode que no, mas te juro Por Deus que no quero ser uma superwoman. No me deixe sozinha com todos estes homens.
Grace se mordeu o lbio um momento.
Se for trocar a tapearia do sof do salo, vais necessitar cortinas novas.
Estava pensando em umas com volantes.
Em total acordo, intercambiaram um sorriso deslumbrante.
Mame, quero pis!
V! Grace se levantou de um salto e agarrou em braos ao Aubrey, que danava como uma possessa. Agora voltamos.
Anna se jogou uma risita, logo se incorporou, tirou-se a jaqueta e se preparou para comear com o molho. Esse tipo de cozinha, a familiar, a cotidiana, relaxava-a. 
E, dado que no lhe cabia nenhuma dvida de que lhe conseguiria pontos extra com os Quinn quando voltassem para casa, tinha inteno de desfrutar.
Tambm lhe agradava ter forjado a base de uma amizade com o Grace. Desejava esse benefcio que concedem as cidades pequenas ou a vida no campo: os vizinhos. Uma 
das razes pelas que no se encontrou a gosto em Washington era a falta de conexo com a gente que vivia e trabalhava a seu redor. Quando se transladou ao Princess 
Anne, encontrou parte dessa comodidade de vizinhana de toda a vida com a que tinha crescido no bairro tradicional onde residiam seus avs, em Pittsburgh.
E agora, pensou, lhe oferecia a oportunidade de fazer-se amiga de uma mulher a que admirava e de cuja companhia poderia desfrutar.
Quando Grace e Aubrey voltaram para a cozinha, sorriu.
ouvi que acostumar aos meninos a usar o banho pode ser um pesadelo para todos os implicados.
H acertos e enganos. Grace deu ao Aubrey um rpido abrao antes de deix-la no cho. Aubrey  uma menina muito boa, a que sim, meu carinho?
No me molhei as braguitas. Assim recibo um centavo para o cofre.
Quando Anna riu a gargalhadas, Grace fez uma careta simptica.
E a chantagem funciona.
Conta com todo meu apoio.
Teria que terminar por aqui.
Tem pressa?
A verdade  que no. Com cautela, Grace jogou um olhar ao relgio da cozinha. Segundo seus clculos, Ethan ainda demoraria uma hora ao menos em retornar.
Possivelmente poderia me fazer companhia enquanto preparo o molho.
Suponho que sim. Fazia..., j no se lembrava de quanto fazia que no se sentava na cozinha com outra mulher. A simplicidade do ato quase a fez suspirar. H um 
programa da televiso que gosta ao Aubrey e est a ponto de comear. Que tal se a sinto no salo para que o veja? Quando acabar, terminarei de passar o aspirador.
Estupendo. Anna deixou cair os tomates na panela para que se fizessem a fogo lento e se abrandassem.
Nunca tenho feito molho de espaguete desde zero comentou Grace quando retornou. Quero dizer, usando tomates frescos.
Leva mais tempo mas vale a pena. Grace, espero que no te incomode, mas me contaram o que aconteceu a outra noite no bar onde trabalha.
A surpresa lhe fez piscar e se esqueceu de tomar nota dos ingredientes que Anna tinha disposto na encimera.
Contou-lhe isso Ethan?
No. Ao Ethan ter que lhe tirar as palavras com gancho para que te conte algo. Anna se limpou as mos no avental que se ps. No quero me entremeter, mas tenho 
certa experincia sobre perseguio sexual. Quero que saiba que pode falar comigo se o necessitar.
No foi to mau como pudesse ter sido. Se Ethan no chegar a estar ali... interrompeu-se, descobriu que record-lo ainda lhe deixava uma sensao geada em seu 
interior. Bom, mas estava. Eu teria tido que ter mais cuidado.
Anna voltou por um instante a uma estrada escura, a dentada do cascalho em suas costas depois de que a atirassem ao cho.
 um engano torn-la culpa.
No, no, eu no..., no dessa forma. Eu no me merecia o que tratou de me fazer. No lhe animei. De fato, deixei-lhe muito claro que no me interessava nem ele 
nem sua cama de hotel. Mas teria que ter jogado o ferrolho quando se foi Steve. No o pensei e isso foi um descuido.
Me alegro de que no sasse ferida.
Poderia ter sido assim. No posso me permitir esses descuidos. Olhou para a porta de onde chegava a msica grit e a risada cristalina do Aubrey. H muito em 
jogo para mim.
Ser me solteira no  nada fcil. Freqentemente vejo os problemas que podem surgir nessas circunstncias. te d de maravilha.
Agora no era surpresa, era impresso. Ningum lhe havia dito nunca um pouco parecido.
Pois..., no sei. Simplesmente o fao.
Sim. Anna sorriu. Minha me morreu quando eu tinha onze anos, teve-me sem estar casada. Quando Miro para trs e o recordo, dou-me conta de que a ela tambm lhe 
dava muito bem. Como voc, simplesmente o fazia. Espero que quando eu tenha filhos, me d a metade de bem o simplesmente faz-lo que a vocs dois.
_Esto planejando CAM e voc ter um filho?
me d bem o de planejar comentou Anna rendo-se. De momento, quero esperar um pouco, mas sim, desejo ter filhos. Olhou pela janela ao lugar onde brotavam as flores 
que tinha plantado. Este  um stio maravilhoso para criar filhos. Conheceu o Ray e Stella Quinn?
Sim, como no. Eram umas pessoas maravilhosas. Ainda os sinto falta de.
Me teria gostado de conhec-los. 
Teria-lhes cansado bem.
Voc crie?
Teria-lhes cansado bem por ti mesma lhe disse Grace. E lhe teriam querido pelo que tem feito pela famlia. contribuste a uni-los. Acredito que, durante certo 
tempo, sentiram-se um pouco perdidos quando morreu a doutora Quinn. Possivelmente cada um tinha que seguir seu caminho, do mesmo modo que todos tinham que retornar.
Ethan ficou.
Ele jogou razes aqui, na gua, como a erva de mar. Mas tambm andou  deriva. Sua casa est na curva que descreve o rio mais  frente do porto.
No a vi nunca.
Est escondida murmurou Grace. lhe gosta da intimidade. s vezes, em uma noite tranqila, se ia dar um passeio quando estava grvida do Aubrey, ouvia-lhe tocar 
o violino. Se o ar soprava na direo adequada, alcanava para ouvir a melodia. Era muito solitria. Bela e solitria.
Os olhos deslumbrados pelo amor eram capazes de ver certas coisas com total claridade. 
Desde quando est apaixonada por ele?
Parece que toda minha vida sussurrou Grace, logo se deu conta. No queria dizer isso.
Muito tarde. No o h dito?
No. Ante a s idia, o corao do Grace se o agarrot de pnico No deveria falar disto. No gostaria. Daria-lhe muita vergonha.
Bom, mas ele no est aqui, no? Divertida e encantada, Anna sorriu ampliamente. me parece maravilhoso.
No, no o .  horrvel.  simplesmente horrvel. Horrorizada, ficou uma mo na boca para deter uma repentina e inesperada corrente de lgrimas. O danifiquei. 
Danifiquei-o tudo e agora ele no quer nem estar perto de mim.
Ai, Grace. Alagada de compaixo, Anna deixou de cortar verduras para acolher em um estreito abrao ao Grace, que se havia posto tensa, e logo a empurrou brandamente 
para uma cadeira. No posso acredit-lo.
 certo. Disse-me que me mantivera se separada dele. Lhe quebrou a voz e se sentiu humilhada. O sinto. No sei o que me passou. Eu nunca choro.
Bom, ento j era hora de que trocasse a tradio. Anna agarrou um par de guardanapos de papel de cozinha e as ofereceu. Venha, sentir-se melhor.
Sinto-me to tola... Uma vez rota a presa, Grace soluou no guardanapo.
No h nada pelo que sentir-se tola.
Sim o h, h-o. Eu tenho feito que j no possamos seguir sendo amigos.
Como? O que tem feito? perguntou Anna com suavidade.
Ofereci a ele. Suponho que acreditei, depois da noite que me beijou...
Que te beijou? repetiu Anna e ao momento comeou a sentir-se melhor.
Estava furioso. Grace apertou o rosto contra o guardanapo, respirando fundo at que pde recuperar certo controle. Foi depois do que aconteceu o bar. Nunca lhe 
tinha visto assim. Conheo-lhe virtualmente de toda a vida e no sabia que pudesse ficar assim. Se no lhe conhecesse, me teria assustado a forma em que apartou 
ao aquele tipo de um golpe, como se fora uma bolsa de plumas. E tinha um olhar nos olhos que os fazia duros e estranhos Y... Suspirou e admitiu o pior. Excitantes. 
Ai,  horrvel pensar isso.
Est brincando? Anna alargou uma mo e apertou a do Grace. Se eu nem sequer estava e tambm me sinto excitada.
Com um sorriso choroso, Grace se secou o rosto.
No sei o que me passou, mas ele me gritou. Eu me zanguei e discutimos quando me levou a casa. Disse-me que deveria deixar meu trabalho, me falando como se eu no 
tivesse nenhuma neurnio no crebro.
A tpica reao masculina.
Isso. de repente se voltou a zangar e assentiu. Era totalmente tpico, e isso nunca me tivesse esperado isso dele. E de repente estvamos dando voltas na erva.
De verdade? Encantada, Anna sorriu.
Beijou-me e eu lhe beijei tambm e foi maravilhoso. Toda minha vida me tinha perguntado como seria e de repente a estava e era melhor que tudo o que me pudesse 
ter imaginado. Depois se deteve e disse que o sentia.
Anna fechou os olhos.
Ai, Ethan, que idiota ...
Disse-me que me colocasse dentro, mas justo antes de que o fizesse me disse que pensava em mim. Que no queria faz-lo, mas que o fazia. Assim que eu esperava que 
as coisas comeassem a trocar.
Eu diria que j trocaram.
Sim, mas no do modo que eu esperava. O dia que CAM e voc voltaram, eu estava aqui quando ele retornou a casa. E parecia que, talvez..., mas me levou de volta 
a casa. Disse-me que o tinha pensado muito e que no me ia tocar mais, e que me mantivera se separada de seu caminho durante um tempo. Soltou ar e acrescentou: 
E isso  o que estou fazendo.
Anna esperou durante um minuto, depois sacudiu a cabea.
Ai, Grace,  uma idiota. Quando esta franziu o cenho, Anna se inclinou sobre a mesa. Est claro que Ethan te deseja e isso lhe d medo. Voc tem o poder. por 
que no o usa?
O poder? O que poder?
O poder de conseguir o que desejas, se o que desejas for ao Ethan Quinn. S tem que conseguir estar a ss com ele e lhe seduzir.
Grace emitiu um sorriso zombador.
lhe seduzir? Eu, seduzir ao Ethan? Eu no poderia fazer isso.
por que no poderia faz-lo?
Porque eu... Tinha que existir uma razo simples e lgica. No sei. No acredito que me desse bem.
Arrumado a que te daria de maravilha. E eu te vou ajudar.
Ah, sim?
Claro. Anna se incorporou para lhe dar uma volta ao molho e para refletir. Quando  sua prxima noite livre?
Amanh.
Estupendo, isso nos deixa o tempo suficiente. Ficaria com o Aubrey para que dormisse aqui, mas isso poderia faz-lo muito bvio e  melhor que sejamos sutis. Tem 
a algum a quem pode confiar-lhe Tienes que ponerte algo sencillo pero femenino. Pensando, se golpe los dientes con la yema de un dedo. Lo mejor sera un tono 
pastel, un color frgil, verde suave o rosa.
Minha me est desejando que a deixe, a dormir, mas no poderia...
Perfeito. Com a menina na casa poderia te sentir um pouco coibida. J pensarei como conseguir que Ethan v para l.
voltou-se e estudou ao Grace. Uma beleza clssica, sossegada. Olhos grandes, tristes. Ethan estava perdido.
Tem que te pr algo singelo mas feminino. Pensando, golpeou-se os dentes com a gema de um dedo. O melhor seria um tom bolo, uma cor frgil, verde suave ou rosa.
Como a cabea comeava a lhe dar voltas, Grace ficou uma mo nela.
Vai muito rpido.
Bom, algum tem que faz-lo. A este passo, Ethan e voc seguiro lhes rondando quando tiverem sessenta anos. No ponha jias acrescentou. E o mnimo de maquiagem. 
Ponha seu perfume de sempre. Ethan est acostumado a ele, transmitir-lhe algo.
Anna, no importa o que eu me ponha se ele no quer estar ali.
 obvio que importa. Como mulher que mantinha uma larga histria de amor com a roupa, essa idia a escandalizou. Os homens acreditam que no notam o que leva 
uma mulher, a menos que no leve nada. Mas o fazem inconscientemente. E consegue desencadear um certo estado de nimo ou uma certa imagem.
Franzindo os lbios, acrescentou-lhe manjerico fresca ao molho e tirou uma frigideira para saltear cebola e alho.
Tratarei de lhe mandar a sua casa em torno do pr-do-sol. Deveria acender algumas vela, pr um pouco de msica. Aos Quinn gosta da msica.
O que lhe vou dizer?
A sim que j no te posso ajudar, Grace disse Anna secamente. E me aposto a que saber quando chegar o momento.
Grace no estava muito convencida.  medida que novos aromas perfumavam o ar, mordeu-se o lbio.
Parece-me que lhe estou enganando.
E o que me quer dizer com isso?
Grace riu. E se deu por vencida.        
Tenho um vestido rosa. Comprei-me isso para as bodas do Steve faz um par de anos.
Que tal fica?
Bom... Os lbios do Grace se curvaram lentamente. A testemunha de bodas do Steve me atirou os discos antes de que cortassem o bolo.
Esse ser perfeito.
Sigo sem... Grace se interrompeu quando seu ouvido de me captou a msica de campainhas que chegava do salo. Est terminando o programa do Aubrey. Tenho que 
acabar por aqui.
levantou-se rapidamente, assustada ante a idia de que Ethan voltasse para casa antes de que ela se fora. Seguro que tudo o que sentia lhe podia ver na cara.
Anna, agradeo-te tudo o que est tratando de fazer, mas no acredito que funcione. Ethan sabe o que pensa.
Ento no lhe far mal ir a sua casa e verte com um vestido rosa, no?
Grace deixou escapar um pouco de ar.
Chega a ganhar CAM alguma discusso contigo?
Muito de vez em quando, mas nunca quando me encontro em plena forma.
Grace se aproximou da porta, consciente de que ao Aubrey ficava muito pouco tempo de estar sentada formalita.
Me alegro de que hoje haja tornado logo do trabalho.
10
O dia seguinte,  medida que se aproximava o crepsculo, Grace no estava segura de alegrar-se absolutamente. Seus nervos estavam to tensos que podia senti-los 
estirar-se e borbulhar sob a pele. Seu estmago se agitava continuamente e a cabea lhe comeava a palpitar com um ritmo agudo e insistente.
Seria estupendo, pensou enojada, que Anna conseguisse que Ethan viesse e ela se jogasse em seus ps doente e lhe balbuciem.
Isso resultaria sedutor.
Nunca deveria ter acessado a essa tolice, disse-se de novo caminhando acima e abaixo por sua pequena casa. Anna o tinha pensado tudo to rapidamente, tinha conseguido 
convenc-la em to pouco tempo e o tinha posto tudo em marcha de uma forma to hbil, que ela se deixou arrastar sem calcular os possveis escolhos.
Por Deus bendito, o que lhe podia dizer se aparecia? Embora provavelmente no apareceria, pensou, apanhada entre o alvio e a desesperana. Provavelmente ele nem 
sequer iria e ela teria deixado que sua filha passasse a noite fora para nada.
Tudo estava muito silencioso. Como nica companhia se ouvia o som da brisa do anoitecer entre as rvores. Se Aubrey tivesse estado ali, onde lhe correspondia, agora 
mesmo lhe estaria lendo seu conto de ir-se dormir. Estaria toda lavadita, com seus talco, e feita um novelo em seus braos na cadeira de balano. Cmoda e adormecida.
Quando escutou seu prprio suspiro, Grace apertou os lbios forte e se dirigiu ao pequena equipe estreo que tinha na estantera amarela de pinheiro do salo. Escolheu 
uns CDs de sua coleo, um capricho pelo que se negava a sentir-se culpado, e deixou que a casa se enchesse com as notas romnticas e comovedoras do Mozart.
Caminhou at a janela para contemplar o sol, que descendia pelo cu. A luz se ia suavizando, diluindo-se tom a tom. Na ameixeira ornamental que decorava o ptio 
dianteiro dos Cutter, um chotacabras solitrio comeou a lhe cantar ao ocaso. Oxal pudesse rir de si mesmo, a parva do Grace Monroe com seu vestido rosa, de p 
junto a uma janela esperando uma estrela a que lhe pedir um desejo.
Mas baixou a frente at o cristal, fechou os olhos e se recordou a si mesmo que no tinha idade para pedir desejos.
Anna pensou que lhe teria dado muito bem o jogo da espionagem. Tinha mantido seus planos em segredo, apesar de que desejava desesperadamente soltar-lhe tudo ao CAM.
Mas teve que recordar-se que ele era um homem, depois de tudo. E alm disso, irmo do Ethan, o que era outro ponto em seu contrrio. Isso era coisa de mulheres. 
Pensou tambm que tinha sido muito sutil ao vigiar ao Ethan. No lhe ia escapar justo depois de jantar, como era seu costume. Nem lhe passaria pela cabea o que 
sua cunhada lhe estava mantendo estritamente controlado.
A idia do sorvete tinha sido uma inspirao repentina. Tinha comprado uma tarrina grande pelo caminho de volta a casa e agora seus trs homens, como gostava de 
cham-los, estavam sentados no alpendre traseiro com suas terrinas do Rocky Road.
Oportunidade e execuo, disse-se, e se esfregou as mos antes de sair ao alpendre.
vai fazer calor esta noite. Parece mentira que j quase estejamos em julho.
dirigiu-se at o corrimo do alpendre para apoiar-se nela e jogar uma olhada a seus arriates de flor. Vai estupendamente, pensou com virtuosa satisfao.
Me ocorreu que poderamos fazer um andaime no ptio traseiro nos dia quatro.
No porto h foguetes interveio Ethan. Cada ano, meia hora depois do pr-do-sol. podem-se ver daqui, do alpendre.
Seriamente? Isso seria perfeito. No seria divertido, Seth? Poderia convidar a seus amigos e prepararamos hambrgueres e perritos quentes.
Isso moa. Seth j estava rebaando sua terrina e pensando como pedir mais.
Temos que procurar as ferraduras decidiu CAM. As temos ainda, Ethan?
Sim, por a andam.
E msica. Anna se girou o suficiente para roar o joelho de seu marido. Poderiam tocar os trs juntos. No tocam o suficientemente freqentemente para meu gosto. 
Terei que fazer uma lista. Tero que me dizer a quem deveramos convidar. E a comida. Ai, a comida. Fingiu muito bem uma aturdida irritao enquanto se afastava 
do corrimo. Como pude me esquecer? Prometi ao Grace lhe trocar minha receita de tortellini pela seu de frango frito.
Correu dentro a agarrar o caderno de argolas onde tinha escrito claramente a receita, algo que no tinha feito nunca, e logo voltou correndo com sorrisos de desculpa.
Ethan, poderia levar-lhe Pero si no son ni las nueve. Que no le d tiempo a pensar. Que no le d tiempo a encontrar los fallos. Le meti en la casa usando sonrisas 
y aleteos de pestaas para hacer que avanzara. Te lo agradezco de veras. ltimamente estoy muy despistada. La mayor parte del tiempo ando de cabeza. Dile cunto 
siento no habrsela llevado antes y que no deje de contarme qu tal le queda cuando la pruebe. Muchsimas gracias, Ethan aadi alzndose para hacerle una leve 
caricia cariosa en la mejilla. Me encanta tener hermanos.
Ele ficou olhando o pequeno carto branco. Se no tivesse estado sentado, teria se metido as mos nos bolsos.
O que?
Prometi-lhe levar-lhe hoje e me tinha passado por completo. A levaria eu, mas ainda tenho que terminar um relatrio. Estou desejando provar esse frango frito que 
faz ela continuou rapidamente, lhe pondo a receita na mo e logo quase atirando dele para que ficasse de p.
 um pouco tarde.
Mas se no serem nem as nove. Que no lhe d tempo a pensar. Que no lhe d tempo a encontrar as falhas. Meteu-lhe na casa usando sorrisos e aleteos de pestanas 
para fazer que avanasse. Lhe agradeo isso seriamente. Ultimamente estou muito despistada. A maior parte do tempo ando de cabea. lhe diga quanto sinto no haver 
a levado antes e que no deixe de me contar que tal fica quando a provar. Muitssimas obrigado, Ethan acrescentou elevando-se para lhe fazer uma leve carcia carinhosa 
na bochecha. eu adoro ter irmos.
Bom... sentia-se confuso, quase desolado, mas a forma em que ela o disse, a forma em que sorria ao faz-lo, deixou-lhe indefeso. Agora volto.
No acredito, pensou Anna com uma risita sabiamente controlada, enquanto lhe despedia alegremente. No momento em que a caminhonete desapareceu de sua vista, limpou-se 
as mos as esfregando uma contra a outra. Misso cumprida.
Que coo foi isso? exigiu CAM, fazendo que ela desse um salto de surpresa.
No sei a que te refere. Teria passado de comprimento e se teria metido em casa, mas ele deu um passo e lhe bloqueou o caminho.
Venha j, sim que sabe. Intrigado, inclinou a cabea a um lado. Anna tratava de parecer inocente, mas no lhe saa de tudo. Muito regozijo em seus olhos. Assim 
intercambiando receitas, n, Anna?
O que acontece? Ela elevou um ombro. Sou muito boa cozinheira.
No lhe discuto isso, mas no  das que tm que intercambiar receitas com toda urgncia, e se tivesse estado to empenhada em passar uma ao Grace, teria atirado 
do telefone, que  algo que no deixaste que Ethan notasse, pois estava muito ocupada pestanejando e falando em sedutores sussurros como uma imbecil sem crebro.
Uma imbecil?
Que no  continuou, enquanto a fazia retroceder lentamente at encurral-la contra o corrimo do alpendre. Absolutamente. Ardilosa, inteligente, sagaz. Colocou-lhe 
as mos a ambos os lados dos quadris para sujeit-la. Isso  o que .
Era um grande completo, supunha.
Muito obrigado, Cameron. Agora a verdade  que tenho que me pr com o relatrio.
J. por que enganaste ao Ethan para que fora a casa do Grace?
Anna se apartou o cabelo e lhe dirigiu um olhar inexpressivo diretamente aos olhos.
Eu diria que um tio ardiloso, inteligente e sagaz como voc teria que ser capaz de deduzi-lo por si mesmo.
CAM franziu as sobrancelhas.
Voc est tratando de iniciar algo entre eles.
J h algo entre eles, mas seu irmo  mais lento que uma tartaruga agarre.
 mais lento que uma tartaruga colha com culos bifocais, mas assim  Ethan. No crie que deveriam montar-lhe a sua maneira?
O que precisam  passar cinco minutos a ss, e isso  o que eu tenho feito, conseguir que passassem uns minutos a ss. Alm disso deslizou os braos em torno do 
pescoo do CAM, ns, as mulheres imensamente felizes, queremos que todo mundo seja tambm imensamente feliz.
CAM arqueou uma sobrancelha.
Crie-te que com isso me vais convencer? Anna sorriu, logo se inclinou para lhe mordiscar o lbio inferior.
Sim.
Tem razo murmurou, e deixou que lhe convencesse.
Ethan levava mais de cinco minutos sentado em sua caminhonete. Receitas? Era a coisa mais parva que tinha ouvido em sua vida. Sempre tinha pensado que Anna era uma 
mulher sensata, mas ali estava, lhe mandando a levar uma receita, Por Deus bendito.
E ele ainda no estava preparado para ver o Grace. No  que no tivesse chegado a uma deciso a respeito, mas... inclusive um homem racional tem suas debilidades.
Contudo, no via como ia sair dessa, estando j ali. daria-se pressa. Provavelmente ela estaria deitando  menina, assim que lhe daria a receita e partiria.
Como um condenado a morte, saiu do veculo e se dirigiu  porta. Atravs da mosquiteira, podia ver a luz lhe pisquem das velas. Moveu os ps e notou que soava certa 
msica, algo com chorosas cordas e um ressonante piano.
Nunca se havia sentido mais ridculo que a plantado, no alpendre do Grace com uma receita de massa na mo, enquanto a msica se deslizava pela clida noite estival.
Chamou golpeando o marco de madeira, no muito forte, para no despertar ao Aubrey. pensou-se seriamente o de colocar o carto por debaixo da porta e sair correndo 
dali, mas sabia que isso seria uma covardia, Lisa e sinceramente.
E Anna quereria saber por que no lhe levava a receita de frango frito do Grace.
Quando a viu, desejou Por Deus todo-poderoso ter optado pela sada covarde.
Grace saiu da cozinha, situada na parte traseira da casa. Era um stio diminuto que ao Ethan sempre recordava a uma casita de bonecas, assim no tinha que caminhar 
muito. lhe pareceu que demorava horas em aproximar-se atravs dessa msica, dessa luz.
Levava algo rosa plido que chegava aos tornozelos, com uma linha de midos botes do oco do pescoo at a prega que danava ao redor de seus ps. Quase nunca a 
tinha visto com um vestido, mas nesse momento se sentiu to deslumbrado pela viso que no se questionou por que o levava.
Tudo o que podia pensar  que parecia uma rosa, larga, esbelta e a ponto de abrir-se. E a lngua lhe enredou na boca.
Ethan. Ao Grace tremia a mo ligeiramente quando a elevou para abrir a porta. Possivelmente no tivesse feito falta uma estrela a que lhe pedir um desejo, depois 
de tudo. Porque aqui estava, de p, perto, e a olhava.
Eu vinha... O perfume do Grace, que lhe resultava to familiar como o seu prprio, pareceu enredar-se em torno de sua cabea. Anna te manda... Pediu-me que te 
traga isto.
Confusa, Grace tomou o carto que lhe tendia. Ao ver a receita, teve que mord-la parte interna da bochecha para no rir. Seus nervos retrocederam o suficiente como 
para que os olhos sonrieran quando os elevou para ele.
Que amvel de sua parte!
Tem a sua?
A sua?
A que ela quer. A do frango.
Ah, sim. Tenho-a na cozinha. Entra enquanto a busco. 
O que do frango?, perguntou-se, quase enjoada pela risada contida que, de escapar soaria mas bem histrica. O guisado, no?
No. Ela possua uma cintura to estreita, pensou ele, uns ps to finos. Frito.
Ah, sim, j sei.  que ando to despistada ultimamente. ..
Deve ser uma epidemia murmurou ele. Decidiu que era mais seguro olhar a qualquer outra coisa que no fora ela. Notou um par de grosas velas brancas que ardiam 
na encimera. Lhe fundiram os chumbos?
Como?
O que acontece com a eletricidade?
Nada. Notou que ficava tinta. No tinha a receita de frango frito escrita em nenhuma parte. por que teria que faz-lo? Quando terei que prepar-lo, simplesmente 
se fazia o mesmo que se feito a vez anterior. s vezes eu gosto de acender as velas. Vo bem com a msica.
Ethan se limitou a grunhir, desejando que se desse pressa para poder sair apitando dali.
J deitaste ao Aubrey?
ficou dormindo em casa de minha me.
Seus olhos, que tinham estado estudando o teto com toda meticulosidade, descenderam como um raio at encontrar-se com os do Grace.
Que no est aqui?
No.  a primeira vez que dorme fora de casa. J chamei duas vezes. Sorriu levemente e seus dedos comearam a brincar com o boto superior de um modo que ao Ethan 
lhe fez a boca gua. J sei que s est a umas poucas milhas e to segura como em seu prprio bero, mas no pude evit-lo. A casa me parece to distinta sem ela 
aqui...
Perigosa teria sido a palavra que ele teria usado. A casita de bonecas era de repente to letal como um campo minado. No havia nenhuma menina inocente dormindo 
no quarto do lado. Estavam sozinhos, com msica e velas que piscavam.
E Grace levava um vestido rosa plido que estava pedindo que lhe desabotoasse todos esses pequenos botes brancos, um aps o outro atrs de outro...
As gemas de seus dedos comearam a experimentar um desejo veemente.
Me alegro de que tenha acontecido por aqui. Aferrando-se a sua valentia, Grace avanou um passo e tratou de recordar que o poder era seu. Me sentia um pouco triste.
Ethan retrocedeu um passo. Agora o desejo veemente se estendeu alm das gemas dos dedos.
Hei dito que voltaria em seguida.
Poderia ficar para... tomar um caf ou o que seja.
Caf? Se seu organismo se excitava mais do que j estava nesse momento, lhe sairiam as vsceras pela pele para danar uma dana selvagem.
No acredito que...
Ethan, no posso me manter afastada de ti do modo que voc me pediu. St. Chris  muito pequeno e nossas vidas esto muito entrelaadas. Sentia em sua garganta 
o pulso, que palpitava contra a pele em golpes duros e insistentes. E alm no quero faz-lo. No quero me manter separada de ti, Ethan.
J te disse que tinha minhas razes. E se lembraria de quais eram assim que ela deixasse de lhe olhar com esses enormes olhos verdes. S o fao por seu bem, Grace.
No necessito que o faa por meu bem, Ethan. Somos adultos, tanto voc como eu. Estamos sozinhos, tanto voc como eu. aproximou-se. Chegou-lhe o aroma do sabo 
com o que se tomou banho depois do trabalho, mas por debaixo, como sempre, apreciava-se o aroma da baa. Esta noite no quero estar sozinha.
Ethan retrocedeu. Se no a conhecesse, diria que lhe estava acossando.
Estou decidido, Grace. Mas maldita seja, no era o que estava dentro de sua cabea o que trabalhava de mais, era o que estava dentro de suas calas. Simplesmente 
manten afastada.
Tenho a sensao de que no tenho feito outra costure durante toda minha vida. Quero avanar, Ethan, seja o que seja o que isso signifique. Estou cansada de me 
manter afastada, ou de ficar aquieta. Se voc no me desejar, terei que assumi-lo. Mas se me deseja... moveu-se ainda mais perto e elevou uma mo que lhe colocou 
sobre o corao. Ento descobriu que pulsava desenfreado. Se me deseja, Ethan, por que no toma?
O retrocedeu at chocar-se com a encimera.
Detenha. No sabe o que est fazendo.
Claro que sei o que estou fazendo estalou ela, furiosa com ele e consigo mesma. S que no o devo estar fazendo muito bem, j que parece que voc preferiria escalar 
a parede de minha cozinha antes que me pr um s dedo em cima. O que crie que me vai passar, que me vou romper em mil pedaos? Sou uma mulher adulta, Ethan. estive 
casada. tive uma filha. Sei o que te estou pedindo e sei o que quero.
Sei que  uma mulher adulta, Grace. Tenho olhos.
Ento usa-os e me olhe.
Como podia fazer outra coisa? Como tinha podido acreditar que seria capaz de faz-lo? Ali, de p entre a luz e a sombra, estava tudo o que desejava.
Estou-te olhando, Grace. Com as costas contra a parede, pensou. Com o corao na garganta.
Aqui tem a uma mulher que te deseja, Ethan. Uma mulher que te necessita. Grace viu que seus olhos trocavam para ouvir isto, que seu olhar se voltava mais aguda, 
mais escura, mais concentrada. Respirando entrecortadamente, retrocedeu. Talvez eu sou o que voc deseja. O que voc necessita.
Ethan se temia que ela era todo isso, e que repetir-se que podia prescindir dela tinha sido um exerccio intil. Tinha um aspecto to adorvel, toda dourada e rosa 
 luz das velas, com os olhos to claros e sinceros.
Sei que o  disse por fim. Mas se supunha que isso no tinha por que trocar nada.
Tem que pensar todo o tempo?
Me est fazendo cada vez mais duro murmurou. Neste preciso momento.
Ento, deixa-o. Deixemos de pensar. Embora o sangue seguia palpitando em seu crebro, manteve o olhar enlaado com a do Ethan. E elevou as mos, umas mos trementes, 
at o boto superior do vestido.
Ethan a viu desaboto-lo, e se enjoou ante o modo em que esse nico gesto, um gesto to singelo, esses poucos centmetros de pele que descobria, faziam-lhe sentir-se 
carregado de eletricidade. Os pulmes lhe bloquearam, o sangue lhe ardeu, e suas necessidades, todas suas necessidades enterradas durante tanto tempo, rogaram ser 
liberadas.
Detenha, Grace. Disse-o com suavidade. No faa isso.
As mos da jovem caram a ambos os lados, derrotadas, e fechou os olhos.
me deixe que o eu faa.
Seus olhos se abriram com uma piscada, logo contemplaram assombrados o srio olhar dele enquanto se aproximava dela. Grace tomou flego entrecortadamente e o conteve.
Sempre quis faz-lo sussurrou, e deixou livre o seguinte boto.
OH! O flego que tinha contido saiu de forma entre abrupta e lhe solucem. Ethan.
 to bonita... Ela j estava tremendo. O baixou a cabea para roar seus lbios em um beijo suave e reconfortante.  to suave, e minhas mos so to speras... 
Olhando-a, acariciou-lhe a bochecha e o pescoo com os ndulos. Mas no vou fazer te danifico.
Sei. Sei que no vais fazer me danifico.
Est tremendo. Abriu outro boto, logo outro.
No posso remedi-lo.
No me importa. Com pacincia, foi desabotoando os botes at a cintura. Acredito que em meu interior sabia que, se entrava aqui esta noite, no seria capaz de 
me afastar de novo.
Eu desejava que entrasse. Levo muito tempo desejando-o.
Eu tambm. Os botes eram to pequenos, e seus dedos to grandes... A pele dela, onde se abria o vestido, onde roava o bordo de seu polegar, era to suave e estava 
to clida. me Diga se fizer algo que voc no goste. Ou se no fao algo que voc gostaria.
O som que ela emitiu era em parte gemido, em parte risada.
dentro de um minuto no vou ser capaz de falar. Tenho que recuperar o flego. Mas eu gostaria que me beijasse.
ia fazer o.
Mordiscou-a suave, seductoramente, porque no se tomou seu tempo a primeira vez que a beijou. Agora se entreteria, saborearia, encontraria um ritmo apropriado para 
os dois. Quando o suspiro dela encheu sua boca, estava carregado de doura. Abriu mais botes e deixou que o beijo se alargasse e se fizesse mais profundo.
No a tocou em nenhum stio mais, ainda no. S boca contra boca com sabores mesclados. Quando ela se balanou, elevou a cabea e a olhou aos olhos. Empanados j, 
carregados e alerta.
Quero te contemplar.
Lentamente, centmetro a centmetro, deixou que o vestido lhe deslizasse dos ombros. Eram morenos, fortes, com uma forma grcil. Sempre tinha acreditado que ela 
tinha os ombros mais belos e agora se concedeu o prazer de sabore-los.
O som que saiu de sua garganta lhe disse que se sentia surpreendida e agradada por esse detalhe. O tinha muito mais que lhe dar.
Ningum a havia meio doido desse modo, como se fora algo especial e muito prezado. O que esse contato despertou nela era algo to novo e to quente... Sua pele se 
voltou mais suave e se fez mais sensvel sob a carcia de seus lbios, ao tempo que o sangue por debaixo comeava a espessar-se e a fluir mais devagar. Quando o 
vestido caiu deslizando-se em torno de seus ps, limitou-se a suspirar.
Quando ele retrocedeu, ela ficou olhando encantada. Suas pestanas bateram as asas, o pulso saltou quando lhe acariciou levemente o peito por cima do singelo prendedor 
de algodo. Teve que morder o lbio para conter um gemido quando lhe abriu o objeto e lhe sustentou o peito entre as mos.
Quer que pare?
meu deus! Sua cabea caiu para trs, e essa vez lhe escapou o gemido. Os polegares de trabalhador lhe roaram os mamilos lentamente, uma e outra vez. No!
me abrace, Grace. Falou brandamente, e quando as mos dela se elevaram at seus ombros e lhe aferraram, baixou de novo sua boca at a dela, procurando mais esta 
vez, pedindo mais, at que ela ficou sem foras.
Ento a elevou entre seus braos e esperou at que ela abrisse os olhos de novo.
vou tomar te, Grace.
Graas a Deus, Ethan.
O riu quando ela escondeu o rosto na curva de seu ombro.
Eu te protegerei.
Por um momento, enquanto ele a levava em braos, ela pensou em drages e cavalheiros. Depois se abriu passado o significado mais prtico.
Eu... tomo a plula. No passa nada. No estive com ningum desde o Jack.
Em seu corao j sabia, mas escut-lo s serve para acrescentar sua necessidade, que ia firmemente em aumento.
Grace tinha tambm vela acesas no dormitrio. Esbeltas velas que surgiam de pequenas conchas brancas. O branco do cabecero metlico reluzia na suave luz. Margaridas 
brancas saam de um vaso de cristal transparente situado na mesinha.
Ela pensou que a depositaria na cama, mas ele se sentou embalando-a, abraando-a, embriagando-a com esses beijos lentos, interminveis, at que seu pulso pulsou 
pesadamente, fazendo-se mais denso. Ento as mos comearam a mover-se.
Em cada ponto que ele tocava, um pequeno fogo se convertia em ardente chama. Suas mos calejadas se deslizavam, escorregavam-lhe pela pele. Largos dedos de gemas 
speras a acariciavam, apertavam-na. A, sim, justo a.
A barba de um dia lhe roava a sensvel curva dos peitos enquanto sua lngua brincava descrevendo crculos. E sempre, sempre, sua boca retornava a dela para outro 
beijo interminvel que lhe esvaziava a mente.
Ela atirou da camisa dele, esperando devolver parte do prazer, parte da magia. Encontrou as cicatrizes, o msculo e o homem. O torso era esbelto, os ombros largos, 
a pele clida sob seus dedos inquisitivos. A brisa suspirava pela janela aberta, a chamada do chotacabras tentava alcan-la, mas o som j no parecia to solitrio.
Ethan a jogou brandamente, acomodou sua cabea no travesseiro, depois se inclinou para tir-las botas. A luz dourada plida das velas se balanava contra as sombras 
cor fumaa. As persianas brilhavam por cima dela. Ele a olhou enquanto a mo dela se elevava para cobrir o peito e fez uma pausa para tom-la e lhe beijar os ndulos.
No o faa sussurrou. te Contemplar  uma delcia.
Grace no tinha pensado que lhe daria vergonha, sabia que era ridculo, mas teve que lhe ordenar a sua mo que se posasse sobre a cama. Quando Ethan se tirou os 
jeans, ela teve que lutar de novo com a respirao. Nenhum cavalheiro de conto de fadas possuiu nunca uma constituio to magnfica ou suportou suas cicatrizes 
de forma mais herica.
Desesperada-se para amor, elevou os braos para lhe receber. Ethan se deslizou entre eles, com cuidado de no apoiar-se sobre ela com todo o peso. Era frgil, recordou-se, 
to esbelta e muito mais inocente do que acreditava.
Quando a lua se elevou aparecendo com sua luz oblqua pela janela, comeou a lhe mostrar o que sentia.
Suspiros e murmrios, largas carcias lentas, silenciosos traguitos e bocados. As mos do Ethan excitavam, assolavam, mas nunca apressadamente. as dela exploravam, 
admiravam, e se esqueceram de duvidar. Ele encontrou seus pontos mais sensveis, a parte inferior do peito, o joelho por detrs, o suave e sedutor vale pouco profundo 
que havia entre as coxas e seu centro.
To concentrado estava nela que sua prpria e crescente necessidade tomou por surpresa com um brilho intenso e duro, que arrastou um gemido quando tomou o peito 
em sua boca. Grace se arqueou, estremecendo-se ante essa exigncia mais prxima ao extremo.
E o ritmo trocou.
Respirando de forma cada vez mais irregular, ele elevou a cabea com os olhos fixos no rosto dela. Sua mo se deslizou entre as coxas e apertou ali, contra o calor. 
Encontrou-a j mida.
Quero verte alcanar a cpula.
Jogou com os dedos sobre sua pele, dentro dela,  medida que a respirao lhe acelerava. Prazer, pnico, excitao, todas estas emoes lhe passaram pelo rosto. 
Olhou-a ascender, cada vez mais perto, mais perto, at que sua respirao se quebrou e logo se liberou em um grito estrangulado quando alcanou o topo.
Grace tratou de sacudir a cabea para esclarecer mente, mas seguia deliciosamente enjoada. O quarto, to familiar, dava voltas em uma nuvem, de forma que s o rosto 
dele aparecia clara, realmente. sentiu-se embriagada, aturdida e excitada alm do expresable.
Isso, por fim, era o amor como ela o tinha sonhado.
Sua pele tremeu enquanto ele se deslizava lentamente por seu corpo, deixando com sua boca um rastro de calor e umidade.
Por favor. No bastava. Inclusive isto no bastava. Grace desejava o emparelhamento, a unio, a intimidade ltima. Ethan. abriu-se a ele e se arqueou. Agora.
As mos de lhe acariciaram o rosto, os lbios cobriram os seus.
Agora sussurrou junto a sua boca, e a encheu.
Os largos suspiros, como gemidos, fundiram-se. Esse primeiro estremecimento interminvel de prazer, enquanto ele se enterrava nela, sacudiu-os aos dois. Quando comearam 
a mover-se, fizeram-no ao unssono, suave, sedosamente, como se s tivessem estado esperando.
O desejo flua com um caudal firme. Cavalgaram gozando do ritmo, gozando do prazer ressonante e profundo de cada investida lenta e profunda. Grace gravitava perto 
do bordo, sentia aproximar o orgasmo, sentia-o deslizar-se por seu organismo como uma cinta de veludo, assim ascendeu, cada vez mais alto, sumiu-se no resplendor 
e logo descendeu flutuando em uma maravilha ingrvida.
Ethan apertou seu rosto contra o cabelo do Grace e se permitiu segui-la.
Ele estava to silencioso que ela se preocupou. Tinha-a abraada, talvez sabia que ela necessitava esse contato. Mas seguia sem falar e,  medida que o silncio 
se alargava, aumentava o temor do Grace pelo que ele poderia dizer quando por fim falasse.
Assim falou ela primeiro.
No me diga que o sente. No acredito que pudesse suportar que me dissesse que o sente.
No ia fazer o. Prometi-me mesmo que nunca te tocaria deste modo, mas no lamento hav-lo feito.
Ela apoiou sua cabea no ombro do Ethan, justo sob o queixo.
Voltar a me tocar desse modo? 
Neste mesmo instante?
Como captou o humor preguioso em sua voz, ela se relaxou e sorriu.
J sei que no posso te colocar pressa para nada. Elevou a cabea porque era essencial para ela conhecer a resposta. Me tocar, Ethan? Estar comigo outra vez?
Lhe aconteceu um dedo pelo cabelo.
depois de esta noite no vejo que haja forma de nos convencer a nenhum de no faz-lo. 
Se voc o tentasse, teria que tratar de te seduzir de novo.
Ah, sim? Pelo rosto do Ethan se estendeu um sorriso. Ento possivelmente deveria comear a falar.
Encantada, ela rodou sobre ele e lhe abraou forte.
Alm disso, a segunda vez me daria melhor, porque no me sentiria to nervosa.
No parece que os nervos lhe tenham afetado absolutamente. Por pouco me trago a lngua quando te aproximou da porta vestida de rosa. Comeou a lhe acariciar o 
cabelo, deteve-se e entreabriu os olhos. E como  que te puseste um vestido assim para estar em casa?
No sei... Simplesmente me ocorreu a idia. Grace voltou a cabea, e foi depositando beijos no pescoo dele.
Espera um momento. Consciente de quo rpido ela podia lhe distrair, tomou pelos ombros e a elevou. Um vestido bonito, a luz das velas..., era quase como se me 
estivesse esperando.
Eu sempre te estou esperando disse ela e tratou de lhe beijar de novo.
E me mandou a trazer uma receita, joder. Em um movimento suave e fluido, fez-a sentar junto a ele e logo se incorporou. Anna e voc estavam compinchadas, no? 
fui vtima de uma conspirao.
Que coisas mais ridculas lhe ocorrem! Tratou de parecer indignada, mas s conseguiu parecer culpado. No sei de onde tira essas idias.
Nunca soubeste mentir. Com firmeza, tomou pelo queixo e se manteve assim at que os olhos dela se voltaram para os seus. Me h flanco me dar conta, mas lhes impregnei, 
no?
Ela s estava tratando de ajudar. Sabia que eu estava doda por como foram as coisas entre ns. Tem direito a estar furioso, mas no tome com ela. S estava...
Hei dito eu que estivesse furioso? interrompeu-a ele.
No, mas... deteve-se, logo tomou ar cautelosamente e disse: No o est?
Estou agradecido. Seu sorriso era lento e travesso. Mas talvez deveria tratar de me seduzir outra vez. No caso de.
11
Na escurido, enquanto o mocho seguia ululando, Ethan se moveu, desprendendo do brao que Grace lhe tinha passado em torno do peito. Ela reagiu aproximando-se mais 
a ele. Esse gesto lhe fez sorrir.
J te levanta? perguntou-lhe com a voz amortecida por seu ombro.
Tenho que faz-lo. J so mais das cinco. Podia cheirar a chuva no ar, ouvia-a chegar com o vento. Vou me dar uma ducha. Volta a dormir.
Grace fez um rudo que ele tomou por assentimento e se refugiou no travesseiro.
Ethan se moveu na penumbra com passo ligeiro, embora teve que deter um par de vezes de caminho ao banho. No conhecia a casa do Grace to bem como a sua. Esperou 
at estar dentro para dar a luz, de modo que o resplendor no sasse ao corredor e a incomodasse.
A escala do quarto de banho estava em proporo com o resto da casa. Era to pequeno que ele teria podido colocar-se no centro e tocar as paredes com a mo. Os azulejos 
eram brancos, a parede sobre eles estava empapelada em finas raias multicoloridos. Sabia que Grace tinha colocado o papel ela mesma. Alugava- a casa ao Stuart Claremont, 
um homem que no era conhecido por sua generosidade ou seu gosto na decorao.
sorriu-se ao ver o pato de plstico com pico laranja que aninhava a um lado da banheira. Ao cheirar o sabo, deu-se conta de por que Grace sempre cheirava vagamente 
a limes. Embora gostava desse aroma nela, esperava sinceramente que Jim no pudesse notar-lhe a ele.
Agachou a cabea sob o fino jorro de gua. Grace necessitava uma alcachofra nova, decidiu, e ao pass-la mo pela cara, deu-se conta de que tinha que barbear-se. 
Ambas as coisas teriam que esperar.
Mas agora que as coisas tinham trocado entre eles, provavelmente lhe permitisse ocupar-se de alguns acertos na casa. Sempre tinha sido muito teimosa quanto a aceitar 
ajuda. Parecia-lhe que uma mulher orgulhosa como ela se mostraria menos teimosa ao receber ajuda de um amante que de um amigo.
Isso  o que eram agora, refletiu. No importava quantas promessas se feito a si mesmo. No ia terminar com uma noite. Nem ele nem ela estavam feitos assim, e tinha 
tanto que ver com o corao como com as glndulas. Tinham dado o passo e esse passo implicava um compromisso.
Isso era o que mais lhe preocupava.
Nunca poderia casar-se com ela, ter filhos com ela. Ela quereria ter mais filhos. Era muito boa me, possua muito amor que dar como para no quer-los. Aubrey se 
merecia ter irmos ou irms.
No tinha sentido lhe dar voltas, recordou-se. As coisas eram como eram. E agora mesmo ele tinha direito, e sentia a necessidade, de viver o momento. amariam-se 
o um ao outro quanto e enquanto pudessem. Isso teria que bastar.
Em menos de cinco minutos descobriu que o aquecedor de gua do Grace era to pequeno como o resto da casa. At o chorrito miservel se foi pondo morno e logo frio 
antes de que conseguisse esclarecer-se toda a espuma.
Miservel bode! murmurou, pensando no caseiro. Fechou o grifo e se envolveu em uma das toalhas rosa. Queria retornar a vestir-se s escuras, mas ao abrir a porta 
viu a luz que procedia da cozinha e escutou a voz do Grace, ainda enrouquecida pelo sonho, cantando algo sobre encontrar o amor bem a tempo.
Enquanto as primeiras gotas de chuva tamborilavam nos cristais das janelas, dirigiu-se para o aroma de beicon que se fritava e o caf a ponto de ferver. E se encontrou 
ao Grace, vestida com uma bata curta de algodo da cor das folhas na primavera. Seu corao pegou tal bote de gozo que lhe surpreendeu que no lhe sasse pela garganta 
e aterrissasse tremente nas mos dela.
moveu-se rpida e silenciosamente, assim quando a envolveu em seus braos desde atrs e apertou os lbios sobre sua cabea, ela se sobressaltou.
Ch hei dito que voltasse a dormir.
Ela se inclinou contra ele, fechando os olhos e absorvendo o encantado goze de um abrao na cozinha.
Queria te preparar o caf da manh.
No tem por que fazer essas coisas. Deu-lhe a volta e acrescentou: No espero esse tipo de coisas. Voc precisa descansar.
Queria faz-lo. O cabelo dele gotejava, seu peito brilhava com a umidade. A fervura cintilante de desejo a agradou e conmocion. Hoje  especial.
Agradeo-lhe isso. inclinou-se com a inteno de lhe dar um suave beijo matinal. Mas se fez mais profundo e se alargou at que ela se estreitou contra ele nas 
pontas dos ps.
Ethan se conteve, bloqueou a acelerada necessidade de atirar da bata e possui-la.
Te est queimando o beicon sussurrou, e esta vez apertou seus lbios sobre a frente do Grace. Mais vale que me vista.
Lhe deu a volta ao beicon para que ele pudesse cruzar o quarto. Anna tinha razo no de ter poder.
Ethan?
Sim?
Tenho uma tremenda necessidade de ti. Dirigiu-lhe um olhar sobre o ombro e sorriu com satisfao. Espero que no te importe.
O sangue abandonou sua cabea danando alvoroada. Ela no estava simplesmente flertando, estava-lhe desafiando. lhe dava que ela j tinha ganho. A nica resposta 
segura que lhe ocorreu foi um grunhido antes de retirar-se ao dormitrio.
O a desejava. Grace descreveu um rpido passo de baile com um giro. Faziam o amor trs vezes, trs vezes ao longo da noite cheias de beleza e de glria e logo tinham 
dormido abraados o um ao outro. E ele seguia desejando-a.
Era a manh mais bela de sua vida.
Choveu todo o dia. A gua estava spera como a lngua de uma arpa e igual de propenso  chicotada. Ethan lutou para manter o curso da embarcao e se alegrou de 
no ter permitido que o moo lhes acompanhasse. Jim e ele tinham trabalhado em piores condicione, mas imaginava que Seth se teria passado boa parte da jornada dobrado 
sobre a amurada.
Mas o asqueroso tempo no podia lhe danificar o nimo. Assobiou inclusive enquanto a chuva lhe golpeava o rosto e o navio se revolvia sob seus ps como um potro 
selvagem.
Jim lhe olhou de soslaio umas quantas vezes. Levava trabalhando com o Ethan o tempo suficiente para saber que o menino era uma pessoa cordial e de bom corao. Mas 
no era um idiota que assobiasse a todas as horas. Sorriu para si enquanto iava outra jaula. Dava-lhe que ontem  noite o menino tinha feito algo mais enrgico 
que ler na cama.
Alm j era hora, a seu modo de ver. Segundo seus clculos, Ethan Quinn devia andar pelos trinta. A essas alturas da vida, um homem deveria ter sentado a cabea 
e ter esposa e filhos. Um mariscador vivia melhor se ao voltar para casa lhe esperava uma comida quente e uma cama com companhia. Uma mulher boa te ajudava a superar 
as dificuldades, dava-te um sentido, animava-te quando a baa se voltava miservel, como Deus sabia que estava acostumado a acontecer.
perguntou-se quem seria essa mulher concreta. No  que ele colocasse os narizes nos assuntos alheios. O se cuidava do seu e esperava que seus vizinhos fizessem 
outro tanto. Mas um homem tinha direito a um pouco de curiosidade sobre certas coisas.
Estava lhe dando voltas a como abordar o tema quando um caranguejo fmea, por debaixo do tamanho legal, encontrou um pequeno buraco em sua luva e lhe mordeu antes 
de que pudesse lanar o de volta  gua.
Pequena cabrona! comentou com um gesto de dor, mas sem muita veemncia.
Pilhou-te?
Sim. Jim a viu cair na gua levantando espuma. Voltarei para por ti antes de que termine a temporada.
Parece que necessita luvas novas, Jim.
A parienta me vai comprar uns hoje. Jogou na Nasa os arenques mdio congelados que serviam como ceva. A verdade  que ajuda muito saber que tem uma mulher que 
te cuida.
Mmm. Ethan empurrou o leme com uma mo, enquanto com a outra empunhava o gancho de ferro, e calculou a onda e a distncia.
A um homem que se passa o dia trabalhando na gua lhe reconforta saber que sua mulher lhe espera.
um pouco surpreso de que estivessem mantendo uma conversao, Ethan assentiu.
Suponho. Terminamos com este cabo e nos voltamos.
Jim escolheu os crustceos da seguinte jaula e deixou que o silncio se instalasse entre eles. por cima, umas quantas gaivotas mantinham o que Jim considerava uma 
furiosa competio, chiando, se mergulhando e ameaando umas a outras pelos despojos de pescado.
Sabe? A primavera que vem, Bess e eu faremos trinta anos de casados.
Seriamente?
Isso reafirma a um homem, ter uma mulher. Esperas muito para te casar e te volta um manaco.
Suponho.
Voc andar pelos trinta, no, capito? 
Isso.
No te volte um manaco.
Terei-o em mente lhe respondeu Ethan enquanto lanava o gancho de ferro.
Jim se limitou a suspirar e se deu por vencido.
Quando Ethan entrou caminhando at o estaleiro, CAM se encontrava trabalhando com a serra de preciso e trs moos lixavam o casco. Ou fingiam faz-lo.
contrataste a uma equipe nova? perguntou a seu irmo enquanto Simon se aproximava de investigar.
CAM elevou o olhar para o lugar onde Seth conversava com o Danny e Will Miller.
Assim me os Quito de no meio. J terminaste com os caranguejos por hoje?
J agarramos muitos. Tirou um puro e o acendeu enquanto olhava pensativamente pelas portas. Est chovendo a base de bem.
diga-me isso . CAM dirigiu um olhar acusador com o cenho franzido para os ventanales pelos que se deslizava a gua. Por isso tive a esses trs em cima todo o 
momento. O pequeno,  que no se cala nem debaixo da gua. E aos outros, se no lhes der algo que fazer, passam-se o momento fazendo diabruras.
Bom. Ethan expulsou a fumaa e olhou como os meninos davam uma alegria ao Simon com speras carcias e abraos. Ao passo que vo, acabaro de lixar o casco dentro 
de dez ou vinte anos.
Isso  algo do que temos que falar. 
Contratar a esses meninos para as prximas duas dcadas?
No, trabalho. Era um momento to bom como qualquer outro para tomar uma pausa. CAM se inclinou para servir ch gelado do recipiente trmico. Esta manh recebi 
uma chamada do Tom Bardette.
Esse amigo teu que quer um navio de pesca esportiva?
Soltou ar. A menos que contemos com um par de pirralhos. Esse amigo do Bardette ainda no se comprometeu. vai vir a lhe jogar uma olhada ao stio, a ns e s instalaes. 
Eu acredito que temos que nos assegurar de que Phillip esteja aqui para lhe vender a moto e que firme um contrato e nos deixe um depsito.
Ethan no esperava que acontecesse to rpido, que um sonho crescesse e tivesse que lhe roubar tempo ao outro. lembrou-se dos frios meses invernais de marisqueo, 
a sacudida de cabea do veleiro sobre o mar picada, a larga e freqentemente lhe frustrem busca de ostras, de pescado de rocha, de um salrio.
Para alguns, um pesadelo, supunha. Para ele, a esperana e a glria.
tomou um momento para percorrer o lugar com a vista. O navio, quase terminado, esperava umas mos hbeis e disponveis. Os desenhos do Seth penduravam emoldurados 
na parede e falavam de sonhos e suor. As ferramentas, ainda resplandecentes sob uma capa de p, mantinham-se silenciosas  espera.
Navios Quinn, pensou. Se queria conseguir uma coisa, tinha que soltar outra.
Eu no sou o nico que pode patronear o navio de tarefa ou o veleiro. Viu a pergunta e a compreenso nos olhos de seu irmo e se encolheu de ombros. Se trata 
simplesmente de lhe dedicar tempo ao que mais importa.
J.
Suponho que poderia tirar um desenho para um bote.
E que Seth fizesse o desenho acrescentou CAM e riu ao ver a careta de seu irmo. Todos temos nossos pontos fortes, colega. A arte no  o teu.
Pensarei-o decidiu Ethan. E j veremos o que acontece.
Vale. Ento... CAM apurou sua taa. Que tal foi o intercmbio de receitas?
Ethan se passou a lngua pelo interior da bochecha.
vou ter que conversar com sua esposa a respeito.
Quando quiser. Sonriendo, CAM arrebatou a seu irmo o puro de entre os dedos e lhe deu umas quantas impregnadas com descuido. A verdade ... que tem um aspecto 
do mais depravado, Ethan.
O suficiente replicou tranqilamente. E me parece que tivesse podido ter o detalhe de me comentar que Anna estava conspirando para melhorar minha vida sexual.
Tivesse podido, de hav-lo sabido. Por outro lado, j que sua vida sexual necessitava certas melhoras, tambm tivesse podido passar de lhe dizer isso Seguindo o 
impulso, CAM agarrou a seu irmo or o pescoo. Porque te quero, tio. Quando o dedo lhe afundou no estmago, limitou-se a Te rir d conta? At lhe melhoraram os 
reflexos.
Ethan se deslocou ligeiramente, transladou seu p e trocou suas posies.
Tem razo disse e golpeou a seu irmo com os ndulos na cabea para que se inteirasse.
Como lhe tocava preparar o jantar, Ethan acrescentou um ovo a uma terrina de carne de vitela picada. No lhe importava cozinhar. Simplesmente era uma dessas coisas 
que terei que fazer para sobreviver. Tinha albergado uma pequena, egosta e puramente machista esperana de que Anna se ocupasse da cozinha, como mulher da casa.
Ela tinha esmagado essa esperana como se fora um inseto.
Claro que, ao contar com ela, a tarefa se repartia entre mais pessoas. Mas o pior para ele era pensar o que fazer. No era como cozinhar para a gente mesmo. Em seguida 
se tinha dado conta de que quando se cozinhava para uma famlia, todos ficavam a criticar.
O que  isso? perguntou Seth enquanto Ethan lhe acrescentava farinha de aveia  mescla. 
Cilindro de carne.
me parece mierda. por que no podemos jantar pizza?
Porque vamos jantar cilindro de carne.
Seth emitiu um som como se se afogasse enquanto Ethan lhe acrescentava um pouco de sopa de tomate  mescla.
Que asco! Prefiro comer lixo.
Pois a fora h o bastante.
Seth trocou o peso de um p a outro, e se elevou sobre a ponta dos ps para jogar uma olhada  terrina mais de perto. A chuva lhe estava voltando louco. No havia 
nada que fazer. Estava morto de fome, tinham-lhe picado milhares de mosquitos e na televiso no havia mais que cilindros infantis e notcias.
Quando enumerou esta letana de queixa, Ethan se limitou a encolher-se de ombros.
V dar a lata ao CAM.
CAM lhe havia dito que desse a lata ao Ethan. Seth sabia por experincia que Ethan demorava muito mais em chatear-se que CAM.
Como  que lhe joga todas essas mierdas se se chamar cilindro de carne?
Para que no tenha sabor de mierda ao com-lo.
com certeza que sim sabe.
Para ser um menino que apenas uns meses antes no sabia quando ia ser sua seguinte comida, pensou Ethan sombramente, tornou-se um sibarita. Em lugar de referir-se 
a isto, apontou com um nico dardo certeiro.
Pois amanh lhe toca cozinhar ao CAM.
Jo, tio, veneno. Seth ps os olhos em branco de um modo muito dramtico, agarrou-se a garganta e foi dando voltas pela habitao, como enjoado. Ao Ethan teria 
feito certa graa se os ces no se uniram ao numerito, dando voltas e ladrando furiosamente.
Quando entrou Anna, o cilindro de carne estava no forno e Ethan tinha uma aspirina na mo.
Ol, v dia de ces. O trfico estava fatal. Elevou uma sobrancelha ao ver tomar o remdio. Dor de cabea, n? A chuva todo o dia sem parar pode ter esse efeito.
Neste caso, trata-se do Seth.
V! Preocupada, serve-se uma taa de vinho e se preparou para escutar.  inevitvel que haja perodos de tenso e de dificuldades. Seth tem que superar muitas 
coisas e sua hostilidade  um mecanismo de defesa.
No tem feito mais que queixar-se na ltima hora. Ainda me doem os ouvidos. No gosta do cilindro de carne murmurou Ethan e se tirou uma cerveja do esfrego. Que 
por que no jantamos pizza. Deveria estar agradecido porque algum lhe est enchendo a pana. Em lugar disso, no faz mais que dizer que parece mierda e que a isso 
saber. Depois fica a alvoroar aos ces e eu no posso nem trabalhar em paz durante cinco minutos. Y... interrompeu-se, com o olhar fera, quando viu que ela sorria. 
No me faz nenhuma graa.
Sei, sinto muito. Mas eu adoro, Ethan. Resulta to maravilhosamente normal. Seth se comporta como qualquer irritante menino de dez anos depois de um dia de chuva. 
Faz um par de meses teria passado o tempo em seu quarto, de mau humor, em lugar de te dar uma dor de cabea. Supe um avano tremendo.
Seu avano lhe leva a ser mais pesado que o chumbo.
Sim. Anna notou lgrimas de alegria em seus olhos. No  maravilhoso? Deve ter sido realmente molesto se tiver sido capaz de acabar com sua imperturbvel pacincia. 
A este passo, para Natais ser um autntico horror.
E isso  bom?
Sim, Ethan. trabalhei com meninos que no tinham tido que acontecer as misrias que aconteceu ele e pode lhes levar muito mais tempo adaptar-se, inclusive com assistncia 
psicolgica. CAM, Phillip e voc conseguistes maravilhas com ele.
Acalmando-se, Ethan lhe deu um gole a sua cerveja.
Voc tambm tiveste parte nisso.
Sim, eu tambm, o que me faz to feliz no plano profissional como no pessoal. E, para prov-lo, te vou jogar uma mo com o jantar. Com estas palavras, tirou-se 
a jaqueta e comeou a arregaar-se. O que tinha pensado para acompanhar o cilindro de carne?
Ethan tinha planejado colocar umas batatas no microondas porque no terei que lhes fazer nada, e talvez tirar umas ervilhas do congelador, mas...
Tinha pensado que possivelmente esses macarro com molho de queijo que faz voc iriam bem como guarnio.
Os Alfredo? Com o cilindro de carne, isso tem muitssimo colesterol, mas que mais d. J os preparo eu. por que no se sinta at que te passe a dor de cabea?
J lhe tinha passado, mas lhe pareceu mais inteligente no mencion-lo. sentou-se, preparado para desfrutar da cerveja e para lhe parar os ps a sua cunhada.
Ah, Grace me disse que te desse as obrigado pela receita. Que j te comentar como lhe sai.
Ah, sim? Voltando-se para ocultar um sorriso de satisfao, Anna procurou um avental.
Sim, e me deu a do frango frito. Meti-a no livro de cozinha. Ethan ocultou seu prprio sorriso com a cerveja quando ela girou a cabea.
Voc..., ah, bom...
Lhe teria dado isso ontem  noite, mas era j tarde quando voltei e estava na cama. Quando sa de casa do Grace, encontrei-me com o Jim.
Jim? Seu rosto expressava claramente confusa irritao.
Aproximei-me at sua casa para lhe ajudar a pr a ponto um fueraborda que lhe deu problemas.
Esteve em casa do Jim ontem  noite?
Fiquei mais tarde que o que queria, mas havia um partido de beisebol na televiso. Os lhes Areje jogavam em Califrnia.
Anna com gosto lhe teria aberto a cabea com sua prpria cerveja.
Passou-te a noite trabalhando em um motor e vendo um partido de beisebol?
Pois sim. Lanou-lhe um olhar inocente. Como te hei dito, cheguei algo tarde, mas foi uma partida cojonudo.
Anna soltou um bufido e abriu a porta do esfrego de um puxo para tirar queijo e leite.
Os homens murmurou so todos gilipollas.
Como diz?
Nada. Bom, espero que o passasse bem vendo a partida. Enquanto a pobre Grace estava sozinha em casa, e triste.
No posso recordar haver me passado isso melhor. At houve turnos de bateo especiais. Agora sorria, no podia remedi-lo. Anna parecia aturdida e furiosa, e alm 
disso tratava desesperadamente de ocult-lo.
Bom, maldita seja. Furiosa, voltou-se para tirar a massa do armrio e viu a cara do Ethan. girou-se lentamente, sujeitando o pacote de massa. Voc no foi ontem 
 noite a casa do Jim a ver um partido de beisebol.
Ah, no? Ethan arqueou uma sobrancelha, olhou pensativo a sua cerveja e lhe deu um gole. Sabe? Agora que o penso, tem razo. Isso foi outra vez. 
Esteve com o Grace. 
Ah, sim?
Venha, Ethan. Com os dentes apertados, golpeou a encimera com o bote. Me est voltando louca! Onde esteve ontem  noite?
Sabe? Acredito que ningum me tem feito essa pergunta desde que morreu minha me.
No  que queira bisbilhotar... 
Seguro?
Vale, vale, estou tratando de bisbilhotar, mas  que contigo resulta impossvel fazer o de forma sutil. 
Ethan se tornou para trs em sua cadeira, observando-a. Tinha-lhe cansado bem, quase desde o comeo, inclusive quando o fazia sentir-se incmodo. No era gracioso, 
disse-se, dar-se conta de que nas ltimas semanas tinha chegado a quer-la? O que significava que tomar o cabelo era, bom, obrigado.
No me estar perguntando se passei a noite na cama do Grace, verdade?
No, no, claro que no. Agarrou a massa e logo a voltou a deixar. No exatamente. As velas, foram idia dela ou tua?
Anna decidiu que era um bom momento para tirar uma frigideira. Podia necessitar uma arma.
Funcionaram?
Tua, imagino; provavelmente o vestido tambm. A mente do Grace no funciona assim. No tem o que se poderia chamar... dobra.
Anna cantarolou e ficou a preparar o molho de queijo.
Porque foi um entrometimiento oculto o me mandar ali dessa maneira.
Sei. Mas voltaria a faz-lo. Com mais habilidade a prxima vez, prometeu-se a si mesmo Olhe, Ethan, pode te chatear comigo tudo o que queira, mas nunca tinha 
visto ningum to necessitado de um entrometimiento.
Voc  uma profissional. Quero dizer, que sendo assistente social, pagam-lhe por te entremeter na vida da gente.
Ajudo s pessoas que o precisam afirmou ela, acendendo o fogo sob a frigideira. E Deus sabe que voc o necessitava. Deu um salto quando a mo do Ethan se posou 
em seu ombro. Quase esperava que lhe desse uma leve sacudida, por isso, quando a beijou na bochecha, quo nico pde fazer foi lhe olhar piscando.
Agradeo-lhe isso.
Seriamente?
No  que queira que o volte a fazer, mas por esta vez, agradeo-lhe isso.
Ela te faz feliz. Tudo em seu interior se suavizou. Posso v-lo.
Veremos durante quanto tempo posso faz-la feliz eu a ela.
Ethan.. .
Deixemo-lo assim. Beijou-a de novo, como advertncia alm de como amostra de carinho. Durante um tempo, tomaremos cada dia conforme venha.
Vale. Mas seu sorriso se aumentou. Grace trabalha no bar esta noite, no?
Sim. E s para que no tenha que te morder a lngua para no me perguntar isso estou pensando em me passar por ali um momento depois de jantar.
Estupendo. Mais que satisfeita, Anna ficou a trabalhar. Nesse caso, jantaremos em seguida.
12
Era como entrar caminhando totalmente acordada em um sonho, pensou Grace, onde no estava segura do que ia acontecer, s sabia que seria maravilhoso. Era viver em 
um mundo familiar que tinha sido gentil at alcanar um estado constante de excitada iluso.
Os dias e as noites seguiam cheios de trabalho, responsabilidades, pequenas alegrias e pequenas irritaes. Mas, de momento, com essa corrente loja de comestveis 
de amor, as alegrias pareciam enormes, e as irritaes, diminutas.
Tudo o que tinha lido sobre o amor era certo, descobriu Grace. O sol brilhava com mais intensidade, o ar cheirava mais fresco. As flores possuam uma cor mais viva, 
o canto dos pssaros soava mais melodioso. Para ela, cada tpico se converteu em uma realidade.
Tambm estavam esses momentos roubados: um abrao fora do bar durante seu descanso que a deixou encantada e tremente, e incapaz de dormir durante comprido tempo 
depois de chegar a casa; um largo e intenso olhar cheia de conhecimento se conseguia esperar na casa dos Quinn at que ele chegasse. Parecia-lhe achar-se em um constante 
estado de desejo, inclusive mais agudo agora que sabia o que podia ser.
O que ia ser.
Queria tocar e ser tocada, embarcar-se de novo nessa cavalgada larga e lenta para o prazer e a paixo. Junto ao desejo vivia a interminvel frustrao de que a vida 
interferisse constantemente com os sonhos.
Nunca dispunham do tempo suficiente para estar sozinhos, para simplesmente estar.
Freqentemente se perguntava se Ethan tambm se sentia acossado durante o dia pela mesma necessidade nervosa. Pensou que devia ser algo em seu interior, uma espcie 
de cobia sexual comprido tempo escondida, e no sabia se deleitar-se nela ou se sentir-se humilhada.
S sabia que lhe desejava continuamente, e que cada dia que passava e se tornava em uma noite mais em solido, esse desejo se multiplicava. perguntava-se se Ethan 
se escandalizaria ao sab-lo, preocupava-lhe que talvez sim.
No tinha por que.
Ethan s esperava ter calculado bem o tempo, e que as desculpas que lhe tinha dado ao Jim para voltar com a pesca antes de revisar todas as jaulas no fossem to 
ridiculamente transparentes como lhe pareciam. Tampouco ia deixar que a culpa lhe apressasse, prometeu-se enquanto amarrava o navio no embarcadero de sua casa.
Trabalharia um par de horas extra essa noite no estaleiro para compensar o ter deixado ao CAM solo essa tarde. Se no podia dispor de uma hora a ss com o Grace, 
se no conseguia liberar parte da presso que ia acumulando, voltaria-se louco. Ento j no serviria para nada.
E se ela j tinha terminado na casa e se foi, bom, pois ento teria que persegui-la at dar com ela, simplesmente. Ficava o suficiente controle como para no assust-la, 
ou escandaliz-la, mas no podia passar um dia mais sem ela.
O sorriso comeou a estender-se por seu rosto quando entrou pela porta traseira e comprovou que ainda permanecia a desordem matinal. A mquina de lavar roupa zumbia 
no quarto de lavar. Grace no tinha terminado ainda. Comeou pela sala, procurando sinais dela.
As almofadas estavam todos ordenados e amaciados, os mveis limpos de p e reluzentes. Quando rangeu o teto por cima de sua cabea, olhou para cima.
Nesse momento, pensou que o destino era a mulher mais formosa que tinha conhecido. Grace estava em seu dormitrio, o que poderia ser mais perfeito? Seria muito mais 
singelo atrai-la a uma cama em metade do dia sem sobressaltar sua sensibilidade se ela j se achava perto de uma.
Comeou a subir as escadas, encantado quando a ouviu cantarolar.
Seu organismo foi atravessado por um raio fulminante de desejo quando viu que no s estava perto de sua cama, mas tambm virtualmente nela. Grace se achava inclinada, 
estendendo e ajustando os lenis limpa, e expondo suas largas pernas em umas desgastados calas cortadas.
Seu sangue se acelerou em um estalo de velocidade que lhe deixou sem flego, que tornou a dor surda com o que tinha aprendido a viver em uma dor aguda e aguda. Podia 
ver-se a si mesmo avanando de um salto, arrastando-a at a cama, atirando de sua roupa e rasgando-a para poder enterrar-se dentro dela.
E como se sentia capaz, como o desejava, obrigou-se a permanecer onde estava at estar firmemente seguro de que podia manter o controle sobre si mesmo.
Grace?
Ela se endireitou, voltou-se e posou uma mo sobre o corao.
Ai, eu..., ai. No podia falar, logo que podia pensar coherentemente. O que pensaria Ethan, perguntou-se enjoada, se soubesse que tinha estado fantasiando, vendo-se 
rodar nua e suarenta com ele nesses lenis tersas e podas?
Suas bochechas se avermelharam, o que lhe encantou.
No queria te surpreender.
No importa. Deixou escapar um comprido suspiro, mas no serve para acalmar seu frentico corao. No esperava a ningum... O que est fazendo em casa to logo? 
Rapidamente juntou as mos porque estavam desejando agarrar-se a ele. Est mau?
No.
No so nem as trs.
Sei. Avanou dentro do quarto, viu que ela apertava os lbios, que os umedecia. Tome o com calma, disse-se, no a assuste. Aubrey no est contigo?
No, Julie me est cuidando isso. Tem um gatinho novo e Aubrey queria ficar, por isso... Ethan cheirava a mar, a sal e a sol. Lhe subiu  cabea.
Ento dispomos de algum tempo. aproximou-se um pouco mais e acrescentou: Queria verte a ss.
Ah, sim?
Levo desejando verte a ss desde que fizemos o amor aquela noite. Elevou a mo e lhe percorreu a nuca com ternura. Te desejo disse brandamente e baixou sua boca 
at a dela.
To suave, to tenro, o corao dela descreveu um grande salto mortal, comprido e amplo, em seu peito. Os joelhos no a sustentavam. Tremiam-lhe enquanto elevava 
os braos para ele, enquanto respondia a esse beijo indeciso com uma rajada de calor. Os dedos se cravaram em sua pele, sua boca machucou a do Grace. Por um instante 
selvagem e travesso, ela pensou que a possuiria onde estavam, livremente e com frenesi.
Ento as mos do Ethan se fizeram mais tenras e se suavizaram ao percorrer seu corpo. Os lbios se fizeram mais doces, navegando sobre os do Grace.
Vem a cama comigo sussurrou. Vem a cama comigo repetiu enquanto a apoiava e a cobria.
Ela se arqueou contra ele, desejosa e ofegante, impaciente com a roupa que separava sua pele da dele. Pareciam-lhe anos desde que lhe havia meio doido por ltima 
vez, desde que sentiu esses msculos de ao. Gemendo seu nome, atirou-lhe da camisa, deixou que suas mos possussem, e ao possuir, excitaram-se.
O flego dele surgia entrecortado, lhe queimando a garganta. Os movimentos dela sob seu corpo lhe urgiam a dar-se pressa, mas lhe dava medo machuc-la se no se 
tomava seu tempo, se no tomava cuidado. Por isso se esforou por reduzir o ritmo, por saborear mais que devorar, por acariciar mais que exigir.
Mas ao igual a uma vez lhe tinha seduzido, agora lhe destroou.
Tirou-lhe a blusa e a encontrou nua debaixo. Ela viu um brilho em seus olhos, que se voltaram de um azul ardente e que quase lhe queimavam a pele. O foi com cuidado, 
com supremo cuidado para no lhe fazer danifico, para no assust-la. Ia devagar para atrasar-se inclusive quando o desejo de tom-la, de tom-la j, aguilhoou-lhe 
como um enxame.
Ento sua boca se posou sobre a do Grace, sugando com uma fome se desesperada que ameaava consumi-los aos dois. Ela elevou um brao, mas no havia nada ao que aferrar-se 
exceto o ar. Ele a arrastou para cima, sua boca descendeu pelo torso dela, com os dentes lhe roando a pele, at que, lutando por respirar, ela se envolveu em torno 
dele.
Ethan sabia que no podia esperar, sabia que se esperava morreria. A nica idia em sua mente era agora, tinha que ser agora, e inclusive essa estava envolta nos 
oxidados bordem da necessidade primria. Atirou-lhe das calas, amaldioando, depois afundou seus dedos dentro dela.
Ela se encurvou, gritou, correu-se. O viu como seus olhos se voltavam opacos, a cabea caiu para trs, de forma que a larga linha de seu pescoo ficou exposta para 
que ele a consumisse. Batalhando com a violenta necessidade de cravar-se nela, seguiu saboreando-a at encher o urgente vazio.
Ento, liberou-se de seu jeans e se deslizou dentro dela, que voltou a gritar. Os msculos dela se contraram com fora em torno dele.
E perdeu a cabea.
Velocidade, calor e fora. Mais. Elevou-lhe os joelhos e investiu mais profundo, mais forte, perversamente agradado quando as unhas dela se cravaram em seus ombros. 
afundou-se nela, tremendo com uma avareza cega, nua.
As sensaes a alagaram, arranharam-na, deixaram-na reduzida a uma massa estremecida de necessidade. Ela acreditou que morreria. Quando o seguinte orgasmo a golpeou, 
um punho duro e quente, acreditou ter morrido.
E ficou enfraquecida. As mos escorregaram dos ombros midos do Ethan, o brilho prateado de energia se esgotou at deix-la exausta. Escutou o comprido e lento gemido 
dele, sentiu que seu corpo a investia e depois se esticou. Quando ele se derrubou sobre o corpo dela, ofegando, os lbios se curvaram em um sorriso de pura satisfao 
feminina.
A luz do sol a deslumbrou enquanto lhe acontecia as mos pelos quadris.
Ethan. voltou-se a lhe beijar o cabelo. No, ainda no sussurrou quando ele iniciou um movimento. Ainda no.
Ethan tinha sido tosco com ela e se amaldioou por ter permitido que o n do controle lhe escapasse.
Est bem?
Mmmm. Poderia seguir assim todo o dia. Justo assim.
No me tomei o tempo que queria.
Ns no dispomos de tanto tempo como a maior parte da gente.
No. Elevou a cabea e disse: Voc nem sequer me diria se te tenho feito mal. Assim procurou por si mesmo, lhe observando o rosto com ateno. E viu nele a sonhadora 
satisfao de uma mulher bem amada, por apressado que tivesse sido. No parece que te tenha feito mal.
foi excitante. foi maravilhoso saber que me desejava tanto. Perezosamente, enrolou uma mecha de seu cabelo queimado pelo sol em torno de um dedo e abraou a deliciosamente 
travessa sensao de achar-se nua com ele em uma cama em metade o dia. Me preocupava pensar que eu te desejava mais do que voc pudesse me desejar.
Isso  impossvel. Para prov-lo, deu-lhe um beijo comprido, lento e profundo. Esta no  a forma em que desejo estar contigo. Juntando uns poucos minutos entre 
tarefa e tarefa. E usando esses minutos para nos lanar  cama porque  o nico tempo de que dispomos.
Nunca me tinham feito o amor em metade do dia. Sorriu. Me gostou.
Com um comprido suspiro, tocou sua frente com a sua. Se fosse possvel, passaria-se o resto do dia justo a, dentro dela.
vamos ter que encontrar o modo de achar mais tempo de vez em quando.
Amanh tenho a noite livre. Poderia dever jantar Y... ficar.
Teria que te levar a algum stio.
No h nenhum stio ao que queira ir. Eu gostaria que jantssemos em casa. Seu sorriso se fez mais ampla. Te farei uns tortellini. Acabam-me de dar uma receita 
nova.
Quando ele riu, lhe lanou os braos ao redor e o resenhou como um dos momentos mais felizes de sua vida.
Ai, amo-te, Ethan. Sentia tal vertigem que demorou um momento em dar-se conta de que ele tinha deixado de sorrir, que se tinha ficado muito quieto. Os saltos descontrolados 
de seu corao se fizeram mais lentos e lhe invadiu uma sensao geada. Talvez no deseje que lhe diga isso, mas no posso evitar senti-lo. No espero que voc 
me diga isso a sua vez, ou que se sinta obrigado A...
Os dedos de lhe apertaram levemente os lbios para faz-la calar.
Espera um momento, Grace disse brandamente. Seu organismo se alagou de mars crescentes de alegrias, esperanas, temores. No podia pensar alm deles, no de forma 
clara. Mas a conhecia, sabia que o que dissesse agora, e como o dissesse, possuiria uma importncia vital.
Faz tanto tempo que sinto algo por ti comeou, que no posso recordar um momento em que no o sentisse. E no tenho feito mais que me repetir que no deveria 
ter esses sentimentos, assim que me vai custar um pouco me acostumar a isto.
Quando ele se moveu esta vez, ela no tratou de det-lo. Fez um gesto de assentimento, evitou seus olhos e procurou sua roupa.
Basta-me com que me deseje, possivelmente inclusive com que me necessite um pouco. No momento me basta, Ethan. Isto  muito novo para os dois.
Meus sentimentos so intensos, Grace. Voc me importa mais do que nenhuma mulher me importou jamais.
Agora lhe olhou. Se ele o dizia, ela sabia que era a srio. A esperana comeou a pulsar de novo em seu corao.
Se sentia algo por mim, algo intenso, por que , no me havia isso dito?
Primeiro, no tinha idade suficiente. Ethan se passou a mo pelo cabelo sabendo que era uma ttica evasiva, uma desculpa, que no era o n. O n no podia contar-lhe 
a ela. E no me sentia cmodo ao albergar esses sentimentos e pensamentos para ti quando voc estava ainda no instituto.
Ela poderia ter saltado fora da cama e danado.
Desde que estava no instituto? Todo este tempo?
Sim, todo este tempo. Depois te apaixonou por outra pessoa, e no acreditei ter direito a sentir nada mais que amizade.
Ela deixou escapar o flego com cautela porque ia fazer uma confisso que a envergonhava.
Nunca estive apaixonada por ningum mais. Sempre foste voc.
Jack...
Nunca lhe quis, e tudo o que aconteceu entre ns foi mais por minha culpa que pela sua. Permiti-lhe ser o primeiro homem que me tocasse porque nunca pensei que 
voc o faria. E quando me dava conta de quo estpida tinha sido, estava grvida.
No pode dizer que fora culpa tua.
Sim, sim posso. Para manter as mos ocupadas, ficou a fazer a cama. Eu sabia que ele no estava apaixonado por mim, mas me casei com ele porque me dava medo no 
faz-lo. E durante um tempo, senti-me envergonhada, zangada e envergonhada. Elevou um travesseiro e a meteu em uma capa. At uma noite em que estava tombada na 
cama, pensando que minha vida tinha terminado e senti um bato as asas dentro de mim.
Grace fechou os olhos e apertou o travesseiro contra si.
Senti ao Aubrey e foi to..., to enorme esse leve bato as asas que j no me sentia envergonhada ou zangada. Jack me deu isso. Voltou a abrir os olhos e colocou 
o travesseiro na cama com cuidado. Lhe estou agradecida e no lhe culpo por me abandonar. O nunca sentiu aquele bato as asas. Aubrey nunca foi real para ele.
Era um covarde, e coisas piores, por te deixar semanas antes de que nascesse a menina.
Possivelmente, mas eu fui uma covarde, e coisas piores, por estar com ele, por me casar com ele quando no sentia por ele nenhuma mnima parte do que sentia por 
ti.
Voc  a mulher mais valente que conheo, Grace.
 fcil ser valente quando tem um menino que depende de ti. Suponho que o que trato de dizer  que se cometi um engano, foi deixar acontecer tanto tempo sem te 
dizer que te amava. O que sinta por mim, Ethan,  mais do que nunca acreditei que chegasse a sentir. E com isso  suficiente.
Levo quase dez anos apaixonado por ti, e ainda no  suficiente.
Ela tinha pego o segundo travesseiro, e agora lhe deslizou de entre as mos. Quando as lgrimas lhe alagaram os olhos, apertou-os forte.
Acreditei que poderia viver sem te ouvir dizer isso. Agora lhe preciso voltar isso para ouvir uma vez mais para recuperar o flego.
Amo-te, Grace.
Seus lbios se curvaram e os olhos se abriram. 
Diz-o de um modo to srio, quase triste. Desejando lhe ver sorrir de novo, tendeu-lhe uma nus. Talvez deveria praticar.
Seus dedos acabavam de tocar os dela quando ouviu a portada da porta de abaixo. Uns ps soaram nas escadas. No instante em que separavam bruscamente, Seth passou 
correndo pelo corredor. Derrapou at deter-se na porta do quarto e depois ficou lhes olhando.
Olhou a cama, os lenis ainda enrugados, o travesseiro no cho. Ento seu olhar trocou e encheu de uma fria amarga que resultava muito adulta em seu rosto de menino.
Hijoputa! espetou ao Ethan com dio. Logo seus olhos se centraram no Grace com asco. Pensei que voc foi distinta.
Seth. Grace deu um passo adiante, depois o menino girou sobre seus tales e saiu correndo. Ai, Meu deus, Ethan! Quando fez gesto de sair atrs dele, Ethan a 
agarrou o brao.
No, eu irei atrs dele. Sei o que sente. No se preocupe. Deu-lhe um aperto no brao antes de sair do quarto, mas lhe seguiu at a escada, profundamente preocupada. 
Nunca tinha visto um dio to intenso nos olhos de um menino.
Maldita seja, Seth, hei-te dito que te d pressa. CAM pegou uma portada na porta dianteira quando Ethan chegava ao final da escada. Olhou para cima, viu o Grace 
e sentiu que um sorriso se esboava em seus lbios. Uy!
No tenho tempo para brincadeiras tolas disse Ethan apressadamente. Seth acaba de ir-se.
Como? por que? Caiu na conta antes de terminar de diz-lo. Mierda! Deve ter sado por atrs.
Vou atrs dele. Moveu a cabea antes de que seu irmo pudesse protestar.  comigo com quem est chateado neste momento. Sou eu quem acredita que lhe decepcionou. 
Tenho que arrum-lo. Olhou para cima, para onde Grace estava sentada nos degraus. Cuida dela murmurou enquanto se dirigia  porta traseira.
Ethan sabia que Seth se dirigiria ao bosque, e tinha que confiar em que no entraria muito na restinga. O menino era um supervivente, pensou. Mas o alvio lhe percorreu 
quando ouviu o sussurro dos arbustos e das folhas velhas.
Resultou-lhe fcil identificar o ponto onde o menino tinha deixado o atalho. abriu-se passo entre intrincadas matas, com os espinhos das saras, e lhe seguiu. As 
folhas das rvores que se arqueavam sobre sua cabea impediam que lhe alcanasse a luz do sol e o pior do calor. Mas a umidade era imensa.
O suor lhe corria pelas costas e lhe caa pelos olhos enquanto caminhava pacientemente e esperava. Sabia perfeitamente que o menino lhe estava evitando, mantendo 
uns metros por diante. Ao final, sentou-se em um tronco cansado, decidindo que seria mais fcil deixar que o menino viesse a ele.
Passaram dez largos minutos, com os insetos revoando como em uma nuvem e os mosquitos uscando sangre, mas por fim Seth saiu da essura e se enfrentou a ele.
No vou voltar contigo disse, quase cuspindo as palavras. Se trficos de me obrigar, voltarei a fugir.
No te vou obrigar a fazer nada. De onde estava sentado no tronco, Ethan observou menino. Seu rosto estava manchado, veteado de sujeira e suor, avermelhado de 
calor e de ira. As pernas e braos estavam talheres de arranhes por abrir-se passo entre as saras. Lhe foram picar como um demnio quando Seth se acalmasse o suficiente 
para dar-se conta. Quer te sentar e resolver isto falando? perguntou brandamente.
No me acredito nada do que vs dizer.  um mentiroso. Os dois so uns putos mentirosos. Me vais dizer que no estavam follando?
No, no  isso o que estvamos fazendo.
Seth se lanou contra ele a tal velocidade que pilhou ao Ethan despreparado e lhe deu um murro de cheio na mandbula. Logo lhe ocorreu que o menino tinha bons punhos, 
mas isso foi muito mais tarde. Nesse momento, teve que usar toda sua concentrao para lutar com o menino at derrub-lo.
Matarei-te! Te vou matar assim que tenha oportunidade, bode. revolveu-se, lutou, lutou e esperou a chuva de golpes.
Espera, joder! Frustrado porque os escorregadios braos suarentos do menino lhe escapavam todo o momento, Ethan lhe sacudiu levemente. Assim no vai a nenhum 
stio. Sou maior que voc e te posso manter sujeito at que fique sem foras.
me tire as mos de cima! Seth mostrou os dentes e resmungou:  um filho de puta!
Era um golpe mais potente e mais certeiro que o murro. Ethan conteve o flego e assentiu com lentido.
Sim, isso  o que sou. Por isso  pelo que voc e eu nos conhecemos. Pode escapar quando te soltar, Seth. Pode me jogar toda a mierda que queira. Isso  o que a 
gente espera dos filhos de puta. Mas imagino que voc deseja algo melhor para ti mesmo. Ethan se tornou para trs, sentou-se sobre os tornozelos e se limpou o sangue 
da boca.  a segunda vez que me d um murro na cara. Se voltar a tent-lo, vou dar tal surra no culo que no te vais poder sentar em um ms.
Odeio-te, jodido bode!
Vale. Mas ter que me odiar pelas razes apropriadas.
Quo nico lhe queria era atirar isso e ela se aberto de pernas para ti.
Cuidado! Rpido como o raio, Ethan agarrou ao Seth pela camisa e lhe fez ficar de joelhos. Nem te ocorra falar assim dela. Teve a suficiente sensatez para te 
dar conta desde o comeo do tipo de pessoa que  Grace. Por isso confiou nela, por isso tomou carinho.
Ela me importa uma mierda proclamou, e teve que tragar para evitar que as lgrimas que lhe queimavam comeassem a brotar.
Se Grace no te importasse, no estaria to furioso com ela e comigo. E no sentiria que lhe decepcionamos.
Ethan soltou ao Seth e se passou as mos pela ra. Sabia o tremendamente mal que lhe dava falar de emoes, em particular das suas.
Te vou falar claro. Baixou as mos e disse: Tem razo sobre o que aconteceu antes de que chegasse a casa, s te equivoca sobre o que significa.
Os lbios do Seth tremeram em uma careta zombadora.
J sei o que significa joder.
Sim, o que voc conhece so sons feios na habitao do lado, um sobeteo apressado na escurido, aromas acres, dinheiro que troca de mos.
S porque no a tenha pago no...
te cale ordenou Ethan pacientemente. Eu tambm acreditava que isso era tudo o que havia, ou a nica forma que existia. Duro, sem corao, s vezes srdido. Quo 
nico quer do outro  o que pode conseguir para ti. Assim  egosta, tambm. Obtm certo alvio, sobe-te as calas e vai. No sempre est mau. Se no importar a 
nenhum dos implicados, se te ajudar a agentar a noite, no sempre est mau. Mas no  a nica forma, e certamente no  a melhor.
Recordou quando tinha pensado que esperava que tocasse a outro lhe explicar essas coisas ao menino quando chegasse o momento. Mas parecia que o momento era esse 
e que tocava a ele.
No podia faz-lo com um sorriso e uma piscada como o teria feito CAM, nem de forma suave e com palavras bonitas, como certamente o faria Phillip. O s podia falar 
do corao e esperar que com isso bastasse.
O sexo pode ser como comer, s saciar a fome. s vezes paga por uma comida, ou faz troca, e se for justo, voc d o equivalente do que recebe.
O sexo no  mais que sexo. S o pintam bonito para vender livros e filmes.
Voc crie que isso  quo nico existe entre a Anna e CAM?
Seth se encolheu de ombros, mas estava pensando.
Eles possuem algo que importa, algo que dura, algo sobre o que se constrem vistas. No  com o que voc cresceu nem com o que eu passei a primeira parte de minha 
vida, por isso lhe posso dizer isso claramente. Ethan se apertou os olhos com os dedos, sem fazer caso do suor e das nuvens de insetos.  distinto quando te importa, 
quando a outra pessoa no  s uma cara ou um corpo que est  mo e disposto. Eu vivi isso. Quase todo mundo o faz em um momento ou outro. Mas  distinto quando 
 s essa pessoa a que te importa, a que lhe d sentido. Quando no  s o anseia o que te empurra. Quando deseja, por cima de tudo, dar mais do que recebe. Nunca 
tinha tido com ningum o que tenho com o Grace.
Seth se encolheu de ombros e apartou o olhar, mas no antes de que Ethan visse a desdita em seu rosto.
Sei que sente algo por ela, e que esses sentimentos so reais, fortes e importantes. Possivelmente a parte de ti desejava que ela fora perfeita, que no sentisse 
as necessidades que outras mulheres possuem. Acredito que uma parte mais importante de ti desejava proteg-la, te assegurar de que ningum lhe fizesse mal. Por isso 
vou dizer te o que acabo de lhe dizer a ela. A amo. Nunca amei a ningum mais.
Seth fixou os olhos na restinga. Tudo nele era dor, mas o pior era a vergonha.
Ela te ama?
Sim, ama-me. No tenho nem idia de por que.
Seth pensou que ele sabia por que. Ethan era forte e no se dava importncia. Fazia o que terei que fazer. Fazia o correto.
Eu ia cuidar dela quando fora maior. Suponho que isso te parece absurdo.
No. De repente, desejava intensamente lhe dar um abrao ao menino, mas sabia que no era o momento oportuno. No, acredito que  algo grande. Sinto-me orgulhoso 
de ti.
O olhar do Seth se elevou at ele por um instante e depois fugiu de novo rapidamente.
 como que eu..., j sabe, quero-a. No  que goste de v-la nua ou algo assim acrescentou rapidamente.  s...
Compreendo. Ethan se apertou forte a ponta da lngua para sufocar a risada. A veloz quebra de onda de risonho alvio lhe soube melhor que uma cerveja geada em 
um dia abrasador.  como se fora uma irm, como que desejas o melhor para ela.
Isso. E Seth suspirou. Sim, acredito que  isso. Pensativamente, Ethan aspirou ar por entre os dentes.
Tem que ser duro para um homem entrar e encontrar-se a sua irm com algum.
Tenho-lhe feito mal. Queria fazer-lhe Donde el sexo era un negocio, pens Seth, feo y srdido.
Sim, tem-no feito. Ter que lhe pedir perdo se quer esclarecer coisas com ela.
vai pensar que sou um estpido. No querer falar comigo.
Queria vir ela mesma para te buscar. Seguro que agora mesmo est dando voltas acima e abaixo pelo ptio, preocupadsima por ti.
Seth tomou flego de um modo que se parecia muito a um soluo.
Estive-lhe dando a tabarra ao CAM at que me trouxe para recolher minha luva de beisebol. E quando eu..., ao lhes ver ali, recordou-me quando voltava para stio 
onde vivia com Glria e ela o estava fazendo com qualquer tipo.
Onde o sexo era um negcio, pensou Seth, feio e srdido.
 difcil deixar essas coisas de lado, ou te permitir pensar que existe uma forma distinta. Como ele mesmo seguia trabalhando nisso, Ethan falou com cuidado. 
Que fazer o amor, quando te implica, quando te importa, quando as coisas so corretas,  algo limpo.
Seth sorveu e se limpou os olhos.
Insetos murmurou. Sim, aqui so uma peste.
Teria-me que ter pego por lhes dizer essas porcarias.
Tem razo decidiu Ethan detrs pens-lo momento. Te pegarei a prxima vez. Asa, vamos a casa!
ficou de p, limpou-se as calas e depois lhe tendeu uma mo ao moo. Este ficou olhando e viu amabilidade, pacincia, compaixo. As qualidades de um homem do que 
se teria burlado antes, porque tinha encontrado muito pouco dessas qualidades nas pessoas que haviam meio doido sua vida.
Ps sua mo na do Ethan e, sem dar-se conta a deixou ali enquanto descendiam pelo atalho. 
Como  que no me h devolvido o golpe uma s vez?
Pobre moo pensou Ethan, muitas mos se elevaram j contra ti em sua curta vida.
Ao melhor dava medo que pudesse comigo.
Seth emitiu uma espcie de risada zombadora, piscando com fria para conter as lgrimas que insistiam em derramar-se.
E uma mierda.
Bom,  pequeno disse Ethan tirando a boina do bolso traseiro do menino e colocando-lhe na cabea. Mas  um tipo fibroso.
Seth inspirou profundamente vrias vezes  medida que se aproximavam aonde os raios do sol alcanavam o bordo do bosque, projetando uma luz branca oblqua.
Viu o Grace, como Ethan havia dito, no ptio, abraando-se como se tivesse frio. Deixou cair os braos, deu um rpido passo para diante e logo se deteve.
Ethan sentiu que a mo do Seth se movia na sua e lhe deu um leve aperto de nimo.
Seria bastante bom para conseguir que te perdoe murmurou que fosse correndo e lhe desse um abrao. Ao Grace adora os abraos.
Era o que queria fazer, mas lhe dava medo arriscar-se. Olhou ao Ethan, sacudiu um ombro e se esclareceu garganta.
Suponho que poderia faz-lo, se isso conseguir que se sinta melhor.
Ethan se deteve, observou como o guri corria pela grama e viu o rosto do Grace iluminar-se com um sorriso enquanto abria os braos de par em par para lhe receber.
13
Se a gente tinha que trabalhar em um comprido ponte vacacional, pensou Phillip, mais valia que fora em um pouco divertido. adorava seu trabalho. Porque, depois de 
tudo, o que era a publicidade, mais que conhecer s pessoas e saber que botes terei que tocar para obter que soltassem a massa?
Freqentemente pensava que era uma forma aceita criativa, inclusive esperada, de lhe levantar a carteira a gente. Para um homem que tinha passado a primeira metade 
de sua vida sendo um ladro, era a profisso perfeita.
Nesta vspera do dia da Independncia, estava em jogo suas habilidades para trabalhar-se a um cliente em potncia. Preferia-o com muito ao trabalho manual.
Tem-nos que perdoar como est tudo .Phillip moveu sua mo, de unhas bem cuida, para mostrar o amplo espao, as vigas vistas, teto, as luzes que penduravam dele, 
as paredes por pintar e o prejudicado cho. Meus irmos eu acreditam que o que vale a pena  centrar nossos esforos no produto e manter nossos gastos fixos no 
mnimo. Esses benefcios se transmitem a nossos clientes.
Nesse preciso momento, pensou Phillip, tinham exatamente um cliente, outro esperando e este mordiscando o anzol.
Humm. Jonathan Kraft se esfregou o queixo. Era um homem de uns trinta e tantos anos, e o suficientemente afortunado para pertencer  quarta gerao do imprio 
farmacutico Kraft. Dos humildes comeos de seu tatarabuelo como farmacutico em Boston, sua famlia tinha construdo e expandido um imprio apoiado nos analgsicos 
e a aspirina. Isso lhe permitia exercer sua grande afeio  vela.
Era alto e estava bronzeado e em forma. Seu cabelo castanho estava perfeitamente talhado para ressaltar a mandbula reta e o atrativo rosto. Levava umas calas cor 
ante, uma camisa blusa de marinheiro de algodo e uns nuticos usados. O relgio era um Rolex e seu cinturo era feito de couro italiano trabalhado  mo.
Parecia exatamente o que era: um homem rico e privilegiado a quem gostava das atividades ao ar livre.
S levam uns meses trabalhando.
Oficialmente replicou Phillip com um radiante sorriso. Seu cabelo era de uma cor castanha clara, talhado e penteado para tirar o mximo partido para um rosto que 
os anjos tinham favorecido com um beijo extra de pura beleza masculina. Levava uns Levi's gastos, como era a moda, uma camisa verde de algodo e umas esportivas 
Supergas cor cinza esverdeada. Seus olhos possuam um brilho ardiloso e o sorriso era sedutor.
Parecia exatamente o que ele tinha desejado ser: um sofisticado homem de cidade a quem gostava da moda e o mar.
Ao longo dos anos, meus irmos e eu trabalhamos em equipes que construram uns quantos navios. Brandamente, dirigiu ao Jonathan para os esboos emoldurados que 
penduravam das paredes. Os trabalhos do Seth se exibiam de um modo rstico, pois Phillip pensava que isso harmonizava com o ambiente de uma carpintaria de ribeira 
tradicional. O veleiro de meu irmo Ethan. Uma das poucas que ainda navegam cada inverno para procurar ostras na baa do Chesapeake. Tem-na h mais de dez anos.
 uma beleza. O rosto do Jonathan se tornou sonhador, como Phillip previa. Quando um homem se dedicava a aliviar bolsos, tinha que fazer bem seus clculos. Eu 
gostaria de v-la.
Estou seguro de que podemos organizar uma visita. Deixou que Jonathan seguisse contemplando-o, antes de urgi-lo brandamente a que avanasse. Agora, este possivelmente 
te soe. Indicou-lhe o desenho de um estilizado esquife de carreiras. O treze. Meu irmo Cameron participou tanto no desenho como na construo.
E ganhou em meu Lorilee dois anos seguidos. Joathan fez uma careta de resignao. Claro que CAM capitaneava a equipe.
Sabe de navios. Phillip ouviu o zumbido de uma furadeira procedente de onde seu irmo estava trabalhando sob coberta. Tinha inteno de fazer intervir ao CAM em 
seguida.
O balandro que estamos construindo neste momento se apia fundamentalmente em um desenho do Ethan, embora CAM lhe acrescentou alguns toques. Estamos plenamente 
dedicados a satisfazer as necessidades e desejos do cliente. Conduziu ao Jonathan at o ponto onde Seth continuava lixando o casco. Ethan estava na coberta, fixando 
os verduguillos. Queria velocidade, estabilidade e certos luxos. Phillip sabia que o casco era um modelo espetacular de construo de oculte liso, ele mesmo lhe 
tinha jogado um monto de suarentas horas. Est construdo procurando a beleza, no s a funcionalidade. Teca de proa a popa, como pediu o cliente acrescentou 
risueamente, golpeando o casco com os ndulos.
Phillip moveu as sobrancelhas olhando ao Ethan. Reconhecendo o gesto, este reprimiu um suspiro. Sabia que ia odiar essa parte, mas Phillip tinha pontudo que era 
uma boa idia para chavecar-se ao possvel cliente.
As juntas esto engrenadas e machihembradas, sem cauda. Ethan moveu os ombros para trs, sentindo-se como em um exame oral da escola. Sempre os odiou. Pensamos 
que se os construtores de navios de toda a vida podiam fazer que as costuras durassem um sculo ou mais sem usar cauda, ns tambm. E vi falhar muitas unidas com 
cauda.
Humm repetiu Jonathan, e Ethan tomou flego.
O casco est calafetado ao modo tradicional, com fios de algodo. O forro  completamente estanque, e parece tudo de madeira em sua parte interior. Em quase todas 
as costuras enrolam dois fios. Quase no necessitamos o mao. Depois as embreamos com os materiais normais.
Jonathan no fez nenhum comentrio. To somente tinha uma vaga idia do que dizia Ethan. O pilotava navios, navios que tinha comprado novos, limpos e terminados. 
Mas gostava de como soava a histria.
Parece um navio fino e estanque. Uma bonita embarcao de recreio. Eu procuro velocidade e eficcia, alm de esttica.
Ocuparemo-nos de que o obtenha. Phillip lhe dirigiu um amplo sorriso, ao tempo que o fazia um gesto com o dedo ao Ethan por detrs da cabea do Jonathan. Era o 
momento de comear o seguinte assalto.
Ethan se dirigiu  parte interior do navio, onde CAM estava colocando a estrutura do armrio situado debaixo do beliche.
Toca-te a acima murmurou.
Phil conseguiu que rivalidade o anzol?
No poderia diz-lo. Eu tenho feito meu pequeno discurso e o tipo se limitou a assentir e a emitir sons. me d que no tem nem idia do que lhe estava contando.
 obvio que no. Jonathan contrata a gente para que lhe faa a manuteno de suas embarcaes. No arranhou um casco nem trocado uma coberta em sua vida. CAM se 
incorporou de sua posio agachada e fez exerccios para desentorpecer os joelhos.  o tipo de pessoa que conduz um Maserati sem saber uma mierda de motores. Mas 
seguro que se ficou impressionado com seu deixe de homem de mar e seu atrativo de rasgos duros.
Enquanto Ethan soltava uma risita zombadora, CAM lhe deu uma cotovelada para abrir-se passo.
Vou lhe dar um empurrozinho. Subiu a coberta e conseguiu parecer plausivelmente surpreso de ver o Jonathan a bordo, estudando as d de presente. N, Kraft, o 
que acontece?
Pois muito e muito rpido. Com sincero gosto, Jonathan lhe estreitou a mo. Me surpreendeu que no aparecesse na regata de San Diego este vero.
Casei-me.
Isso me ho dito. Parabns. E agora te dedica  construo de navios em lugar de participar de regatas com eles.
Eu no contaria com meu retiro definitivo das regatas. Estou jogando com a idia de me construir um bote com arranjo de gata este inverno, sempre que o negcio 
afrouxe um pouco.
Esto muito ocupados?
Bom, corre-se a voz comentou CAM, como sem lhe dar importncia. Um navio Quinn implica qualidade. A gente inteligente quer o melhor, quando pode permitir-lhe 
Sorriu, rpido e sedutor, e perguntou: Lhe pode permitir isso voc?
Eu tambm estava pensando em um bote. Seu irmo lhe deve isso haver dito.
Sim, comentou-me isso. Qu-lo ligeiro, rpido e estanque. Ethan e eu estivemos modificando um desenho do que eu tinha pensado para mim. 
Que bola! murmurou Seth, o suficientemente alto para que s o ouvisse Phillip. 
Claro. Este lhe piscou os olhos um olho. Mas  uma bola de primeira qualidade. inclinou-se um pouco mais para o Seth, enquanto CAM e Jonathan se enfrascaban 
em uma conversao sobre o atrativo de participar de uma carreira com um bote. CAM sabe que embora lhe cai bem ao tipo,  muito competitivo.
 Nunca ganhou no CAM quando ambos tomavam parte. Assim...
Assim pagar montes de massa para que CAM lhe construa uma embarcao que nem sequer poderia melhorar.
Isso. Orgulhoso, Phillip deu ao Seth um murro no ombro. Possui um bom crebro. No deixe de us-lo e no te passar todo o tempo lixando cascos. Agora, guri, 
observa ao professor. endireitou-se, e sorriu de forma deslumbrante. Estarei encantado de te mostrar os planos, Jonathan. por que no subimos a meu escritrio? 
Em seguida lhe busco isso.
No me importaria lhes jogar uma olhada. Jonathan desceu do navio. O problema  que necessito o navio preparado para em um de maro. Tenho que prov-lo, lhe pilhar 
o ar e rod-lo antes das regatas do vero.
Em um de maro. Phillip franziu os lbios e depois sacudiu Isso cabea poderia ser um problema. Aqui a qualidade  o primeiro. Construir um campeo leva tempo. 
Jogarei-lhe uma olhada a nosso calendrio acrescentou, passando o brao sobre o ombro do Jonathan enquanto caminhavam. Veremos o que podemos fazer, mas o contrato 
j est assinado e nossas folhas de trabalho me dizem que maio  o antes que podemos entregar o produto de primeira qualidade que voc espera e merece.
Isso no me deixa muito tempo para lhe pilhar os tinos se queixou Jonathan.
me acredite, Jonathan, a um navio construdo pelo Quinn lhe pilha o tino rapidamente, rapidamente acrescentou, jogando um olhar a seus irmos com um sorriso de 
depredador antes de levar-se ao Jonathan a seu escritrio.
Nos vai conseguir at maio decidiu CAM e Ethan assentiu.
Ou lhe dir que para abril e lhe tirar um extra ao pobre idiota.
Uma coisa ou outra. CAM plantou uma mo no ombro de seu irmo. Quando terminar o dia teremos outro contrato.
Abaixo, Seth se burlou.
Jo, vai acabar com ele para meio-dia. O tipo est perdido.
CAM fingiu seriedade.
s duas da tarde, como logo.
As doze insistiu Seth, lhe olhando fixamente.
Joga-te um par de perus? 
Claro. Vem-me bem o dinheiro.
Sabe? comentou CAM enquanto tirava sua carteira. antes de que viesse voc para me jogar a perder a vida, eu acabava de ganhar uma fortuna no Montecarlo.
Seth se burlou risonho. 
Isto no  Montecarlo.
E que o diga. Passou-lhe os bilhetes e depois fez uma careta ao ver entrar em sua esposa. te Controle. aproxima-se a assistente social. No lhe vai parecer bem 
que os menores apostem dinheiro... 
Oua, mas se tiver ganho eu particularizou Seth, mas se guardou os bilhetes no bolso. trouxeste comida? perguntou a Anna.
Ai, no, no trouxe nada. Sinto muito. Alterada, passou-se uma mo pelo cabelo. Sentia no estmago uma bola escura que tratou ignorar com todas suas foras. Sorriu, 
seus lbios curvaram, mas o sorriso no chegou aos olhos. No haviam lhes trazido comida? Sim, mas voc normalmente traz algo melhor. Hoje estive bastante atada 
preparando comida para o andaime de amanh. Passou-lhe uma mo pela cabea e depois a deixou estalagem em seu ombro. Precisava sentir o contato. Me ocorrido tomar 
um descanso e ver como foram coisas por aqui.
Phil acaba de chavecar a um tipo rico para que nos solte um monto de massa.
Que bem, isso est muito bem comentou com ar ausente. Ento temos que celebr-lo. por que no lhes convido a gelado? Pode te aproximar do Crawford e pilhar sorvete 
de caramelo?
Como no! Seu rosto se partiu em um grande sorriso. Claro que posso.
Anna tirou dinheiro de seu moedeiro, esperando que Seth no notasse que lhe tremiam as mos. O meu, sem frutos secos, vale?
Vale, sem problema. Vou. Saiu correndo, e ela o olhou com o corao dolorido.
O que acontece, Anna? CAM lhe ps as mos nos ombros, e lhe deu a volta para lhe olhar a cara. O que passou?
Espera um momento. vim a toda velocidade e necessito um minuto para me tranqilizar. Soltou ar, tomou flego e se sentiu um poquito mais serena. CAM, v procurar 
a seus irmos.
Vale. Mas ficou ali, lhe esfregando os ombros com as mos. Era estranho v-la to afetada. Seja o que seja, resolveremos. dirigiu-se para as portas. Ethan e 
Phil se encontravam fora discutindo de beisebol. aconteceu algo disse brevemente. veio Anna. mandou ao Seth fora. Est preocupada.
Quando se aproximaram, Anna estava junto a um banco de trabalho olhando um dos cadernos de desenho do Seth. Picaram-lhe os olhos ao ver seu prprio rosto, esboado 
com cuidado e habilidade pela mo do muchachito.
Ele sempre tinha sido algo mais que um caso que lhe tinham atribudo, quase do comeo. E agora era dele, tanto como Ethan e Phillip eram deles. Eram sua famlia. 
No podia suportar a idia de que nada nem ningum lhe fizesse mal a sua famlia.
sentiu-se mais tranqila ao voltar-se e observar os rostos silenciosos e preocupados dos homens que se feito essenciais para sua vida.
Isto chegou no correio de hoje. J no lhe tremia a mo quando a meteu na bolsa e tirou uma carta.
Est dirigida aos Quinn. Os Quinn, assim, sem mais repetiu. De Glorifica DeLauter. Tenho-a aberto. pensei que era o melhor e, bom, agora eu tambm me chamo Quinn.
A tendeu ao CAM. Sem dizer nada, este tirou a folha de papel rajado e lhe aconteceu o sobre ao Phillip.
Est franqueada na Virginia Beach murmurou este. A perdemos na Carolina do Norte. Segue pelas praias, mas vem para o norte.
O que quer? Ethan se meteu as mos, com os punhos apertados, nos bolsos. Uma raiva surda a ponto de estalar lhe palpitava j no sangue.
O que seria de esperar respondeu CAM brevemente. Dinheiro. Estimados Quinn. Hei oido que Ray morreu. Que pena. Talvez no soubessem que ele e eu tnhamos chegado 
a um acordo. Acredito que querero mant-lo, posto que tm ao Seth com vs. Suponho que est muito situado a, nessa bonita casa. Lhe sinto falta de. No sabem que 
sacrifcio sups para mim ceder-lhe ao Ray, mas queria o melhor para meu nico filho
Teria que tirar o violino sussurrou Phillip ao Ethan.
Sabia que Ray seria bom com ele continuou CAM. Se comportou bem com vs trs e Seth leva seu sangue.
Deixou de ler por um momento. A estava, em branco e negro.
Verdadeiro ou falso? Elevou o olhar a seus irmos.
J nos ocuparemos disso mais tarde. Ethan sentiu que a dor atendia seu corao, mas moveu a cabea. Segue lendo.
Vale. Ray sabia quanto me doeu me separar do menino, assim que me deu uma mo. Mas agora que ele j no est, comea a me preocupar que o stio mais apropriado 
para o Seth no seja a com vs. Mas poderiam me convencer. Se esto decididos a ficar com ele, mantero a promessa do Ray de me ajudar. vou necessitar um pouco 
de dinheiro, como um signo de suas boas intenes. Cinco mil. me podem enviar isso a meu nome, a Lista de Correios, aqui, na Virginia Beach. Dou-lhes duas semanas, 
dado que no se pode uma confiar em servio de correios. Se no ter suas notcias, saberei que em realidade no querem ao menino, assim irei lhe buscar. Ele me deve 
jogar de muitssimo menos. No deixem de lhe dizer que sua mame lhe quer muito e que talvez nos vejamos muito em breve.
Cabrona! foi o primeiro comentrio do Phillip. Est nos pondo a prova, tentando outra pequena chantagem a ver se picarmos como fez papai.
No podem faz-lo. Anna ps uma mo no brao do CAM e sentiu o tremor de raiva. Tm que deixar que as instituies faam seu trabalho. Tm que confiar em mim, 
no permitirei que ela faa isto. No julgamento...
Anna. CAM ps a carta na mo que Ethan lhe tendia. No vamos fazer que o menino passe por um processo judicial. No a menos que no haja outra forma.
No podem lhe dar dinheiro. CAM...
Eu no quero que receba nem um puto centavo. ficou a dar voltas, tratando de controlar. Se acredita que nos tem agarrados pelas cabelos, mas se equivoca. No somos 
um homem velho e sozinho. voltou-se com os olhos ardentes. Vero como tenta acontecer por cima de ns para jogar a luva ao Seth.
teve muito cuidado na forma de dizer as coisas comentou Ethan enquanto estuda-a carta outra vez. No deixa de ser uma ameaa, mas no  tola.
 avara interveio Phillip. Se j esta pedindo mais, depois de tudo o que lhe deu batata, o que est fazendo  pr a prova a profundidade do poo.
Agora lhes v como sua vaca leiteira coincidiu Anna. E resulta impossvel predizer o que far quando se der conta de que esta no se deixa ordenhar Fazendo uma 
pausa, apertou-se uma tmpora com dedos, forando-se a pensar. Se voltar de novo condado e trfico de ficar em contato com o Seth, posso fazer que lhe impeam o 
contato direto com ele com uma ordem de afastamento, ao menos de forma temporria. Vs tm a custdia do menino. E Seth  o suficientemente major para falar por 
si mesmo. Pergunta-a : far-o? Elevou as mos, frustrada e logo as deixou cair. Contou muito pouco sobre sua vida antes de que viesse aqui. Necessitarei detalhes 
para poder bloquear qualquer intento de reclamar a custdia por parte dela.
O no a quer. E no quer a ele. Ethan com muita dificuldade pde resistir a fazer uma bola com a carta e lan-la longe. A menos que ele valha o preo de outra 
dose. Ela deixou que os clientes lhe aproximassem.
Anna se voltou a lhe olhar, manteve os olhos serenos e diretos em seu rosto.
Contou-lhe isso Seth? Disse-te que tinha havido abuso sexual e que ela o tinha permitido?
Contou-me o suficiente. O gesto do Ethan se endureceu e se tornou sombrio. Depende dele se quer contar-lhe a algum mais e v-lo refletido em um puto relatrio 
oficial.
Ethan. Anna posou uma mo sobre seu rgido brao. Eu tambm lhe quero. S desejo lhe ajudar.
Sei. Deu um passo atrs porque seu aborrecimento era muito intenso e podia salpicar a outros. O sinto, mas h vezes em que as instituies s pioram as coisas. 
Fazem-lhe sentir como que lhe tragam. Tentou bloquear o eco de dor. Ele tem que saber que conta conosco para nos manter firmes a seu lado,  margem de qualquer 
instituio.
Ter que lhe dizer ao advogado que ela se ps em contato conosco. Phillip agarrou carta ao Ethan, dobrou-a e a colocou de novo no sobre. E temos que decidir como 
vamos levar este tema. Meu primeiro impulso  baixar a Virginia Beach, tirar a de seu buraco e lhe dizer de forma que no lhe caiba nenhuma duvida o que lhe vai 
passar se aproximar de menos de cinqenta milhas do Seth.
As ameaas no vo servir de nada... comeou Anna.
Mas nos faria sentir de maravilha. CAM se os dentes. me Deixem faz-lo . 
Por outro lado continuou Phillip, acredito que poderia ser muito efetivo, e contaria muito se formos a uma batalha legal, que nosso colega Glorifica recebesse 
uma carta da assistente social atribuda ao caso do Seth. Uma carta que resumisse a situao, as opes e as concluses s que se chegou. Contatar ou tratar de contatar 
uma me biolgica que est pensando em voltar a reclamar a custdia de seu filho, um filho que figura em seus arquivos, entraria dentro de suas competncias, no, 
Anna?
Anna o pensou, consciente de que se tratava de linha muito fina e faria falta um grande sentido do  equilbrio para caminhar por ela.
Eu no posso amea-la. Mas... talvez a fazer que se pare a pensar. Contudo, a parte essencial segue sendo: o vamos dizer ao Seth?
O lhe tem medo murmurou CAM. Maldita seja, o menino est comeando a relaxar-se, est comeando a acreditar que se encontra a salvo. por que temos que lhe dizer 
que ela tornou a colocar a garra em sua vida outra vez?
Porque tem direito ou seja o disse Ethan com suavidade. J se tinha acalmado e podia pensar com claridade. Tem direito ou seja o que  ao que possivelmente tenha 
que enfrentar-se. Se souber o que  o que te persegue, tem mais oportunidades. E porque acrescentou a carta vinha dirigida aos Quinn. O  um de ns.
Eu preferiria queim-la murmurou Phillip. Mas tem razo.
O diremos entre todos coincidiu CAM. 
Preferiria dizer-lhe eu.
Tanto CAM como Phillip ficaram olhando ao Ethan.
Seriamente?
Pode que tome melhor vindo de mim. voltou-se a ver como Seth entrava pela porta. Agora o veremos.
Mame Crawford nos ps um monto de caramelo extra. Tio, jogou-lhe um jorro enorme. Havia como milhares de turistas no porto Y... Seu bate-papo excitado se deteve. 
Os olhos passaram de alegres a receosos. O corao comeou a lhe tamborilar no peito. Podia reconhecer os problemas, os problemas srios. Tinham seu prprio aroma. 
O que passa?
Anna lhe tirou a bolsa e se voltou para tirar as tarrinas com tampas de plstico.
por que no se sinta, Seth?
No quero me sentar. Era mais fcil tirar vantagem ao correr se a gente j estava de p.
Hoje chegou uma carta. Ethan sabia que ou melhor era dar as ms notcias de forma rpida e clara. De sua me.
Est aqui? O medo retornou, afiado como um bisturi. Seth retrocedeu um passo e ficou isso como uma tabela quando CAM lhe ps uma mao no ombro.
No, no est aqui. Mas ns sim. No se esquea disso.
Seth se estremeceu, logo plantou os ps no cho com firmeza.
Que demnios quer? por que manda carta? No quero l-la. 
Ento no tem por que lhe faz-lo assegurou Anna. por que no deixa que Ethan te explique, e logo falaremos do que vamos fazer.
Ela sabe que Ray morreu comeou Co. me d que o soube desde o comeo, mas que se tomou seu tempo.
O lhe deu dinheiro. Seth tragou para que a saliva rrastrara o temor. Os Quinn no tinham medo se disse a si mesmo. No lhe tinham medo a nada. se foi. No lhe 
importa que esteja morto.
Sim, no acredito que lhe importe, mas est procurando mais dinheiro. Disso trata a carta.
Quer que eu lhe pague? Um medo muito resistente lhe explorou no crebro. Eu no tenho dinheiro. por que me pede dinheiro ? 
No te tem escrito a ti.
Seth respirou entrecortadamente e centrou o olhar no rosto do Ethan. Os olhos eram claros e pacientes, a boca firme e sria. Ethan sabia, no podia pensar outra 
coisa. Ethan sabia como era. Conhecia os quartos, os aromas, as mos grosas na escurido.
Quer que lhe vs paguem. Uma parte de si queria lhes implorar que o fizessem. Que lhe pagassem o que ela quisesse. O juraria com seu sangue que faria o que lhe 
pedissem durante o resto de sua vida para honrar a dvida. Mas no podia. No com o Ethan lhe observando e esperando. E sabendo. Se o fazem, no far mais que voltar 
para por mais. Seguir voltando uma e outra vez. Seth se passou o dorso da mo suarenta pela boca. Enquanto saiba onde estou, voltar. Tenho que ir a outro stio, 
a algum stio onde no possa me encontrar.
Voc no vai a nenhuma parte. Ethan se acuclill para que seus olhos ficassem  mesma altura. E ela no vai conseguir mais dinheiro. No vai ganhar.
Lentamente, de forma mecnica, Seth sacudiu a cabea para os lados.
Voc no a conhece.
Conheo partes dela.  o suficientemente lista para saber que estamos decididos a te manter aqui conosco. Que lhe queremos o suficiente para lhe pagar. Viu o brilho 
de emoo nos olhos do menino antes de que baixasse o olhar. E que lhe pagaramos se essa fosse a forma de terminar com isto, se isso facilitasse as coisas. Mas 
no vai terminar com elas nem as vai facilitar.  o que voc h dito. Ela voltaria uma e outra vez.
O que ides fazer?
 o que vamos fazer. Entre todos ns disse, e esperou a que o olhar do Seth se detivera de novo em seu rosto. Em geral, vamos continuar como at agora. Phil falar 
com o advogado para ter esse ngulo coberto. 
lhe diga que no quero voltar com ela disse Seth colrico, lhe lanando ao Phillip um olhar de desespero. Acontea o que acontecer, eu no vou voltar. 
O direi.
Anna lhe vai escrever uma carta continuou Ethan.
Que classe de carta?
Uma boa comentou Ethan esboando a sorriso. Com todas essas palavras calras e todo esse cilindro oficial. Far-o como assistente social atribuda a seu caso, 
para lhe dizer a Glria que contamos com o apoio da lei e das instituies. de que lhe faa pensar.
Ela odeia aos assistentes sociais interveio
Bem. Pela primeira vez em mais de uma hora Anna sorriu, e esta vez sentindo-o-a gente odeia algo normalmente lhe tem medo tambm.
Uma coisa que seria de grande ajuda, se pudesse faz-lo, Seth...
voltou-se para o Ethan.
O que tenho que fazer?
Se pudesse falar com a Anna e lhe contar como eram as coisas antes, descrevendo as de forma precisa como pode.
No quero falar disso. Aquilo se acabou. No vou voltar.
Sei. Com ternura, Ethan ps as mos nos ombros trementes do Seth. E sei que falar disso pode ser quase como estar de volta ali. me levou muito tempo poder contar-lhe 
a minha me, ao Stella. Diz-lo em voz alta, embora ela j sabia a maior parte. depois disso, comeou a melhorar. E ajudou a ela e ao Ray a arrumar toda a mierda 
legal.
Seth pensou em Solo ante o perigo e em heris. Pensou no Ethan.
 o que ter que fazer? 
Sim,  o que ter que fazer. 
Estar voc comigo?
Claro. Ethan ficou de p e lhe tendeu uma mo. Vamos a casa e o comentaremos a fundo.
14
Lista, mame? Vamos?
Quase, Aubrey. Grace lhe deu os ltimos toques  salada de batata, polvilhando pimenton doce para lhe dar um toque de cor e de sabor.
A menina no tinha deixado de lhe perguntar o mesmo das sete e meia da manh. Grace decidiu a nica razo pela que no tinha perdido a pacincia com sua filha era 
porque ela mesma se sentia to desajeitada e iludida como uma menina de dois anos. 
Maaam!
Ante a profunda frustrao na voz da menina Grace se tragou uma risita.
Vejamos. A jovem cobriu a terrina com um plastico transparente antes de d-la volta para olhar a sua filha. Est muito bonita. 
Tenho um lao. Com um gesto totalmente feminino, a menina elevou uma mo e se tocou a cinta que sua me lhe tinha posto nos cachos. 
Um lao rosa.
Rosa. Aubrey olhou ao Grace com um sorriso deslumbrante. Mame bonita.
Obrigado, carinho. Esperava que Ethan estivesse de acordo. Como a olharia? Como deveriam comportar-se? Haveria muita gente, e ningum, bom, alm dos Quinn, ningum 
sabia que estavam apaixonados.
Apaixonados, pensou com um comprido suspiro sonhador. Era um lugar to maravilhoso no que encontrar-se. Piscou enquanto uns bracitos se aferraram a suas pernas e 
as apertaram.
Mame, lista?
Renda-se, Grace elevou a sua filha para lhe dar um beijo e um grande abrao.
Vale! Vamos.
Nenhum general nas horas anteriores a uma batalha decisiva tinha dirigido suas tropas com maior autoridade e determinao que Anna Spinelli Quinn.
Seth, coloca essas cadeiras dobradias  sombra dessas rvores de l. Ainda no tornou Phillip com o gelo extra? J faz vinte minutos que se foi. CAM! Ethan e voc 
esto pondo essas mesas de picnic muito juntas.
Faz um momento comentou CAM pelo baixo estavam muito separadas. Mas voltou atrs e deslocou a mesa uns trinta centmetros.
Vale. Assim est bem. Carregada com toalhas de raias em vivos tons de vermelho, azul e branco, Anna atravessou a grama apressadamente. Agora podem pr as mesas 
com sombrinha mais perto da gua, acredito.
CAM entreabriu os olhos.
H dito que as queria junto s rvores.
troquei que opinio. Dirigiu um olhar ao ptio enquanto estendia as toalhas. CAM abriu a boca para protestar, mas captou a tempo o gesto negativo de advertncia 
que lhe fez seu irmo. Ethan tinha razo, decidiu. Discutir no ia trocar nada.
Anna levava toda a manh como uma moto, quando o comentou ao Ethan uma vez estavam onde ela no pudesse lhes ouvir, fez-o com a irritao de algum completamente 
perplexo. 
Estamos falando de uma mulher prtica, organizada acrescentou CAM. No sei que chifres lhe passa. No  mais que uma comida ao ar livre, joder. 
Suponho que as mulheres ficam assim por coisas como esta opinou Ethan. lembrava-se de como Grace no lhe tinha permitido dar uma ducha em seu prprio quarto de 
banho, s porque Anna e CAM voltavam para casa esse dia. Quem sabia o que acontecia uma mente feminina?
No ficou assim quando o do banquete de bodas?
Sim. CAM resmungou enquanto agarrava uma dessas com sombrinha, outra vez, e a levava a gua banhada pelo resplendor do sol. Phillip sim que  preparado. saiu 
que casa como alma leva o diabo.
Sempre foi muito hbil coincidiu Ethan.
 No lhe importava mover mesas, ou colocar cadeiras, ou qualquer das dzias de tarefas, grandes e pequenas, que ocorriam a Anna. Ajudava-lhe a manter a mente se 
separada de temas mais srios.
Se se permitia pensar muito, comeava a ver em sua mente uma imagem de Glria DeLauter. Como nunca a tinha visto em pessoa, a imagem criada por sua imaginao era 
a de uma mulher alta e corpulenta com o cabelo pajizo em desordem, os olhos duros maquiados de negro, a boca frouxa pelas muitas viagens  garrafa e os excessivos 
emparelhamentos com a agulha.
Os olhos eram azuis, como os seus. A boca, apesar da capa de carmim brilhante, estava formada como a sua. E sabia que no era a me do Seth a quem estava vendo. 
Era a sua.
No se tratava de uma imagem confusa e imprecisa, como se tinha ido voltando com o tempo. Agora estava to ntida e bem definida como se fora ontem.
Ainda possua o poder de lhe gelar o sangue, de agitar em seu estmago um insalubre temor animal que se parecia com a vergonha. Tdava lhe dava vontade de ficar 
a dar golpes com os punhos machucados e talheres de sangue.
Voltou lentamente a cabea para ouvir um chiado de alegria. E viu o Aubrey que se aproximava correndo pela grama com os olhos brilhantes como raios de sol. E viu 
o Grace, de p nas escadas do alpendre, com o sorriso clida e um pouco tmida.
No tem direito vaiou uma vocecita desagradvel dentro de sua cabea. No tem direito a tocar algo to brilhante e to bom.
Mas sentia a necessidade, uma necessidade que lhe alagou como uma tormenta e lhe deixou sem saber o que fazer. Quando Aubrey se lanou contra ele, seus braos a 
elevaram e lhe deram umas voltas enquanto ela chiava de alegria. Queria que fosse dela. Com um profundo desejo, desejou que essa menina perfeita, nocente e risonha 
lhe pertencesse. Os joelhos do Grace afrouxaram enquanto caminhava para eles. A imagem que compunham cintilou em sua mente, em seu corao, onde ela sabia ficaria 
gravada. O homem desajeitado com mos grandes e um sorriso srio e a menina de um dourado brilhante com um lao rosa no cabelo.
O sol se vertia sobre eles de um modo to abundante e completo como o amor que brotava de seu corao.
Leva lista para vir desde que tem aberto olhos esta manh comeou Grace. pensei que podamos vir um pouco mais logo para dar uma mo a Anna. O a olhava to atenta, 
to calmadamente, que os nervos lhe danaram sob a pele. No fica muito por fazer, mas
interrompeu-se porque o brao dele se deslizou at envolver-se com rapidez em torno dela e apert-la estreitamente junto a si. Apenas lhe deu tempo a tomar flego, 
surpreendida, antes de que a boca dele se posasse na sua. spero e ansioso, o enviou raios de calor pelo sangue, fazendo girar seu aturdido crebro at enjo-lo. 
De forma amortecida, ouviu o grito feliz de sua filha. 
Beijo, mame!
Ai, sim pensou Grace, apressando-se para lhe alcanar na frentica carreira que ele tinha iniciado. Por favor, me beije, me beije, me beije.
Pareceu-lhe ouvir algum som que ele emitia, tal ver um suspiro, que procedia de um lugar muito fundo para ser um verdadeiro som. Os lbios dele se suavizaram. A 
mo que se obstinado  costas da blusa como um homem que se aferrasse a sua prpria vida se abriu e a acariciou. Esta emoo, mais tenra, mais doce, que flua dele 
no era mais serena que essa primeira chicotada de avareza, e s dourava os borde do desejo que ele tinha incitado.
Podia lhe cheirar, calor e homem. Podia cheirar a sua filha, talco e menina. Seus braos estreitaram a ambos, instintivamente convertendo-os em uma unidade, mantendo-os 
ali quando o beijo terminou e ela pde posar a cabea sobre o ombro dele.
Nunca a tinha beijado diante de outras pessoas. Ela sabia que CAM se achava a uns poucos metros quando Ethan a agarrou. E Seth o teria visto..., e Anna.
O que significava?
me beije! exigiu Aubrey, dando golpecitos ao Ethan na bochecha e franzindo os lbios.
O lhe deu gosto e logo brincou, lhe fazendo ccegas no pescoo, o que a fez rir. Depois voltou a cabea e roou com os lbios o cabelo do Grace.
No queria te agarrar por essa forma.
Estava esperando que o fizesse sussurrou. Me tem feito sentir que pensava em mim. Que me desejava.
Pensava em ti, Grace. Desejava-te. Como Aubrey se revolvia, p-la no cho e a deixou correr para o Seth e os ces. O que quero dizer que no queria ser brusco 
contigo. 
No o foste. No sou frgil, Ethan. 
Sim, -o. Quando viu o Aubrey cair sobre Parvo para lutar na erva, voltou o olhar para o Grace, por volta de seus olhos. Delicada disse brandamente como a porcelana 
branca com flores rosas que s usvamos o dia de Ao de Obrigado. Que ele pensasse isso fez que seu corao batesse as asas alegremente, embora ela sabia que no 
era assim. 
Ethan...
Sempre me dava medo agarr-la mau e romp-la por uma estupidez. Nunca acostumei a ela.
Passou-lhe o polegar levemente pelo ma do rosto, da pele estava quente e era de uma suavidade sedosa. Logo deixou cair a mo a um lado.
Mais vale que aproximemos o ombro, antes que Anna volte louco ao CAM.
O estmago do Grace seguiu batendo as asas com uma gozosa alegria, inclusive quando ficou a tirar coisas da cozinha at uma das mesas de picnic. s vezes se detinha, 
com uma fonte ou uma terrina na mo, a contemplar como Ethan cravava as estacas para jogar s ferraduras.
Olhe como lhe esticam os msculos sob a camisa.  to forte... Olhe como mostra ao Seth a forma de agarrar o martelo. Tem tanta pacincia.
Leva os jeans que lavei o outro dia. As voltas se ficaram brancas e esto comeando a desfiar-se. No bolso dianteiro direito havia sessenta e trs cntimos. Olhe 
como Aubrey lhe sobe pelas costas. Sabe que ser bem-vinda. Sim, agarra-a, a alta um pouco para que no caia e segue trabalhando. No lhe importa que lhe tire a 
boina e trate de ficar a em seu cabecita. Cresceu-lhe o cabelo e as pontas brilham ao sol enquanto o separa dos olhos de um meneio. Espero que siga esquecendo-se 
de ir ao barbeiro durante um tempo. Oxal pudesse tocar esse cabelo neste mesmo momento. Enrolar essas espessas pontas queimadas pelo sol em torno de rni dedo.
 uma bela imagem murmurou Anna por detrs, fazendo que Grace se sobressaltasse. Com uma suave risada, Anna colocou na mesa uma enorme terrina de salada de massa. 
Eu s vezes fao o mesmo com o CAM. Simplesmente fico lhe olhando. Aos Quinn d gosto olh-los.
s vezes penso que s vou jogar lhe uma miradita rpida e logo no posso deixar de lhe contemplar. Sorriu quando Ethan se incorporou, com o Aubrey ainda ascenso 
em suas costas, e deu voltas lentamente, como tratando de encontr-la.
Lhe do muito bem os meninos coment Anna. vai ser um pai maravilhoso.
Grace sentiu que lhe subia o calor s bochechas. Ela estava pensando exatamente o mesmo. Custava-lhe acreditar que apenas umas semanas antes lhe havia dito a sua 
me que no pensava casarsu nunca mais. E agora estava lhe dando voltas a essa possibilidade. E esperando.
Tinha-lhe resultado fcil apartar toda idia de matrimnio quando no acreditava que pudesse comrpatir alguma vez sua vida com o Ethan. Em seu primeiro matrimnio 
foi mal porque seu corao perteca a outro homem que no era seu marido. Foi culpa dela, e assumia a responsabilidade daquele caso.
Mas o matrimnio com o Ethan tiraria o melhor ela, no? Poderiam fundar uma famlia, construir lar e um futuro apoiados no amor, a confiana e a sinceridade.
Ela sabia que ele no ia apressar se. Isso no. Mas a amava. Lhe compreendia o suficiente para saber que, para ele, o matrimnio seria o seguinte passo.
Ela estava j lista para d-lo.
O aroma dos hambrgueres fumegando na churrasqueira, o aroma a levedura da cerveja que saa barril frio. As vozes dos meninos que riam e dos adultos que se elevavam 
em faiscantes conversaes ou descendiam para intercambiar uma fofoca. O rudo apagado de uma embarcao que sulcava veloz as guas, com os gritos de seus tripulantes, 
todos adolescentes; o som metlico da ferradura quando dava em branco...
Havia perfumes, sons e imagens. E as vivas cores vermelha, branco e azul das toalhas que cobriam as mesas cheias de terrinas, pratos, fontes e panelas.
O bolo de cereja da senhora Cutter. O coquetel de camares-rosa dos Wilson. O que ficava do saco de milho que tinham levado os Crawford. Moldes de gelatina e salada 
de fruta, frango frito e tomates em ramo madrugadores. A gente estava por toda parte, em cadeiras, na erva, no embarcadero e no alpendre.
Alguns homens contemplavam de p, com as mos nos quadris, o jogo de ferraduras, com a expresso transcendental que revistam adotar quando presenciam um espetculo 
esportivo. Os bebs dormiam em sillitas ou em braos complacentes enquanto outros choravam para que fizessem conta. Os mais jovens nadavam e chapinhavam na gua 
fresca e os majores se abanicaban  sombra.
O cu estava claro, o calor era imenso.
Grace contemplou como Parvo rebuscava pelo cho comida que se cansado. Tinha encontrado um monto e ela pensou que se sentiria doente como..., bom, como um co, 
antes de que terminasse o dia.
Ela tinha a esperana de que no terminasse nunca.
Vadeando, meteu-se na gua, sustentando firmemente ao Aubrey apesar dos coloridos manguitos que levava nos braos. Mergulhou a sua filha, rendo quando a menina ficou 
a espernear de gosto.
Dentro, dentro, dentro! exigiu Aubrey.
Carinho, no me trouxe o traje de banho. Mas se meteu um pouco mais, at que a gua chegou ao joelho, para que a menina pudesse chapinhar.
Grace!, Grace! Olhe, olhe.
Para dar gosta, Grace entreabriu os olhos para proteger do sol e viu como Seth corria para logo lanar-se do embarcadero, dobrando os joelhos e as sujeitando com 
os braos. Caiu na gua como uma bomba, levantando uma fonte resplandecente, e a molhou inteira.
 estilo bomba anunciou orgulhoso cuanali  superfcie. Logo sorriu. Anda, molhei-lhes todas.
Seth, me leve. Estirando-se, Aubrey lhe tendeu os braos. me Leve.
No posso, Aubrey. Tngo que fazer a bomba. 
Quando se afastou nadando para reunir-se com os meninos, Aubrey ficou a soluar.
Logo volta e joga contigo lhe assegurou
Agora!
Em seguida. Para evitar o que poderia converter-se em uma boa rabieta, lanou ao Aubrey para cima para agarr-la assim que golpeava a gua. Sotaque que jogasse 
e chapinhasse e logo a deixou solta, mordeu-se o lbio enquanto sua filhinha desfrutava plenamente.
Nado, mame.
J o vejo, carinho. Nada muito bem. Mas no v longe.
Como Grace esperava, a gua, o sol e a excitao se combinaram para esgotar  menina. Quando comeou a piscar e a abrir muito os olhos, como fazia quando precisava 
dormir, Grace a atraiu para si.
Aubrey, vamos beber algo. 
Nado.
Logo nadamos mais. Tenho sede. Grace a levantou e se preparou para a pequena batalha que se morava.
O que tem a, Grace, uma sereia?
Me e filha elevaram a vista  mida ribeira e viram o Ethan.
A verdade  que  bonita disse, sonriendo ao rosto triste do Aubrey. Me deixa isso? 
No sei. Talvez. aproximou-se do ouvido do Aubrey e disse: Ethan acredita que  uma sereia.
Os lbios da menina tremeram, mas j quase se esqueceu de por que queria chorar. 
Como Ariel?
Sim, como Ariel no filme. Comeou a subir pela borda e se encontrou com a mo do Ethan, que agarrava a sua com firmeza. Quando recuperou o equilbrio, tirou ao 
Aubrey dos braos.
Nado lhe disse a menina com um tom lastimero e logo enterrou o rosto na curva de seu pescoo.
J te vi nadar. Estava molhada e fresquita, acurrucada em seus braos. Tendeu uma mo, agarrou a do Grace de novo e atirou dela at que subiu a costa da ribeira. 
Esta vez seus dedos, entrelaaram-se com os dela e ficaram assim Agora tenho duas sereias.
Est cansada comentou Grace em voz baixa. s vezes isso a volta irritvel. Est molhada. acrescentou, e fez gesto de tomar a dos braos ele.
No importa. Deixou ir a mo do Grace, porque queria lhe passar a seu pelo cabelo mido e reluzente. Voc tambm est molhada. Logo lhe aconteceu um brao pelos 
ombros e aadio: Passeemos ao sol um ratito. 
Vale.
Talvez ao outro lado, por diante da casa sugeriu ele, sonriendo levemente quando o flego do Aubrey bateu as asas contra sua pele, fazendo-se mais regular ao dormir. 
Onde no h tanta gente.
Com surpresa e uma leve descarrega de prazer, Carol Monroe contemplou como Ethan passeava sua filha e sua neta. Com olhos de mulher, viu algo que a um vizinho e 
amigo passeando com uma velha amiga. Impulsivamente, atirou a seu marido do brao, lhe apartando da ronda de ferraduras que estava jogando absorto.
Espera, Carol. A jnior e nos toca jogar com os ganhadores desta ronda. 
Olhe, Pete. Olhe isso. Grace est com o Ethan. amargamente irritado, jogou uma olhada ao redor e se encolheu de ombros.
E o que?
Com ele, tolo. Disse-o com carinho e exasperao. Como noivos.
Noivos?
riu burlonamente, disposto a recha-lo, Deus sabia que de vez em quando Carol tinha idias do mais assobiadas. Como quando se empenhou em que fizessem um cruzeiro 
pelas Baharnas. Como se ele no pudesse sair a navegar, em qualquer momento do dia ou da noite, ao lado mesmo de sua casa. Mas nesse momento captou algo na forma 
em que Ethan se inclinava para o Grace, na forma em que ela elevava a cabea.
Fez-lhe mover os ps, franzir o cenho e apartar a vista.
Noivos murmurou, e no soube que diabos se supunha que sentia a respeito. Teve que recordar-se que ele no colocava os narizes na vida de sua filha. Ela j tinha 
eleito seu prprio caminho.
Olhando para o sol, franziu o cenho intensamente ao recordar o que havia sentido quando sua filha recostava a cabea em seu ombro, como fazia Aubrey nesse mesmo 
momento com o Ethan Quinn.
Quando eram assim de pequenas, pensou, confiavam em ti, respeitavam-lhe e acreditavam o que lhes dizia, at se lhes dizia que o trovo eram anjos que aplaudiam.
Quando se faziam maiores, comeavam a apartar-se. E a desejar coisas que no tinham nenhuma pingo de sentido. Como dinheiro para viver em Nova Iorque, e sua bno 
para casar-se com um casulo que no valia nem a metade que elas.
Deixavam de pensar que foi o homem das respostas e lhe rompiam o corao. Assim tinha que voltar a reunir as peas como podia e lhe pr um cadeado para que no voltasse 
a acontecer.
Ethan  justo o que Grace necessita decia Carol em voz baixa, se por acaso algum vejestorio, dos que acreditavam que lanar ferraduras a uma estaca de ferro era 
uma forma divertida de passar o dia, tivesse bom ouvido.  um homem cabal e tenro.  um homem no que ela poderia apoiar-se.
Mas no o far.
O que?
Ela no se apoiar em ningum.  muito orgulhosa para saber o que lhe convm, e sempre o foi.
Carol se limitou a suspirar. Se isso era verdade, Grace tinha herdado cada partcula de teimoso orgulho de seu pai.
Tampouco voc puseste nunca nada de sua parte.
No comece, Carol. No tenho nada que dizer Se separou dela, ignorando o sentimento culpa, porque sabia que esse gesto feria os sentimentos dela. Quero uma cerveja 
murmurou, alejandos.
Phillip Quinn e alguns mais se achavam reunidos em torno do barril de cerveja. Pete notou com risita divertida que Phillip estava flertando com a garota dos Barrow, 
Celia. No podia culp-lo, ela tinha um corpo como o de um pster layboy e no lhe dava vergonha mostr-lo. No era algo que um homem deixasse de notar, embora tivesse 
idade suficiente para ser seu pai.
Quer que lhe sirva uma, senhor Monroe?
Sim, obrigado. Pete assentiu fazendo um gesto os assistentes  festa que estavam no ptio . Que monto de gente, Phillip! E uma a comilona, tambm. Lembro-me 
de que seus pais faziam um andaime quase todos os veres. Alegra-me saber que esto mantendo a tradio.
Ocorreu a Anna respondeu Phillip, lhe tendendo um copo alto de plstico com espumosa cerveja.
Essas coisas ocorrem s mulheres mais que aos homens, suponho. Se no ter oportunidade, lhe d as obrigado por nos convidar. Tenho que voltar para porto dentro 
de uma hora mais ou menos para preparar os fogos.
Sempre so muito bons. Os melhores foguetes da borda oriental.
Tradio repetiu Pete. Era uma palavra importante.
Carol Monroe no tinha sido a nica em notar a forma em que Ethan e Grace davam um passeio juntos. A especulao e as risitas dissimuladas comearam a estender-se 
sobre as saladas de batata e os caranguejos ao vapor.
Mame Crawford moveu o garfo ante seu boa amiga Lucy Wilson.
D-me que Grace vai ter que mostrar-se firme se quiser que Ethan Quinn chegue a algo antes de que a menina tenha idade para ir  universidade. Nunca vi a um homem 
que se mova mais devagar.
O se pensa muito as coisas comentou Lucy lealmente.
No te digo que no. S digo que  lento. Vi-lhes olhar-se com olhos tenros desde antes que ele tivesse seu prprio navio de tarefa. Tem que fazer quase dez anos. 
Stella, que em paz descanse e eu o falamos uma ou duas vezes.
Lucy suspirou por cima de sua salada de frutas, e s porque tratava de controlar as calorias.
Stella conhecia seus filhos de cima abaixo.
E tanto. Um dia lhe disse: Stella, seu filho olharam  filha dos Monroe com olhos de cordeiro degolado. E ela riu, e comentou que era um caso srio de amor adolescente, 
mas que s vezes era o melhor modo de comear algo srio. Nunca compreendi por que Ethan no deu um passo  frente antes de que Grace se enredasse com aquele Jack 
Casey. Nunca eu gostei nem um cabelo.
No era mau, s dbil. Olhe a, Mame. disse Lucy, baixando a voz como uma conspirado. Com a cabea indicou ao Ethan e Grace, que aconteciam da casa, agarrados 
da mo e com a menina dormida no ombro dele.
Esse sim que no tem nada de dbil. Mame moveu as sobrancelhas e lhe dirigiu um olhar malicioso a seu amiga. E a lentido pode ser uma coisa boa na cama, no, 
Lucy?
Lucy soltou uma gargalhada.
Isso  certo. Isso  bem certo.
Por fortuna, ignorantes da especulao que tinham despertado por um tranqilo passeio em torno da casa em uma clida tarde do vero, Grace se deteve servir-se ch 
gelado. antes de que tivesse cheio o primeiro copo, aproximou-se sua me apressadamente, todos sorrisos.
Ai, me deixe a essa preciosa menina. No h nada to relaxante como sentar-se com uma menina dormida nos braos. Enquanto falava, em tom baixo e rpido, tomou 
ao Aubrey dos braos do Ethan. Isso me d uma boa desculpa para me sentar  sombra um momento e descansar. Juro-lhe isso, Nancy Claremont me ps a cabea como um 
tambor grande. Vs os jovens teriam que estar lhes divertindo.
A ia deitar comeou Grace, mas sua me rechaou a idia com um gesto.
No faz falta, no faz falta. No tenho a oportunidade de t-la em braos freqentemente quando est quieta. Vs, sigam passeando. Teriam que lhes tirar do sol, 
isso sim. Pega forte.
 uma boa idia murmurou Ethan enquanto Carol se afastava depressa, arrulhando  dormida Aubrey. um pouco de sombra e de tranqilidade no nos viriam mau.
Bom..., vale, mas s fica outra hora ou assim. Logo tenho que ir.
Enquanto falava, ele atirou dela com gentileza para as rvores, pensando que poderia encontrar um rinco resguardado, um lugar ntimo, onde voltar a beij-la. deteve-se 
no bordo das rvores e a olhou franzindo o cenho.
Ir aonde?
Ao trabalho. Toca-me no bar esta noite. 
Mas se for sua noite livre.
Era-o, ou seja, normalmente o , mas estou fazendo algumas horas de mais. 
J trabalha muitas.
Ela sorriu distrada e logo aliviada quando entraram na sombra que reduzia o calor na metade.
S umas poucas mais. Shiney foi muito bom e me jogou uma mo para que possa pagar o que devo carro. Ai, que bem se est aqui! Fechou os olhos e inalou profundamente 
o afresco e mido. Anna me h dito que seus irmos e voc ides tocar mais tarde. me sinto perder isso Ya te lo he odo decir antes replic apaciblemente. Pero 
eso no cambia las cosas. Trabajo en el bar y voy a seguir trabajando all. 
Grace, j te hei dito que se o dinheiro for um problema, eu te ajudo.
Ela voltou a abrir os olhos.
No necessito que me ajude, Ethan. Sei trabalhar.
Sim, claro que sabe trabalhar. Isso  tudo o que faz. Caminhou afastando-se dela e logo se aproximou como tratando de livrar-se do que o reconcoma por dentro. 
Odeio que trabalhe no bar. Grace ficou rgida, podia sentir a coluna lhe esticava vrtebra a vrtebra. 
No quero voltar a brigar contigo por isso. um bom trabalho, um trabalho honrado. 
No me estou brigando, s lhe estou dizendo isso. aproximou-se dela, o torvelinho de gnio em seus olhos a surpreendeu tanto que retrocedeu at se chocar com uma 
rvore.
J lhe ouvi dizer isso antes replicou apaciblemente. Mas isso no troca as coisas. Trabalho no bar e vou seguir trabalhando ali. 
Necessita que algum te cuide. Adoecia-lhe pensar que ele no seria essa pessoa.
No, no o necessito.
E um corno. J se viam sombras de cansao baixo esses cambiantes olhos verdes e agora lhe estava dizendo que ia se passar at a duas da manh transportando bandejas.
J pagaste o carro ao Dave?
A metade. Era humilhante. foi muito bom e me deu at o ms que vem para lhe pagar o resto.
No lhe vais pagar voc. Isso, ao menos, era algo que podia fazer. E o faria, joder. O farei eu. A ela lhe esqueceu a humilhao e ergueu o queixo, aguda e rpida 
como uma bala. 
No, no o far.
Em outro momento, ele tivesse recorrido  persuaso ou a zalamera. Ou simplesmente tivesse pago o carro sem lhe dizer nada. Mas algo fervia em seu interior, algo 
que levava a, fervendo lentamente, desde que se tinha dado a volta essa manh e a tinha visto. No lhe deixava pensar, s sentir e atuar. Com os olhos nos fixos 
nela, deslizou-lhe uma mo at o pescoo.
Cala.
Ethan, no sou uma menina. No pode...
No te vejo como uma menina. Os olhos dela brilhavam de forma penetrante. Contribuam a esquentar o que se achava dentro dele at a ebulio. deixei que ser capaz 
de verte como uma menina e j no posso voltar a faz-lo. Por uma vez faz o que eu quero.
Inconscientemente, o flego dela se quebrou, e sua pele comeou a tremer. De forma confusa, sentiu que a spera casca da rvore lhe arranhava as mos ao as apertar 
contra ela. No acreditava que ele se estivesse refiriendo nesse momento a aceitar uns quantos centenas de dlares por um carro. 
Ethan...
A outra mo dele se achava no peito do Grace. No tinha tido inteno de p-la ali, cobriu-a e os dedos comearam a acariciar a moldar. A camisa dela estava mida, 
apenas um pouco. Ele sentia que a pele se esquentava sob a umidade.
Por uma vez, faz o que eu quero repetiu. Os olhos dela se abriram ainda mais. O se perdia neles, afogava-se neles. O corao do Grace palpitava sob sua mo, como 
se o sustentasse nela, pulsando. Suas bocas se esmagaram com violenta avareza que, por uma vez, ele se sentia capaz de controlar. O grito de surpresa dela ficou 
amortecido pelos lbios rapaces do Ethan. E isso s lhe produziu um escuro prazer. O calor fluiu dele, assombrando-a. Os dentes lhe mordiscaram os lbios sem piedade, 
a fazendo ofegar e abrir-se  brusca e mo direita invaso de sua lngua.
As sensaes se aconteceram muito rpidas para as separar, mas todas eram turvas, intensas, penetrantes. As mos dele estavam em todas partes, atiravam-lhe da camisa, 
apoderavam-se de peitos, arranhavam-lhe por toda parte com essas mos exquisitamente speras. Lhe sentiu tremer e se aferrou a seus ombros para manter o equilbrio 
dos dois.
Depois lhe baixou as calas de um puxo.
No! Uma parte de sua mente se deteve escandalizada at quase gritar. O no podia querer tom-la, ali, dessa forma, a poucos metros de onde estava sentada a gente 
e os meninos jogavam. Mas a outra parte simplesmente gemeu de assombrada excitao e sussurrou um sim.
Aqui. Agora. Assim. Exatamente assim.
Quando ele se cravou nela, o grito os tivesse miservel a ambos, mas ele o absorveu com sua boca e se perdeu na entrecortada respirao.
O investiu forte, rpida e profundamente, seu corpo se fundia com o dela, as mos apertavam o escuro e terminante traseiro enquanto se afundava nela. Sua mente se 
achava vazia de tudo o que no fora essa urgente necessidade. Quando ela se correu, estalando a seu redor, dentro dele, sentiu uma emoo perversa e primitiva que 
lhe cobriu a pele de suor.
Ethan, por sua parte, alcanou o clmax entre uma nuvem vermelha de paixo cegadora.
Inclusive quando a nvoa se limpou, ele seguiu estremecendo-se e ofegando. Pouco a pouco foi dando-se conta do que acontecia. Escutou o som selvagem de um pssaro 
carpinteiro na profundidade do bosque, o tinido de risadas alm das rvores. E os gemidos do Grace como soluos.
Sentiu a brisa que lhe refrescava a pele. E os tremores dela.
meu deus! Joder exclamou violentamente, em voz baixa.
Ethan? Ela no sabia, no teria acreditado jamais que algum pudesse sentir tal necessidade dentro de si... por ela. Ethan repetiu, e teria elevado seus dbeis 
braos para lhe abraar se ele no se apartou.
Sinto muito. Eu... No havia palavras. Nada que pudesse dizer servia, nada seria suficiente. inclinou-se e lhe subiu as calas, os grampeou, e com o mesmo cuidado 
deliberado, estirou-lhe a casaca. No posso te oferecer uma desculpa pelo que acontecido. No h desculpas. 
No quero uma desculpa. No as necessito para o que fazemos juntos, Ethan. O ficou olhando ao cho enquanto em sua cabea comeava um martilleo insalubre. 
No te dei opo. Ele sabia o que era ter opes.
Eu j optei. Amo-te.
Ento a olhou, com tudo o que vivia em seu interior como um torvelinho nos olhos. A boca do Grace estava torcida porque ele a tinha forado, tinha os olhos muito 
abertos. Seu corpo teria machucados produzidos por suas mos. 
Voc te merece algo melhor. 
Eu gosto de pensar que mereo a ti. Faz-me sentir... desejada. Essa no  a palavra sequer. Posou uma mo sobre seu corao ainda desatado. Desejada caiu na conta. 
Desejada. Pra me d pena... Seu olhar se separou dele, acrescentou: Me do pena todas as mulheres que no sabem o que  ser desejada. 
Dei-te medo.
S durante um minuto. Humilhada, deixou escapar um pouco de ire. Por Deus, Ethan, como tenho que te dizer que me gostou? Hei-me sentido vulnervel e subjugada 
e foi muito excitante. perdeste o controle, apesar de que  capaz de manter o de forma imperturbvel a maior parte do tempo. Alegra-me saber que algo do que tenho 
feito, ou do que sou, conseguiu acabar com isso.
Ethan se passou as mos pelo cabelo. 
Confunde-me, Grace.
No o fao a propsito. Mas no acredito que seja to mau, tampouco.
O deixou escapar um suspiro e logo avanou o suficiente para lhe ordenar o revolto cabelo.
Talvez o problema  que acreditam que nos conhecemos muito bem, mas no possumos todas as peas. Tomou a mo e a observou com esse cenho franzido pensativamente 
que ela adorava. Logo lhe beijou os dedos de um modo que a estremeceu.
No quero te fazer danifico nunca. Em modo algum. Mas j o tinha feito, e lhe faria mais. Manteve a mo do Grace na sua enquanto caminhavam de volta para a luz. 
Teria que lhe falar sobre essas outras coisas seus muito em breve para que ela compreendesse por que no podia lhe dar mais.
15
Assim no sei se for seguir saindo com ele, que se est voltando muito possessivo, sabe? No quero ferir seus sentimentos, mas uma tem que viver, ou no?
Julie Cutter lhe deu uma dentada  ma verde brilhante que tinha tirado do fruteiro na cozinha do Grace. sentia-se to a gosto ali como em sua prpria casa. Com 
soltura, elevou-se at sentar-se na encimera enquanto Grace dobrava roupa limpa na mesa.
Alm disso continuou, fazendo um gesto com a ma, acabo de conhecer um menino muito bonito. Trabalha na loja de ordenadores do centro comercial, sabe? Leva umas 
gafitas de arreios metlica e tem um sorriso do mais doce.Sorriu e o sorriso iluminou seu bonito rosto arredondado. Ao lhe pedir seu nmero de telefone, ficou 
avermelhado.
Que lhe pediu seu nmero de telefone?  Grace a escutava s pela metade. adorava que Julie fora a visit-la. Era to alegre e faladora e estava sempre to cheia 
de energia... Mas esse dia lhe custava concentrar-se. Sua mente no fazia mais que pensar no acontecido entre o Ethan e ela no sombrio bosque. O que seria o que 
tinha sado dele de um salto para devor-la? E por que teria adotado uma atitude to distante depois?
Claro! Julie arqueou a cabea, com os olhos castanhos cheios de picardia. Alguma vez pediste a um menino que sasse contigo? Venha, Grace, que j estamos ao comeo 
de um novo milnio. A quase todos gosta que a mulher tome a iniciativa. Bom, ao menos disse agitando sua larga juba de murcho cabelo castanho ao Jeff gostou. Jeff 
 o menino dos ordenadores. Primeiro parecia tudo confundido, mas logo me deu isso, e, quando lhe chamei, dava-me conta de que se alegrava. Assim vamos sair na sbado, 
mas antes tenho que romper com Dom.
Pobre Dom murmurou Grace e elevou o olhar com ar ausente para onde Aubrey acabava de atirar a torre de blocos que tinha construdo, e logo se deleitava com sua 
destruio.
Bom, j o superar. Julie se encolheu de ombros. No  como se estivesse apaixonado por mim ou algo assim.  simplesmente que est acostumado a ter uma garota.
Grace sorriu. Uns meses antes, Julie estava louca por Dom e no fazia mais que ir contar lhe a ela cada detalhe de suas entrevistas. Ou ao menos, suspeitava, uma 
verso resumida.
Mas me disse que Dom era o nico.
Era-o. Julie riu. Durante um tempo. Mas no estou lista para o nico nico ainda.
Grace foi esfrego para tirar uma bebida para as trs. Asa idade da Julie, dezenove anos, ela estava grvida, casada e preocupada com as faturas. S tinha trs anos 
mais que a moa, mas igual poderiam ter sido trezentos.
Est bem que procure por a para que esteja segura. Passou-lhe um copo a seu amiga, lhe mantendo o olhar um momento. Deve tomar cuidado.
J tomo cuidado, Grace lhe assegurou Julie, comovida. Eu gostaria de me casar em algum momento. Em especial, se isso significa ter uma menina to preciosa como 
Aubrey. Mas quero terminar a carreira e logo ver um pouco de mundo. Fazer... coisas acrescentou, fazendo um amplo gesto. No quero me encontrar atada, trocando 
fraldas e trabalhando em um stio de m morte porque deixei que algum me convencesse de que...
interrompeu-se de repente, sinceramente horrorizada pelo que havia dito. Com os olhos nniy abertos e cheios de desculpa, desceu-se da encimera.
meu deus, sinto muito, Grace. s vezes sou mais bruta... No queria dizer que voc...
No importa. Deu-lhe um leve aperto nisso brao  exatamente o que eu fiz, exatamente o que deixei que me acontecesse. Me alegro de que voc tenha mais cabea.
Sou uma gilipollas murmurou Julie, a ponto chorar. Uma bruta sem sensibilidade. Sou odiosa.
No, absolutamente. Grace riu brevemente e agarrou do cesto um peitilho do Aubrey. No feriste meus sentimentos. Eu no gostaria de pensar que no temos a confiana 
suficiente para que possa me dizer o que pensa.
Voc  uma de meus melhores amigas. E eu tenho uma boca enorme.
Bom, isso  verdade. Grace riu ao ver a careta que fez Julie. Mas eu gosto.
Eu lhes tenho muito carinho a ti e ao Aubrey, Grace.
Sei. Agora deixa de preocupar-se e me conte onde vai com o Jeff, o bonito dos ordenadores.
 uma entrevista sem risco. Uma peli e logo pizza. Julie deixou escapar um suave suspiro de alvio. haveria-se... barbeado a cabea e a teria tingido de arroxeado, 
pensou, antes de fazer nada que pudesse ferir o Grace. Com a esperana de compensar, sequer um pouco, sua falta de sensibilidade, lanou-lhe um sorriso radiante. 
J sabe que estarei encantada de ficar com o Aubrey a prxima noite que livres se Ethan e voc querem sair.
Grace acabava de dobrar o peitilho e tinha comeado com os meias trs-quartos. deteve-se, olhando-a com um diminuto meia trs-quartos branco com o bordo amarelo 
em cada mo.
Como?
J sabe, ir ver uma peli, jantar em um restaurante, o que seja. Moveu as sobrancelhas no que seja e logo tratou de no rir ao ver a expresso do Grace. No vais 
ficar te a e me dizer que no est saindo com o Ethan Quinn.
Bom, ele..., eu... Olhou ao Aubrey sem saber o que fazer.
Se se supunha que era um segredo, ele no deveria estacionar a caminhonete diante de sua casa as noites que fica a dormir.
V, Meu deus.
Mas o que passa? No  como se estivesse mantendo uma aventura ilcita, como o senhor Wiggins com a senhora Lowen, que se vem as segundas-feiras pela tarde no 
motel da estrada treze. Ant e o som estrangulado do Grace, Julie se limitou a encolher-se de ombros. Meu amiga Robin trabalha ali e assiste a aulas noturnas, e 
diz que ele aluga uma habitao tudas as quintas-feiras pela manh, s sete e meia, enquanto ela espera no carro.
meu deus, o que pensar sua me? sussurrou Grace.
Mame? Sobre o senhor Wiggins? Bom...
No, no. Grace no queria nem pensar no queda semanal do gordinho senhor Wiggins. sobre...
Ah, sobre o Ethan e voc. Acredito que disse algo como J era hora. Mame no  tola. E  que ele  to bom... disse Julie com veemncia. Como ficam as camisetas... 
E esse sorriso... Demora como dez minutos em lhe cobrir todo o rosto para ento  que te cai a baba. Robin e eu baixamos ao porto cada dia durante um ms o vero 
passado s para lhe ver quando descarregava o navio.
Ah, sim? conseguiu dizer Grace com muita dificuldade.
As duas estvamos totalmente penduradas por ele. Alcanou o pote de cermica das bolachas e tirou duas de aveia e passas. Eu paquerava com ele a saco assim que 
tinha oportunidade.
Que voc... paquerava com o Ethan...
Mmm. Assentiu, tragando-a bolacha. A verdade  que me batalhei isso o bastante, no cria. Eu acredito que a ele sobre tudo lhe dava vergonha, mas consegui lhe 
tirar um par de sorrisos estupendos. Sorriu alegremente enquanto Grace seguia olhando-a. Bom, j me passou, assim no se preocupe.
Bem. Grace agarrou a bebida que tinha esquecido e bebeu um grande Isso gole est bem. 
Mas segue tendo um culo maravilhoso. 
Ai, Julie! Grace se mordeu o lbio para no tornar-se a rir e lhe jogou um olhar a sua filha carregada de inteno.
Ora, no est escutando. Assim, bom, como tinha comeado a falar disto? Ah, sim. Que me posso ficar com o Aubrey quando quiser sair.
Eu..., bom, obrigado. Estava ainda tratando de decidir se queria deixar o tema do Ethan Quinn ou seguir com ele, quando ouviu um golpe e o viu na porta.
 magia murmurou Julie, e um sentimento romntico floresceu em seu corao. Oua, por que no me levo ao Aubrey a ver minha me um ratito? Cuidarei-a e lhe darei 
de jantar.
Mas eu no tenho que ir a trabalhar at dentro de uma hora, quase.
Julie ps os olhos em branco.
Pois aproveita bem o tempo, colega. Agarrou ao Aubrey em braos e lhe disse: Quer vir a minha casa, Aubrey? Quer ver meu gatinho?
Ah, gatinho. Adeus, mami.
N, mas... J saam pela porta de atrs, e Aubrey chamava o gatinho fazendo gestos freneticamente. Grace se voltou a olhar ao Ethan, esquadrinhando seu rosto atravs 
da porta, e logo elevou as mos.
Ele decidiu tom-lo como um convite e entrou.
Era Julie a que se acaba de ir com o Aubrey?
Sim. Lhe vai deixar jogar com seu gatinho e logo lhe dar o jantar.
 agradvel que tenha a algum como Julie para que cuide da menina.
Sem ela estaria perdida. Confusa, Grace inclinou a cabea. Ele se achava de p, obviamente incmodo, com uma mo  costas. O que passa?  Tem-te feito mal na mo?
No. Que idiota era, pensou Ethan, lhe oferecendo as flores que tinha sustentado a suas costas. pensei que voc gostaria. Desejava desesperadamente encontrar 
formas de compens-la pela forma em que a tinha tratado no bosque.
Trouxeste-me floresa.
Roubei-as que aqui e de l. Talvez no deva mencionar-lhe a Anna. Os lrios os cortei a um lado da estrada. H muitssimos este ano.
Tinha-lhe agradvel flores. No floresa compradas, a no ser as que se parou a procurar e cortar com suas prprias mos. Com um comprido suspiro trmulo, enterrou 
o rosto nelas. 
So preciosas.
Tm-me feito pensar em ti. Quase todo me faz pensar em ti. E quando ela elevou a cabea, ao ver seus olhos suaves e assombrados, ele desejou possuir mais palavras, 
palavras melhores, mais doces. J sei que agora s tem uma noite livre. Eu gostaria de te levar a jantar se no ter outros planos.
Para jantar?
H um stio no Princess Anne que gosta a Anna e CAM.  um stio de traje e gravata, mas dizem que a comida merece a pena. Voc gostaria de ir?
Ela se deu conta de que estava assentindo com a cabea como se fora tola e se forou a deter-se.
eu adoraria.
Passarei a te recolher. Por volta das seis e meia? A ia sua cabea, outra vez acima e abaixo como um petirrojo que tivesse comido muitos vermes. Muito bem. Isso 
vai perfeito.
Agora no posso ficar porque me esperam no estaleiro.
No importa. Ela se perguntou se seus olhos estavam to abertos como acreditava. Poderia-lhe devorar com eles. Muito obrigado pelas flores. So preciosas.
De nada. E com os olhos abertos, inclinou-se e posou seus lbios sobre os dela com muita ternura, com muita suavidade. Viu como as pestanas dela batiam as asas, 
e observou como o verde da ris se empanava sob as pequenas sardas douradas. Ento, at manh.
Os msculos haviam lhe tornado massa.
Amanh conseguiu dizer, e deixou escapar um suspiro muito comprido enquanto ele se afastava e saa pela porta dianteira.
Tinha-lhe agradvel flores. Aferrou os caules com ambas as mos, abraou-os e danou uma valsa com elas por toda a casa. Flores belas, fragrantes, de ptalas suaves. 
E que alguns dessas ptalas cassem ao cho ao danar s contribuiu a que a cena fora mais romntica.
Faziam-lhe sentir-se como uma princesa, como uma mulher. Cheirou-as avidamente enquanto dava voltas pela cozinha procurando um floreiro. Como uma noiva.
deteve-se de repente, olhando as flores... como uma noiva.
sentiu-se levemente enjoada, sua pele subiu de temperatura e suas mos tremeram. Quando se deu conta de que estava contendo o flego, deixou-o escapar com um som, 
mas ficou apanhado E tropeou enquanto ela tratava de tomar mais ar.
Tinha-lhe agradvel flores, pensou de novo. Tinha-a convidado para jantar. Devagar, levou-se uma mo ao corao e se deu conta de que pulsava ligeiro e veloz, muito 
veloz.
Lhe ia pedir que se casasse com ele. Que se casasse com ele.
Ai, ai, ai, Meu deus!
As pernas quase no a sustentavam, assim que se sentou, a, no cho da cozinha, embalando as flores nos braos como se fossem um menino. Flores, tenros beijos, um 
jantar romntico para dois. Estava-a cortejando.
 No, no. estava-se precipitando em suas concluses. O nunca avanaria to rapidamente para dar o seguinte passo. Agitou a cabea, incorporou-se e encontrou uma 
garrafa de pescoo largo para usar como floreiro. O s tratava de ser doce, s tratava de ser considerado. Ele s era Ethan.
Abriu o grifo e encheu a garrafa. S era Ethan, pensou outra vez, e ficou sem flego de novo.
Ao tratar-se do Ethan, pensaria e faria as coisas de um modo determinado. Tratando de acalmar-se e de pensar com lgica, ficou a arrumar as flores no vaso de uma 
em uma.
conheciam-se desde... Quase no recordava desde quando. Agora eram amantes. Estavam apaixonados. Sendo Ethan, ele consideraria que o seguinte passo era o matrimnio. 
Honorvel, tradicional, correto. O pensaria que era o correto.
Isso o compreendia, mas esperava que passassem meses antes de que ele se definisse nessa direo. Entretanto, por que ia esperar, perguntou-se a si mesmo, quando 
j levavam anos esperando?
Mas... prometeu-se a si mesmo que nunca voltaria a casar-se. Fez um voto no momento mesmo de assinar os papis do divrcio. No podia falhar de forma to estrepitosa 
outra vez, ou arriscar-se a que Aubrey tivesse que acontecer essa desdita e esse trauma. Tinha tomado a deciso de criar a sua filha ela sozinha, de cri-la bem, 
de cri-la com amor. Ela seria quem tirasse sua filha adiante, quem construiria um lar e o cuidaria, um lar onde sua filha pudesse crescer feliz e segura.
Mas isso foi antes de que se permitisse acreditar que Ethan podia as querer, que podia am-la como amava a ele. Porque sempre tinha sido Ethan. Sempre Ethan, pensou 
fechando os olhos. Em seu corao, em seus sonhos. atreveria-se a romper essa promessa, a que tinha feito to solenemente? ia arriscar se a converter-se em esposa 
outra vez, confiando suas esperanas e seu corao a outro homem?
claro que sim. Sim, arriscaria-o tudo se esse homem era Ethan. Era to apropriado, to perfeito, Pensou, rendo-se de si mesmo enquanto o corao e a mente se enchiam 
de alegria. Era o final feliz que no tinha deixado de permitir-se desejar.
Como o pediria ele? apertou-se os lbios com os dedos e notou que aqueles tremiam e se curvavam. Com serenidade, pensou, com esses olhos to srios, fixos nos seus. 
Tomaria a mo com essa suavidade dela. Estariam fora,  luz da lua, e sopraria uma suave brisa. Os aromas da noite lhes rodeariam e a msica da gua soaria prxima.
Com simplicidade, pensou, sem poesia nem muito pressa. O a olharia, sem dizer nada durante um momento, e logo falaria sem apressar-se.
Amo-te, Grace. Sempre te amarei. Quer te casar comigo?
Sim!, sim!, sim! Girou sobre si mesmo at enjoar
Seria sua noiva, sua esposa, sua companheira, seu amante. Agora. para sempre. Daria-lhe filhos, sabendo, sem nenhum gnero de dvida, que ele os amaria e os cuidaria, 
que os protegeria e atenderia. Teria mais filhos com ele.
Ai, Meu deus, um filho do Ethan que crescesse dentro dela. Emocionada com a imagem, apertou-se o estmago com as mos. E essa vez, essa vez, a vida que bateria as 
asas em seu interior seria desejada e bem-vinda pelas duas pessoas que a tinham concebido.
Construiriam uma vida juntos, uma vida maravilhosamente simples e plcida.
Estava desejando inici-la.
Ao dia seguinte de noite, recordou, e em um repentino ataque de pnico, olhou-se o cabelo. Baixou as mos para as contemplar com total desesperana. Ai, parecia 
um desastre. Tinha que estar bonita.
O que se ia pr?
surpreendeu-se rendo a gargalhadas, uma risada cheia de gozo e de nervos. Por uma vez se esqueceu do trabalho, os horrios e a responsabilidade, e correu ao armrio.
Anna no notou as flores roubadas at o dia seguinte. Ao dar-se conta, soltou um grito.
Seth! Seth, vem aqui agora mesmo.
Tinha as mos nos quadris, um pcaro chapu de palha inclinado e os olhos perigosos e a ponto de estalar.
Sim? Saiu comendo um punhado de biscoitinhos, embora o jantar se estava cozinhando no fogo.
estiveste enredando com minhas flores? exigiu.
O jogou um olhar ao te arrie misto de novelo anuais e perenes e soltou uma risada zombadora.
E para que ia enredar eu com umas flores de mierda?
Ela golpeou a terra com o p.
Isso  o que te estou perguntando.
No as hei meio doido. Alm disso, se voc nem sequer quiser que tiremos as ms ervas...
Isso  porque no sabe distinguir entre uma m erva e uma margarida estalou. Bom, algum esteve em meus arriates.
Pois eu no fui. encolheu-se de ombros e ps os olhos em branco alegremente quando Anna passou a seu lado para entrar na casa feita um alfavaca. A algum, pensou, 
lhe ia cair uma boa.
Cameron! Anna se apressou escada acima at o banho onde ele se estava lavando depois do trabalho. Olhou-a, elevando uma sobrancelha enquanto a gua caa de seu 
rosto ao lavabo. Lhe contemplou um momento com o cenho franzido e logo negou com a cabea. No importa murmurou, e colina de uma portada.
Impossvel que CAM ou Seth enredassem em seu jardim, decidiu. E se CAM se dedicava a agarrar flores para algum, mais valia que fora para seu amante algema ou teria 
que mat-lo e assunto arrumado.
Seus olhos se entreabriram ao fixar-se na porta do quarto do Ethan. E emitiu um som grave e ameaador.
deteve-se chamar, mas foram s trs brevisimos golpes antes de abrir a porta de um empurro.
Joder, Anna! Humilhado, Ethan agarrou as calas que estavam sobre sua cama e os colocou diante. No levava mais que umas cueca e uma expresso doda.
te economize o pudor, no me interessa. H meio doido minhas flores?
Suas flores?
Ai, Ethan sabia que isso tinha que acontecer. Anna tinha olhos de gato quando se tratava de seu jardim. Mas no supunha que ocorreria quando ele estava mdio nu. 
Mdio, e uma mierda, pensou enquanto apertava as calas com mais fora.
Algum cortou mais de uma dzia de flores. Cortou-as assim, sem mais.
Ela avanou sobre ele, enquanto seus olhos percorriam a estadia procurando provas.
N, bom...
Algum problema? CAM se apoiou na ombreira, fingindo seriedade. Isto tinha muchsima graa depois de uma dura jornada de trabalho. Sua mulher, chateada a batente, 
acossando a seu irmo, totalmente em bolas menos o culo.
Algum esteve em meu jardim e me roubou as flores.
Srio? Quer que chame  polcia?
Anda, te cale! voltou-se para o Ethan, que prudente e covardemente retrocedeu um passo. Ela parecia disposta a matar. E bem?
Bom, eu... Inicialmente tinha a inteno de confessar e pedir clemncia. Mas a mulher que o contemplava com escuros olhos cheios de clera no parecia andar muito 
sobrada desta virtude. Coelhos disse com lentido. Provavelmente.
Coelhos?
Sim. revolveu-se incmodo, desejando ter tido as calas postas quando ela irrompeu no quarto. Os coelhos podem ser um problema nos jardins. Simplesmente vm dando 
saltos e o comem tudo.
Coelhos repetiu ela.
Tambm poderiam ser cervos acrescentou, j um pouco  desesperada. ficam a pastar e se comem tudo o que encontram at deix-lo reduzido a nada. Rogando compaixo, 
jogou um olhar ao CAM. Verdade?
Este sopesou a situao. Sabia que Anna era o suficientemente urbana para acreditar-lhe Mas Ethan..., seu irmo lhe ia dever uma, e uma grande, decidiu, e sorriu.
Ah, sim, os cervos e os coelhos, um grande problema. Que se evitava simplesmente tendo dois ces na casa, pensou.
por que no me havia isso dito ningum? tirou-se o chapu bruscamente e o golpeou contra a coxa. O que podemos fazer? Como conseguimos det-los?
Duas formas. A culpa lhe aguilhoou, ao menos, um pouco, mas Ethan racionalizou que os cervos e os coelhos podiam ser um problema, assim mais dava que ela tomasse 
precaues. Sangre seca.
Sangre seca? De quem?
Pode-a comprar no viveiro e s ter que pulveriz-la. Isso os manter afastados.
Sangre seca. Seus lbios se franziram enquanto tomava nota mentalmente para compr-la.
Tambm a urina.
Urina seca?
No. Ethan se esclareceu garganta. S sai Y..., j sabe, urinas por a para que a cheirem e saibam que h carnvoros perto.
J vejo. Assentiu, satisfeita, e logo se voltou para seu marido. Bom, pois sal e ma em meus malmequeres.
Teria que me beber uma primeiro cerveja comentou CAM, e lhe piscou os olhos o olho a seu irmo. No se preocupe, carinho, ocuparemo-nos disso.
Vale. um pouco mais tranqila, soltou ar mal-humorada. Perdoa, Ethan.
J, bom, humm. Esperou at que ela saiu a toda pressa, logo se sentou na cama. Olhou de soslaio a seu irmo, que seguia apoiado na porta e disse: Essa tua mulher 
tem um ponto ruim.
Sim, eu adoro. por que lhe roubaste as flores?
S queria umas poucas resmungou e ficou as calas. Para que demnios esto a fora se forem retorcer o cangote por agarrar umas quantas?
Coelhos? E cervos? CAM se ps-se a rir a gargalhadas.
Bom, no deixam de ser uma praga para os jardins.
Muito valentes teriam que ser os coelhos para aventurar-se com dois ces e chegar at a casa para selecionar algumas floresa. Se chegassem to longe, teriam assolado 
o jardim inteiro at deix-lo seco.
Ela no tem por que sab-lo. De momento. Agradeo-te seu apoio. Acreditava que ia dar um murro.
Poderia hav-lo feito. Posto que te salvei esse precioso pele, parece-me que me deve uma.
 que no h nada grtis resmungou enquanto procurava uma camisa no armrio.
E que o diga. Seth necessita um corte de cabelo e o ltimo par de sapatos j lhe ficou pequeno.
Ethan se voltou com uma camisa pendurando entre os dedos.
Quer que eu lhe leve a centro comercial?
Exatamente.
Quase tivesse preferido o murro na cara.
Muito tarde. CAM se meteu um polegar no bolso dianteiro e sorriu. E para que eram as flores?
Pensei que ao Grace gostaria. Grunhindo ficou a camisa.
Ethan Quinn roubando flores e saindo para jantar de modo prprio a um restaurante elegante. O sorriso do CAM se fez mais ampla e moveu as sobrancelhas. Costure 
sria.
 normal que um homem saia com uma mulher para jantar, e que lhe leve flores de vez em quando.
No, para ti no o . CAM se endireitou e se golpeou o ventre plano. Bom, suponho que irei engolir essa cerveja para poder me levar como um heri.
A gente no tem intimidade nesta casa se queixou Ethan quando se irmano se foi. As mulheres se metem em sua habitao sem ter sequer a cortesia de partir quando 
vem que no tem as calas postas. Franzindo o cenho, tirou uma de suas duas gravatas do armrio. E h gente que te esfolaria vivo por umas quantas flores. E antes 
de que te d conta, toca-te ir ao puetero centro comercial a lutar contra a multido e a comprar sapatos.
Conseguiu coloc-la gravata sob o pescoo da camisa e ficou a fazer o n.
Quando vivia em minha prpria casa, nunca tinha que me preocupar. At podia me passear com o culo ao ar se gostava. Dirigiu um vaio  gravata que se negava a cooperar. 
 que dio estas mierdas.
Isso  porque te encontra mais a gosto fazendo um n de margarida. E quem no?
Ento se deteve, os dedos ficaram como congelados sobre a gravata. O olhar permaneceu no espelho, onde podia ver seu pai atrs dele.
S est um pouco nervoso, isso  tudo comentou Ray com um sorriso e uma piscada. Uma entrevista importante.
Tomando ar com cuidado, Ethan se voltou. Ray se encontrava ao p da cama. Seus olhos, de um azul brilhante, faiscavam alvoroados, como Ethan recordava que acontecia 
quando algo o fazia muita graa.
Levava uma camiseta cor amarela forte com a imagem de um navio com as velas desdobradas, jeans velhos e sandlias muito usadas. Tinha o cabelo comprido at o ombro, 
e era de um brilhante prateado que refletia o sol.
Parecia exatamente o que era, ou o que tinha sido . Um homem atrativo e robusto ao que gostava da roupa cmoda e a risada s.
No estou sonhando murmurou Ethan.
Ao princpio te resultava mais fcil acredit-lo. Ol, Ethan.
Ol, papai.
Lembrana a primeira vez que me chamou assim. Custou-te um tempo. Levava conosco um ano. Deus, foi um menino to misterioso, Ethan... Silencioso como uma sombra, 
profundo como um lago. Uma noite, quando estava corrigindo exames, bateu na porta. Ficou pensando um minuto. Deus, era uma maravilha verte pensar. Ento disse: Papai, 
chamam-lhe o telefone. O sorriso do Ray era to deslumbrante como a luz do sol. Foi em seguida a no ser me teria visto como me punha em ridculo. Pus-se a chorar 
como um menino e tubo que lhe dizer a quem fora que chamava que me tinha dado a alergia.
Nunca soube por que me queriam.
Voc nos necessitava. E ns necessitvamos a ti. Foi nosso, Ethan, inclusive antes de que nos encontrssemos. O destino se toma seu tempo mas sempre encontra uma 
forma. Foi to... frgil... disse Ray depois de um momento, e Ethan piscou surpreso. Ao Stella e nos preocupava fazer algo mal e que te rompesse.
Eu no era frgil.
Ah, sim, Ethan, sim o foi. Seu corao era to delicado como o cristal e parecia a ponto de fazer-se pedacinhos. Seu corpo era duro. Nunca nos preocupou que CAM 
e voc lhes surrassem do lindo esses primeiros meses. Pensvamos que ia bem aos dois.
Os lbios do Ethan se crisparam.
Normalmente comeava ele.
Mas voc nunca te jogava atrs, uma vez te esquentava o sangue. Levava-te um momento acrescentou. Ainda te passa. Vamo-lhe observar e pensar, considerar e refletir.
Vs me deram... tempo. Tempo para observar e para pensar, para considerar e refletir. Todo o decente que possuo procede de vs dois.
No, Ethan, ns s lhe demos amor. E esse tempo, e um lugar. aproximou-se da janela para contemplar a gua e os navios que se balanavam brandamente no embarcadero. 
Viu uma garceta que navegava por um cu embaciado de calor e fofo de nuvens. Voc estava destinado a ser nosso. Estava destinado a viver aqui. Adaptou-te ao mar 
como se tivesse nascido nele. CAM sempre quis ir depressa e Phil preferia relaxar-se e desfrutar de do passeio. Mas voc... voltou-se de novo, com o olhar pensativo, 
e acrescentou: Voc estudou cada centmetro do navio, cada onda, cada curva dos rios. Praticava os ns durante horas e horas e ningum tinha que insistir para que 
esfregasse a coberta.
Sempre me resultou fcil, desde o comeo. Voc queria que fizesse uma carreira.
Isso era por mim. Ray sacudiu a cabea. Por mim, Ethan. Os pais no deixam de ser humano, depois de tudo, e passei por um perodo no que acreditei que a meus 
filhos tinha que lhes gostar do estudi ou, tanto como a mim. Mas voc fez o que era aropiado para ti. Fez que me sentisse orgulhoso de ti. Teria-lhe isso que haver 
dito mais freqentemente.
Sempre soube que o estava.
Mas as palavras contam. Quem teria que saber o melhor que um homem que se aconteceu a vida tratando de ensinar aos jovens s amar? Suspirou e disse: As palavras 
contam, Ethan, e algumas delas lhe custam. Mas quero que no se esquea disto. Grace e voc tm muitas coisas que lhes dizer o um ao outro.
No quero lhe fazer danifico.
O far disse Ray com suavidade por tratrar de no fazer-lhe Oxal pudesse verte como eu te vejo. Como te v ela. Voltou a mover a mo e acrescentou: Bom, o 
destino se toma seu tempo. Pensa no menino, Ethan, pensa no Seth, em que partes de ti v nele.
Sua me... comeou Ethan.
por agora pensa no menino replicou simplesmente Ray, que logo desapareceu.

16
No havia nem um espiono de chuva na brisa estival. O sol era de um azul assombroso e quente, uma terrina intacto que continha uma vaga neblina e frgeis nuvens. 
Um pssaro solitrio cantava enlouquecido, como se estivesse obcecado por terminar o canto antes de que conclura o comprido dia.
Grace se sentia to nervosa como uma colegiala no baile de graduao. Essa idia a fez rir. Nenhuma adolescente tinha sonhado com nervos como esses.
Brincou com o cabelo, desejando ter largos cachos brilhantes como os da Anna, exticos, como de cigana. Mas no os tinha, recordou-se com firmeza. E nunca os teria. 
Ao menos, seu cabelo curto e singelo ressaltava os belos pendentes compridos de ouro que Julie lhe tinha emprestado.
A moa se mostrou muito doce e iludida com o que chamava a grande entrevista. Se lanou em seguida a conversar sobre o que levar e com o que lev-lo, e naturalmente 
tinha decretado que o contedo do armrio do Grace era um desastre total.
 obvio, deixar-se arrastar por ela ao centro comercial tinha sido uma idia totalmente ridcula. Embora no  que Julie tivesse tido que atirar muito forte, admitiu 
Grace. Fazia tanto tempo que no ia s compras simplesmente pelo prazer de comprar... Durante as duas horas que passaram entrando e saindo das lojas se havia sentido 
jovem e livre de preocupaes, como se no houvesse nada mais importante que dar com o vestido perfeito.
Contudo, no teria que haver comprado um novo, embora o tivesse conseguido rebaixado. Mas no conseguiu convencer-se de no faz-lo. Tinha esse pequeno capricho, 
s esse pequeno luxo. Desejava intensamente algo novo e original para uma noite to especial.
adorou um negro, sofisticado e sexy, com suspensrios finos e saia ajustada. Ou o vermelho, muito sensual e com um decote muito atrevido. Mas no lhe sentava bem, 
como sabia de antemo.
No lhe surpreendeu que um muito singelo, de linho azul plido, tivesse desconto. No cabide parecia muito simples, nada especial. Mas Julie tinha insistido, e ela 
tinha bom olho para essas coisas.
Tinha razo,  obvio, pensou agora. Era singelo, quase virginal, com o suti sem adornos e decote gracioso. Mas uma vez posto, ficava muito bonito pelo contraste 
de cor com a pele, e parecia que flutuava em torno de suas pernas.
passou-se um dedo pelo decote quadrado, vagamente assombrada de que o prendedor que Julie a tinha obrigado a comprar realmente conseguisse lhe proporcionar um pequeno 
canalillo. Seriamente era um milagre, pensou com uma risita.
Concentrando-se, inclinou-se para aproximar-se do espelho. Fazia tudo o que seu amiga lhe havia dito com a maquiagem emprestada. E seus olhos pareciam maiores e 
mais profundos. Fazia todo o possvel para ocultar os sinais de cansao e lhe pareceu que o tinha conseguido. Podia no ter dormido apenas a noite antes, mas no 
se sentia cansada absolutamente.
sentia-se cheia de energia.
Elevou a mo e brincou com as amostras de perfume que lhe tinham dado na loja de cosmticos. Ento se lembrou de que Anna lhe havia dito que ficasse seu prprio 
perfume a primeira vez para o Ethan. Que isso lhe transmitiria uma mensagem.
Escolhendo sua fragrncia habitual, fechou os olhos e ficou um poquito. Com os olhos fechados, imaginou que os lbios dele a roavam aqui, roavam-na l, detinham-se 
e saboreavam a onde o pulso fazia que a fragrncia palpitasse de vida.
Ainda sonhando, tomou um bolsito de noite cor marfim, outro emprstimo, e revisou o contedo. No levava uma bolsa to pequena desde fazia..., bom, desde antes de 
que nascesse Aubrey, pensou. Resultava-lhe to estranho olhar em seu interior e no ver nenhuma das coisas de me que estava acostumado a levar... Hoje s coisas 
de mulher, pensou. A pequena caixa de p que se permitiu comprar, uma barra de lbios que raramente se lembrava de usar, as chaves de casa, uns quantos bilhetes 
enrolados, e um leno que no estava sujo e desgastado de limpar manchas infantis.
S olh-lo-a fez sentir-se feminina, como deslizar os ps nas sandlias de salto pouco pratico. ia passar o mal para pagar a fatura do carto quando chegasse. voltou-se 
frente ao espelho e viu como a saia reproduzia o giro.
Quando ouviu que a caminhonete do Ethan se detinha fora, atravessou o quarto apressadamente. obrigou-se a deter-se. No, no ia sair correndo para a porta como um 
cachorrito ansioso. ia se ficar ali esperando a que ele batesse na porta. Assim daria a seu corao a oportunidade de pulsar com normalidade de novo.
Quando ele chamou, ainda lhe retumbava nos oudois. Mas saiu do dormitrio, sorriu-lhe atravs da mosquiteira e se aproximou da porta.
Ethan recordava v-la aproximar-se da porta assim a noite em que fizeram o amor pela primeira vez. Tinha-lhe parecido to bela, e to solitria,  luz das velas 
que piscavam a seu redor...
Mas hoje parecia..., no acreditava ter palavras para poder express-lo. Tudo nela resplandecia, a pele, o cabelo, os olhos. Fez-lhe sentir-se estranho, humilde. 
Desejava beij-la para assegurar-se de que era real, e ao mesmo tempo lhe dava medo toc-la.
Retrocedeu quando ela abriu a mosquiteira, depois tomou uma mo com cuidado.
Parece distinta.
No, no era poesia. E lhe fez sorrir.
Isso queria. Fechou a porta a suas costas, deixando que a guiasse at a caminhonete.
Nesse momento, ele desejou ter pedido emprestado o Corvette.
A caminhonete no pega com esse vestido comentou enquanto se metiam no veculo.
Sim me pega. recolheu-se a saia para assegurar-se de que no se enganchava com a porta. Talvez te parea distinta, Ethan, mas sigo sendo a mesma.
acomodou-se no assento e se disps a desfrutar da noite mais bela de sua vida.


O sol seguia alto e brilhante quando chegaram ao Princess Anne. O restaurante que Ethan tinha eleito se encontrava em um dos velhos edifcios reabilitados de altos 
tetos e ventanales elevados e estreitos. Havia mesas envoltas em linho branco com velas ainda sem acender, e garons com jaqueta e passarinha negra. As conversaes 
de outros comensais estavam apagadas, como em uma igreja. Grace ouvia o tamborilar de seus saltos no gentil cho enquanto se dirigiam a sua mesa.
Queria recordar cada detalhe. A mesita escondida junto  janela, o quadro da baa que pendurava na parede, detrs do Ethan. O brilho cmplice nos olhos do garom 
que lhes entregou a carta e lhes perguntou se desejavam tomar um coquetel.
Mas, sobre tudo, desejava recordar ao Ethan. O sereno sorriso em seus olhos quando a olhou desde seu lado da mesa, a forma em que seus dedos no deixavam de lhe 
acariciar a mo sobre a branca toalha de linho.
Gosta de um pouco de vinho? perguntou-lhe.
Veio, velas, flores.
Sim, eu adoraria.
Ele abriu a carta de vinhos e a estudou pensativamente. Sabia que ela preferia o branco, e um ou dois lhe resultavam conhecidos. Phillip mantinha sempre um par de 
garrafas no frigorifico. Embora saiba Deus por que um homem razovel pagaria de forma regular tanto dinheiro por algo de beber.
Agradecido porque os vinhos estavam numerados E no teria que tentar pronunciar nada em frances, comunicou-lhe ao garom sua preferncia, contentio ao ver que sua 
eleio era recebida com aprovao.
Tem fome?
um pouco. Grace se perguntou se poderia tragar um sozinho miolo, pela alegria que lhe transbordava na garganta.  to agradvel estar assim aqui, contigo.
Teria que te haver levado a jantar antes.
Isto  perfeito. No houve muito tempo para este tipo de coisas.
Sempre podemos busc-lo. E no estava to mal levar gravata, comer em um stio rodeado por outra gente. No quando podia contempl-la ao outro lado da mesa. Parece 
descansada, Grace.
Descansada? A risada lhe escapou como um borbulho, fazendo que ele sonriera confundido. Ento seus dedos apertaram carinhosamente os dele. Ai, Ethan, adoro-te.
O sol foi afundando-se pouco a pouco e as velas foram acesas enquanto Ethan e Grace bebiam seu vinho e desfrutavam de uma comida perfeitamente preparada e servida 
com estilo. O lhe contou quo bem ia o trabalho no estaleiro e o novo contrato que tinha conseguido Phillip.
Isso  maravilhoso.  incrvel que comeassem o negcio na primavera.
Eu levava muito tempo lhe pensando-o disse ele. J tinha muitos dos detalhes resolvidos mentalmente.
Assim  como ele o faria, como no, pensou ela. Pensar as coisas muito a fundo era algo inato nele.
Apesar de tudo, esto conseguindo que saia adiante, que seriamente funcione. Muitas vezes pensei em me dar uma volta por ali.
E por que no o tem feito?
Antes... Se te via muito freqentemente ou em muitos stios diferentes, preocupava-me. adorava poder dizer-lhe e observar como lhe trocavam os olhos ao escut-la. 
Estava segura de que notaria o que sentia por ti, quanto desejava te tocar e que me tocasse.
O sangue cantarolava nas pontas dos dedos do Ethan enquanto roavam os do Grace. E seus olhos trocaram, como ela queria, fazendo-se mais profundos ao olh-la intensamente.
Quase tinha conseguido me convencer de no me implicar contigo disse ele com cuidado.
Me alegro de que no o conseguisse.
Eu tambm. Aproximou os dedos dela por volta de si e os tocou com os lbios. Talvez vem ao estaleiro um dia destes, e eu te jogarei uma olhada... e j verei.
Ela inclinou a cabea.
Talvez o faa.
Poderia te aproximar uma tarde de calor e disse enquanto seu polegar lhe percorria perezosamente os ndulos trazer frango frito.
A risada do Grace foi rpida e fcil.
Teria que me haver dado conta de que isso era o que realmente te atraa de mim.
Sim, isso inclinou a balana. Um rosto bonito, olhos de deusa do mar, largas pernas, uma risada clida, todo isso no lhe diz muito a um homem. Mas lhe acrescenta 
uma boa rao de frango frito ao estilo sulino, e ento falamos.
Agradavelmente adulada, Grace moveu a cabea.
E aqui estava eu pensando que no havia forma de tirar poesia de ti.
O olhar de lhe percorreu o rosto e pela primeira vez em sua vida desejou possuir talento para compor versos.
Quer poesia, Grace?
Quero a ti, Ethan. Quero-te como . Com um comprido suspiro de felicidade, jogou um olhar ao restaurante. E se lhe acrescentar uma velada como esta de vez em 
quando... Voltou o olhar para ele e sorriu ento falamos.
Pois parece que temos um trato, j que a meu gosta de sair assim. Eu gosto de estar em qualquer parte contigo
Ela entrelaou seus dedos com os dele.
Faz muito tempo. Parece-me que faz muito tempo, eu estava acostumado a sonhar com o amor. Com como esperava que fora. Isto  melhor, Ethan. A realidade resultou 
ser melhor que os sonhos.
Quero que seja feliz.
Se fosse mais feliz, teria que ser duas pessoas para conter toda a felicidade. Seus olhos brilharam de risada enquanto se inclinava para ele. E ento teria que 
pensar o que fazer com dois Grace.
S necessito uma. Gosta de dar um passeio?
O corao lhe despenhou. Seria agora?
Sim, acredito que um passeio seria perfeito.
O sol quase se ps quando comearam a passear pelas bonitas ruas, criando sombras belas e profundas. A lua comeava a elevar-se em um cu ainda deslumbrado de quentes 
cores. No estava enche, notou Grace, mas no importava. Seu corao sim o estava.
Quando ele a voltou para tom-la em seus braos justo no bordo do atoleiro de luz de uma luz, ela se derreteu em um beijo comprido e lento.
Distinta, pensou Ethan enquanto se permitia aprofundar o beijo. Parecia-lhe mais suave, mais clida, cedendo a ele, embora notava os dbeis tremores que a percorriam.
Amo-te, Grace disse para consol-la e consolar-se a si mesmo.
o corao lhe subiu  garganta, fazendo que lhe tremesse a voz. por cima, as estrelas, brilhantes pontos de luz branca, abriam-se  vida piscando.
Amo-te, Ethan. Ela fechou os olhos e conteve o flego esperando as palavras.
Mais vale que retornemos.
Grace abriu os olhos com uma piscada.
Ah, sim. Deixou escapar o flego e acrescentou: se, tem razo.
Que tola!, pensou, enquanto caminhavam de retorno  caminhonete. Um homem to precavido e meticuloso como Ethan no lhe proporia matrimnio em uma esquina do Princess 
Anne. Esperaria at que retornassem a casa, at que Julie se foi e lhe tivessem jogado uma olhada ao Aubrey.
Esperaria at que estivessem a ss, sem gente ao redor, em um entorno familiar. Claro, isso era. Assim que lhe lanou um sorriso luminoso enquanto ele arrancava 
o veculo.
foi um jantar maravilhoso, Ethan.
Havia luz de lua, como ela havia imaginava. penetrava obliquamente pela janela e se deslizava brandamente sobre o Aubrey, que dormia em seu bero. Sua menina sonhava 
sonhos felizes, pensou. E quanto mais felizes seriam todos pela manh, quando tivessem dado o passo seguinte para converter-se em uma famlia.
Aubrey j lhe amava, pensou Grace enquanto acariciava o cabelo de sua filha. Pouco tempo antes,ella tinha decidido cri-la sozinha, e assegurar-se de que com isso 
bastava. Agora tudo estava trocando. Ethan seria um pai para sua filha, um pai que a quereria e velaria por ela.
Algum dia deitariam juntos ao Aubrey. Algum dia veriam dormir a outro menino em um bero. Com o Ethan poderia compartilhar o gozo de um momento singelo como esse, 
um momento sereno na escurido banhada pela luz da lua no que olha a seu filho, que dorme a salvo.
O tinha tanto que lhes dar, pensou ela. E ela tinha tanto que lhe dar a ele...
Um homem como Ethan sentiria esse primeiro bato as asas de vida no corao quando ela o sentisse no tero. Poderiam compartilhar isso, e uma vida de momentos singelos.
Grace saiu silenciosamente  sala de estar e viu que Ethan olhava pela porta. Por um momento, invadiu-lhe o pnico. ia j? No podia ir-se. No agora. No antes 
de...
Gosta de um caf? Disse-o rapidamente, sua voz se elevou sem que pudesse control-la.
No, obrigado. O se voltou. Aubrey dorme? 
Sim, est bem.
parece-se tanto a ti... 
Voc crie?
Em particular quando sorri.
O viu como os olhos dela se posavam nos seus, brilhantes a suave luz do abajur. Por um momento, pareceu-lhe que nada tinha acontecido antes, que nada aconteceria 
depois. Poderiam estar os trs assim, juntos em tranqilas noites como essa, na pequena casa de bonecas. Poderia ser seu futuro. Desejava acreditar que poderia ser 
sua vida.
Eu gostaria de ficar. Desejo estar contigo esta noite, se voc quiser.
Sim, claro que quero. Ela acreditou compreender. O precisava lhe mostrar seu primeiro amor. Mais que gostosamente, tendeu-lhe uma mo. Vamos  cama, Ethan.
O se tomou o cuidado de ser tenro, de acariciar a brandamente at que chegou  cpula. Uma vez ali, manteve-a, manteve-a at que o corpo do Grace se arqueou, como 
uma tremente ponte de sensaes, para faz-la flutuar e suspirar.
Ethan viu como a luz da lua banhava a pele dela, seguiu suas sombras cambiantes com as gemas dos dedos, com os lbios. Deu-lhe prazer.
O amor a rodeava. Cobria-a. Embalava-a com um ritmo to tenro como um mar em bruma. Deslizando-se por ele, o ofereceu de volta a ele, tomo um reflexo resplandecente.
A ternura dele a fez chorar. J sabia que suas necessidades podiam ser abruptas, temerrias, agudas. E isso a excitava. Entretanto, essa parte dele, esse lado compassivo, 
sensvel e generoso, chegava-lhe ao centro do corao. Caiu muito mais profundaincnte no largo poo do amor.
Quando ele se deslizou dentro dela, quando se uniram, a boca dele se posou sobre a dela para apanhar cada suspiro. Ela escorregou para cima, subindo nessa cpula 
coberta de seda, se mantendo at que ele tremeu com ela e puderam agarrar o um ao outro no lento descida.
Depois, ele a deslocou para que ela se acurrucara na curva de seu brao. E a acariciou. Os olhos dela se empanaram. Agora, pensou enquanto se deixava arrastar. O 
o ia pedir agora, quando ambos reluziam ainda.
Esperando, ficou dormida.
Ele tinha dez anos, e a ltima surra que lhe tinha dado lhe tinha deixado as costas feita um labirinto de moratones e dor. Nunca lhe golpeava na cara. deu-se conta 
rapidamente de que  maioria dos clientes no gostavam de ver olhos morados e lbios ensangentados na mercadoria.
Em geral, deixou de usar os punhos. Pareceu-lhe mais efetivo uma escova de cabelo. Gostava dos que eram circulares e finos, com cerdas duras. A primeira vez que 
o usou, a dor e a comoo foram to intensos que lhe devolveu o golpe e foi ela a que terminou com um lbio ensangentado. Ento ela recorreu aos punhos, at que 
ele encontrou refgio na inconscincia.
No podia com ela, e sabia. Era uma mulher grande, e forte alm disso. Quando estava bbada, era ainda mais forte e mais implacvel. No servia lhe suplicar, no 
servia chorar, assim que ele deixou de faz-lo. E as surras no eram to malotes como o outro. Nada o era.
Ela tinha tirado vinte dlares por ele a primeira vez que o vendeu. Sabia porque o havia dito, e tinha prometido lhe dar dois dlares se no armava uma confuso. 
O no sabia do que estava falando. No nesse momento. No soube, no at que lhe deixou no dormitrio escuro com o homem.
Inclusive ento no sabia, no o compreendia. Quando essas mos grandes e midas lhe tocaram, o medo foi to cegadoramente brilhante, a vergonha to negra, o terror 
to ensurdecedor, to ensurdecedor como seus gritos.
Gritou at que no ficou nada que se arrastasse por sua garganta mais que um gemido gutural. Ni,siquiera  a dor de ser violado conseguiu fazer que emitisse outro 
som.
Ela chegou a lhe dar os dois dlares. O os queimou; Sim, no lavabo sujo do srdido quarto de banho que emprestava a seu prprio vmito, olhou como o dinrro se curvava 
at enegrecer-se. Seu dio por ela era igual de negro.
prometeu-se a si mesmo, contemplando seus olhos ocos no sujo espelho, que se ela voltava a lhe prostituir, mataria-a.
Ethan!
Com o corao atropelando-se em sua garganta, Grace ficou de joelhos de um salto para lhe sacudir os ombros. A pele sob seus dedos se achava como o gelo. O corpo 
dele estava rgido como uma pedra, mas tremia. Fez-a pensar atropeladamente em terremotos e vulces. Havia uma violncia hirviente sob uma dura capa de rocha.
Tinham-na despertado os sons que ele emitia. Tinham-na feito sonhar com um animal preso em uma armadilha.
Ele abriu os olhos bruscamente. Ela s via seu brilho na penumbra, mas pareciam selvagens buracos. Por um momento, lhe deu medo que a violncia hirviente que percebia 
se abrisse passo para golpe-la.
Estava sonhando. Disse-o com firmeza, segura que isso era o que fazia falta para que Ethan visse com esses olhos que a olhavam fixamente. No passa nada. No 
foi mais que um pesadelo.
O ouvia sua prpria e spera respirao. Tinha sido mais que um pesadelo, sabia. Tinha sido outro dessas vvidas voltas ao passado que fazia anos que no sofria, 
esses que lhe deixavam talher de um suor frio. Mas o resultado era o mesmo. A nusea atendeu seu estmago doente, a cabea martilleaba e nela nadava o eco lastimoso 
do grito de um menino. Sofreu um violento estremecimento sob as tenras mos que lhe sujeitavam pelos ombros.
J estou bem.
Mas sua voz soava rouca, e ela sabia que mentia.
Trarei-te um pouco de gua.
No, estou bem. Nem sequer a gua lhe cairia bem ao sobressaltado estmago. Volta a dormir.
Ethan, est tremendo.
O deteria o tremor. Podia par-lo. S lhe levaria um pouco de tempo e de concentrao. Viu que Grace tinha os olhos muito abertos, e bastante assustados. ficou furioso 
por ter levado a lembrana daquele horror ao leito dela.
Deus bendito, como se tinha permitido pensar, nem por um instante, que havia algo distinto para ele? Para os dois?
obrigou-se a sorrir.
Assustei-me, isso  tudo. Sinto haver despertado.
Mais tranqila, porque viu que uma sombra do homem ao que amava retornava a seus olhos, Grace lhe acariciou o cabelo.
Deve ter sido horroroso. H-nos asusiIdo aos dois.
Pois sim. J no me lembro. Outra mentira, pensou ele, com um odioso abatimento. Venha, te tombe. J estou bem.
Ela se acurruc junto a ele, esperando lhe consolar, e lhe ps uma mo sobre o corao. Seguia nervoso.
Fecha os olhos sussurrou como o teria feito com o Aubrey. Fecha os olhos e descansa. te abrace a mim, Ethan. Sonha comigo.
Rezando para encontrar a paz, ele fez ambas as coisas.
Quando Grace despertou e viu que ele se foi, tratou de convencer-se de que o peso de sua desiluso era desproporcionado. Ethan no tinha querido incomod-la to 
logo, por isso no se despediu.
Agora que o sol estava alto, ele j se encontraria no mar.
levantou-se, ficou uma bata e foi preparar caf, lista para desfrutar dos escassos minutos a ss antes de que se levantasse sua filha.
Ento suspirou e saiu a seu pequeno alpendre traseiro. Sabia que sua desiluso no se devia a ter descoberto ao despertar que ele j se foi. Estava segura, to segura 
de que ele ia pedir que se casasse com ele A estavam tudo os sinais, o cenrio preparado, o momento perfeito. Mas as palavras no tinham sido pronunciadas.
No lhe tinha faltado mais que escrever o guia, pensou fazendo uma careta, mas Ethan no se havia atenido a ele. supunha-se que essa manh ia comear a seguinte 
etapa de suas vidas. imaginou-se correndo  casa da Julie para compartilhar a alegria, chamando a Anna e tagarelando, pedindo conselhos sobre bodas.
Ou contando-lhe a sua me.
Ou explicando-lhe tudo ao Aubrey.
Mas agora era uma manh como qualquer outra.
Depois de uma noite muito formoso, arreganhou-se a si mesmo. Uma noite preciosa. No tinha por que queixar-se. Irritada consigo mesma, voltou dentro para servi-la 
primeira taa de caf recm feito.
Logo se ps-se a rir. Mas o que tinha acreditado? Era com o Ethan Quinn com quem estava tratando. No era esse o homem que tinha esperado, segundo ele mesmo admitia, 
quase uma dcada para beij-la?  velocidade com que se tomava as coisas, podia passar outra antes de que mencionasse o tema do matrimnio.
A nica razo pela qual tinham avanado desde esse primeiro beijo aonde se achavam agora era porque ela..., bom, ela se tinha devotado a ele, admitiu. Lisa e sinceramente. 
E no teria tido o valor de faz-lo se Anna no lhe tivesse dado um empurro.
Flores, pensou, voltando-se de modo que podia as ver enquanto sorria, formosas e radiantes na encimera da cozinha. Um jantar  luz das velas, passeios  luz da lua 
e fazer o amor larga e  meigamente. Sim, estava-a cortejando, e seguiria fazendo-o at que se voltasse louca esperando a que ele desse o seguinte passo.
Mas assim era Ethan, admitiu, e essa era uma das coisas que adorava dele.
Tomou um sorvo de caf, mordeu-se o lbio. por que tinha que ser ele quem desse o passo? por que no podia ser ela quem fizesse avanar o assunto? Julie lhe havia 
dito que aos homens gostava que as mulheres tomassem a iniciativa. E no lhe tinha gostado ao Ethan que ela tivesse reunido o valor suficiente para lhe pedir que 
lhe fizesse o amor?
Ela podia lhe cortejar a sua vez, no? E ela podia fazer que avanasse mais rapidamente. Deus sabia que ela era uma perita em cumprir horrios.
S requeria a valentia de pedir-lhe Expulsou ar. Teria que reunir esse valor, e mergulharia em seu interior at encontr-lo.
As temperaturas se elevaram e a umidade se elevaram e a umidade se espessou em um atoleiro pegajoso que CAM chamava, no muito risueamente, pestedad. Trabalhava 
sob coberta, rematando o camarote at que o calor lhe fez subir, procurando desesperadamente algo de beber e um pouco de brisa.
Embora no estava acostumado a queixar-se pelas condies de trabalho, Ethan, como seu irmo, achava-se nu at a cintura. Corria-lhe o suor enquanto envernizava 
pacientemente.
Isso vai demorar uma semana em secar-se com este maldito abafado.
Uma boa tormenta limparia o ambiente, pelo menos em parte.
Ento oxal haja uma. CAM agarrou a jarra e bebeu com avidez diretamente dela.
Este tempo to pesado pe nervosas a algumas pessoas.
Eu no estou nervoso, o que tenho  calor. Onde est o guri?
Mandei a por gelo.
Boa idia. Poderia me dar um banho em gelo. A abaixo no h nem pingo de ar.
Ethan assentiu. Envernizar era uma tarefa bastante desagradvel com esse tempo, mas trabalhar abaixo, no pequeno camarote, aonde no chegavam os grandes ventiladores, 
devia parecer-se com trabalhar no inferno.
Quer que troquemos um momento?
Eu posso fazer meu puetero trabalho.
Ethan se limitou a encolher um ombro suarento. 
Como voc diga.
CAM apertou os dentes e logo vaiou.
Vale, estou nervoso. O calor me est fritando o crebro e no fao mais que lhe dar voltas  cabea pensando se essa gata guia de ruas ter recebido j a carta 
da Anna.
J deveria hav-la recebido. Saiu na tera-feira, assim que Correios abriu depois da ponte. E hoje  sexta-feira.
J sei que dia , Ethan. Enojado, CAM se limpou o suor da cara e olhou a seu irmo com o cenho franzido. Voc no est nem sequer um pouco preocupado?
Que me preocupe no vai trocar nada. Ela far o que queira. Seu olhar se centrou na de seu irmo, e era to dura como um punho apertado. E ento nos ocuparemos 
do tema.
CAM passeou pela coberta, captou uma fibra de ar dos ventiladores e se deu a volta.
Nunca pude compreender como pode manter a calma quando as coisas se vo a mierda.
Prtica murmurou Ethan enquanto continuava envernizando.
CAM relaxou seus doloridos ombros e se golpeou a coxa com os dedos. Tinha que pensar em outra coisa ou se voltaria louco.
E que tal foi a grande cita a outra noite?
Bastante bem.
Joder, Ethan, tenho que tirar um gancho?
Um sorriso se moveu pelo rosto do Ethan.
O jantar foi agradvel. Tomamos esse Pouilly Fuisse que gosta tanto ao Phil. Sabe bastante rico, mas no sei a que vem tanto dramalho.
E o que, jogou um p?
Ethan lhe dirigiu outro olhar, captou o amplo sorriso de seu irmo e decidiu tom-la pergunta como tinha sido formulada.
Sim, e voc?
Divertido, j que no mais fresco, CAM jogou a cabea para trs e rompeu a rir a gargalhadas.
Joder, Grace  o melhor que te aconteceu nunca. No me refiro sozinho ao sexo, embora isso deve ser parte do que te tem to animado ultimamente. Essa mulher vai 
como anel ao dedo.
Ethan se deteve e se arranhou o abdmen, onde gotejava o suor lhe produzindo picores. 
por que?
Porque  estvel como uma rocha e bela como uma flor, e tem a pacincia do santo Job e o suficiente senso de humor para despertar o teu. Suponho que, no demorando 
muito, ter que polir o ptio para outras bodas.
Os dedos do Ethan apertaram mais a broxa.
No me vou casar com ela, CAM.
Foi o tom, no que havia serena desespero, tanto como a afirmao o que fez que CAM entreabrisse os olhos.
Ao melhor no compreendo disse lentamente, mas supunha que, tal como vo as coisas, foi a srio com ela.
Minhas intenes so srias respeito ao Grace. Respeito a um monto de coisas. Voltou a molhar a broxa e ficou olhando como gotejava o antigo verniz dourado. 
O matrimnio no  algo que esteja procurando.
Normalmente, CAM teria deixado acontecer um tema similar. Teria passado do assunto com um encolhimento de ombros. Costure tua, irmo. Mas conhecia o Ethan muito 
bem, queria-lhe desde fazia muito tempo para afastar da dor. agachou-se junto ao galo, de forma que seus rostos se achassem mais perto.
Eu tampouco o andava procurando murmurou.-me acojonaba. Mas quando chega a sua vida a mulher, a mulher, d mais medo deix-la partir.
Sei o que me fao.
O olhar de No me vou descer do burro no arredou ao CAM.
Voc sempre crie sab-lo. Espero que esta vez leve razo. E espero muito seriamente que isto no seja algum cilindro que se remonte a aquele guri de olhos de fantasma 
que papai e mame trouxeram um d a casa. que estava acostumado a despertar gritando de noite.
 A no te coloque, CAM.
Nem voc tampouco. Mame e papai nos educaram de outra forma.
No tem nada que ver com eles.
Tudo tem que ver com eles. Escuta se interrompeu com um suave taco ao ver entrar no Seth.
N, esta mierda j se est derretendo anunciou o menino.
CAM ficou de p e olhou ao Seth com o cenho franzido, mais por costume que por aborrecimento.
No te hei dito que procure uma palavra que no seja mierda?
Voc a diz apontou Seth, movendo a bola de gelo.
Isso no importa.
Pensando como funcionavam as coisas, Seth ps o gelo na geladeira.
por que?
Porque Anna me vai esfolar se no deixar de faz-lo. E se ela me esfola , eu esfolo a ti.
Que medo me d!
Mais te valeria ter medo!
Seguiram brigando e Ethan continuou envernizando. Desconectou do bate-papo e, concentrando-se no trabalho que tinha entre mos, encerrou sua infelicidade sob chave.
17
ia ser perfeito. Era o apropriado, to claramente que Grace se perguntou como no lhe tinha ocorrido antes. Um passeio em navio  hora do crepsculo por um mar em 
calma, quando o cu se volta rosa e ouro pelo oeste, era uma cortina de fundo  medida de ambos. A baa constitua uma parte de suas vidas, o que oferecia e o que 
arrebatava.
Sabia que era mais que um lugar onde Ethan trabalhava. Era um lugar que ele amava.
Tinha sido fcil organiz-lo. Quo nico teve que fazer foi pedi-lo. Ethan pareceu surpreso, logo sorriu.
Tinha-me esquecido de que voc adora navegar comentou.
Grace se sentiu comovida quando ele simplesmente esperava que Aubrey lhes acompanhasse. Haveria outras ocasies, pensou. Uma vida cheia delas, para os trs. Mas 
essa noite de clida brisa seria s para eles dois.
A risada seguia bulindo nela enquanto imaginava sua reao ao lhe pedir que se casassem. Podia ver com total claridade como ele se deteria e ficaria olhando-a com 
esses maravilhosos olhos azuis cheios de surpresa. Ela sorriria e lhe tenderia a mo enquanto se deslizavam sobre a gua em penumbra graas ao suave vento. E lhe 
diria tudo o que havia em seu corao.
Amo-te tanto, Ethan! Sempre te amei e sempre te amarei. Quer te casar comigo? Quero que sejamos uma famlia. Quero viver minha vida contigo. Quero te dar filhos. 
Quero te fazer feliz. No esperamos j bastante?
Ento, sabia, seria o momento em que ele comearia a sorrir. Esse belo sorriso lento que avanava grau a grau pelos planos e sombras de seu rosto at alcanar os 
olhos. O provavelmente comentaria que tambm tinha a inteno de pedir-lhe Que estava nisso.
Ambos ririam e se abraariam enquanto o sol se voltava vermelho alm da borda. E sua vida em comum comearia de verdade.
Para onde navega, Grace?
Ela piscou e viu que lhe sorria do leme.
Estava sonhando acordada respondeu, rendo-se de si mesmo. O crepsculo  o melhor momento para sonhar acordado. H tanta paz... incorporou-se e se acurruc sob 
o brao dele. Me alegra muito que tenha podido tirar umas horas para que pudssemos fazer isto.
dentro de um ms teremos completado os arremates do navio disse Ethan ocultando o rosto no cabelo dela. Duas semanas antes do previsto.
trabalhastes muito duro.
Valer a pena. O dono veio hoje.
Ah, sim? Isso tambm formava parte disso, pensou ela. O bate-papo relaxado sobre suas atividades cotidianas. O que h dito?
No parou que falar nem um momento, assim  difcil saber o que h dito. soltou isto ltimo e o outro que tem lido em suas revistas de vela. Fez tantas perguntas 
que a cabea me dava voltas .
Mas lhe gostou?
Eu suponho que estava muito contente, porque em toda a tarde no deixou que sorrir como um menino o dia de Reis. Quando se foi, CAM queria apostar a que vai encalhar 
o navio assim que o tire a baa.
aceitaste a aposta?
O que diz? No. O mais provvel  que o faa. Mas no navegaste seriamente pela baa at que fica estado %parado.
Ethan no o faria, pensou ela, observando suas mos grandes e competentes sobre o leme. O navegava limpamente.
Lembrana quando voc e sua famlia estavam construindo o balandro. Grace passou os dedos pelo leme e continuou: A primeira vez que salsteis a navegar nele, 
eu estava dando uma mo no porto. O professor Quinn estava ao leme e voc te ocupava dos cabos. Saudou-me com a mo. Renda-se, inclinou a cabea para lhe olhar. 
eu adorei que notasse minha presena.
Sempre notava sua presena.
Ela se elevou para lhe beijar no queixo.
Mas procurava que eu no notasse que voc a notava. Impulsivamente, deu-lhe um mordisquito travesso na mandbula. At recentemente.
Suponho que perdi essa habilidade. Voltou a cabea at que sua boca encontrou a do Grace. Recentemente.
Me alegro. Com uma suave risada, posou a cabea no ombro dele. Porque eu gosto de notar que voc nota minha presena.
No se encontravam sozinhos na baa, mas ele se mantinha afastado das raudas barcos a motor que saam a navegar na noite estival. Um bando de gaivotas descendia 
e se formava redemoinhos freneticamente em torno da popa de um esquife do que uma menina lanava po. Sua risada, alta e brilhante, mesclava-se com os chiados avaros 
das aves.
elevou-se a brisa, enchendo as velas e arrastando consigo o calor mido do dia. As escassas nuvens que flutuavam pelo oeste adotavam um tom rosado pelos borde.
Era quase o momento.
Que estranho, pensou, no se sentia nervosa absolutamente. um pouco enjoada, talvez, porque notava a cabea muito ligeira, o corao muito livre. A esperana, antigamente 
coveira, era de um dourado reluzente uma vez liberada.
perguntou-se se ele entraria em um dos estreitos canais onde a sombra se fazia mais espessa e a gua tomava a cor do tabaco. Ele deixaria atrs as bias que se balanavam 
no mar at chegar a um lugar tranqilo no que nem as gaivotas lhes fizessem companhia.
Ethan se sentia to contente com o Grace a seu lado que deixou que o vento escolhesse o rumo. Deveria ajustar o arranjo, pensou. Se no o fazia em seguida, as velas 
se arrizaran. Mas no queria apartar-se dela, ainda no.
Cheirava a seu sabo de limo, e sentia a suavidade de seu cabelo junto a sua bochecha. Assim poderia ser sua vida em comum, pensou Ethan. Momentos serenos, passeios 
em navio de noite. Manter-se juntos. Construir grandes sonhos a base de outros mais pequenos.
O est passando de maravilha sussurrou Grace.
Mmm?
Essa menina que d de comer s gaivotas. Fez um gesto em direo ao esquife, sonriendo enquanto se imaginava ao Aubrey, dentro de alguns anos, renda-se e chamando 
as gaivotas da popa do navio do Ethan. Ah, olhe, a chega seu irmo pequeno reclamando sua parte. riu, seduzida pelos meninos. Que imagem mais bonita, os dois 
juntos murmurou, observando como ambos lanavam o po para cima para que o apanhassem os picos vidos das aves. Se fazem companhia o um ao outro. Um filho nico 
pode sentir-se muito sozinho.
Ethan fechou os olhos quando seu prprio sonho se fez pedacinhos. Ela quereria mais filhos. Os merecia. A vida no eram s belos passeios pela baa.
Tenho que orientar as velas lhe disse. Quer tomar o leme?
J o fao eu. Sorriu-lhe enquanto passava sob seus braos para mover-se a bombordo. No me esqueceu como dirigir os cabos, capito.
No, pensou ele, no lhe tinha esquecido. Era uma boa blusa de marinheiro, sentia-se to a gosto em coberta como em sua prpria cozinha. Atirou do equipamento de 
barco com a mesma soltura com que atendia a um monto de clientes no bar.
No h muitas coisas que no saiba fazer, Grace.
Como? Elevou a cabea e logo riu. No  difcil saber como usar o vento quando cresceste com ele.
te d bem de forma natural a corrigiu ele. E  uma me maravilhosa, e uma cozinheira excelente. E sabe como fazer que a gente se sinta a gosto.
O pulso dela passou de tranqilo a frentico. O pediria agora, depois de tudo, antes de que ela tivesse a oportunidade de pedir-lhe a ele?
Essas so coisas com as que desfruto comentou observando como ele a observava. Construir um lar aqui, no St. Chris, enche-me. Voc faz o mesmo, Ethan, porque 
te enche.
Eu necessito este lugar disse ele brandamente.  o que me salvou acrescentou, mas havia se tornado e ela no o ouviu.
Grace esperou outro instante, desejando que ele falasse, que o dissesse, que o pedisse. Logo moveu a cabea e cruzou de novo a coberta.
O sol se afundava, aproximando-se cada vez mais a esse comprido beijo noturno da borda. A gua estava calma. As pequenas ondas danavam junto ao casco. As velas 
estavam enchem e brancas.
 o momento, pensou com um salto do corao.
Amo-te tanto, Ethan!
Ele elevou um brao para atrai-la junto a si.
Eu tambm te amo, Grace.
Sempre te amei. Sempre te amarei.
O baixou o olhar at ela e ela viu a emoo que embargava seus olhos, fazendo que o azul voltasse mais profundo. Grace elevou uma mo at a bochecha dele e a manteve 
ali enquanto continha o flego.
Quer te casar comigo? Viu a surpresa, como esperava, mas no notou que seu corpo se voltasse rgido enquanto continuava apressadamente. Quero que sejamos uma 
famlia. Quero viver minha vida contigo. Quero te dar filhos. Quero te fazer feliz. No esperamos j bastante?
E ento ela aguardou, mas no viu que o lento sorriso do Ethan se estendesse por seu rosto at os olhos. Ele se limitou a olh-la com o que lhe pareceu que podia 
ser horror.
Ossudas asas de pnica bateram as asas em seu estmago. 
Sei que possivelmente voc tivesse planejado fazer isto de forma distinta, Ethan, e que te surpreendeu que lhe tenha pedido isso eu. Mas quero que estejamos juntos, 
juntos de verdade. por que no dizia algo, gritou a mente dela. O que fora. por que limitava a olh-la como se lhe tivesse esbofeteado?. No faz falta que me corteje. 
Sua voz se quebrou e fez uma pausa para recuperar-se. No  que eu no goste das flores e os jantares  luz das velas, mas o que de verdade preciso  que voc 
esteja a. Quero ser sua esposa.
Temeroso de fazer-se pedacinhos se seguia vendo um momento mais esses olhos feridos e confusos, ele apartou o olhar. Suas mos, com os ndulos brancos, seguiam no 
leme.
Temos que trocar de rumo.
Como? Ela se voltou bruscamente, viu a expresso dura no rosto dele e o msculo que se movia em sua mandbula. Seu corao seguia palpitando, mas j no de iluso. 
Agora palpitava de temor. No tem nada mais que me dizer? S que temos que trocar de rumo?
No, tenho coisas que te dizer, Grace. A voz soava to controlada como seu corao pulsava grosseiramente. Temos que trocar de rumo e voltar para que lhe possa 
dizer isso Grace apret las manos con fuerza. No saba si apretar los puos para dar golpes o dejar que colgaran flojas y temblorosas como las de una vieja.
Ela queria lhe gritar que as dissesse nesse mesmo momento. Mas assentiu.
Muito bem, Ethan. Voltemos.
O sol se ps quando atracaram. Os grilos e os aguzanieves levavam a cabo seu concerto noturno, enchendo o ar com uma msica estridente, muito aguda. por cima, umas 
quantas estrelas piscavam atravs da neblina e reluzia uma lua gibosa.
Tinha refrescado rapidamente, mas ela sabia que no era essa a razo pela que sentia frio, muito frio.
Ethan amarrou os cabos ele mesmo, em silncio, Ao igual a tinha conduzido o veleiro at casa em silncio. Retornou  embarcao e se sentou frente a ela. A lua estava 
ainda baixa, apenas por cima das taas das rvores, mas as primeiras estrelas proporcionavam luz suficiente para o UE Grace pudesse ver seu rosto.
No havia alegria nele.
No posso me casar contigo, Grace. Prounci as palavras com cuidado, sabendo que lhe foram causar dor. O sinto. No posso te dar que desejas.
Grace apertou as mos com fora. No sabia se apertar os punhos para dar golpes ou deixar que pendurassem frouxas e trementes como as de uma velha.
Ento me mentiu quando disse que me amava?
Possivelmente seria mais clemente lhe dizer que assim era, pensou, mas logo moveu a cabea. No, s seria uma covardia. Ela se merecia a verdade. Toda a verdade.
No te menti. Amo-te de verdade.
Havia distintos graus de amor. Ela no se enganava acreditando o contrrio.
Mas no da forma que teria que amar a mulher com a que te fosses casar.
No poderia amar a ningum mais do que amo a ti. Mas eu...
Ela elevou uma mo. Lhe acabava de ocorrer algo. Se essa era a razo para recha-la, no acreditava se pudesse lhe perdoar nunca.
 pelo Aubrey?  porque tive uma filha com outro homem?
Ele se movia com rapidez to raramente que lhe surpreendeu que lhe agarrasse a mo e a apertasse com tanta fora que os ossos entrechocaron.
Eu a quero, Grace. Sentiria-me orgulhoso de que pensasse em mim como seu pai. Isso tem que sab-lo.
Eu no tenho que saber nada. Diz-me que me ama e que quer a minha filha, mas no nos aceita. Ethan, est-me fazendo mal.
me perdoe, me perdoe. Soltou-lhe a mo como se lhe queimasse a palma. Sei que te estou fazendo mal. Sabia que isto ia acontecer. No tinha que ter deixado que 
as coisas chegassem to longe.
Mas o tem feito replicou ela serenamente. Voc tinha que saber o que eu sentia e que esperava que voc sentisse o mesmo.
Sim, sabia. Teria que ter sido sincero contigo, no tenho desculpa. Exceto te necessitava. Necessitava-te, Grace. O matrimnio no entra em meus planos.
Venha j, no tome por tola, Ethan. Deixou escapar um suspiro, muito ferida para sentir-se zangada. A gente como ns no tem relaes, no mantemos aventuras 
amorosas. Nos casamos e fundamos famlias. Somos gente singela e sem complicaes, e, por muita graa que lhes possa fazer a algumas pessoas, assim  como somos.
Ethan se olhou as mos. Ela tinha razo, claro. Ou a teria tido. Mas ela no sabia que ele no era uma person singela e sem complicaes.
No  por ti, Grace.
Ah, no? A dor e a humilhao se confundiram em seu interior. imaginou que Jack Casey poderia haver dito o mesmo se se tivesse tomado o tempo para dizer algo antes 
de abandon-la. Se no ser por mim, ento por quem ? Aqui no h ningum mais.
 por mim. No posso fundar uma famlia por minha origem.
Como que sua origem? Sua origem  a parte sul da borda oriental do St. Christopher. Voc procede do Raymond e Stella Quinn.
No. Elevou o olhar. Eu procedo dos fedorentos baixos recursos de Washington e Baltimore, e de muitos outros stios para levar a conta. Eu procedo de uma puta 
que se vendia a si mesmo, e a mim, por uma garrafa ou uma dose. Voc no sabe de onde venho. Nem o que fui.
Sei que procede de um lugar horrvel, Ethan. Agora falou com ternura, com a inteno de aliviar a brutal dor dos olhos dele. Sei que sua me, sua me biolgica, 
era uma prostituta.
Era uma furcia a corrigiu Ethan. Prostituta  uma palavra muito poda.
Vale. Com cautela, porque via mais que dor, ela assentiu lentamente. Havia tambm uma fria igual de violenta. antes de vir aqui suportou o que nenhum menino 
teria que ter que suportar na vida. Mas isso foi antes de que os Quinn lhe oferecessem esperana, amor e um lar. E te fez dele. Converteu-te no Ethan Quinn.
Isso no troca o sangue.
No compreendo o que quer dizer.
Claro, joder, como vais entender o? O soltou como um projtil, quente e perigosamente afiado. Como podia sab-lo ela?, pensou furioso. Ela tinha crescido sabendo 
quem eram seus pais, e os pais de seus pais, sem ter que questionar-se nunca a herana que lhe tinham irradiado, o legado que tinha recebido deles.
Mas saberia; antes de que ele terminasse de falar, saberia o que ele queria dizer. E com isso terminaria tudo.
Ela era uma mulher grande. Nas mos saio a ela..., nos ps e na longitude de meus braos. olhou-se esses braos, esses punhos que se apertaram sem que se desse 
conta. No sei de onde tirei o resto porque no acredito que ela soubesse tampouco quem era meu pai. To somente um cliente com o que teve m sorte. No se livrou 
de mim porque j tinha tido trs abortos e lhe dava medo arriscar-se outra vez. Isso  o que me disse.
Isso  uma crueldade.
Por Deus santo! Incapaz de permanecer sentado por mais tempo, incorporou-se e saltou ao mole para caminhar por ele.
Grace lhe seguiu mais devagar. deu-se conta de que ele tinha razo em uma coisa. Ela no conhecia esse homem que se movia com passos rpidos e espasmdicos, com 
os punhos apertados como se fora capaz de us-los violentamente contra algo que se cruzasse em seu caminho.
Assim que se manteve apartada.

Era um monstro. Um puto monstro. Pegava-me at me deixar sem sentido, to quando acreditava ter uma razo como quando simplesmente lhe dava por a.
meu deus, Ethan! Incapaz de fazer outra coisa, ela se aproximou dele.
No me toque! No estava seguro do que podia fazer se lhe punha as mos em cima nesse preciso momento. E isso lhe aterrorizava. No me toque! repetiu.
Ela deixou que as mos vazias cassem aos lados e tratou de conter as lgrimas que desejavam derramar-se.
Uma vez teve que me levar a hospital continuou. Suponho que lhe dava medo que morrera. Foi ento quando nos transladamos de Washington a Baltimore. O mdico fez 
muitas perguntas sobre como podia me haver cado pelas escadas e acabar com comoo cerebral e um par de costelas rotas. Eu estava acostumado a lhe dar voltas a 
por que no me abandonava. Mas ento conseguiu ajuda familiar por mim e alm assim tinha algum a quem poder pegar. Acredito que com essas razes bastavam. At que 
fiz oito anos. Deixou de mover-se e ficou quieto, olhando-a. Havia em seu interior tanta raiva que quase podia sentir como lhe abrasavam os poros; sua amarga ascenso 
lhe picava na garganta. Ento foi quando lhe ocorreu que mais valia que ganhasse a vida. Levava no negcio o tempo suficiente para saber onde encontrar homens aos 
que no gostavam das mulheres. Homens que pagavam por deitar-se com meninos.
Ela no podia falar, nem sequer quando se levou uma mo ao pescoo para empurrar as palavras, qualquer palavra, para fora. S pde ficar onde estava, com o rosto 
mudado  luz da lua crescente e os olhos muito abertos e cheios de horror.
A primeira vez, lutas. Lutas como se sua vida dependesse disso, e uma parte de ti no acredita que v acontecer de verdade. No pode acontecer. D igual a saiba 
o que  o sexo porque leva toda sua vida em seu feio bordo. No sabe o que  isso, no pode acreditar que seja possvel. At que acontece. At que no pode impedir 
que acontea.
Ai, Ethan! Ai, Meu deus, Meu deus! Ela comeou a chorar por ele, pelo menino, por um mundo onde existiam tais horrores.
Tirou vinte dlares, deu-me dois. E me converteu em um puto.
No! negou Grace, soluando impotente. No!
Eu queimei o dinheiro, mas isso no serve de nada. Deu-me um par de semanas, e logo me vendeu de novo. A segunda vez tambm luta. Mais duro que a primeira, porque 
agora sabe, agora crie. E segue lutando, uma e outra vez, sempre o mesmo pesadelo at que acaba te dando por vencido. Agarra o dinheiro e o esconde porque um dia 
ter suficiente. Ento a matar e ir. Deus sabe que desejas mat-la mais inclusive do que desejas partir.
Ela fechou os olhos.
Fez-o? .
Ele distinguiu a aspereza do tom de voz e tomou por asco e no pela intensa raiva que era. A raiva por ele, junto  violenta esperana de que o tivesse feito. Oxal 
o tivesse feito.
No. Passa o tempo e se converte em sua vida. Isso  tudo. Nem mais nem menos.  sua vida e te limita a viv-la.
O apartou o olhar para dirigi-la  casa, onde brilhavam luzes nas janelas. A msica, CAM ao violo, chegava arrastada pela brisa, uma bela melodia.
Vivi essa vida at que tive doze anos e um dos homens aos que me tinha vendido se voltou louco. Golpeou-me com bastante fora, mas isso no era nada fora do normal. 
O tipo devia ir de subidn e logo se foi a por ela. Destroaram o stio, fizeram tanto rudo que um par de vizinhos, que normalmente no se metiam em nada, chatearam-se 
at o ponto de bater na porta. O tinha a mos em torno do pescoo dela recordou Ethan. E Eu estava atirado no cho, lhes olhando, vendo como os olhos dela se abriam 
mais e mais. E pensava: Oxal a mate. Oxal a mate em meu lugar. Ela agarrou uma faca e o cravou ao tipo. O cravou pelas costas justa no momento em que os vizinhos 
jogavam a porta abaixo. A gente gritava e gritava. Lhe tirou a carteira ao bode aquele enquanto se sangrava no cho. E se foi correndo. Nem sequer se voltou a me 
olhar. encolheu-se de ombros e se voltou. Algum chamou  polcia e me levaram a hospital. No sei muito bem como foi, mas a  onde terminei. Mdicos, policiais 
e os servios sociais disse brandamente me perguntavam coisas, tomando nota das respostas. Suponho que foram atrs dela, mas nunca a encontraram.
Caiu no silncio, por isso s se escutava o rudo da gua na borda, os sons dos insetos, as notas do violo. Mas ela no disse nada, consciente de que ele no tinha 
terminado.
Ainda no.
Stella Quinn se encontrava em Baltimore em um congresso mdico e estava visitando os pacientes como doutora convidada. deteve-se junto a minha cama. Suponho que 
olhou meu histrico, no recordo. S recordo que estava ali, que apoiou as mos na barra da cama e me olhou. Seus olhos eram amveis, no suaves mas sim amveis. 
Falou-me. No emprestei ateno ao que disse, s ao tom de sua voz. Voltou muitas vezes. Em ocasies, Ray ia com ela. Um dia me disse que se queria, podia ir a casa 
com eles.
ficou em silncio uma vez mais, como se tivesse chegado ao final. Mas Grace s podia pensar que o momento em que os Quinn lhe ofereceram um lar tinha sido o princpio.
Ethan, me rompe o corao ao te escutar. Agora sei que por muito que eu quisesse e admirasse a seus pais todos estes anos, no era suficiente. Eles lhe salvaram.
Sim, salvaram-me assentiu. E desde que tomei a deciso de viver, fiz tudo o que pude para ser algum que honrasse esse ato e a eles.
Voc  o homem mais honrado que conheo, e sempre o foste. aproximou-se dele, envolveu-lhe em seus braos e apertou forte apesar de que os braos dele no corresponderam 
ao gesto. me Deixe te ajudar sussurrou. me Deixe estar contigo, Ethan. Elevou o rosto e apertou seus lbios contra os dele. me Deixe te amar.
O se estremeceu, rompeu-se. Os braos se elevaram em torno dela com ferocidade. Sua boca aceitou o consolo que ela oferecia. balanou-se com ela, em seu abrao, 
na salvao que lhe brindava um mar enfurecido.
No posso fazer isto, Grace. No  bom para ti.
Voc  bom para mim. Ela se aferrou a ele quando ele a teria afastado. Nada do que me contaste troca o que sinto. Nada poderia troc-lo. S faz que te ame mais.
me escute. As mos dele no tremiam, e a agarraram firmemente para apart-la. No posso te dar o que necessita, o que desejas, o que merece. Matrimnio, filhos, 
famlia.
Eu no...
No me diga que no necessita essas coisas. Eu sei que sim.
Ela tomou ar e foi soltando pouco a pouco.
Necessito-as contigo. Necessito uma vida contigo.
Eu no posso me casar contigo. No posso te dar filhos. Jurei-me no me arriscar a lhe transmitir a um filho o que queira que tenha que ela em mim.
No h nada dela em ti.
Sim, h-o. Seus dedos apertaram mais por um momento. Voc o viu aquele dia, no bosque, quando tomei contra uma rvore como um animal. Voc o viu quando te gritei 
por trabalhar em um bar. E eu o vi muito freqentemente quando algum me tira de minhas casinhas. Que o mantenha sob controle no quer dizer que no esteja a. No 
posso intercambiar votos de matrimnio contigo ou conceber um filho contigo. Amo-te muito para te deixar acreditar que isso pode acontecer alguma vez.
Ela te deixou cicatrizes no s fsicas murmurou Grace. Em realidade, foi seu esprito o que mais danificou. E eu posso te ajudar a que ss por completo.
O a sacudiu levemente, com ternura.
No me est escutando. No est ouvindo o que te estou dizendo. Se no poder aceitar como tm que ser as coisas entre ns, compreenderei-o. Nunca te culparei por 
te afastar e procurar o que deseja com outra pessoa. O melhor para ti  que eu te deixe ir. E  o que estou fazendo.
Que me deixe ir?
Quero que v a casa. Soltou-a e se tornou para trs. Sentiu como se tivesse entrado em um enorme e escuro vazio. Quando o pensar a fundo, ver as coisas a minha 
maneira. Ento poder decidir se deveramos seguir nos vendo como at agora ou se preferir que te deixe em paz.
Eu desejo...
No a interrompeu. Agora voc no sabe o que desejas. Necessita tempo, e eu tambm. Prefiro que v. No te quero aqui neste momento, Grace.
Ela se levou uma mo  tmpora.
Que no me quer aqui?
Agora no. O esticou a mandbula quando viu a dor que alagava os olhos dela. Era por seu prprio bem. Vete a casa e me deixe solo um momento.
Ela deu um passo atrs e logo outro. Depois se voltou e correu. Rodeou a casa para no entrar nela. No podia suportar que ningum a visse com lgrimas nas bochechas 
e essa horrvel dor que lhe rasgava o corao. S podia pensar que ele no ia viver com ela. Ethan no permitiria que Grace fora o que ele necessitava.
N, Grace! Grace! Seth deixou de procurar as vaga-lumes que reluziam e brilhavam na escurido e correu atrs dela. agarrei mais ou menos um milho destes insetos. 
Elevou um pote para mostrar-lhe Maldito seas! Le has hecho dao. Venga, hazme dao a m. No te resultar tan fcil. Mostrando los dientes, Seth le golpe otra 
vez, y otra ms, hasta que Ethan le agarr por el cuello de la camisa y la parte trasera del pantaln y lo sostuvo colgando sobre el mar, en el extremo del embarcadero.
Ento viu as lgrimas, ouviu-as na respirao entrecortada dela quando tratava de abrir a porta do carro.
O que acontece? por que chora? Est ferida?
Ela soltou ar com um soluo e se levou a mo ao corao. Ai, sim, sim, estou ferida, pensou, mas em lugar disso respondeu:
No passa nada. Tenho que ir a casa. No posso..., no posso ficar.
Abriu rapidamente a porta do carro e se meteu dentro.
Os olhos do Seth passaram de confusos a furiosos enquanto a via afastar-se. Ardendo de raiva, rodeou correndo a casa detrs deixar o pote reluzente na esquina do 
alpendre. Viu a sombra no mole e se aproximou com os punhos fechados, preparados para a batalha.
Bode, hijoputa! Esperou at que Ethan se voltou e ento lhe afundou um punho no estmago com toda sua fora. A tem feito chorar.
J sei. A recente dor fsica lhe sacudiu por inteiro e se uniu ao resto. No  teu assunto, Seth. Entra em casa.
Maldito seja! Tem-lhe feito mal. Venha, me faa machuco . No te resultar to fcil. Mostrando os dentes, Seth lhe golpeou outra vez, e outra mais, at que Ethan 
lhe agarrou pelo pescoo da camisa e a parte traseira da cala e o sustentou pendurando sobre o mar, no extremo do embarcadero.
te acalme, ouve-me?, ou te atiro  gua. Deu-lhe uma sacudida forte, para lhe ameaar, mas sem verdadeiras intenes. Te crie que eu queria lhe fazer danifico? 
Crie que me resultou agradvel faz-lo?
Ento, por que o tem feito? gritou Seth, debatendo-se como um peixe apanhado no anzol.
No me ficou outra opo. Sentindo-se de repente horrivelmente cansado, Ethan ps ao menino de p no mole. me Deixe solo murmurou, e se sentou no bordo. Dando-se 
por vencido, ps a cabea entre as mos e se apertou os olhos com os dedos. Simplesmente me deixe sozinho.
Seth moveu os ps. No era s Grace quem sofria. Realmente no tinha compreendido que um homem adulto podia sofrer tambm, no dessa forma. Mas Ethan sofria. Indeciso, 
Seth deu um passo adiante. meteu-se as mos nos bolsos e logo as tirou. Moveu os ps. Suspirou. Logo se sentou.
As mulheres comeou a dizer com uma voz equnime e meditada fazem que um homem deseje pegar um tiro na cabea e acabar contudo.
Era algo que tinha ouvido que Phillip dizia ao CAM e lhe pareceu que podia ser apropriado. sentiu-se recompensado quando Ethan deixou escapar uma breve risada, embora 
no fora de alegria.
Sim, suponho que sim. Ethan lhe aconteceu um brao pelo ombro e o atraiu a seu lado. E recebeu certo consolo.
18
Anna sopesou suas prioridades... e se tomou o dia livre. No estava segura da hora a que chegaria Grace para ocupar-se da casa e no podia arriscar-se a no coincidir 
com ela.
Importava-lhe um cominho o que dissesse Ethan, ou o que no dissesse. achavam-se ante uma crise.
Se ela acreditasse que s tinham tido uma briga ou um mal-entendido, lhe teria feito graa ou se teria mostrado compassiva, o que fora mais apropriado. Mas no era 
um mal-entendido o que tinha cheio os olhos do Ethan de desolao. Ah, sabia ocult-lo, pensou Anna enquanto arrancava lenta e implacavelmente as ms ervas que ameaavam 
as begnias do ptio dianteiro. E ele ocultava muito bem seus sentimentos mais ntimos. Mas ela era uma perita quando se tratava de filtrar as coisas at chegar 
s emoes.
Pior para ele se lhe havia meio doido uma assistente social como cunhada.
Anna se tinha trabalhado um pouco ao Seth. No lhe cabia nenhuma dvida de que o moo sabia algo.
Mas se tinha topado com uma inquebrvel lealdade masculina. Quo nico tirou dele foi o tpico encolhimento de ombros dos Quinn e a cremalheira arremesso na boca.
Teria podido lhe enrolar para tirar-lhe Mas no se havia sentido capaz de fazer nada que afetasse a esse maravilhoso vnculo. Seth podia guardar-se sua lealdade 
para o Ethan.
Ela se trabalharia ao Grace.
Estava segura de que fazia dias que no se viam. Resultava-lhe lastimosamente singelo estar a par do que fazia Ethan. Saa a mariscar todas as manhs e pelas tardes 
ia ao estaleiro. Quase no jantava e logo se retirava a seu quarto, onde, em vrias ocasies, ela tinha visto luz sob a porta at altas horas da noite.
Ethan sofria, pensou sacudindo a cabea impacientemente. E se no passava o tempo sofrendo, o passava procurando briga.
Durante o fim de semana, Anna tinha impedido que os trs irmos chegassem s mos quando entrou no estaleiro e os encontrou com os punhos em alto enquanto Seth olhava 
com vido interesse.
No descobriu a causa, pois se topou com o mesmo muro de unidade masculina. Quo nico recebeu por sua preocupao foram encolhimentos de ombros e grunhidos.
Bom, pois isso ia se acabar, decidiu, e atacou outra m erva com entusiasmo. As mulheres sabiam como compartilhar e comentar os problemas. E embora tivesse que lhe 
dar ao Grace Monroe na cabea com a p de jardim, esta ia compartilhar e comentar, vamos que sim.
Agradou-lhe ouvir o som do carro do Grace, que estava estacionando. tornou-se para trs o chapu, incorporou-se e lhe ofereceu um sorriso de bem-vinda.
Ol.
Ol, Anna. Pensava que estaria trabalhando.
Tomei-me o dia livre por minha sade mental. Ah, sim, angstia aqui tambm, pensou. E no to bem escondida como a do Ethan. Hoje no trouxeste para o Aubrey.
No. Hoje a queria minha me. Grace passou uma mo pela asa da grande bolsa que tinha pendurado de um ombro. Bom, mais vale que comece e te deixe com a jardinagem.
Estava procurando uma desculpa para tomar um descanso. por que no nos sentamos um minuto no alpendre?
A verdade  que teria que pr a primeira carga na mquina de lavar roupa.
Grace. Anna lhe ps uma mo brandamente no brao. Sente-se. me fale. Eu lhe conto entre meus amigas. Espero que voc me conte entre as tuas.
Como no! A voz do Grace fraquejou. Teve que tomar ar trs vezes para serenar-se. Como no, Anna!
Ento nos sentemos. me conte o que aconteceu para lhes fazer a ti e ao Ethan to desgraados.
No sei se puder. Mas se sentia cansada, cansada at a medula, assim que se sentou nos degraus. Suponho que o danifiquei tudo.
Como?
Tinha chorado at ficar seca, pensou Grace. No  que lhe tivesse servido. Talvez a ajudaria comentar as coisas com outra mulher, uma com a que comeava a ter confiana.
Permiti-me assumir certas coisas comeou. Me permiti fazer planos. Ethan me trouxe flores disse fazendo um pequeno gesto de impotncia com as mos.
Que te levou flores? Os olhos da Anna se entreabriram um pouco. De maneira que coelhos, e uma mierda, pensou, mas tomou nota para um futuro castigo.
E me levou a jantar. Velas e vinho. Pensei que me ia pedir que me casasse com ele. Ethan faz as coisas passo a passo, e pensei que estava preparando o terreno para 
uma proposta de matrimnio.
 obvio. Esto apaixonados. O adora ao Aubrey e lhe quer muitssimo. Ambos so pessoas que constrem lares. por que no teria que pens-lo?
Grace ficou olhando-a um momento, e depois deixou escapar um comprido suspiro.
No imagina o que significa para mim te ouvir dizer isso. Senti-me to tola...
Bom, j vale. No  tola. Eu no o sou e a mim tambm me ocorreu.
Pois ambas nos equivocamos. No me pediu isso. Mas me fez o amor essa noite com tal ternura, Anna... Nunca acreditei que algum pudesse sentir tanto por mim. E 
logo teve um pesadelo.
Um pesadelo.
Sim. E agora o compreendia. Foi m, muito m, mas ele fingiu que no. Disse-me que no me preocupasse e lhe tirou importncia. Assim j no pensei mais nisso. 
Ento... Reflexivamente, esfregou-se um moratn que se feito na coxa ao tropear com uma mesa no bar. Ao dia seguinte decidi que, se me sentava a esperar que Ethan 
me propor matrimnio, o dia de minhas bodas teria o cabelo grisalho. No  que Ethan se mova rpido na vida, precisamente.
No, absolutamente. Faz as coisas quando ele acredita que deve as fazer, e as faz bem. Mas no lhe viria mal um empurrozinho de vez em quando.
Verdade que sim? No pde conter uma clida e melanclico sorriso. s vezes se pensa as coisas at o aborrecimento. E eu acreditei que esta ia ser uma dessas 
vezes, por isso decidi pedir-lhe eu.
Que pediu ao Ethan que se casasse contigo? Anna riu tornando-se para trs nos degraus. Bem feito, Grace!
Tinha-o tudo pensado. Tudo o que ia dizer e como diz-lo. Pensei... no mar, onde se encontra mais a gosto, assim que lhe pedi que me levasse a passear em navio 
ao entardecer. Foi maravilhoso, o sol se estava pondo e as velas brilhavam desdobradas. Ento o pedi.
Anna deslizou uma mo em uma das do Grace.
Deduzo que te rechaou. Mas...
Foi mais que isso. Se tivesse visto seu rosto... voltou-se muito frio. Disse-me que me daria uma explicao ao voltar para terra. E o fez. No me parece bem lhe 
contar isso Anna, porque so assuntos deles. Mas me disse que no pode casar-se contnigo, que no vai se casar comigo nem com ningum. Jamais.
Anna no disse nada durante um momento. Ela tinha o caso atribudo do Seth, o que significava que tinha tido acesso completo aos expedientes dos trs homens que 
figuravam como seus tutores. Conhecia seu passado quase to bem como eles mesmos.
 pelo que lhe aconteceu quando era pequeno?
Os olhos do Grace piscaram, logo ficou olhando  frente.
Contou-lhe isso?
No, mas sei, quase tudo.  parte de meu trabalho.
Sabe... o que sua me, essa mulher, fez-lhe, e deixou que outras pessoas lhe fizessem? No era mais que um menino.
Sei que lhe obrigou a manter relaes com clientes durante vrios anos at que lhe abandonou. Ainda h cpias dos relatrio mdico em seu expediente. Sei que foi 
violado e que lhe tinham dado uma surra quando Stella Quinn o encontrou no hospital. E sei o que esse tipo de trauma, esse abuso contnuo, pode produzir. Ethan poderia 
haver-se convertido em um abusador.  um ciclo tristemente comum.
Mas no o fez.
No, converteu-se em um homem pensativo e considerado, com um controle a toda prova. As cicatrizes seguem a, sob o controle.  possvel que a relao contigo tenha 
feito que algumas delas se aproximem mais  superfcie.
No permite que lhe ajude, Anna. Lhe colocou na cabea que no pode arriscar-se a ter filhos porque leva o sangue de sua me. Mau sangue que passaria a seus descendentes. 
No quer casar-se porque, para ele, o matrimnio implica uma famlia.
equivoca-se, e seu prprio espelho  o melhor exemplo de at que ponto. Ele no s leva o sangue dela, mas tambm passou os primeiros doze anos de sua vida, os 
mais impressionveis, com ela, em um ambiente que poderia perverter qualquer mente infantil. Em lugar disso, ele  Ethan Quinn. por que deveriam seus filhos, filhos 
que procederiam de vs dois, ser menos do que ele ?
Oxal me tivesse ocorrido lhe dizer isso murmurou Grace. Me indignou tanto, senti-me to triste e to alterada... Fechou os olhos. Mas acredito que no teria 
trocado nada embora o houvesse dito. No estava disposto a me escutar. A mim no disse lentamente. Ele no acredita que eu seja o suficientemente forte para viver 
com o que ele teve que viver.
equivoca-se.
Sim, equivoca-se. Mas est decidido. J no me quer. Diz-me que a eleio  minha, mas lhe conheo. Se lhe disser que aceito e seguimos como at agora, consumir-lhe 
por dentro at fazer que se afaste.
Pode aceit-lo voc?
Perguntei-me isso, levo dias lhe dando voltas. Amo-lhe tanto que at desejo possivelmente me conformar com isso, ao menos por algum tempo. Mas isso me consumiria 
tambm. Negou com a cabea. No, no posso aceit-lo. No posso aceitar s uma parte dele. E no vou pedir ao Aubrey que aceite nada, exceto um pai.
Muito bem. E agora, o que vais fazer a respeito?
No sei se houver algo que eu possa fazer. No quando os dois necessitamos coisas distintas.
Anna soprou.
Grace, voc  quo nica pode decidir. Mas me deixe te dizer que CAM e eu no chegamos ao altar flutuando sobre asas de gaze. Os dois queramos coisas distintas, 
ou isso pensvamos. E para averiguar o que queramos juntos, fizemo-nos mal, tocamo-nos os narizes do lindo o um ao outro e lutamos com isso.
Ao Ethan resulta difcil lhe tocar os narizes.
Mas no impossvel.
No, impossvel no, mas... No foi sincero comigo, Anna. por cima de tudo, isso  o que no posso esquecer. Deixou-me tecer meus sonhos, sabendo todo o tempo que 
ia cortar os fios e me deixar cair. Ele o lamenta, sei, mas igualmente...
Est zangada.
Sim, suponho que sim. J houve outro homem que me tem feito o mesmo: meu pai acrescentou com frieza. Eu queria ser bailarina, e ele sabia que eu tinha depositado 
minhas esperanas nesse sonho. No posso dizer que me animasse nunca, mas me permitiu seguir desejando e assistindo a aulas. E quando necessitava que tomasse partido 
e me ajudasse a tentar alcanar esse sonho, cortou os fios. Perdoei-lhe, ou o tentei, mas as coisas nunca tornaram a ser o que eram. Depois, fiquei grvida e me 
casei com o Jack. Suponho que se poderia dizer que isso cortou os fios a ele e no me perdoou nunca.
tentaste esclarecer coisas com ele?
No, no o tenho feito. O tambm me ofereceu a possibilidade de optar, como Ethan. Ou, ao menos, o que eles consideram uma possibilidade de optar. Faz as coisas 
a sua maneira. Ou o aceita ou passas sem eles. Pois passo sem ele.
Isso o entendo. Mas embora isso possa proteger seu orgulho, o que faz a seu corao?
Quando a gente te rompe o corao, o nico que fica  o orgulho.
E o orgulho, pensou Anna, sem corao pode voltar-se frio e amargo.
Deixa que fale com o Ethan.
Falarei eu assim que dita o que tenho que lhe dizer. Soltou ar e acrescentou: Me sinto melhor. Dizer essas coisas em voz alta me sentou bem. E no havia ningum 
mais a quem pudesse contar-lhe Cuando lleg a la cocina, le dola la espalda, pero era un dolor leve y gratificante. Su piel luca una fina capa de sudor, tena 
las manos arrugadas del agua de fregar y se senta tan realizada como el presidente de una gran empresa tras una importante jugada financiera.
Importam-me os dois.
Sei. Tudo vai bem. Deu a Anna um pequeno aperto na mo e logo ficou de p. J no me sinto to chorosa. dio me sentir assim. Agora vou liberar me dessa raiva 
que no sabia que sentia. Conseguiu sorrir e continuou: Quando terminar, te vai ficar a casa como os jorros do ouro. Quando me sinto furiosa, limpo como uma manaca.
No te libere de toda a raiva pensou Anna enquanto Grace entrava na casa. te Guarde uma parte para o idiota do Ethan.
Ao Grace levou duas horas e meia esfregar, esclarecer, limpar o p e polir os quartos do primeiro piso. Passou-o mal no dormitrio do Ethan, onde sua essncia, o 
aroma de mar, permanecia no ambiente, e onde se achavam pulverizadas as pequenas peas de sua vida cotidiana.
Mas o superou, atirando desse mesmo ncleo de ao que lhe tinha permitido superar um divrcio e uma dolorosa desavena familiar. Trabalhar lhe veio bem, como sempre. 
O trabalho fsico so e enrgico a mantinha ocupada de mos e mente. A vida continuava. Sabia por experincia. Tudo consistia em tom-los dias de um em um.
Ela tinha a sua filha. E tinha seu orgulho. E ainda ficavam seus sonhos, embora tinha chegado ao ponto de consider-los mais como planos.
Podia viver sem o Ethan. No de um modo to pleno, possivelmente, nem to feliz, seguro. Mas podia viver, ser til e encontrar satisfao no caminho que se forjou 
para si e para sua filha.
acabaram-se as lgrimas e a autocompasin.
ficou a limpar a planta baixa com o mesmo zelo implacvel. Abrilhantou os mveis at que reluziram. Esfregou as janelas at as deixar impolutas. Pendurou a penetrada, 
varreu os alpendres e lhe plantou batalha  sujeira como se fora um inimigo que ameaasse apoderando-se da terra.
Quando chegou  cozinha, doa-lhe as costas, mas era uma dor leve e lhe gratifiquem. Sua pele luzia uma fina capa de suor, tinha as mos enrugadas da gua de esfregar 
e se sentia to realizada como o presidente de uma grande empresa depois de uma importante jogada financeira.
Olhou o relgio, calculou o tempo. Queria terminar e partir antes de que Ethan retornasse de trabalhar. A pesar do efeito purgante do trabalho, seguia fervendo em 
seu corao uma ardente brasa de aborrecimento. conhecia-se si mesmo o bastante bem para ser consciente de que s se requeria um pequeno sopro para que se elevasse 
em altas chamas.
Se brigava com ele, se lhe dizia to somente uma mnima parte das coisas que lhe tinham passado pela cabea nos ltimos dias, nunca poderiam voltar a estar em bons 
trminos, e muito menos conservar sua amizade.
No obrigaria aos Quinn a tomar partido. E tampouco queria arriscar-se a pr em seu perigo apreciada e valiosa relao com o Seth s porque dois adultos no podiam 
controlar seu gnio.
E tampouco vou perder meu trabalho por isso murmurou enquanto limpava as encimeras. S porque ele no  capaz de ver o que est desprezando.
Soltou ar com um vaio e se passou os dedos pelo cabelo, que estava molhado nas tmporas pelo calor e o esforo. Logo se acalmou lhes dando aos queimadores da velha 
cozinha uma boa esfregada.
Quando soou o telefone, agarrou-o sem pensar.
Diga?
Anna Quinn?
Grace olhou pela janela e viu a Anna, que passava o tempo alegremente no jardim traseiro.
No, vou A...
Tenho algo que te dizer, hijaputa.
Grace se deteve dois passos da porta.
Como?
Sou Glria DeLauter. Quem coo te crie que ? Como te atreve a me ameaar?
Eu no...
Eu tenho direitos, ouve-me? Tenho meus putos direitos. O velho fez um trato comigo e se voc e seu bastardo de marido e seus bastardos irmos no o mantm, arrependero-lhes.
A voz no era s dura e spera, pensou Grace. Era uma voz de manaca, as palavras saam to depressa que se atropelavam umas a outras. Essa era a me do Seth, pensou 
enquanto lhe soavam no ouvido mais comentrios desagradveis. Essa era a mulher que lhe tinha feito mal, a que lhe tinha assustado. A que tinha recebido dinheiro 
por ele.
A que lhe tinha vendido.
Grace no se dava conta de que estava retorcendo o cabo do telefone na mo, que o tinha enrolado to apertado que lhe mordia a carne. Lutando por acalmar-se, inspirou 
profundamente.
Senhorita DeLauter, est cometendo um engano.
Voc  a que cometeu um engano, joder, ao me mandar essa puta carta em lugar do dinheiro que me devem. Devem-me esse puto dinheiro. Ch crie que me vou assustar 
porque seja uma gilipollas de assistente social? Importa-me uma mierda, como se fosse a puta reina da puta a Inglaterra. O velho est morto, e se quiser que as coisas 
sigam como esto, ter que tratar comigo. Crie-te que pode me manter a raia com umas palavras escritas em uma folha de papel? Voc no me vais deter se eu dito voltar 
e me levar a menino.
equivoca-se Grace se ouviu si mesmo dizendo isso, mas a voz soava longnqua, e reverberava em sua cabea. _
O  carne de minha carne e tenho direito a me levar o que me pertence.
Tente-o. A raiva a atravessou como uma tempestade. No lhe voltar a pr as mos em cima nunca mais.
Eu posso fazer o que me d a vontade com o que  meu.
Ele no  dele. Voc o vendeu. Agora  nosso, e voc no voltar a aproximar-se dele.
O menino far o que eu lhe diga. Sabe que, se no, pagar-me isso.
Como lhe ocorra aproximar-se dele, destroarei-a com minhas prprias mos. Nada do que lhe tem feito, por muito monstruoso que seja, aproxima-se do que lhe vou 
fazer eu a voc. Quando terminar, logo que ficar o suficiente para recolh-la e coloc-la em um calabouo. A  onde acabar por abuso infantil, negligncia, assalto, 
prostituio e o que chamem uma me que vende a seu prprio filho com fins sexuais.
Mas que mentiras foi contando esse pirralho? Eu nunca lhe pus a mo em cima.
Cale-se! Cale-se de uma vez, joder! Grace se tinha perdido, tinha misturado  me do Seth e a do Ethan em uma s pessoa. Um s monstro. Sei o que lhe fez, e, 
em minha opinio, no h uma jaula o suficientemente escura em que encerr-la. Mas encontrarei uma e a colocarei eu mesma nela se voltar a aproximar-se dele.
Eu s quero dinheiro. Agora se percebia certa vacilao na voz, de uma vez matreira e um pouco assustada. S um pouco de dinheiro para sair do passo. Vs tm 
muito.
Para voc no tenho nada mais que desprezo. Mantenha-se afastada daqui, e mantenha-se afastada desse menino, ou me pagar isso.
Pensa-o bem. pense-lhe isso muito bem. ouviu-se um som amortecido, logo o choque do gelo contra um copo. Voc no  melhor que eu. No me d medo.
Mais vale que o tenha. Teria que estar aterrorizada.
Eu..., eu no terminei com este assunto. 
Para nada!
O rudo que se produziu ao pendurar se ouviu muito forte.
Possivelmente no comentou Grace com voz suave e perigosa. Mas eu tampouco.
Glorifica DeLauter murmurou Anna. achava-se justo ao outro lado da porta, onde levava dois minutos.
No acredito que essa mulher seja humano. Se tivesse estado aqui, nesta habitao, lhe teria jogado as mos ao pescoo e a teria afogado tranqilamente. Comeou 
a tremer, pois a raiva bulia em seu interior. Teria podido mat-la, ou ao menos o teria tentado.
J sei o que se sente. Resulta duro pensar que algum como ela  uma pessoa e no um objeto. Anna abriu a porta de um empurro, sem deixar de olhar a seu amiga. 
Nunca tivesse esperado ver essa raiva candente em uma mulher to aprazvel. O vejo muito freqentemente em meu trabalho, mas nunca me acostumo.
Era to espantosa... Grace se estremeceu. Acreditava que eu era voc quando agarrei o telefone. Ao princpio tentei dizer-lhe mas no quis me escutar. No fazia 
mais que gritar, ameaar e soltar tacos. No podia deixar que se fora de rositas. No pude suport-lo. Sinto muito.
No importa. Por isso pude ouvir da conversao, eu diria que o levaste muito bem. Quer te sentar?
No, no posso. No posso me sentar. Fechou os olhos, mas continuava vendo uma cegadora nvoa vermelha. Anna, h dito que vai voltar para levar-se ao Seth a menos 
que lhe dem dinheiro.
Isso no vai acontecer. Anna foi  geladeira e tirou uma garrafa de vinho. Te vou servir uma taa. Lhe vais beber isso, devagar, enquanto procuro um caderno. 
Logo quero que me conte o que h dito da forma mais precisa possvel. Pode faz-lo? _
Sim, lembro-me bem.
Estupendo. Anna olhou o relgio. Ter que document-lo tudo. Se voltar, temos que estar preparados.
Anna Grace baixou o olhar  taa de vinho que lhe tinha servido, Seth no deve sofrer mais. No deve ter medo nunca mais.
Sei. E nos vamos assegurar de que no o tenha. Agora volto.
Anna lhe fez repassar a conversao Telefnica duas vezes. Enquanto a revisavam pela segunda vez, Grace se sentiu incapaz de seguir sentada. ficou de p, deixando 
a taa pela metade, e agarrou uma vassoura.
Sua forma de dizer as coisas era to infame como o que dizia comentou a Anna enquanto ficava a varrer. Ela deve ter usado esse mesmo tom com o Seth. No sei como 
pode haver gente que lhe fale assim com um menino. Logo sacudiu a cabea. Mas para ela ele no  um menino. Para ela ele  uma coisa.
Se fosse chamada a atestar, poderia declarar sob juramento que ela exigiu dinheiro?
Vrias vezes assentiu Grace. Chegar a isso, Anna? Tero que fazer passar ao Seth por um processo legal?
No sei. Se as coisas forem nessa direo, poderamos acrescentar extorso  lista de cargos que voc lhe soltaste. Deve hav-la assustado acrescentou com um pequeno 
sorriso de satisfao. me teria assustado.
As coisas me saem sem pensar quando algo me tira de gonzo.
Compreendo-te. A mim h muitas coisas que eu gostaria de lhe dizer, mas em minha posio, no posso. Ou no deveria acrescentou com um comprido suspiro. vou passar 
isto ao ordenador para o expediente do Seth e logo suponho que terei que lhe escrever outra carta a essa mulher.
por que? Os dedos do Grace apertaram mais forte o pau da vassoura. por que tem que ter mais contato com ela?
CAM e seus irmos tm que saber, Grace. Precisam saber exatamente o que eram Glria DeLauter e Seth para o Ray.
A gente se equivoca no que anda comentando. Os olhos do Grace cintilaram enquanto tirava uma camura do armrio das vassouras. No lhe acabava de passar a fria 
que lhe fervia por dentro. O professor Quinn no teria enganado a sua esposa. Adorava-a.
Eles precisam conhecer todos os fatos, e Seth tambm.
Eu vou dar um fato. O professor Quinn era um homem de bom gosto. Nunca teria cuidadoso duas vezes a uma mulher como Glria DeLauter, a menos que fora com compaixo 
ou com asco.
CAM diz o mesmo. Mas outra coisa que anda dizendo a gente  que quando olham ao Seth vem os olhos do Ray Quinn.
Bom, seguro que h outra forma de explic-lo. Os olhos do Grace ardiam enquanto guardava a vassoura e o trapo com brutalidade e tirava um cubo e uma faxineira.
Talvez. Mas possivelmente tenhamos que nos enfrentar ao feito de que os Quinn puderam passar por uma m rajada em seu matrimnio, como acontece freqentemente. 
Possivelmente terei que assumi-lo. As aventuras extramaritales so inquietantemente normais.
Importam-me um pimiento essas estatsticas que se ouvem na televiso ou se lem em revistas sobre o fato de que trs de cada cinco homens, ou o que seja, enganam 
a suas mulheres. Grace verteu detergente no cubo, p-lo na pia e abriu o grifo da gua a batente. Os Quinn se amavam e se gostava como pessoas. admiravam-se. No 
podia estar com eles sem not-lo. Os filhos s serviram para uni-los mais. Quando os via os cinco juntos, via uma famlia. Ao igual a vs cinco formam uma famlia.
Comovida, Anna sorriu.
Bom, estamos nisso.
 que vs no levam tantos anos como os Quinn. Grace tirou o cubo da pia. Eles formavam uma unidade.
As unidades, pensou Anna, freqentemente se rompem.
Se tivesse acontecido algo entre o Ray e Glria, lhe teria perdoado Stella?
Grace colocou a faxineira no cubo e lanou a Anna um olhar decidido, fria.
Perdoaria voc ao CAM?
No sei respondeu Anna detrs pens-lo um pouco. Me resultaria muito duro porque primeiro lhe mataria. Mas poderia, muito depois, levar flores a sua tumba.
Exatamente. Satisfeita, Grace assentiu. Esse tipo de traio no resulta fcil de digerir. Pelo que se deduz que se entre os Quinn tivesse existido esse tipo 
de tenso, seus filhos o teriam notado. Os meninos no so tolos, por muito que os adultos o criam.
No, no o so murmurou Anna. Seja qual seja a verdade, tm que sab-la. vou passar as notas disse enquanto ficava de p. Lhes jogar uma olhada para ver se 
houver algo que quer acrescentar ou trocar antes das pr no expediente?
Claro. Ainda fica tender a roupa e logo vou A...
Ouviram-nos o mesmo tempo, desatado-los latidos de felicidade dos ces. A reao do Grace foi de pura angstia. Tinha perdido a noo do tempo e Ethan tinha chegado 
a casa.
Guiando-se pelo instinto, Anna colocou o caderno em uma gaveta da cozinha.
Quero lhe comentar ao CAM o que passou antes de que contemos ao Seth o da chamada. 
Sim, isso  o melhor. Eu...
Pode sair pela porta de atrs, Grace disse Anna brandamente. Ningum pode te culpar por no desejar outro sobressalto emocional hoje.
Tenho roupa que tender.
J tem feito mais que suficiente por esta tarde. Grace ergueu os ombros.
Eu, o que comeo, termino-o. meteu-se no quarto de lavar e a tampa da mquina de lavar roupa ressonou quando ela a lanou para cima. Que  mais do que se pode 
dizer de outras pessoas.
Anna elevou uma sobrancelha. Ao Ethan esperava uma surpresa. E no era uma sorte que ela estivesse ali para v-lo?
19
Quando viu o carro dela ante a casa, Ethan teve que obrigar-se a no entrar correndo s para v-la. Apenas um olhar, s uma. Podia consagrar a inteira  memria 
com um olhar.
No sabia que se pudesse sentir falta da uma mulher, sentir falta de algo, como ele sentia falta da o Grace.
Assim, pensou, desse modo que lhe deixava vazio, dolorido e inquieto cada minuto de cada dia at chegar ao desespero por encher esse espao. At jazer em vela de 
noite ouvindo o ar respirar.
At pensar que se estava voltando louco.
O controle que tinha mantido firmemente durante tantos anos no que a ela se referia parecia agora continuamente instvel. Nos muros desse controle se aberto brechas 
que os tinham feito desabar-se a seus ps, de modo que poderia jurar que se estava afogando com o p do desmoronamento.
Supunha que quando um homem afrouxava esse controle, resultava difcil reconstrui-lo.
Mas lhe tinha devotado a possibilidade de escolher, recordou-se. Posto que ela no lhe tinha aproximado em vrios dias, temia-se que j sabia por que tinha optado.
No podia culp-la por isso.
Ela conheceria outra pessoa, a algum com quem pudesse construir uma vida em comum. Essa idia lhe ardia nas vsceras enquanto se entretinha junto  caminhonete, 
mas se negou a deix-la passar. Ela se merecia conseguir o que desejava da vida: casar-se, ter filhos e uma casa bonita. Um pai para o Aubrey, algum que soubesse 
as apreciar a ambas como as jias que eram.
Outro homem.
Outro homem lhe aconteceria os braos pela cintura, lhe acariciando os lbios com os seus. Ouviria como lhe acelerava a respirao, sentiria-a enfraquecer-se em 
seus braos.
Algum bode sem rosto que no lhe chegaria nem  sola do sapato se voltaria por volta dela de noite e se afundaria em seu interior. E sorriria cada manh porque sabia 
que poderia voltar a faz-lo.
Joder, pensou, essa idia lhe estava voltando louco.
Tolo chocou contra suas pernas, com uma gasta bola de tnis sujeita na boca, enquanto movia a cauda de forma persuasiva. Com um gesto habitual, Ethan lhe tirou a 
bola e a lanou. O co correu atrs dela, uivando de raiva quando Simon saiu como uma flecha pela esquerda e se meteu por meio.
Ethan se limitou a suspirar quando Simon se aproximou, sentou-se e esperou a que continuasse o jogo.
Era uma desculpa to boa como qualquer outra para seguir fora, decidiu. Jogaria um momento com os ces, iria enredar no navio, manteria-se afastado do Grace. Se 
ela tivesse querido lhe ver, lhe teria procurado.
Os ces lhe foram levando pelo ptio lateral e, compadecendo-se de Tolo, mais lento e menos hbil, Ethan procurou um pau para lan-lo junto com a bola. Melhorou 
o humor um pouco o v-los chocar um contra outro, lutar, apanhar a bola ou o pau e devolver-lhe Yo iba... a mirar una cosa en el barco.
podia-se confiar em um co, pensou, lanando a bola mais alto e mais longe e vendo como Simon corria atrs dela dando saltos. Nunca pediam mais do que algum podia 
lhes dar.
No viu o Grace at que rodeou a casa. Ento se deteve.
No, um olhar, uma rpida olhada no era suficiente. Nunca seria suficiente.
O lenol mido que ela elevou at o varal ondeou com a brisa enquanto lhe punha as pinzas. O sol lhe dava no cabelo. Enquanto ele a observava, ela se inclinou at 
a cesta, tirou uma capa de travesseiro, estirou-a rapidamente e a tendeu junto ao lenol.
O amor lhe alagou, alagou-lhe e lhe deixou dbil e necessitado. Os pequenos detalhes o martilleaban. A curva de sua bochecha vista de lado. No tinha notado alguma 
vez quo elegante era de perfil? A delicada forma em que lhe caa o cabelo at a base do pescoo. O estava deixando comprido? E como o arremate das calas curtas 
lhe realava a coxa. Suas coxas eram to suaves, to largos...
Tolo lhe deu com a cabea na perna lhe fazendo retornar.
Nervoso de repente, limpou-se as mos nas calas de tarefa e moveu os ps. Possivelmente fora melhor, decidiu, ir at a parte dianteira, entrar em casa e subir. 
Deu o primeiro passo e logo se deteve quando ela se voltou. Grace lhe lanou um largo olhar, um olhar que ele no pde decifrar, e depois se inclinou para agarrar 
outra capa.
Ol, Ethan.
Grace. meteu-se as mos nos bolsos. No acontecia freqentemente que a voz dela adotasse um tom to frio.
 uma tolice que rodeie a casa s para me evitar.
Eu ia... a olhar uma coisa no navio.
Muito bem. Pode faz-lo depois de escutar o que tenho que te dizer.
No estava seguro de que queria falar comigo. Lhe aproximou cautelosamente. O tom de sua voz anulava o sufocante calor do dia.
Tentei falar contigo a outra noite, mas voc no tinha vontades de escutar. Voltou a jogar mo  cesta, na aparncia impassvel, apesar de que estava tendendo 
a roupa interior dele. Logo necessitava um pouco de tempo a ss para ordenar as coisas em minha cabea.
E j o tem feito?
Pois acredito que sim. Primeiro, tenho que te dizer que o que me contou sobre o que sofreu antes de vir aqui me indignou e me doeu e que no sinto mais que compaixo 
por aquele menino, e raiva pelo que lhe aconteceu. Olhou-lhe enquanto punha outra pina. J sei que no quer ouvir isto. Voc no quer pensar que eu albergo sentimentos 
sobre isso, que me afetou.
No respondeu ele serenamente. No. No queria que isso te tocasse.
Porque sou muito frgil. Porque sou de natureza delicada.
O franziu as sobrancelhas.
Em parte. Y...
Assim que te guardou essa desagradvel semillita para ti solo continuou ela enquanto tendia a roupa com toda tranqilidade. Apesar de que no h nada em minha 
vida ou sobre ela que voc no saiba. Em sua opinio, assim  como deveria ser, que eu seja um livro aberto e voc um fechado.
No, no fu assim. Exatamente.
Ento como foi exatamente? perguntou Grace, mas ele pensou que no era uma pergunta, e sabiamente se absteve de responder. O estive pensando, Ethan. Estive-lhe 
dando voltas a umas quantas coisas. por que no voltamos atrs um pouco, em primeiro lugar? voc gosta de fazer as coisas passo a passo, de forma clara e lgica. 
E posto que voc gosta de fazer as coisas a sua maneira, trataremos de ser claros e lgicos. Os ces, cheirando problemas, afastaram-se por volta do mar. Ao Ethan 
deram inveja. Voc me disse que me ama h anos. Anos! repetiu com uma fria to repentina que ele quase retrocedeu tropeando. Mas no fez nada a respeito. Nem 
uma vez, nenhuma s vez lhe, aproximou de mim e me perguntou se queria passar um pouco de tempo contigo. Uma s tua palavra, um sozinho olhar tua me teria emocionado. 
Mas no. Ah, no! No Ethan Quinn, no com esse carter melanclico e esse controle incrvel. Simplesmente manteve a distncia e deixou que seguisse suspirando por 
ti.
Eu no sabia que sentia algo por mim.
Ento  que est cego, alm de ser estpido estalou ela.
O juntou as sobrancelhas.
Como que estpido?
Isso  o que hei dito. Contemplar o ultraje no rosto dele foi como um blsamo para seu golpeado ego. Eu no teria cuidadoso ao Jack Casey duas vezes se voc me 
tivesse dado alguma esperana. Mas eu necessitava a algum que me quisesse, e estava claro como a gua que no foste ser voc.
Oua, espera um momento. No me pode jogar a culpa por te casar com o Jack.
No, a culpa foi minha. Eu assumo a responsabilidade e no lamento hav-lo feito porque da saiu Aubrey. Mas culpo a ti, Ethan. E esses olhos com sardas douradas 
arderam acusadores. Te culpo por ser muito cabeudo para tomar o que queria. E no trocaste o mais mnimo.
Voc foi muito jovem...
Ela usou ambas as mos, e toda a fora de seu gnio, para propinarle um empurro.
Anda, te cale. Voc j h dito o que tinha que dizer. Agora me toca .
Na cozinha, os olhos do Seth se acenderam. Correu para a porta, mas Anna, que estava esforando-se tudo o que podia por ouvir a conversao, deteve-o em seco.
No, no v.
Mas lhe gritou.
Ela tambm grita.
est brigando com ela. vou impedir se o Anna inclinou a cabea.
te parece que ela necessita ajuda?
Com a boca rgida, Seth olhou intensamente pela janela. Ao ver o Grace dar um empurro ao Ethan at lhe fazer retroceder um passo, o pensou melhor. 
Suponho que no.
Grace pode arrumar-lhe Divertida, deu-lhe um tapinha na cabea. Oua, como  que voc no sai em minha defesa quando CAM e eu discutimos?
Porque ele te tem medo.
Anna fingiu considerar seriamente a idia, que o fazia muita graa.
Ah, sim, seriamente?
Bom, s um pouco respondeu Seth com um sorriso. O nunca sabe por onde vais sair. E alm disso, a vs dois  que vocs gostam de brigar.
Oua, voc  um criajo bastante observador, no?
O se encolheu de ombros, j risonho. 
Eu vejo o que vejo.
E sabe o que sabe. Renda-se, aproximou-se mais  janela com ele, com a esperana de ver melhor.
Demos um passo mais, Ethan. Grace apartou a cesta vazia lhe dando um golpe com o p. Avancemos alguns anos. Crie que pode manter o ritmo?
O respirou fundo porque no queria voltar a lhe gritar.
Grace, est-me chateando.
Estupendo. Essa  minha inteno, e dio fracassar no que me proponho.
E1 no estava seguro de que emoo se impunha a qual, se a irritao ou a perplexidade.
Mas o que te passa?
Pois no sei, Ethan. Vejamos. Talvez seja o fato de que voc me considere uma mulher sem crebro, uma incapaz. Sim, sabe?... Afundou-lhe o dedo indicador no peito 
como uma furadeira na madeira. Sim, arrumado a que isso  o que me passa.
Eu no acredito que voc no tenha crebro.
Ah, ento s me considera incapaz. Apenas ele abriu a boca, ela j estava em cima. Te crie que uma mulher incapaz pode fazer o que eu tenho feito nos ltimos 
anos? Voc me considera, o que  o que me disse uma vez?, delicada, como a porcelana boa de sua me. Pois eu no sou feita de porcelana! explorou. Sou feita de 
autntica cermica de cermica, bem slida, do tipo que se te cai, ricocheteia no cho sem romper-se. Para romper um bom cermica, tem que te esforar, Ethan, e 
eu ainda no me tenho quebrado. Voltou a lhe golpear o peito com o dedo, perversamente agradada quando seus olhos lhe lanaram um brilho de advertncia. No fui 
to incapaz quando te meti em minha cama, no? Que  onde eu queria que estivesse, por certo.
Voc no me meteu em nenhum stio.
Como que no? E se no o v,  que no tem crebro. Pesquei-te como a um puetero pescado de rocha.
Deu-lhe gosto, ah, deu-lhe muitssimo gosto de ver a raiva e a frustrao brigar no rosto dele.
Se crie que uma afirmao semelhante resulta aduladora para ti ou para mim...
No estou tratando de te adular. Lhe estou dizendo isso sem disfarces: eu te desejava e fui a por ti. Se te tivesse deixado a ti as coisas, nos teramos beliscado 
o traseiro no asilo.
Por Deus, Grace.
te cale j. No havia forma de deter-se nesse momento, fossem quais fossem as conseqncias, no com esse mar enfurecido que lhe estalava na cabea. S pensa-o, 
Ethan Quinn. lhe d a essa ideia umas quantas voltas, como reveste fazer, e no te atreva a me chamar frgil jamais.
O assentiu lentamente.
Neste momento no  a palavra que me vem  mente, certamente.
Muito bem. No te necessitei nem a ti nem a ningum para me ajudar a construir uma vida decente para minha filha. recorri a meus msculos e recorri s tripas para 
fazer o que terei que fazer, assim no me venha com que sou feita de porcelana.
No tivesse tido que faz-lo tudo s se no fosse to orgulhosa e te reconciliasse com seu pai.
A verdade dessa frase a freou um momento, mas apertou os punhos e se lanou para diante.
Estamos falando de ti e de mim. Voc diz que me ama, Ethan, mas no me compreende nem pelo mais remoto.
Com isso estou comeando a estar de acordo resmungou ele.
Tem na cabea no sei que egocntrica idia masculina de que necessito que me cuidem, que me protejam e me mimem, quando em realidade o que preciso  que me necessitem, 
respeitem-me e me amem. E isso saberia se emprestasse ateno. te faa esta pergunta, Ethan: quem seduziu a quem? Quem disse Te amo primeiro? Quem props matrimnio? 
 to mope como para no te dar conta de que contigo eu fui quem teve que dar sempre o primeiro passo?
Faz que parea um burro detrs de uma cenoura, Grace. Isso eu no gosto.
Voc vai exatamente aonde quer ir, Ethan, mas o faz to devagar que resulta irritante. Isso  algo que amo de ti, admiro-o e agora o compreendo melhor. Passou um 
perodo horrvel de sua vida no que no possua nenhum tipo de controle e agora te cuida de no perd-lo nunca. Mas do controle  teimosia s h um passo, e voc 
o deste.
Eu no sou teimoso. O que digo  razovel.
Razovel? te parece razovel que duas pessoas se amem e no construam uma vida sobre esse amor? Parece-te razovel te passar a vida pagando pelo que outra pessoa 
te fez quando foi muito pequeno para te defender? Parece-te razovel dizer que no pode te casar comigo e que no o far porque est... manchado e porque fez a ti 
mesmo a ridcula promessa de que alguma vez teria uma famlia prpria?
Soava estranho quando ela o expressava dessa forma. Soava... ridculo.
Assim so as coisas.
Porque voc o diga.
J te disse como so as coisas, Grace. Eu te ofereci a possibilidade de escolher.
lhe doa a mandbula de mant-la rgida.
s pessoas gosta de dizer que te ofereceu a possibilidade de escolher, quando o que quer dizer em realidade  Faz as coisas a minha maneira. Sua maneira no gosta, 
Ethan. Sua maneira s tem em conta o que aconteceu e no considera o que acontece, ou o que poderia acontecer. Crie que no sei o que voc esperava? Adotava sua 
postura e a doce e delicada Grace se amoldaria.
Eu no esperava que voc te amoldasse.
Pois se no, que me arrastasse ferida e me consumisse por ti o resto de minha vida. Mas no vais conseguir nenhuma das duas. Esta vez eu sou a que vai oferecer 
a ti, Ethan, a possibilidade de escolher. te esclarea, vete e pensa as coisas durante o prximo ou os dois seguintes lustros e logo conta a que concluses chegaste. 
Porque minha postura  esta: matrimnio ou nada. Tem-no claro se crie que me vou passar a vida chorando por ti. Eu posso viver sem ti. Jogou a cabea para trs 
e acrescentou: Veremos se voc for homem suficiente para viver sem mim.
girou-se sobre os tales e se afastou. Deixou-lhe jogando fumaa.
Vete acima ordenou Anna ao Seth com um vaio. Ethan vai entrar. Agora me toca . 
Voc tambm lhe vais gritar? 
Talvez.
Eu quero v-lo.
Esta vez, no. Virtualmente jogou a empurres da habitao. Vete acima. Digo-o a srio.
Jo! Subiu as escadas, esperou um momento e logo retornou silencioso pelo patamar. Anna estava servindo uma caseira taa de caf quando Ethan entrou dando uma portada. 
Uma parte dela desejava aproximar-se e lhe abraar compasivamente, pois parecia triste e confuso. Mas, tal como ela o via, havia ocasies nas que era melhor dar 
de patadas a um bom homem quando se achava no cho.
Quer uma?
Ethan lhe jogou um olhar e seguiu caminhando. 
No, obrigado.
Espera. Ela sorriu com doura quando ele se deteve, quando quase viu as ondas nervosas de impacincia que lhe rodeavam. Tenho que te falar um momento.
J tive bastante conversa por hoje.
No importa. Intencionadamente, apartou uma cadeira da mesa. Voc sente-se e eu falarei.
As mulheres, decidiu Ethan enquanto se deixava cair na cadeira, eram a cruz de sua existncia.
Nesse caso, tomarei um caf.
Vale. Serve-lhe uma taa e lhe ps uma colher para que pudesse tornar-se suas habituais toneladas de acar. Ela se sentou, juntou as mos limpamente e seguiu 
sonriendo. Estpido gilipollas!
Mas bom, joder! esfregou-se o rosto com as mos e logo as deixou onde estavam. Outra no.
Para comear, lhe vou pr isso fcil. Te vou fazer perguntas e voc as responde. Est apaixonado pelo Grace?
Sim, mas...
Sem matizaes lhe interrompeu. A resposta  sim. Grace est apaixonada por ti?
Agora mesmo  difcil sab-lo. Deslizou a mo para esfregar o ponto do peito no que quase lhe tinha aberto um buraco.
A resposta  sim disse Anna com frieza. Os dois esto solteiros e sem outros compromissos?
O se sentia a ponto de ceder a um ataque de mau humor e o odiava.
Sim, e o que?
S estamos pondo os alicerces, solicitando dados. Grace tem uma filha, correto? Sabe de sobra...
Correto. Anna elevou sua taa e bebeu um pouco de caf. Alberga sentimentos afetuosos pelo Aubrey?
 obvio que sim. Quero-a. Quem no a quereria?
E ela alberga sentimentos afetuosos por ti?
Claro. O que...?
Maravilhoso. esclarecemos emoes das partes implicadas. Agora passemos  estabilidade. Voc tem uma profisso e um novo negcio. Parece um homem destro, disposto 
a trabalhar e capaz de ganhar bem a vida. contraste dvidas importantes que crie que te v resultar difcil pagar?
Mas Por Deus bendito!
No queria te ofender disse risonha. S estou tratando de abordar este assunto como assumo que o faria voc, com calma e pacincia, dando um aborrecido passo 
atrs de outro.
O a olhou com os olhos entreabridos.
Parece-me que ultimamente s pessoas lhe expe grandes problemas minha forma de fazer as coisas.
eu adoro sua forma de fazer as coisas. Estendeu um brao sobre a mesa e apertou a tensa mo do Ethan carinhosamente. Te quero muito, Ethan. Para mim  maravilhoso 
ter um irmo maior neste perodo de minha vida.
Ele se removeu em sua cadeira. sentia-se comovido pela clara sinceridade dos olhos da Anna, mas lhe dava que s lhe estava abrandando para logo ass-lo no forno.
No sei o que est acontecendo aqui.
Acredito que acabar por compreend-lo. Bom, digamos que poses uma situao financeira slida. Como j sabemos, Grace  bem capaz de ganh-la vida. Voc possui 
sua prpria casa, e um tero desta. A moradia claramente no constitui um problema. Assim, sigamos: crie na instituio do matrimnio?
O podia identificar uma pergunta com armadilha assim que a ouvia.
Funciona para algumas pessoas. Para outras, no.
No, no, no, que se crie na instituio como tal. Sim ou no?
Sim, mas...
Ento, por que demnios no est de joelhos com um anel em seu torpe emano lhe rogando  mulher a que amas que lhe conceda outra oportunidade a seu enorme cabezota?
Oua, eu tenho muita pacincia disse Ethan lentamente, mas j me estou cansando dos insultos.
Nem te ocorra te levantar dessa cadeira lhe advertiu ela quando ele fez gesto de apartar a da mesa ou te juro que te dou de tortas. Deus sabe que vontades no 
me faltam.
Outra epidemia. Cedeu porque lhe parecia mais singelo acabar com o assunto de uma vez. Venha, adiante, dava o que tenha que dizer.
te parece que no compreendo. Parece-te que no posso me identificar com o que te est reconcomiendo por dentro. Mas te equivoca. Eu fui violada quando tinha dez 
anos.
A impresso lhe sobressaltou o corao e a dor lhe encolheu a alma.
meu deus, Anna! meu deus, sinto muito. No sabia.
Agora j sabe. Troca-me isso, Ethan? No sou a mesma pessoa que era faz trinta segundos? Voltou a procurar sua mo, sustentou-a essa vez. Eu sei o que  sentir-se 
impotente e aterrorizada e desejar a morte. E sei o que  fazer algo com sua vida apesar disso. E sei o que  que esse horror permanea em ti para sempre. No importa 
quanto tenha aprendido, no importa que o tenha assumido e que saiba que no foi culpa tua absolutamente.
No  o mesmo.
Nunca  o mesmo, sempre troca de uma pessoa a outra. Mas voc e eu temos outra coisa em comum. Eu tampouco soube quem era meu pai: era um homem bom ou era um homem 
mau? Era alto ou baixo? Amava a minha me ou simplesmente a usou? E no sei que seus rasgos sobrevivem em mim.
Mas voc conheceu sua me.
Sim, e era uma pessoa maravilhosa. Uma pessoa bela. E a tua no. A tua te pegava, fsica e emocionalmente. Converteu-te em uma vtima. por que lhe permite que siga 
fazendo de ti uma vtima? por que deixa que siga ganhando ela?
Agora se trata de mim, Anna. Tem que haver algo muito retorcido, algo perverso no interior de uma pessoa para sair como ela. E da  de onde eu procedo.
Os pecados dos pais, Ethan?
No estou falando de seus pecados, estou falando da herana. Pode transmitir a sua descendncia a cor dos olhos, sua compleio. Um corao dbil, alcoolismo, longevidade. 
Essas coisas so de famlia.
Parece que o pensaste muito.
Sim, tenho-o feito. Tinha que tomar uma deciso e a tomei.
Por isso decidiste que no pode te casar ou ter filhos.
No seria justo.
Bom, nesse caso, mais vale que fale logo com o Seth.
Seth?
Algum ter que lhe dizer que nunca poder ter uma esposa ou filhos. Mais vale que saiba logo para que trate de proteger-se antes de implicar-se emocionalmente 
com uma mulher.
Durante alguns segundos, ele ficou olhando-a com a boca aberta.
De que diabos est falando?
Da herana. No podemos ter sabor de cincia certa que rasgos negativos lhe pode ter irradiado Glria DeLauter. Deus sabe que ela tem um pouco retorcido em seu 
interior, como voc diz.  uma puta, uma bbada, segundo todos os informe uma yonqui.
Ao menino no lhe acontece nada.
E isso no que troca as coisas? Devolveu a irado olhar do Ethan com uma inocente. No deveria permitir-se o que se arrisque.
No pode lhe mesclar nisto dessa forma. 
No sei por que no. Tanto ele como voc procedem de entornos similares. De fato, h muitos casos que passam pelos servios sociais que entrariam em categorias 
parecidas. Pergunto-me se terei que aprovar uma lei para impedir que quem tem sofrido abusos se casem e tenham filhos. Imagine os riscos que se evitariam.
por que no os castram, sem mais? replicou com violncia.
Essa  uma sugesto interessante. inclinou-se para diante. Posto que est to decidido a no transmitir nenhum gen insalubre, Ethan, no pensaste em te fazer 
uma vasectomia?
Ele se encolheu de uma forma instintiva e to puramente masculina que ela riu.
J est bem, Anna.
Isso  o que recomendaria ao Seth?
Hei dito que j est bem.
Est mais que bem coincidiu ela. Mas me responda a uma ltima pergunta. Voc crie que a esse menino brilhante e atormentado deveria negar-se o a possibilidade 
de uma vida adulta plena e normal s porque teve a pssima sorte de ser concebido por uma mulher sem corao, possivelmente inclusive malvada?
No. O soltou o ar com um estremecimento. No, no  isso o que acredito.
Esta vez no pe peros? No h matizaes? Ento te direi que, em minha opinio de profissional, no poderia estar mais de acordo contigo. O se merece tudo o que 
possa conseguir, tudo o que possa realizar, e tudo o que possamos lhe proporcionar para lhe demonstrar que  uma pessoa por direito prprio e no o fruto prejudicado 
de uma mulher infame. Como voc, Ethan, voc no  mais que um homem por direito prprio. um pouco estpido, talvez disse ela com um sorriso enquanto ficava de 
p, mas tambm admirvel, honrado e maravilhosamente bondoso.
aproximou-se dele e lhe aconteceu a mo pelos ombros. Quando ele suspirou e voltou o rosto para apert-lo contra o estmago dela, a Anna lhe encheram os olhos de 
lgrimas.
No sei o que fazer.
Sim, sim sabe sussurrou. Sendo como , ter que lhe dar voltas durante um tempo. Mas te faa um favor esta vez, date pressa.
Acredito que vou baixar ao estaleiro a trabalhar at que me esclaream idias.
Como ela de repente se sentiu maternal, inclinou-se e lhe deu um beijo na cabea.
Quer que te prepare um pouco de comida para que lhe leve isso?
No. antes de levantar-se, abraou-a. Quando viu que ela tinha os olhos midos, deu-lhe um tapinha no ombro. No chore. Se CAM se inteira de que te tenho feito 
chorar, cortar-me a cabea.
No vou chorar.
Bom, vale. Deu alguns passos, logo se deteve e se voltou brevemente para observ-la ali, na cozinha, com os olhos midos e o cabelo enredado por ter estado ao 
ar. Anna, minha me, minha me de verdade acrescentou, porque Stella Quinn era para ele tudo o que era de verdade, te teria adorado.
Ai, Deus, pensou Anna enquanto ele se afastava, ao final ia ficar a chorar.
Ethan no se deteve, em particular quando ouviu que Anna se sorvia o nariz. Precisava estar sozinho, deixar a mente em branco e que logo os pensamentos voltassem 
a agrupar-se.
N!
Com a mo na porta, olhou para trs e viu o Seth nas escadas, aonde o menino se foi correndo como um coelho ardiloso segundos antes de que Ethan sasse da cozinha.
N, o que?
Seth baixou devagar. Tinha-o ouvido tudo, cada palavra. Inclusive quando o estmago comeou a afundar-se o ficou e seguiu escutando. Agora, enquanto observava ao 
Ethan, solenemente, acreditou compreender. E se sentiu a salvo.
Aonde vai?
Volto para estaleiro. H algumas costure que quero terminar. Ethan deixou que a porta se fechasse de novo. Havia algo nos olhos do menino, pensou. Est bem?
Sim. Posso sair contigo manh no navio?
Se quiser...
Se for contigo, terminaremos antes e poderemos trabalhar no estaleiro com o CAM. E quando vier Phil o fim de semana, trabalharemos os quatro juntos.
Assim vai a coisa comentou Ethan, confuso.
Sim. Assim  como vai. Todos eles, pensou Seth com um arrebatamento de pura alegria, juntos.  duro o trabalho porque faz um calor de Pelotas.
Ethan reprimiu uma risita.
Cuidado com essa linguagem. Anna est na cozinha.
Seth se encolheu de ombros, mas dirigiu um olhar precavido a suas costas.
Anna  guay.
Sim. O sorriso do Ethan se fez mais ampla.  guay. Se for vir comigo manh, no fique meia noite desenhando ou te deixando os olhos diante da televiso.
Vale, vale. Seth esperou at que Ethan saiu e logo agarrou a bolsa situada junto  cadeira. N!
Bom, guri, vais deixar que saia daqui antes de manh?
Ao Grace lhe esqueceu a bolsa. Seth o ps ao Ethan na mo enquanto mantinha o olhar inocente e inexpressivo. Suponho que estava distrada ao partir.
Imagino. Com as sobrancelhas franzidas, Ethan ficou olhando a bolsa. V, pesava pelos menos cinco quilogramas, se no mais, pensou.
Deveria levar-lhe a sua casa. As mulheres se voltam loucas se perderem a bolsa. At mais tarde.
Entrou correndo na casa, subiu as escadas a toda pressa e seguiu at a primeira janela. De ali contemplou ao Ethan, que se arranhava a cabea, ficava a bolsa sob 
o brao como um balo de futebol e se dirigia lentamente  caminhonete.
Sim que eram estranhos seus irmos, pensou. Ento sorriu. Seus irmos. Com um grito de alegria, baixou as escadas correndo e se dirigiu  cozinha a dar a tabarra 
a Anna para que lhe deixasse comer algo.
20
Grace queria serenar-se e que lhe acontecesse o mau humor antes de chegar a casa de seus pais para recolher ao Aubrey. Quando suas emoes se achavam to revoltas, 
no havia forma de ocultar-lhe a ningum, muito menos a uma me ou a uma menina muito intuitiva.
Quo ltimo desejava era que lhe fizessem perguntas. O ltimo do que se sentia capaz era de dar explicaes.
Havia dito o que terei que dizer e havia heho o que terei que fazer. E se negava a arrepenirse disso. Se isso significava perder uma larga amizade, uma que ela sempre 
tinha entesourado, no tinha remdio. De algum modo, Ethan e ela conseguiriam ser o suficientemente adultos para comportar-se com educao em pblico e no arrastar 
a ningum mais a suas batalhas.
A verdade  que no ia ser uma situao fcil nem alegre, mas podia funcionar. O mesmo acerto levava funcionando trs anos com seu pai, no?
Deu voltas com o carro durante vinte minutos at que seus dedos deixaram de aferrar-se ao volante com ferocidade e at que o reflexo de seu rosto no retrovisor j 
no era capaz de assustar aos meninos e aos cachorrinhos.
assegurou-se a si mesmo que se achava totalmente serena. To serena que pensou em levar ao Aubrey ao McDonald's para lhe conceder um capricho. E a prxima vez que 
tivesse a tarde livre, a ia levar a Oxford para o Carnaval dos Bombeiros. Certamente no ia se ficar metida em casa abatida.
No fechou o carro de uma portada, o que lhe pareceu um sinal excelente de seu plcido humor, nem subiu os degraus da ordenada casa colonial de seus pais com brutalidade. 
At se deteve um momento a admirar a petunias cor malva que penduravam de um vaso de barro junto ao ventanal.
Foi simplesmente a m sorte e o mau momento o que fizeram que deslocasse o olhar alm das flores e visse seu pai atravs do cristal da janela, sentado em uma poltrona 
reclinvel como um rei em seu trono.
Saiu-lhe o gnio como um giser e entrou pela porta como um canto agudo arrojado por um certeiro tirachinas.
Tenho umas quantas coisas que te dizer. Deixou que a porta se fechasse de uma portada e caminhou at onde Pete descansava os ps. Umas quantas coisas que me estive 
reservando.
O a olhou sem compreender durante os cinco segundos que demorou para compor o rosto.
Se quer falar comigo, faz-o em um tom de voz civilizado.
acabou-se o ser civilizada. Estou at aqui de me comportar de forma civilizada disse fazendo um rpido movimento cortante com a mo.
Grace! Grace! Com as bochechas avermelhadas e os olhos muito abertos, Carol chegou da cozinha com o Aubrey no quadril. O que te passa? vais fazer chorar  menina.
te leve ao Aubrey  cozinha, mame. Ouvir sua me elevar a voz no a vai traumatizar para toda a vida. Para demonstrar que a discusso era inevitvel, Aubrey jogou 
atrs a cabea e rompeu a chorar. Grace se tragou as vontades de agarr-la e sair correndo da casa e comer-lhe a beijos at que deixasse de chorar. Em lugar disso, 
manteve-se firme. Aubrey, deixa de chorar. No estou zangada contigo. Vete  cozinha com a abuelita e tomada te um pouco de suco.
Suco! soluou Aubrey, gritando a pleno pulmo, lutando por liberar-se da Carol e tendendo os braos ao Grace enquanto as lgrimas corriam pelas bochechas.
Carol, te leve a menina  cozinha e acalma-a disse Pete resistindo as mesmas vontades que Grace e lhe fazendo um gesto impaciente a sua esposa com a mo.
A menina no chorou em todo o dia murmurou Carol lhe dirigindo a sua filha um olhar acusador.
Bom, pois agora est chorando replicou ela, acrescentando uma capa de culpabilidade  frustrao, enquanto os soluos do Aubrey chegavam como um eco da cozinha. 
E se esquecer cinco minutos depois. Essa  a maravilha de ter dois anos. Quando um se faz maior, as lgrimas no se esquecem to facilmente. E voc me tem feito 
chorar o bastante.
No se pode exercer de pai sem fazer chorar aos filhos.
Mas algumas pessoas podem exercer a paternidade sem sequer conhecer filho ou a filha que criaram. Voc no me olhaste nunca vendo o que eu era.
Pete desejou achar-se de p. Desejou levar sapatos nos ps. Um homem est em clara desvantagem arrellanado em uma poltrona sem seu ditoso calado.
No sei do que est falando.
Ou talvez sim me viu, possivelmente me equivoco nisso. Olhou, viu e o deixou de lado porque no encaixava com o que voc desejava. Voc sabia continuou em uma 
voz baixa que, entretanto, gotejava de clera. Voc sabia que eu desejava ser bailarina. Voc sabia que sonhava com isso, e me deixou seguir sonhando. Ah, no te 
importava que fora a classes de baile. Possivelmente de vez em quando grunhia um pouco pelo preo, mas seguia as pagando.
E no cria que foram trocas se contas todos aqueles anos.
Para que, papai?
O piscou. Ningum lhe tinha chamado papai desde fazia quase trs anos e sentiu um belisco no corao.
Porque voc estava empenhada em assistir.
E para que, se alguma vez foste acreditar em mim, se alguma vez me foste apoiar e a me permitir dar o seguinte passo?
Isto  o de sempre, Grace. Voc foi muito jovem para ir a Nova Iorque e no era mais que uma tolice.
Era jovem, mas no muito. E se era uma tolice, era a minha. Nunca saberei se era o suficientemente boa. Nunca saberei se tivesse podido fazer realidade aquele sonho, 
porque quando te pedi que me ajudasse a alcan-lo, disse-me que j no tinha idade para tolices. J no tinha idade para tolices repetiu, mas era muito jovem 
para que confiasse em mim.
Eu confiava em ti. Moveu a poltrona para cima bruscamente. E olhe o que aconteceu.
Sim, olhe o que aconteceu. Embaracei-me. No  assim como o expressou naquele momento? Como se fora algo que tivesse feito completamente s com o nico fim de te 
irritar.
Jack Casey no valia para nada. Soube a primeira vez que lhe pus os olhos em cima.
Isso disse, e o seguiu dizendo uma e outra vez at que acabou adotando o brilho do fruto proibido e no pude resistir a prov-lo.
Agora os olhos do Pete jogavam fascas, e ele ficou de p.
Est-me jogando a culpa por te colocar em problemas?
No, de haver alguma, a culpa  minha. E no vou dar desculpas. Mas te direi algo. Jack no era nem a metade de mau de como o apresentava voc.
 Mas te deixou na estacada, no? 
E voc tambm, papai.
A mo dele se disparou para cima, conmocionando a ambos. No chegou a toc-la e tremeu enquanto descendia. Nunca tinha feito mais que lhe dar um aoite no traseiro 
quando era uma menina, e inclusive isso lhe tinha dodo a ele mais que a ela.
Se me tivesse pego disse, tratando de manter a voz baixa e acalmada, teria sido o primeiro sentimento autntico que me manifestaste desde que fui a mame e a 
ti para lhes dizer que estava grvida. Eu sabia que te foste zangar, que te ia doer e que te foste sentir decepcionado. Tinha muito medo. Mas, por mau que pensasse 
que ia ser, foi muito pior. Porque no me apoiou. A segunda vez, papai, e esta era a mais importante de todas, e no esteve a para mim.
Uma filha vem e diz a seu pai que est grvida, que foi e esteve com um homem com o que lhe disse que no fora, e lhe leva tempo aceit-lo.
Voc te envergonhou de mim, e te irritava pensar o que diriam os vizinhos. E, em vez de me olhar e ver o medo que sentia, quo nico viu foi que tinha cometido 
um engano com o que voc foste ter que viver. deu-se a volta at estar segura, completamente segura, de que no ia haver lgrimas. Aubrey no  um engano.  um 
presente.
No poderia quer-la mais do que a quero disse ele.
E a mim menos reps Grace.
Isso no  verdade. Comeou a assustar-se e a sentir-se fatal. Isso no  verdade absolutamente.
Voc te apartou quando me casei com o Jack. Afastou-te de mim.
Voc tambm te apartou.
Talvez. voltou-se de novo. Uma vez tratei de consegui-lo sem ti, economizando dinheiro para ir a Nova Iorque, mas no pude. Logo quis fazer que meu matrimnio 
funcionasse sem ajuda. Mas tampouco isso pude consegui-lo. O nico que ficou foi o beb que crescia dentro de mim, e no estava disposta a falhar tambm nisso. Voc 
nem sequer veio ao hospital quando a tive.
Sim que fui. A provas, agarrou uma revista da mesa e a enrolou at fazer um tubo. Fui e a vi atravs do cristal. Era igual a voc. Pernas largas, largos dedos 
e nada mais que uma pelusilla amarela na cabea. Tambm cheguei at sua habitao. Voc estava dormida. No entrei, no sabia o que te dizer. Desenrolou a revista, 
franziu o cenho a modelo de rosto saudvel da capa e logo a deixou cair na mesa. Suponho que me voltei a pr furioso. Tinha tido uma menina e no tinha marido, 
e eu no sabia o que fazer a respeito. J sabe que tenho idias muito firmes sobre esse tipo de coisas.  duro transigir.
Tampouco fazia falta que transigisse muito.
Eu no fazia mais que esperar que me desse uma oportunidade de faz-lo. Quando esse porco te abandonou, pensei que compreenderia que necessitava ajuda e voltaria 
para casa.
Para que voc pudesse me dizer quanta razo tinha em tudo.
Algo que podia ser arrependimento bateu as asas em seus olhos.
Suponho que mereo que diga isso. Suponho que isso  o que teria feito. voltou-se a sentar. Mas  que eu levava razo...
Ela soltou uma risita.
 curioso como os homens aos que quero levam sempre tanta razo no que a mim concerne. Eu sou o que chamaria uma mulher delicada, papai?
Pela primeira vez em um tempo muito comprido para recordar, ela viu que os olhos de seu pai riam.
A verdade, filha, eu acredito que  to delicada como um poste de ao.
Algo  algo, menos mal.
Sempre desejei que fosse um pouco mais flexvel. Em lugar de vir uma vez, to somente uma, a pedir ajuda, passa-te a vida limpando casas e trabalhando em um bar 
at as tantas.
No voc comece tambm murmurou ela, e se aproximou da janela.
A metade das vezes que te vejo no porto tem olheiras. Claro que, por isso anda tagarelando sua me, todo isso vai trocar dentro de pouco.
Lhe olhou por cima do ombro. 
O que vai trocar?
Ethan Quinn no  homem que v deixar que sua mulher se desgaste trabalhando em dois empregos. Esse  o tipo de homem que teria que ter procurado desde o comeo. 
Um homem honrado, um homem de confiar.
Ela riu de novo e se passou uma mo pelo cabelo.
Mame se equivoca. No me vou casar com o Ethan.
Pete fez gesto de falar de novo e logo fechou a boca. Era o suficientemente preparado para aprender de seus enganos. Se a tinha empurrado para um homem por tirar 
reluzir suas falhas, igual podia apartar a de outro por resenhar suas virtudes.
Bom, j conhece sua me. A deixou o tema. Tratando de ordenar as palavras em sua mente, Pete atirou das joelheiras de suas calas cqui. Me dava medo que fosse 
a Nova Iorque soltou, e logo se moveu quando ela se deu a volta para lhe olhar fixamente. Me dava medo que no voltasse. Tambm me dava medo que sofresse ali. 
Gracie, s tinha dezoito anos e foi muito inocente... Eu sabia que te dava bem a dana. Todo mundo o dizia e sempre eu gostei de como danava. Pensava que se foi 
ali e no te abria a cabea algum assaltante, compreenderia que te queria ficar. E sabia que no podia faz-lo a menos que eu te desse o dinheiro para comear, assim 
no o fiz. Pensei que ou deixaria de desej-lo com tanta intensidade ou que demoraria um ano ou dois em economizar o necessrio. Quando ela no disse nada, ele 
suspirou e se tornou para trs. Um homem trabalha duramente toda sua vida para construir algo, e enquanto o faz pensa que algum dia lhe deixar o negcio a seu 
filho. Meu pai me passou o negcio e eu sempre acreditei que algum dia o passaria a meu filho. Logo tive uma filha, mas dava igual. Nunca quis trocar isso. Mas voc 
nunca quis o que eu planejava te dar. Trabalhar sim que trabalhava. Foi muito boa trabalhadora, mas qualquer podia ver que s estava fazendo um trabalho. Que no 
ia ser sua vida. Sua vida no.
No sabia que o visse desse modo.
No importa como o visse. O negcio no era para ti, simplesmente. Comecei a pensar que algum dia te casaria e que possivelmente seu marido queria meter-se no negcio. 
Dessa forma, ainda lhe podia deixar isso a ti e a seus filhos.
Ento me casei com o Jack e voc tampouco conseguiu seu sonho.
Posou as mos nos joelhos, elevou os dedos e logo os deixou cair.
Talvez Aubrey se interesse por ele. Eu no tenho inteno de me retirar logo. 
Possivelmente.
 uma menina muito boa comentou, ainda olhando-as mos. E  feliz. Voc..., voc  uma boa me, Grace. Est-o fazendo melhor do que caberia esperar, dadas as 
circunstncias. construste uma vida boa para vocs dois, e o tem feito voc sozinha.
O corao do Grace tremeu dolorido. 
Obrigado. Muito obrigado por me dizer isso. 
N..., a sua me gostaria que ficasse jantando. Finalmente elevou a vista e os olhos que se encontraram com os seus no eram frios, no eram distantes. Neles havia 
uma splica e uma desculpa. Tambm eu gostaria.
E a mim tambm. Depois ela se aproximou dele, sentou-se em seu regao e enterrou o rosto em seu ombro. Ai, papai, te senti falta de.
Eu tambm te senti falta de, Gracie. Pete comeou a balanar-se e a chorar. Eu tambm te senti falta de.
Ethan se sentou no degrau superior do alpendre dianteiro do Grace e colocou a bolsa junto a ele. Tinha que admitir que vrias vezes se havia sentido tentado de abri-lo 
e bisbilhotar dentro para ver que coisas to pesadas e to imprescindveis levava uma mulher a todas partes.
Mas at ento tinha conseguido resistir.
Nesse momento se perguntava onde estaria ela. Tinha passado por sua casa em carro fazia quase duas horas antes de ir-se ao estaleiro. Como o carro do Grace no estava 
estacionado, no se deteve. O mais provvel era que a porta da casa estivesse aberta, por isso teria podido deixar a bolsa na sala. Mas isso no teria servido de 
nada.
No tinha feito mais que pensar enquanto trabalhava. Parte dessa atividade girava em torno de quanto demoraria Grace em passar da clera furiosa a um aborrecimento 
leve.
Acreditava que podia enfrentar-se a um aborrecimento leve.
Decidiu que talvez fora melhor que ela no se achasse em casa. Isso dava aos dois mais tempo para acalmar-se.
J te esclareceste?
Ethan suspirou. Tinha cheirado a seu pai antes de lhe ouvir, antes de lhe ver sentado comodamente nos degraus, com as pernas cruzadas pelos tornozelos. Foram os 
amendoins salgados da bolsita que Ray tinha em seu regao. Sempre lhe tinham gostado dos amendoins salgados.
No de tudo. Por mais voltas que lhe dou, no consigo me esclarecer.
s vezes tem que te deixar levar pelas tripas, no pela cabea. Voc tem bons instintos, Ethan.
me deixar levar pelo instinto  o que me colocou nisto. Se no a houvesse meio doido nunca...
Se no a houvesse meio doido nunca, teria-te negado a ti e a ela algo que muita gente procura durante toda sua vida sem encontr-lo jamais. Ray revolveu na bolsita 
e tirou um punhado de amendoins. por que lamentar algo to prezado e to pouco comum?
Tenho-lhe feito mal. Sabia que ia acontecer.
A  onde te equivocou. No em aceitar o amor quando foi devotado, a no ser em no confiar nele a longo prazo. Decepciona-me, Ethan.
Era uma bofetada. Do tipo que ambos sabiam que ia doer mais. Como lhe doeu, Ethan ficou olhando as sedentas florecillas que adoeciam junto aos degraus.
tratei que fazer o que acreditava correto.
Para quem? Para uma mulher que desejava compartilhar sua vida, em qualquer lugar que isso lhes tivesse conduzido? Para os filhos que pudessem ter tido? Entra em 
um terreno perigoso quando trata de adivinhar as intenes de Deus.
Molesto, Ethan olhou de soslaio a seu pai com os olhos entreabridos.
Existe?
Existe o que?
Existe Deus? Digo eu que voc teria que sab-lo, posto que leva uns quantos meses morto.
Ray jogou a cabea para trs e deixou escapar sua maravilhosa risada.
Ethan, sempre desfrutei que seu engenho, e oxal pudssemos comentar juntos os mistrios do universo, mas o tempo passa. Mordiscando os amendoins, observou o rosto 
de seu filho, e, ao faz-lo, seu sorriso travesso se suavizou e se tornou mais clida. Verte crescer e te fazer homem foi um dos maiores prazeres de minha vida. 
Poses um corao to grande como sua baa. Espero que confie nele. Quero que seja feliz. moram-se problemas para todos vs.
Seth?
vai necessitar a sua famlia. A toda sua famlia acrescentou Ray em um sussurro; logo moveu a cabea. H muita aflio no breve tempo que vivemos, Ethan, para 
rechaar a felicidade. te lembre de apreciar as alegrias. Ento apareceu uma fasca em seus olhos e acrescentou: te Prepare, filho. O tempo de pensar te acabou.
Ethan ouviu o carro do Grace e voltou os olhos para a rua. Soube sem olhar que seu pai j no se achava junto a ele.
Quando Grace viu o Ethan sentado nos degraus de seu alpendre dianteiro, desejou posar a cabea no volante. No estava segura de poder suportar outra passada pelo 
mquina de moer das emoes.
Em vez disso, saiu do carro e deu a volta para desatar a cadeira da dormida Aubrey. Com a cabecita de sua filha em seu ombro, dirigiu-se  casa e observou como Ethan 
estirava suas largas pernas e ficava de p.
No gosta de outro assalto contigo, Ethan.
Trouxe-te a bolsa. Deixaste-lhe isso em casa.
Surpreendida, franziu o cenho quando ele o tendeu. Isso s demonstrava o confusa que se achava sua mente; nem sequer se tinha dado conta de que no o levava.
Obrigado.
Tenho que falar contigo, Grace. 
Sinto muito. Devo deitar ao Aubrey. 
Esperarei.
J te hei dito que no tenho vontades de falar mais contigo.
E eu te hei dito que tenho que falar contigo. Esperarei.
Pois ento pode esperar at que me d a vontade replicou, e se meteu na casa.
Ao Ethan deu a sensao de que ela no tinha alcanado o nvel de aborrecimento leve, mas voltou a sentar-se e esperou.
Grace se tomou seu tempo despindo ao Aubrey at deix-la com as braguitas e o fralda. Cobriu-a com um leve lenol e ordenou o quarto. Foi  cozinha e se serve um 
copo de gua de limo que no queria, mas se bebeu at a ltima gota.
Via-o atravs da porta, sentado nos degraus. Por um momento, pensou em chegar at a porta, fech-la e jogar o ferrolho para deixar clara sua postura. Mas se deu 
conta de que no estava to furiosa para fazer algo to mesquinho.
Abriu a porta e a voltou a fechar sem rudo.
J est deitada?
Sim, foi um dia muito comprido para ela. Para mim tambm. Espero que isto no v durar muito.
Suponho que no tem por que. O que quero te dizer  que sinto te haver feito mal, sinto te haver feito desgraada. Como ela no baixou a sentar-se com ele, Ethan 
ficou de p e se voltou para ela. O tenho feito mal e no fui sincero contigo. Teria que hav-lo sido.
No duvido de que o sente, Ethan. Chegou at o corrimo e se inclinou para fora, olhando seu pequeno jardim. No sei se podemos seguir sendo amigos como o fomos 
antes. Sei que  duro levar-se mal com algum que te importa. Hoje me reconciliei com meu pai.
Ah, sim? O deu um passo adiante, logo se deteve porque ela se apartou. S um pouco, o justo para lhe dizer que j no tinha direito a Me toc-la alegro.
Suponho que lhe devo isso a ti. Se no tivesse estado to furiosa contigo, no me teria permitido estar furiosa com ele e soltar-lhe tudo. Agradeo-lhe isso, e 
obrigado tambm por suas desculpas. Agora estou muito cansada, assim...
Hoje me h dito muitas coisas. No ia se liberar dele at que tivesse terminado.
Sim, assim . Ela se moveu de novo e lhe olhou diretamente aos olhos.
Em parte tinha razo, mas no em tudo. No fazer nada com o que eu sentia por ti antes...  como tinha que ser.
Porque voc o diz.
Porque no teria mais de quatorze anos quando comecei a te amar, a te desejar. Eu tinha quase oito anos mais. Eu era j um homem, mas voc seguia sendo uma menina. 
No teria sido bom que eu te tocasse ento. Possivelmente esperei muito. deteve-se e agitou a cabea. Sim, esperei muito. Mas tinha tido tempo de pens-lo e me 
tinha prometido que no te implicaria em meus problemas. Voc foi a nica a que queria tanto como para que me importasse. Em parte, fiz-o por mim, porque sabia que 
se em algum momento te tinha, no ia ser capaz de te deixar partir.
E j tinha decidido fazer isso.
Tinha decidido que ia viver minha vida sozinho. Levava-o bastante bem at recentemente.
Voc o v como um nobre sacrifcio. Eu acredito que  ignorncia. Ela elevou as mos sabendo que se estava esquentando de novo. Mais vale que o deixemos a.
Voc sabe perfeitamente que se nos casssemos, quereria ter mais filhos.
claro que sim. E embora nunca estarei de acordo com seu raciocnio para no engendr-los juntos, h outras formas de criar uma famlia. Voc deveria sab-lo, melhor 
que muita outra gente. Poderamos ter adotado.
O ficou olhando-a.
Voc..., eu acreditei que desejaria ficar grvida.
Pois claro. Desejaria-o porque entesouraria um filho teu que crescesse em meu interior e por saber que estaria a conosco. Mas isso no significa que no pudesse 
encontrar outro caminho. O que aconteceria eu no pudesse ter filhos, Ethan? O que aconteceria estivssemos apaixonados, planejssemos nos casar e nos inteirssemos 
de que eu no podia ter filhos? Deixaria de me amar por isso? Diria-me que no podia te casar comigo?
No, claro que no. Isso no ...
Isso no  amor concluiu ela. Mas no  uma questo de poder ou no poder.  uma questo de no querer. E eu poderia ter tratado de compreender seus sentimentos 
se no me tivesse oculto isso. Se no me tivesse rechaado, quando tudo o que eu desejava era te ajudar. Tampouco  que esteja disposta a fazer concesses em qualquer 
aspecto. No estou disposta a estar com um homem que no respeita meus sentimentos e que no compartilha seus problemas comigo. No estou disposta a estar com um 
homem que no me ama o suficiente para ficar junto a mim, para me fazer a promessa de envelhecer juntos e converter-se no pai de minha filha. E no estou disposta 
a passar minha vida mantendo uma aventura contigo e logo ter que lhe explicar a minha filha por que no me amou e me respeitou o suficiente para te casar comigo.
Ela se dirigiu  porta.
No, Grace. Ele fechou os olhos, contendo o pnico. Por favor, no te afaste de mim.
No sou eu quem se afasta. No o v, Ethan? Voc foste o que se afastou em todo momento.
E terminei justo onde comecei. te olhando. te necessitando. J no posso no faz-lo. Tinha-me feito tantas promessas sobre ti, e no fao mais que as romper. Permiti 
a ela que lhe pusesse as mos em cima a isto tambm disse lentamente. permiti que ela tambm deixasse sua marca no que temos. Quero apagar essa marca se me der 
a oportunidade. Elevou os ombros. estive pensando.
Ela quase sorriu.
V, isso sim  uma novidade.
Quer saber o que estou pensando agora mesmo? Deixando-se guiar pelo instinto, escutando a seu corao, subiu os degraus. O que estou pensando  que sempre foste 
voc, Grace, e s voc. Sempre vais ser voc, e s voc. No posso evitar o desejo de cuidar de ti. Mas isso no significa que seja dbil.  s que me  muito apreciada.
Ethan. A ia fazer ceder, sabia. Por favor, no.
E estou pensando que no vou ser capaz de te dar a oportunidade de viver sem mim, depois de tudo.
O tomou as mos, e as sustentou embora ela tratou de liberar-se. E, com os olhos nos dela, fez-a descender os degraus para apanhar os ltimos raios dourados do sol 
poente.
Nunca te decepcionarei lhe disse. Nunca deixarei de te necessitar a meu lado. Faz-me feliz, Grace. No o apreciei o suficiente, mas o farei de agora em diante. 
Amo-te. Quando ela tremeu, lhe roou a frente com os lbios. Se est pondo o sol. Voc disse que este era o melhor momento para sonhar acordado. Talvez seja o 
melhor momento para escolher o sonho ao que quer te aferrar. Eu quero me aferrar a este. Necessito que me olhe disse brandamente ao tempo que lhe elevava o rosto 
para o seu. Quer te casar comigo, Grace?
A alegria e a esperana floresceram em seu interior.
Ethan.. .
No me responda ainda. Mas j tinha visto a resposta, e cheio de gratido, levou-se as mos dela aos lbios. Entregar ao Aubrey, deixar que lhe d meu nome? 
Permitir-me que seja seu pai?
Os olhos do Grace comearam a encher-se de lgrimas. Tratou das conter. Queria lhe ver claramente enquanto ele se achava frente a ela, olhando-a to seriamente, 
ambos iluminados pela ltima luz do dia.
J sabe que...
Ainda no sussurrou, e esta vez lhe roou os lbios com os seus. Fica outra coisa. Ter filhos comigo, Grace? O viu que as lgrimas que ela tinha lutado por 
reter se derramavam finalmente e se perguntou como tinha podido pensar sequer em lhe negar a ela e a si mesmo esse gozo, esse direito, essa promessa. Constri uma 
vida comigo, uma vida que broto do amor, uma vida que eu possa ver crescer dentro de ti. S um idiota pensaria que o que surja de ns no vai ser formoso.
Tomou o rosto entre as mos e gravou essa imagem em seu corao.
antes de te responder, tenho que saber que isso  o que voc deseja, no s para mim mas tambm para ti mesmo.
Quero uma famlia. Quero construir o que meus pais construram, e preciso faz-lo contigo.
Os lbios dela se curvaram lentamente.
vou casar me contigo, Ethan. vou entregar te a minha filha. vou engendrar filhos contigo. E nos cuidaremos o um ao outro.
O a atraiu para si, s para abra-la, enquanto o sol desaparecia e a luz se atenuava at fazer-se de noite. Seus coraes pulsavam rapidamente. ouviu-se um nico 
suspiro dela segundos antes de que o chotacabras ficasse a cantar na ameixeira do lado.
Dava-me medo que no pudesse me perdoar. 
A mim tambm.
Logo pensei: Ora, Grace me ama muito. Posso Consegui-loLhe escapou a risada enquanto enterrava seu rosto no pescoo dela. Voc no  quo nica pode apanhar a 
algum como um puetero pescado de rocha.
Pois demoraste bastante em picar o anzol.
Se tomar seu tempo para fazer as coisas, consegue o melhor ao final do dia. Enterrou o rosto em cl cabelo dela, desejando seu perfume e sua textura. Agora tenho 
o melhor. Boa, autntica cermica de cermica.
Renda-se, ela se tornou para trs para lhe olhar aos olhos.
 um homem preparado, Ethan.
Faz umas horas h dito que era estpido.
Foi-o. Deu-lhe um sonoro beijo na bochecha. Agora  preparado.
Te senti falta de, Grace.
Ela fechou os olhos e os apertou forte, pensando que era um dia para o perdo, para a esperana, para novos comeos.
Eu tambm, Ethan. Suspirou e depois olisque o ar confundida. Cheira a amendoins comentou enquanto se aproximava mais a ele. Que curioso! Juraria que cheira 
a amendoins.
Explicarei-lhe isso. Elevou-lhe a cabea para lhe dar outro suave beijo. dentro de um ratito.
